Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

7 de Setembro: Independência ou Temer. E a proteção imoral do presidente indireto a Cunha

HELIO FERNANDES

Sem a menor hesitação, o povo de Brasília manifestou a sua convicção: vaiou o presidente indireto, assim que ele chegou. (O mesmo aconteceu em quase todos os estados, mesmo com Temer a quilômetros de distancia). Repudiado de corpo presente, praticou o recuo, como faz habitualmente. Sua marca inviolável, nesses quase 4 meses em que está no governo. Primeiro como presidente provisório. Agora como presidente indireto e impopular. 

Mas apesar de tudo, já tentando se transformar em presidente direto. O que ele pretende que aconteça em 2018. Aos 78 anos e na primeira eleição direta da sua vida. Para que isso se transforme em realidade,vai mudando sem constrangimento. Tomando a forma do vaso que o contém, qualquer que seja o tamanho.

Com sua chegada, ontem, as vaias começaram e não pararam. Imediatamente "apoiou" os protestos, desmentindo os comentários disparatados e desnecessários que fez na China. De lá, condenou as manifestações, "inexpressivas e predadoras". Ontem, com aquele mesmo sorriso melífluo de sempre, falou: "Protestos fazem parte da democracia, têm que ser aceitos, não podem ser reprimidos".

Quer dizer: seguiu a orientação do Ministro Meirelles, que disse exatamente isso na televisão. E ganhando raros parabéns deste repórter. Temer recebeu mais vaias, teve que "desfilar" em carro fechado. Humilhação e constatação da impopularidade. Covardia, nada a ver com credibilidade.

Mas essa mudança de rota, serve para as mais diversas instancias ou circunstancias. Na véspera, mal desembarcado da China, recebeu a imposição do poderoso aliado PSDB: "Queremos que o projeto de reforma da Previdência, seja enviado ao Congresso e discutido antes das eleições".

Não discutiu, discordou, aceitou. Chamou o ministro-secretario que trata dessas coisas no Congresso, deu as ordens, que ele logo sintetizou publicamente: "O projeto da Previdência está praticamente pronto, vamos enviá-lo até o fim do mês". Tudo farsa ou jogo de cena.

Setembro acaba dia 30, a eleição se realiza alguns dias depois. Logo no inicio de outubro. Alem do mais, na questão da Previdência, só existe um '"projetinho''. redigido por áulicos e apaniguados, que se intitulam de assessores. Sofre oposição violenta de todos os lados. E mais e irrefutável. Antes da eleição municipal só existe uma sessão que obrigatoriamente terá que ser votada. Com quórum ou sem quórum.

(A do dia 12, dentro de 72 horas, tratarei separadamente. Espero apenas alguns dados. Os 513 deputados estão envolvidos. Incluindo o deputado Eduardo Cunha, o principal personagem de tudo. Sem esquecer o próprio presidente indireto, cada vez mais preocupado com o calendário de setembro. No momento, tudo pode acontecer na próxima segunda feira. O único fato irrefutável: 90 por cento da comunidade quer a cassação do corrupto. Com a perda dos direitos. e o fim da sua permanência na vida publica).

Temer: incongruências, inapetências, incompetências.

Pensava (?) que chegar ao poder sem voto e sem credenciais, fosse mais fácil. Assumiu provisório, passou a indireto. Promete muito, não cumpre, mesmo em raras oportunidades. Completa 4 meses da conquista da traição conspiração, nenhuma realização.

Garantiu um ministério de "notáveis". Por falta de conhecimento ou relacionamento, teve que governar com esse que está aí. Sabe que precisa mudar, e muito. Mas os obstáculos são enormes. Romero Jucá, ministro todo poderoso, nomeado como potencia,foi demitido como um ignorado e desprezado morador de rua. Quer voltar. Temer não sabe o que fazer. Impossível renomea-lo. Mas como resistir ás suas exigências?

Praticamente prisioneiro do PSDB, gostaria de se livrar da sua colaboração. Acreditava que os ministros do partido, num rompimento ostensivo, se manteriam no governo. Foi informado que não é bem assim. E o problema com a maioria do PMDB, um tormento. Renan ainda tem 5 meses como presidente do senado, tem que aturá-lo.

Rodrigo Maia: "O PSDB votará em massa com o governo".

E depois na "vala comum" do plenário, como Renan se comportará?  Eunicio de Oliveira, novo presidente em janeiro-fevereiro, indefinido e indefinível. Votou contra o "fatiamento", a favor de Dona Dilma. Mas pode ser uma jogada entre os dois. São hábeis e não suicidas.

A propósito da reforma ministerial, nova e enorme decepção: a equipe econômica. Intocável por determinação dele mesmo, fracasso em cima de fracasso. Tem que manter o Ministro da Fazenda e o Presidente do Banco Central, afinal a "equipe econômica" se resume e se esgota com os dois. Não pode nem imaginar substituí-los. E por quem?

Numa escala de zero a 10, a equipe econômica, por esses 4 meses, mereceria menos zero. Não houve progresso algum. Com Dilma a inflação estava em 7,9 por cento. Com as fanfarronices e as bazofias, está em 7,4. E não têm nenhuma certeza ou segurança, basta ver os juros. Com Dona Dilma, estavam em 14,25, altíssimo. Defendi que já deviam estar em 10 por cento. Nem ela nem o provisório, agora indireto, tocaram no assunto. Prometem.

A indústria automobilística, na comparação agosto 2015, agosto 2016, teve uma queda na produção e venda, 18 por cento mais baixa. Dos 12 milhões de desem-
pregados, uma parte grande é desse setor. E na comparação, 4 meses pertencem á equipe de Temer. Ele assumiu com 11 milhões e 300 mil sem trabalho. Portanto, com ele, mais 700 mil não têm como viver.

Desumanidade e desigualdade

Inglaterra e França, gastaram fabulas de dinheiro, para construir uma ligação 
subterrânea entre os dois países. Segura e confortável. Foi considerada a obra do século em matéria de transporte. Ricos e poderosos de vários países, podiam se deslocar com a maior tranqüilidade.

Agora, a mesma Inglaterra e a mesma França, estão construindo um muro. O objetivo é exatamente o contrario da construção anterior. Pretendem impedir que dezenas ou até centenas de milhares de fugitivos, se refugiem nos dois países.

90 por cento, tiveram que abandonar seu pais, a Síria, por causa da guerra civil. 11 milhões vagam de forma alucinada e desesperada, enquanto o ditador da Síria é mantido no poder. Ele é um grande cliente, principalmente dos fabricantes de 
armamentos. 

O custo do bombardeio dos dois lados, durante uma semana, daria para sustentar 40 mil famílias, durante 20 anos. Dados oficiais. Outro dado monstruoso, revelado ontem, pela UNICEF: 50 milhões de crianças vivem fora de casa, isoladas, abandonadas, por causa da guerra nos seus países. Quantas escolas e universidades poderiam ser construídas, em vez de penitenciarias, com esse dinheiro amaldiçoado e sangrando.

A extraordinária abertura da Paralimpiada

Deslumbrante, emocionante, maravilhosa. Como o espetáculo se inicia com a bandeira sendo hasteada, na Olimpíada, o violão mágico de Paulinho da Viola. Ontem, Paralimpiada o piano insuperável do maestro João Carlos Martins. Que aos 76 anos, superou tudo, parou por muitos anos. Não desistiu. Empolgante.

O deslumbramento das cores, a sincronização, e o desfile inicial com os porta-bandeiras em cadeiras de rodas, mostrando a satisfação de estarem ali. E o que isso representa como conquista. Não ha como descrever 300 competidores, na véspera da disputa, se apresentarem em cadeiras de rodas, como participantes que se julgavam ultrapassados do esporte.

Muitos artistas e criadores que estavam num trabalho notável na Olimpíada, também colaboraram no de ontem, a Paralimpiada. Mas rigorosamente obrigatória quero fazer uma citação especial ao diretor geral do espetáculo, o escritor e também atingido por um desastre, Marcelo Rubens Paiva. Ele mesmo disse: "Fiz tudo com o. coração e com humanidade". Esse é o Marcelo, antes e depois do desastre. Que conheço ha 50 anos.

Filho do meu grande amigo Rubens Paiva, que em 1971, exatamente ha 45 anos, era triturado, torturado e morto, no centro de massacre humano da Aeronáutica e do DOI-CODI. Antes dessa tragédia, com 11 ou 12 anos ia habitualmente ao Maracanã, comigo, meus filhos Bruno e Rodolfo, e Marquinhos Gasparian (filho de outro resistente e combatente, Fernando Gasparian), todos da mesma idade.

Só um homem com a sensibilidade, o sofrimento, e a humanidade que acumulou dentro dele, como Marcelo, poderia colocar tudo a serviço de uma credibilidade de milhões de pessoas no mundo inteiro. Marcelo Rubens Paiva merece.

PS-O Supremo tem milhares de questões para julgar, importantíssimas. Algumas que podem movimentar ou substituir personagens que ocuparam a presidência da Câmara e até da presidência da Republica. O ex-presidente da Câmara é réu duas vezes no próprio Supremo. E com a omissão, pode ser beneficiado na próxima segunda feira, dia 12.

PS2- Não quer julgar a questão do impeachment, pode atingir o ministro Lewandowski. Que nesse julgamento, tomou decisão, que no mesmo dia, chamei de "esdrúxula e extravagante". E que o falastrão Ministro Gilmar Mendes, 48 horas depois, rotulou de "bizarra".

PS3- No julgamento logo depois, o Supremo colocou em pauta, e JULGOU, uma divergência entre o Conselho Federal da OAB e a seção do Paraná, do mesmo Conselho. Acredito que a questão e a suposta divergência, deve ser decidida pela Justiça. Mas não por uma instancia tão relevante.


PS4- Aproveitando, os senhores ministros, pararam a semana inteira. Também, concordo, não deviam trabalhar na comemoração da "independência”, tão duvidosa quanto a Republica. Mas não precisavam, indiretamente, facilitar a vida do corrupto Eduardo Cunha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário