Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 15 de novembro de 2018





OS PERSONAGENS MAIS IMPORTANTES DO GOLPE DE 64, FORAM JOÃO GOULART E OS GENERAIS. JANGO QUERIA FICAR NO PODER, OS GENERAIS QUERIAM TOMAR O PODER.
HELIO FERNANDES
Matéria reprise de 17.01.15
A História do Brasil é inundada e conspurcada por golpes e mais golpes. O primeiro aconteceu em 1889 quando República foi dizimada por dois marechais cavalarianos, que mal podiam subir num cavalo. Essa República que não é a dos nossos sonhos se dissipou nos 41 anos do partido Republicano, até 1930.
Aí veio outro golpe a longo prazo, que se transformou numa ditadura de 15 anos, que chamaram de Revolução. Os primeiros sete anos, poder de apenas um homem (Vargas), pelo menos não havia violência, tortura, prisão, perseguição. Era apenas preparação para o que surgiria em 1937, o assombroso e cruel "Estado Novo", com o mesmo Vargas, apoiado e garantido pelos generais.
Como explico sempre não existe ditadura civil ou ditadura militar, e sim a conjugação de civis e militares. Uns não podem manter o poder sem os outros, são aliados sem o menor constrangimento. Pulemos logo para 1960, quando foi dado o inicio ao golpe de 64.
Nesse ano, pela primeira e única vez, os vice-presidentes eram eleitos pelo voto direto, junto com os presidentes. Era registrada uma chapa, dois nomes, o cidadão-contribuinte-eleitor votava duas vezes, no presidente e no vice.
Jânio Quadros, franco favorito, apoiadissimo pela UDN, teve que aceitar um candidato da UDN, o responssabilissimo Milton Campos. Queria como vice, João Goulart, sabia que este faria tudo o que ele mandasse. Coisa que não aconteceria com um homem como Milton Campos.
Sem caráter, escrúpulos ou convicções, Jânio corrigindo as coisas, criando o Comitê, Jan-Jan, mandando que votassem em Jango para vice-presidente, o que aconteceu.
Jânio: posse, véspera da renúncia.
Jânio chegou ao poder em janeiro de 61, começou logo a articulação com os generais que o apoiavam, para que "conquistasse" o poder sem tempo sem limitação. Meses depois mandou o vice João Goulart para Cingapura, o outro lado do mundo, sem nenhum projeto, nenhuma negociação ou acordo com outros países.
Jango que não era brilhante, mas não tinha nada de tolo, desconfiou da viagem, mas foi. Quando estava lá, recebeu duas notícias. 1 - Jânio renunciara, não se sabia onde estava. 2 - Os generais não dariam posse a ele, apesar de ser vice e o substituto natural, não assumiria. Confusão terrível, os generais tinham armas mas não tinham popularidade. Tiveram que negociar.
Jango voltou, mas não veio direto para o Brasil, parou em Montevidéu. Tancredo Neves, que fora Ministro da Justiça de Vargas em 1951, e tinha ficado intimissimo de Jango, Ministro do Trabalho, negociou. E os generais para não perderem tudo, sugeriram o "parlamentarismo com Tancredo de Primeiro Ministro", o que aconteceu.
 (De passagem, esclarecimento para mostrar o péssimo relacionamento de Jango com os militares, exatamente o contrário do seu mestre e protetor, Getúlio Vargas. Ministro do Trabalho, em 1952 Jango dobrou o salário mínimo, os militares não gostaram. Publicaram então o que se chamou de "Manifesto dos coronéis". 69 deles exigiam a demissão de Jango, este aceitou cordatamente. Tancredo aconselhou-o a ficar, Jango não aceitou).
Brizola não queria que Jango aceitasse o Parlamentarismo, obteve do cunhado, a resposta: "Já aceitei. Tancredo é nosso amigo, estamos no poder". Todo o ano de 1962, foi de preparação para o referendo.
Conseguiu marcar a escolha para o dia 6 de janeiro de 1963. Vitória facílima, 8 milhões para o presidencialismo, apenas 2 milhões parlamentarias, Jango tomou posse logo, era outro Jango inteiramente diferente. A eleição estava marcada para outubro de 1965, tinha muito tempo pela frente, começou a agir.
Tenta atingir Lacerda.
Em março desse 1963, manda Mensagem ao Congresso, decretando Intervenção na Guanabara. O objetivo nítido e visível é tirar Carlos Lacerda do governo da Guanabara. O Congresso reage assombrado, não concorda, nem mesmo os partidos que o apoiam.
Os líderes Waldir Pires (PSD) e Doutel d Andrade (PTB) vão ao palácio Laranjeiras, (Jango quase não ia a Brasília) dizem a ele, “não há clima para a intervenção”. Jango imediatamente retira a Mensagem.
Chega a vez deste repórter.
Em 21 de julho, recebo de um extraordinário informante, cópia autentica de uma circular que o Ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro mandara a 12 generais. (no total eram 36). No, dois carimbos: “Sigiloso e confidencial”.
Lógico, publico no mesmo dia, assim que a Tribuna sai, Jango telefona para o Ministro, e deu a ordem: “mande prender o jornalista AUDACIOSO, e enquadre na Lei de segurança”.
Fui preso no mesmo dia, no Batalhão de Polícia, na Barão de Mesquita, onde anos depois se abrigaria o Doi-Codi, comandado inicialmente pelo general Orlando Geisel, mais tarde Ministro da Guerra. Na hora do banho de sol, pude constatar a tremenda divisão do Exército.

Alguns oficiais cruzavam comigo, diziam, "resista, Hélio, estamos com você". Outros me olhavam com ar feroz, se pudessem me fuzilavam. Enquanto isso, meus advogados, Sobral Pinto, Prado Kelly, Adauto Cardoso e Prudente de Moraes, neto, entravam com Habeas-Corpus no Supremo.

O bravo presidente, Ministro Ribeiro da Costa mandou ouvir o Ministro para "saber quem mandara me prender". O general confirmou, aí o Supremo teve que julgar. Desconfiando de que havia alguma coisa fora da curva. O ministro ficou como relator, o que o regimento interno permite. Aceleraram o julgamento, para que terminasse em julho mesmo, os poderosos são supersticiosos, têm pânico do mês de agosto.
Ganhei de 5 a 4, surpresa para o presidente Jango e seu Ministro da Guerra. 
Tudo estava preparado para que me condenassem a 15 anos de prisão.
Vou numerar os quesitos para facilitar a compreensão.
1- "Em março de 63 foi feita pesquisa, Jango aparece com 70% de aprovação. 
86 na classe pobre, 62 na A e B". Desculpe, Navarro não houve nenhuma 
pesquisa oficial. Se tivesse havido, Jango não teria obtido 62% 
nas classes A e B.
2- Outra suposta pesquisa, perguntava. "se Jango pudesse ser candidato, 
o que aconteceria?". Não houve mais essa "pesquisa", a reeleição era impossível.
3- Folha e Estadão não tinham censores nas redações. Os censores só foram 
impostos para alguns jornais, a partir de 1968, pouco antes do macabro AI-5. 
A situação do Estadão, sempre foi a mesma, desde 1932, quando surgiu 
a "Revolução Constitucionalista de 32", comandada pelo Doutor Julio Mesquita. 
Em 1937 ele foi exilado em Portugal, junto com o ex-presidente Bernardes.
Em 64 apoiou o golpe, não demorou muito foi dos maiores combatentes. 
Da ditadura. Doutor Julio era assim, gostava do que considerava o bom combate. 
Não tinha interesse, acima de tudo convicções. Diferente de quase todos 
os outros.
4- Depois foi sempre contra o golpe, a tortura, a perseguição, não transigia. 
O jornal foi sempre independente, contra ou a favor. 5- Juscelino era franco 
favorito para 1965. Pouco antes de terminar seu mandato, fez sondagens sobre 
uma possível reeleição, confessou, "não havia clima, desisti". 
Mas lançou seu nome para 65, não perderia.
6- Jango nem era considerado, jamais ganhou eleição, a não ser a fraude 
da vice montada por Jango em 1960. 7- Os candidatos para disputaren 
contra JK,se não tivesse havido o golpe, seriam Ademar de Barros 
pelo PPS, e Lacerda pela UDN. Este sempre admitiu que "sua grande meta 
era a presidência".

Final: vi, vivi, convivi. Tudo aqui é fato. Conclusão é outra coisa, cabe a cada um. 
Os jornalões enriqueceram com o golpe, ganharam canais de radio, televisão 
(que nem havia na época), hoje explicam o passado: "Apoiar a ditadura 
foi equivoco jornalístico". 

Enriquecidos mas não arrependidos. Só que sabem que nada é esquecido, 
precisa ser explicado.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

BOLSONARO TENTA SALVAR
A LIBERDADE DE TEMER, ENCONTRA
ENORMES DIFICULDADES

HELIO FERNANDES

Estabeleceram, logo e surpreendentemente, excelente relacionamento. O
presidente corrupto e usurpador, facilitou  tudo para a transição,
obrigatória. Chegou a nomear o futuro Chefe da Casa Civil, ministro
Extraordinário, fato inédito. Depois insistiu com o presidente
eleito,  para aprovar imediatamente a badalada, inútil e desnecessária
reforma da Previdência.

Bolsonaro aceitou entusiasmado, mas é difícil aprovar essa farsa do
déficit da Previdência,  déficit que não existe. O que se conhece é a
roubalheira e a sonegação, incessante e interminável.(O competente
jornalista e advogado, José Carlos Werneck, escreveu verdadeiros
Tratados sobre o assunto, sem o mínimo desmentido).

Ontem, Bolsonaro desistiu, afirmou: "Reforma da Previdência, só em
1919". Mas manteve o propósito de livrá-lo da punição, a partir do
primeiro dia de 2019. Parecia fácil, a nomeação como embaixador, mesmo
de terceira categoria. Só que pesquisas e sondagens, mesmo fortuitas,
concluíram, era praticamente impossível qualquer agreement. Mudaram a
expectativa para um cargo a ser preenchido  com simples indicação do
governo brasileiro.

O surpreendente Joaquin Levy, que não para em cargo algum, aceitou
presidir o BNDES, deixou um cargo suculento nos EUA. Só que esse não
serve para o presidente corrupto e usurpador, precisa  ser
economista. Existem outros, Bolsonaro continua com a ideia.

PS- Agora a situação complicou tremendamente para o presidente corrupto
usurpador. Ele tem 10 dias para sancionar ou vetar, aumentar o
salário  dos  magistrados ou manter como estão.

PS2- Sancionar: agrada a 40 mil magistrados de todas as instancias.

PS3- Vetar: agrada apenas o presidente eleito, desagrada e até revolta
os 40 mil magistrados, que não ganharão o aumento de 6 mil reais
mensais.

PS4- E vetarão toda e qualquer providencia de Bolsonaro, favorecendo Temer.
 
O BRASIL NÃO TERÁ MINISTRO DO EXTERIOR?
 
È o que parece. Por causa da reputação do candidato, chamado de
nazista e fascista, por todos os grandes jornais do mundo,deveria ser
a primeira nomeação, recaindo naturalmente por uma figura excelsa do
Itamarati.
 
O ministério já está praticamente completo, e nada de nomes como
chanceler. Surgiram 2 lembranças de embaixadores aposentados, o que é
desapreço com a renomada e respeitada diplomacia. Em todas as
carreiras ou profissões, o aposentado cumpriu sua trajetória. Não pode
ser considerado indispensável. Dentro de 1 mês, o presidente eleito
será submetido a uma cirurgia.
 
E a escolha do Ministro do Exterior, haja o que houver, será anunciada
ás pressas.
 
NINGUÉM ACREDITA EM SERGIO MORO, NA VERDADE, 
SEMPRE FOI DESACREDITADO
 
Como a corrupção atingiu níveis espantosos, o combate atingiu uma
repercussão sem precedentes.E agindo matreiramente,faturou
pessoalmente a revolta da comunidade, capitalizando a popularidade
provocada pelo vulto da roubalheira. Mas quando foi contestado, e
colocado diante de atos e fatos controversos, ficou totalmente a
descoberto, mentindo, mistificando, trapaceando verbalmente.
 
Os dois assuntos, o domínio total da corrupção, e a campanha
presidencial, ocorreram ao mesmo tempo. Era natural, portanto, que seu
nome aparecesse como candidato. Veio a publico varias vezes, até com
raiva (forçada e inexistente) e violência, desmentindo que essa
possibilidade pudesse ocorrer. E para reforçar o que pretendia que
fosse convicção inabalável, afirmou como se fosse um fato eterno,
imortal e duradouro.
 
Textual: "Não deixarei a magistratura por nada, muito menos para fazer
carreira política".
 
Não transcorreram 2 anos, começou vibrante carreira política, sem
deixar a magistratura. Plantou um relacionamento criminoso com Jair
Bolsonaro. E para conseguir o objetivo dos dois, a permanência na
magistratura era fundamental. Cumpriu a sua parte no acordo, sem ele e
para favorecer o capitão,o ex-presidente Lula continuaria elegível e
candidato. Com a coordenação Moro-Bolsonaro, os dois conversaram por
tres vezes, com os resultados que dominam o noticiário hoje.
 
Só que Bolsonaro é presidente eleito, e Moro continua fingindo, como no
Fantástico: "Não serei candidato a presidente". Então por que abandonou
a magistratura por um ministério, do qual pode ser demitido a qualquer
momento? Alem do mais, responde a uma investigação no CNJ, cuja

conclusão pode se altamente ruinosa para ele.

QUINTA - FEIRA, FERIADO ESSA COLUNA NÃO VAI CIRCULAR

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A PIOR SEMANA DE BOLSONARO, DEPOIS
DE PRESIDENTE ELEITO

HELIO FERNANDES

A partir da arrogância da vitoria no segundo turno, 15 dias de
contradições,  erros, desacertos e  equívocos insanáveis e irrefutáveis
na formação da equipe. E como consequencia, derrotas e mais derrotas,
no plano militar, legislativo, judiciário. A mais clamorosa,
acachapante,  destruiu o que ele cultivava como "seu grande trunfo", no
caso do visível e previsível fracasso administrativo: o que insinuava
e deixava á mostra, uma intervenção militar.

Isso que ele tentava deixar público como fato rigorosamente
verdadeiro, não resistiu  a uma entrevista do general-ministro Villas
Boas. Usando radio, jornal e televisão, retumbou: "A eleição  do
Bolsonaro não significa a volta dos militares á vida civil". Muita
gente lembrou que o mesmo general tentou impedir  que o STF concedesse
HC ao ex-presidente Lula.

Foi um fato de bastidores, com o sigilo desvendado.Agora, uma
entrevista gravada, falada, escrita, assinada e confirmada. Bolsonaro
sentiu o  golpe, ficou sozinho e isolado. As derrotas se acumulariam,
registrarei as mais  importantes.Uma, pessoal e irreversível, diante
do presidente do senado. Tendo sabido que o presidente Eunicio de
Oliveira, (não reeleito) iria colocar em pauta o aumento dos ministros
do STF, teto para o salário publico, pediu a ele, pessoalmente, que
retirasse o projeto da pauta.

Eunicio fez exatamente o contrario, em 72 horas estava tudo
aprovado. E o presidente eleito mostrando a falta de prestigio. Ficou
revoltado, tinha encontro marcado com o presidente da Câmara e senado.
Revoltado, desmarcou. Hoje estará novamente em Brasília, talvez mude de
ideia.

Faltava Bolsonaro e suas ligações nada republicanas com Sergio Moro,
serem devassadas pelo judiciário. Não falta mais. O corregedor do
CNJ, (Conselho Nacional de Justiça, presidido pelo presidente do
STF, criado para investigar o comportamento de magistrados)  determinou
uma devassa para que se esclareça a razão da nomeação de um magistrado
de tão grande participação na campanha e na eleição de Bolsonaro, logo
elevado á condição  de ministro de duas pastas, e o personagem mais
importante da Republica, logo depois do presidente eleito.

Não estou descobrindo o assunto agora. Durante toda campanha
eleitoral, e  principalmente de bastidores, denunciei  a ligação
espúria e rigorosamente  criminosa entre o candidato e o magistrado
que aplainou o caminho, para que ele chegasse ao Planalto.  Tive acesso
a 3 encontros entre o candidato  e o magistrado. Único assunto
tratado, coordenado, conversado. As  providencias para que o
ex-presidente Lula ficasse inelegível.

Era o ponto vulnerável e fundamental, para que a candidatura
Bolsonaro passasse a existir. Com Lula elegível, Bolsonaro ficaria
sem mandato. Nem presidente nem deputado. Escrevi sobre isso, até o
fim.

PS- O CNJ tem poderes para pedir ao Face Book, a transcrição de tudo
que escrevi sobre a ligação Bolsonaro-Moro.

PS2- Nem precisa, mas têm minha autorização antecipada.
 
ARMÍNIO FRAGA MOSTRA QUE BOLSONARO 
NÃO VÊ NEM O ÓBVIO
 
Destacado economista, notável presidente do Banco Central, sabe que a
vida não se esgota apenas nesse assunto. Numa entrevista à repórter
Alexa Salomão, diz que o presidente eleito precisa compreender que os
assuntos sociais e culturais, tem prioridade sobre todos os outros,
porque provocam as maiores desigualdades. Como economista, ele trata
de todas as matérias, e se surpreende com o desconhecimento de um
futuro presidente da República.
 
Falando com a repórter, mas se dirigindo diretamente à Bolsonaro,
recomenda que o debate seja o mais amplo possível. Nem apenas
econômico, nem desconhecendo os assuntos que atingem principalmente as
minorias, completamente abandonadas. Terminando, ele ensina com toda a
categoria: "Não sabemos ainda, as implicações econômicas do

conservadorismo cultural.

FIM DAS ELEIÇÕES E OS CORRUTOS RESISTEM. QUEM VENCERÁ? BASTOU O ELEITOR FAZER A SUA PARTE? O RECENTE AUMENTO DOS JUÍZES, SINALIZA QUE A REPÚBLICA ESTÁ SENDO COMANDADA PELO JUDICIÁRIO. E O LEGISLATIVO E O CONGRESSO, APENAS DECORATIVOS. SERIAM ESSES MINISTROS DOS STF OS COMANDANTES DE FATO DA NAÇÃO? PELO VISTO O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO TERÁ QUE ENFRENTAR CORAJOSAMENTE ESSA QUESTÃO. PARA ISSO FAZER COM QUE O PRESIDENTE MICHEL TEMER VETE O AUMENTO. SOB PENA DE PERECER DIANTE DOS VAMPIROS DO PODER E DA REPÚBLICA.

ROBERTO MONTEIRO PINHO

Quem ainda imagina que a extinção da Justiça do Trabalho esteja longe de acontecer, posso asseverar por fontes do governo, que a especializada será encampada pela Justiça Federal, com a modificação de cunho jurídico de que as relações de emprego se tornarão contratos civis e resolvidos nas varas cíveis estaduais que passariam a ser o juízo competente para tais questões privadas.

O modelo não é novo, existe na CLT a previsão de que onde não existir vara trabalhista a justiça estadual é competente para julgar ação trabalhista.

Em setembro deste ano a operação Registro Espúrio investigou fraude com dinheiro de contribuição sindical de uma conta administrada pelo Ministério do Trabalho. De acordo com a Polícia Federal, os pedidos de restituições sindicais eram manipulados por uma organização criminosa. Os desvios passavam de R$ 9 milhões. 

Em pouco mais de um ano de investigação, a operação levou à queda do ministro do Trabalho Helton Yomura e também apura a suposta participação do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, e da filha dele.

A deputada Cristiane Brasil chegou a ser indicada para o cargo de ministra do Trabalho, se envolveu em uma série de polêmicas e, por ser alvo da operação, está proibida de entrar no ministério e de manter contato com outros investigados. O dano foi violento as pretensões dela se reeleger deputada. Acabou ficando de fora da nova Câmara.

Outro assunto é que o presidente eleito Jair Bolsonaro já disse ser preciso reformar a Previdência dos militares, tanto quanto a dos civis. Uma conferida na folha de pagamentos de setembro do Superior Tribunal Militar revela que, de 29 ministros aposentados, 21 receberam valores entre R$ 113.351 e R$ 306.644. O presente no contracheque veio por conta dos penduricalhos incluídos.
A saga dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) envolve os Correios, até então era motivo de orgulho dos brasileiros. Da mesma forma a Petrobras foi no passado, a na administração dos governos Lula e Dilma acabou mergulhada na mais grave crise de sua história.
A orgia política com o dinheiro público tomou dimensões jamais imaginadas. Centenas de operações da polícia federal, na medida em que a força tarefa da Lava Jato cumpria mandados, surgiam mais dezenas de outros caso. A mobilização do sistema policial brasileiro foi extremamente eficiente, porém, com poucos agentes, e as investigações, seguiram de forma lenta.
A corrupção que ora sai da blindagem do compadrio político, ganhou lastro com as delações premiadas, modelo de combate ao crime organizado, instituído na "Operação Mãos Limpas" - a operação levada a cabo nos anos 90 na Itália e que lançou luz sobre a gigantesca rede de corrupção que dominava a vida política e econômica do país.
Foi com esse espírito que o governo italiano, resolveu deflagrar essa ofensiva contra o crime organizado, onde mais de 5 mil pessoas foram presas, condenadas e trancafiadas nas grades.
No Brasil ainda não atingiu a metade dos condenados e presos da Itália.
Em 2017 (gestão Dilma) foi encontrado um prejuízo de R$ 1,3 bilhão. Este foi o quinto ano consecutivo em que a companhia, que foi palco inaugural do mensalão há mais de dez anos, fechou no vermelho.
A partir daí levou os Correios a registrarem prejuízo bilionário pela primeira vez em sua história.  Em 2015, os Correios registraram o maior prejuízo da história da empresa: R$ 2,1 bilhões. Isto significa que a empresa deu prejuízos durante todos os anos do governo Dilma. Apesar dos desmandos do PT, funcionários dos Correios trabalharam com afinco para reeleger a petista em 2014.

A partidarização das instituições públicas se tornou o maior dos males da administração pública.
Mesmo com a acusação de que a direita também tinha seus partidários nos quadros das instituições governamentais, a dimensão e o número de pessoas se tornaram distantes.
O PT não apenas enganou a sociedade brasileira, mas da mesma forma, enganou a si mesmo, achando que todo estrago material, com prejuízos incalculáveis ao país, jamais seriam descobertos.
Na opinião de jornalista, o processo de pesquisa das praticas lesivas aos cofres públicos, está apenas começando. Falta o BNDES e muitas outras instituições. O Brasil está afogado na corrupção. Ou investiga, processa e prende essa alcatéia, ou o país jamais se recuperará moralmente e materialmente.
O presidente Jair Bolsonaro não conseguirá iniciar seu governo com a Reforma da Previdência resolvida. O PT e os partido do bloco de oposição não apoia a reforma e o centrão está rachado. 49% dois deputados não voltam para a próxima legislatura. O quadro é lacônico.