Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

ESPECIAL CASSAÇÃO DE CUNHA:

Os 2 grandes personagens do impeachment. Um, condenado agora. O outro, presidente impune e empossado

HELIO FERNANDES
O jurista Gandra Martins foi o primeiro a tratar do impeachment. Ele mesmo contou: contratado por um advogado de FHC, redigiu parecer a favor da medida. Fevereiro de 2015. Logo depois da reeleição. O segundo foi este repórter. 48 horas depois da publicação do resumo do parecer. Jornalisticamente, contestei ponto por ponto do desenvolvimento e conclusão do famoso jurista.

Concluí que não haveria possibilidade de sucesso, a não ser que a longo-prazo, existissem circunstancias inteiramente diferentes. Durante todo esse ano de 2015, abandonaram o assunto. O PSDB, que se julgava o maior beneficiado, preferiu entrar no TSE, com pedido de cassação da chapa Dilma-Temer. Por financiamento da campanha, com dinheiro de propina. Depois, Aécio apresentou mais 3 recursos. Enquanto "reforçava" o governo indireto.

Sem constrangimento, o presidente do PSDB, queria ser empossado no lugar dos dois candidatos. Desde esse momento, apoiei intransigentemente a decisão do TSE. Como única medida popular, por causa da convocação de eleição direta. Se o TSE tivesse cumprido o seu dever, não teria havido nada do que houve.

Pela primeira vez durante todos os acontecimentos que devem terminar entre o dia 12 e 13, jamais escrevi a palavra golpe. Pela razão indiscutível, de que não houve golpe, e sim conspiração parlamentar. Dona Dilma e seu grupo usaram e abusaram da identificação, ajudando a contestação.

Primários, tiveram a vida facilitada pela insistência do Palácio do Planalto e adjacências, em rotularem a conspiração como golpe. Durante esses 10 meses, com Câmara e Senado abertos, votações nas duas Casas, mesmo a degradante de 17 de abril. E a farsa democrática dos 3 meses no Senado. Nessas votações foi farsa e conspiração mas não golpe.

Golpe ocorreu em 1930. Derrotado, Getulio Vargas derrubou o presidente, assumiu como "Chefe do governo provisório". Asilou Washington Luiz nos EUA, com ele expulsou também o vice Melo Viana, e o Ministro do Exterior Otavio Mangabeira. E ficou 15 anos no poder, sem voto e sem vice. E chamaram o golpe de revolução.       

Golpe ocorreu em 1954. Eleito pela primeira vez na vida, Vargas não sabia governar. Pressionado pela tremenda oposição. Liderada pelo vice Café Filho, comandada pelo Brigadeiro Eduardo Gomes, duas vezes derrotado para Presidente, o então Tenente-coronel Golbery, Carlos Lacerda, depois governador. Insistiram que Vargas renunciasse, depois optaram por uma "licença" de 30 ou 60 dias. Vargas preferiu "deixar a vida para entrar na Historia". Assumiu o vice conspirador, Café filho.

Golpe ocorreu em 1964. Generais ambiciosos, desaparelhados para governar no sentido estrito da palavra, ficaram durante 21 anos. Dizimaram o país, se mantiveram arbitrários, autoritários, perdulários. Ninguém foi punido, e ainda tiveram o respaldo imprevisível, mas realístico, da medíocre Comissão da Verdade.

Dona Dilma não sofreu golpe. Mas a conspiração parlamentar é ainda mais grave. E pode se repetir, quando maiorias escassas auxiliadas por minorias complacentes, decidirem repetir o episodio.

Devassado o passado, restabelecida a verdade irrefutável de que não houve golpe e sim conspiração parlamentar ocasional, voltemos ao presente. Lamentando que apenas um dos dois maiores conspiradores, esteja sendo julgado. Mas o outro não ficará impune. Apesar da arrogância. De tal maneira, que não tendo garantidos nem os 2 anos e meio de agora, já acredita na reeleição em 2018. Disso cuidaremos de informar e comentar. Até o limite do possível, que não cabe a mim definir.

À espera pelo horário, e pelo quorum necessário

No momento, vão chegando os deputados. Poucos. È que de agora, 15 horas, até a abertura da sessão, 19, nada de pratico pode ser feito. Rodrigo Maia, chegou cedo como prometera. Se mantém silencioso. Por falta de interlocutores. E também por não ter o que dizer. A partir das 19, terá que tomar decisões de minuto a minuto. Até á consumação da cassação. Que acredito, se dará por volta das 23 horas.

Aí provavelmente já na madrugada de terça, começará a parte final e mais polemica: a guerra de questões de ordem e liminares. Para tentar manter intocados e intocáveis, os direitos políticos. Mas aí, a sessão não estará presidida pelo Ministro Lewandowski. Nem a sessão nem o Supremo.

Por volta de 11 horas, na residência "funcional" de Cunha, me adiantavam, 60 pessoas. Razoável. Os que conhecem bem Brasília, calculam. Moram na capital, 20 por cento dos deputados, ou seja, mais ou menos 100. Esses estarão na Câmara, até ás19 horas. Impossível dizer se votarão. Cunha queria ir para a Câmara logo, foi convencido a não ir. Motivo que alegaram: "Em Brasília se sabe tudo na hora. Basta você entrar e será preso".

À hora em que escrevo, o placar da entrada dos deputados, exibe o numero 132. Não é muito nem pouco, faltam ainda 4 horas para abrir a sessão. Deputados me dizem: "Interessante, é que não vão todos para o gabinete de Maia. Os que entram direto, certamente votarão pela cassação".

PS- Enquanto "o mundo gira, e a lusitana roda", tratemos de um assunto super importante: a quase pneumonia da candidata Hillary Clinton. Ela não merecia isso, se o fato se agravar e impedir sua candidatura.

PS2- A tremenda repercussão contraditória do fato. Se Trump "concorrer" sozinho, tragédia para o mundo. Um homem terrivelmente despreparado como ele, presidente dos Estados Unidos, será uma reprodução diferente do "11 de 9" que acabou de completar 15 anos, e é eterno Como será ou seria catastrófica, a presença de Trump na Casa Branca.


PS3-Acompanharei os fatos. Mesmo sabendo que fato mesmo, só a partir das 19 horas.

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