Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CASSAÇÃO DE DILMA E O ESTORIL DO SENADO. FORAM TRES DIAS DE LAGRIMAS E DE INDIGNAÇÃO. E A COMUNIDADE, CADA VEZ MAIS, REPETE: “VOCES NÃO NOS REPRESENTAM”. LULA-LÁ E BOQUINHAS, ESTÃO FORA DO CENÁRIO POLÍTICO.

ROBERTO MONTEIRO PINHO

Na segunda-feira (29) a presidentE afastada Dilma Rousseff comparecerá ao plenário do Senado para fazer sua defesa. Nos dias seguintes, até o seu cadafalso em 31 de agosto, “teceu um rosário de lágrimas”. Falou como se fosse uma heroína nacional, mas novamente sintetizou seu verbo no tempo EU. Esqueceu de citar outros que tombaram naqueles “anos de Chumbo”. Tudo como se ela fosse à personagem central de 21 anos de um estado reacionário e indulgente com a democracia e a liberdade.

Na sexta-feira (26 de agosto) o ex-presidente Lula atendeu um pedido da sua afilhada política para ajudar na articulação de votos contra o impeachment. O resultado foi aquele já amplamente divulgado: 61 a 20.

Antes do resultado e agora mais do que nunca, cabeças pensantes do PT, não querem Lula envolvido de “corpo e alma”, neste episódio. Existe razão para isso, uma vez saindo do cenário, Dilma, será esquecida, já que não tem um histórico de relações com a comunidade política, a não ser com a ala xiita do PT, que influenciou Lula na sua escolha para sucedê-lo.

Não se sabia ao certo como a afastada presidentE, iria se comportar diante da saraivada de acusações, e de perguntas, vez que a acionada pelo Congresso, não tem demonstrado, (alias nunca demonstrou) equilíbrio emocional, diante de pressão política. Tudo indicava que sua reação será desastrosa e inquietante. Daí que os petistas majoritários no partido, querem a exemplo do “núcleo duro” do PT, que Lula permanecesse à margem dos acontecimentos.

Mas ao contrário, sua postura foi totalmente inesperada, suportou a pressão, e ao meu desenhava-se ali, alguma estratégia inovadora, tamanha a interpretação de Dilma.

Invocando o passado de militante de esquerda e o seu julgamento pela ditadura militar para com isso motivar reação contra o impeachment, me parecia a essa altura, um tanto apelativo. De fato em nada ajudou.

O fato é que faltam pouco mais de dois meses para as eleições municipais. Nas duas principais cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, o jogo político não está definido. Mas ao que tudo indica, o PT está “navegando por instrumentos”. Nos 5.570 municípios brasileiros, o PT de Dilma perde feio. O PT sem Dilma, fulminada de vez pelo impeachment, e com Lula, sem o estigma da malfada cassada presidentE, poderá ainda, ter o alento de não “fazer feio nas urnas”.

O ano de 2018 é ali, e já cheira sucessão presidencial. O recheio dessa jornada tem sabor indigesto. Teremos nomes extremamente difíceis de aceitar. As velhas e tradicionais figuras da política brasileira ainda permanecem no palanque.

E o eleitorado, por sua vez, agora passando dos 140 milhões, terá uma árdua, tenebrosa e difícil tarefa de escolher entre, o menos pior.

A decisão do Senado está contaminada por um possível erro de interpretação da Carta Magna. Dividiu a sentença quando o artigo 52 da CF é claro e textual:
No parágrafo único do artigo 52 da Constituição Federal não é desmembravel, porque, em boa a conjunção impõe a necessária cumulação das penas, igualmente autônomas, de perda do cargo de presidente da República e inabilitação por oito anos para o exercício de função pública.
E mais:
Diz o Parágrafo Único do Artigo 52 da Constituição?
“Nos casos previstos nos incisos I (processo contra presidente da República) e II (processo contra STF), funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.”
Não falo aqui terminativamente, apensa coloco exatamente o que diz o texto maior.
Dar a cassada presidentE a esperança de que poderá, ser candidata a cargos eletivos, nomeada para cargos eletivos e trilhar cargos na vida pública, me aparece, um “jogo de cartas”, onde um dos, ou mais participantes estejam com elas MARCADAS. E não seria o Estoril do Senado?

Sem o poder destruído pela inabilidade de Dilma, Lula-Lá e o PT boquinha estão sem perspectiva política.

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