Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 11 de setembro de 2016

Hoje, o fim da vida publica de Eduardo Cunha, que pode não acabar

HELIO FERNANDES
As trapaças, mistificações e masturbações políticas, começaram em novembro. 10 meses até chegar, sem terminar, a este 12 de setembro. Durante esse tempo, os Três Poderes foram motivados e mobilizados em função dele, de suas desonestidades e irregularidades. A partir do primeiro emprego publico, e das acusações provadas e comprovadas, era difícil, praticamente impossível acreditar que fizesse a carreira publica que fez.

Demitido dos cargos, se tornou lobista. Tão conhecido e assumido, que morava num hotel privativo desses sem profissão. Pois o lobby é proibido no Brasil. Embora seja vastamente exercido, principalmente no âmbito da politicalha. E para Eduardo Cunha, passar da politicalha para a política legitima e necessária, nenhum esforço. O inacreditável, é que tenha ido tão longe e vindo até hoje.

Foram 10 meses em que mobilizou as atenções. Pertencia a um Poder, o Legislativo, que dominou sem contestação. Desafiou o Executivo de tal maneira, que conseguiu derrubá-lo, formalizando a posse dos que o “apadrinhavam". Pois sabiam os altíssimos dividendos que receberiam com a promoção de vice a presidente.
Primeiro como provisório. E agora como indireto e sub-judice. Até o momento em que um dos Poderes, o Judiciário, caminhe em direção ao povo, e determine: quem com Cunha se favorece, com Cunha será desfavorecido. Esse é o Poder Eleitoral. Pois o mais alto tribunal do país, o Supremo, embora lentamente, não tenha feito o jogo do ex-presidente corrupto da Câmara.

Réu duas vezes perante esse Poder, ha meses não é julgado. Já deveria ter condenado o réu corretíssimo, que sem liberdade, não poderia entrar com vários recursos, diante do próprio Supremo. Na ultima semana, por duas vezes, fulminado por Ministros, perdeu definitivamente a obsessão de não ser julgado hoje.

Numa sessão que começará ás 7 da noite, sem previsão do tempo de duração. Se terminar com a cassação e a perda dos direitos políticos, podem contar o mínimo de duração de  5 horas. Indo portanto até á meia noite. Mas esse calculo tem o máximo de indefinição, podendo entrar pela madrugada.

O tão ambicionado quórum de 257 votos

Esse é o numero que precisa ser atingido para cassar o corrupto réu. A Câmara abrirá ás 7 da manhã, sem plenário funcionando. Mas com as dependências á disposição dos 513 deputados. 300 deles têm compromisso com o Presidente Rodrigo Maia, de comparecer. Começarão a chegar a partir da hora do almoço, dependendo da distancia dos estados. Mas estarão presentes.                   

Rodrigo Maia avisou que chegará bem cedo, pela ansiedade e pelos contatos. Seu gabinete é ligado diretamente á "chapelaria", ponto de entrada. Assim saberá quem e quantos estarão. Nesses 300, não estão incluídos os 80 ou 90 do PT, PC do B e PDT, com os quais tem relação apenas formal. Praticamente 400, o que corresponde á sua afirmação: "Só abrirei a sessão com 420 deputados presentes, não quero correr riscos desnecessários".

A expectativa é que estarão na Câmara os 513 deputados, ou bem perto disso. Embora muitos se retirarão na hora decisiva. Pelo menos essa é a intenção e a estratégia do próprio acusado. Mas contando com 390 quase certos, o presidente Maia deixa supostos 120 ou 130 a favor de Cunha. Para ganhar, é pouco. Para tumultuar, é muito. E sem duvida: conhecendo como conhecem o regimento interno, levantarão o maximo de questões de ordem.

Rodrigo Maia tem avisado: "Muitos desses recursos, posso indeferir diretamente. Mas quero interferir pessoalmente, o mínimo possível. Então recorrerei para o plenário". Imaginem assim, quantas vezes o plenário terá que ser chamado a decidir sobre protelações. Impossível calcular o tempo desperdiçado por cada consulta. E projetem sobre a duração da sessão. Como calcular o tempo gasto inutilmente. E concluir.

Provavelmente, por volta das 11 da noite, Eduardo Cunha estará cassado. A hora pode ser duvidosa e incerta, o resultado, não. Se os maiores partidos representados na Câmara. E os 3 que apoiavam Dona Dilma e agora a oposição. Não conseguirem os 257 votos, seria ótimo que abandonassem a vida política, não disputassem mais eleição.

Quanto ao presidente indireto, se também não conseguir completar os 257 votos, pode mudar de indireto para renunciante. Haverá então eleição direta. Que o TSE já deveria ter determinado ha muito tempo. Cunha será cassado, mesmo que isso contrarie Temer. Mas se a base do governo, com ou sem a colaboração geral, não obtiver no mínimo 360 votos, é porque essa base, "teve liberdade para decidir". E isso é gravíssimo para o país.

A grande decisão, só depois de meia noite

Cassado Cunha, vem à votação que não deveria haver de modo algum. Pela aprovação do "fatiamento", como aconteceu no Senado. Preservando os direitos de Dona Dilma. Querem utilizar o fato e reproduzi-lo a favor de Cunha. Podem dizer: se o senhor garante que conseguirão os 257 votos para cassá-lo, conseguirão também, para eliminar seus direitos políticos por 8 anos. Realmente parece rigorosamente verdadeiro. Mas não é.

Revejam ou relembrem o impeachment da ex-presidente. Foi cassada por 61 a 20. 25 minutos depois, uma votação autorizada pelo Ministro do Supremo, o placar totalmente diferente. 19 senadores, ( quase um terço do total) inverteram o voto e a "convicção", deram ganho de causa a ela.

Na segunda votação na Câmara, muitos deputados têm a mesma disposição dos senadores. Estão dispostos a cassar Cunha, mas mantê-lo com os direitos políticos. Se a mudança de voto ocorrer na mesma proporção, Cunha e seus apaniguados estarão salvos.

Haverá uma guerra de questões de ordem, de horas. Quero que não aconteça. Será terrível para o país, para a comunidade, para o Supremo. Que teve uma semana para impedir que isso acontecesse. Minha crença e total esperança: que 10 Ministros, usem todas as datas venias que não têm usado, se unam, e considerem o "fatiamento" inconstitucional. Como de fato é.

Temer desgoverna

Enquanto não decide o que o agrada ou desagrada, no julgamento de logo mais, o presidente indireto desestrutura totalmente. Pessoal, administrativa, econômica e politicamente. Teve tempo para isso. No caso Cunha, esgotou os dias, de quinta ate hoje. Agora tem que esperar o final da noite desta segunda. Ou o desenrolar da madrugada, já na terça. Aproveitou para demitir ou repreender ministros.

O Advogado Geral da União, pensou (?) que era mesmo Ministro independente, tentou se libertar do domínio de Eliseu Padilha.Foi demitido, com ressalvas e receios. È difícil garantir quem é mais poluente e incompetente.

O Ministro do Trabalho desagradou o Chefe da Casa Civil, foi desconsiderado, com todo mundo sabendo.

Imediatamente até o inefável Paulinho da Força se irritou, telefonou para Temer: "Temos que conversar com urgência". Será recebido amanhã, terça, no meio da incompatibilidade do momento. Assunto: reforma trabalhista.

Tem que resolver as exigências dos senadores Jucá e Renan. O primeiro quer voltar ao Planejamento.O segundo exige a nomeação do Ministro do Turismo,indicado por ele.Desde o mês passado.Como se julga genial, pediu aos dois, certificado de "nada consta", nos arquivos da Lava-Jato.Temer é incógnita completa.

Política, econômica, pessoal. Menos na Lava-Jato. Adoraria que ela não existisse ou acabasse. Só não tem coragem de combatê-la. E chega ao pânico, só em imaginar até onde ela pode chegar. Os caminhos do Jaburu são conhecidos. Pela Lava-jato e pelo saudoso amigo, Eduardo Cunha.

PS- No meio de tanta noticia negativa, depreciativa, nociva, pelo menos uma positiva. Posse de Carmem Lucia como presidente do Supremo. Consciente, respeitada, impregnada do verdadeiro espírito do magistrado.

PS2- Assume sem festa, foguete, comemoração. Mas com a presença de "quem é quem". E até de quem não é. 24 ou 48 horas depois da posse, já receberá recurso de Eduardo Cunha. Cassado depois de muitos artifícios e mobilizações espúrias, tentará mais uma vez, "comover" o mais alto tribunal. Procurando anular o que a Câmara decidirá hoje ou na madrugada de amanhã.

PS3-  Alem das questões constitucionais que o supremo tem deixado para trás. Terá que se dedicar intensamente, a unir o que se constitui hoje,em fortíssima desunião.O plenário, vencedor, coletivamente.È desrespeitado e desconhecido,individualmente


PS4- No limiar de domingo (11) o ministro Luiz Eduardo Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para suspender a votação na Câmara que pode levar à cassação do mandato dele. Marcada para esta segunda (12), que promete mais um capitulo com muito frenesi político. Este foi o sexto pedido feito por Eduardo Cunha desde o início do processo contra ele na Câmara, o quinto negado pelo Supremo. Ele conseguiu autorização apenas para comparecer à Câmara para se defender pessoalmente na Comissão de Constituição e Justiça.

PS5- Os argumentos do advogado de Cunha, são os mesmos, das vezes anteriores, citação, prazo entre outros pretextos de uma justiça que é mais conivente que combativa.  Eduardo Cunha responde por quebra de decoro parlamentar sob a acusação de que mentiu na CPI da Petrobras sobre existência de contas na Suíça em seu nome. Além do processo na Casa, ele é alvo de ação penal no STF e a Procuradoria-Geral da República afirma que ele usou contas no exterior para lavar dinheiro desviado da Petrobras.




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