O Supremo decidiu o destino de
Renan. A favor
HELIO FERNANDES
O julgamento da
liminar do Ministro Marco Aurélio, começou de forma soberba, com ele mesmo
lendo sua decisão. Poucas vezes se ouve um discurso tão incisivo, decisivo, definitivo.
E contundente, lembrando aos Ministros, ''que precisam pensar nas suas biografias,
na hora de votar".
Foi brilhante, deixou
Renan completamente nu em plena Praça dos Três Poderes. Depois de 16 minutos,
teve que interromper para falarem os advogados e o Procurador Geral.Voltou,
completou 1 hora, provocando admiração e perplexidade.
Daniel
Sarmento, que representa a Rede, autora da ação, magnífico, ratificação
ratificaçã notavel para o relator. (Ele trabalhava no escritório do hoje
Ministro, Luiz Roberto Barroso. Por isso, dignamente se deu por impedido).
“O
advogado do Senado, foi rápido, sucinto, levou o recado de Renan: ”A melhor
solução é mantê-lo na presidência, e afastá-lo da lista de sucessão
presidencial".
Na
verdade é isso que vem sendo transado nos bastidores, desde terça feira. È a primeira
vez que se conhece oficialmente, o que pensa (?) Renan. Pois desde segunda
feira, se recusa a ser intimado, fugindo covarde ou matreiramente do Oficial de
Justiça.
Depois do
próprio relator, o melhor discurso, até agora, quando só falou um único
Ministro, Marco Aurélio, foi de Rodrigo Janot. Duríssimo, claro, sem se
intimidar ou se perturbar com o suposto poder de Renan. Mostrou que não ha
crise, nem hostilidade, e sim discordância.
E lembrou
muito bem, o relacionamento entre a Procuradoria e os Ministros. Muitas vezes
não concordam, divergem, mas isso faz parte, não estão brigando.
Celso de Mello, o decano, abre a votação do plenário
È sempre
uma aula, verbal e de direito. Impossível não reconhecer. Mas partindo de ponto
equivocado, a conclusão será obrigatoriamente equivocada. Foi o que ficou
claramente delineado desde o inicio da sua fala de 31 minutos.
Em nome
da "conciliação nacional", referenda Renan Calheiros. Não havia crise
alguma antes, o que passa a existir agora, é a perplexidade.
Como um
personagem da envergadura de Celso de Mello, caminha na mesma estrada, esburacada
pela permanência de Renan Calheiros.
Infelizmente, 1 a 1. Mas rapidamente usando apenas 2
minutos, o Ministro Fachin apóia integralmente o relator. 2 a 1 para a credibilidade
do Supremo, data venia dos que votarem ou votaram beneficiando um aventureiro
corrupto como Renan.
O grande
Ministro Zavascki, que eu tanto tenho elogiado pela coragem, o discernimento, e
o espírito publico de apoiar a Lava-Jato, continuou combatendo o bom combate. E
apoiou integralmente o relator. Magnífico.
Voto e
comportamento repetido varias vezes, gritam visivelmente na definição de Dias
Toffoli. Nenhuma duvida de que não consegue se desligar de Renan. E como de
outras vezes, não leu o voto, saiu correndo, alegando motivos da sua condição
de vice-presidente. E que como revelei ontem, será presidente do Supremo,
dentro de 20 meses. A verdadeira tragédia anunciada.
Rosa
Weber, Fux e Lewandowski, "construíram” o placar de 5 a 3. Como só estão
votando 9 ministros, a permanência de Renan está garantida. Livraram a
presidente Carmen Lucia, de um desgaste desnecessário.
Ela,
grande adepta da "conciliação nacional", votou nessa direção,
definindo o resultado em 6 a 3. Era o que coordenavam, "por causa da grave
crise do Brasil".
Não ha
crise alguma, o que se vê agora, é a crise da dignidade, com a vitoria da
corrupção. O presidente indireto, que jogou tudo nessa falsa solução, estava
feliz, comemorando a tranqüilidade que acredita que acompanhará seu governo,
sem muito futuro, cada vez mais periclitante.
Vitorioso
Renan e seu grupo de corruptos, o plenário vazio do Supremo parecia um cemitério.
E invisível mas bem legível, um cartaz imaginário com uma frase rivalíssima:
"Aqui jaz a credibilidade . Junto com a
compostura. E a Constituição, estraçalhada".
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