Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 20 de setembro de 2016


PSDB do Rio perde com FHC. Temer foge das ruas. Dilma e Jandira, hoje na Cinelândia

HELIO FERNANDES

Em quase todos os municípios com mais de 300 mil habitantes, haverá segundo turno. Esta é a eleição da "maquina", por falta de tempo e de dinheiro. Em municípios importantes, duas exceções. Em Salvador, ACM neto, tem a reeleição garantida. Está com 70 por cento nas pesquisas. E os votos são dele, é muito mais forte do que a legenda. Teve propostas para outros cargos, preferiu terminar o trabalho.

Em Manaus, Artur Virgilio Neto me disse em 2012, antes da eleição: "Serei prefeito, e em 2016 disputarei a reeleição". Incrível, está cumprindo a palavra, não têm adversários. Excelente senador, um dos equívocos de Lula foi jogar tudo para derrotá-lo. Diplomata de carreira, pediu posto foi para o exterior. Voltou, retomou a vida política, não interrompe mais.

São Paulo e Rio

Os dois grandes municípios já têm candidato garantido para o primeiro turno. Russumano e Crivela. Marta, Doria, e remotamente Haddad, tentam o segundo em SP. No Rio ao contrario de outras vezes, Crivela não parou, é o vencedor do primeiro turno. Descobrir quem irá para o segundo turno, praticamente impossível. 3 ou 4 tentando ser apoiado por personalidades nacionais.

Jandira Feghali, além de uma carreira política e eleitoral de 30 anos, tem o apoio de Lula e Dilma. Ele gravou com ela. Dilma já foi ao programa duas vezes. E hoje, quarta, estarão juntas num comício na Cinelândia. Resta saber como isso se transforma em votos.

FHC e Aécio Neves, vieram ao Rio apoiar (?) o candidato Osorio do PSDB. O candidato não tem votos e muito menos o partido. O PSDB, nas ultimas eleições, só elege um deputado, sempre Otavio Leite. Os votos são dele. E FHC não favorece, só prejudica.

O filho de Bolsonaro, acredita no patrocínio do pai. Que nunca perdeu eleição. Tem de se garantir, longe do pai. Este já elegeu um filho vereador, outro estadual. E até um outro, federal, por SP. Só que na eleição majoritária, é a estréia, sem vitoria,
Bolsonaro pai, se diz candidato à presidente da Republica, em 2018. Deve estar querendo abandonar a vida publica.

Pedro Paulo, com todas as restrições, é fortíssimo candidato ao segundo turno. De forma surpreendente é quem mais arrecada, e quem mais gasta na campanha. Não explica de onde vem o dinheiro. De qualquer maneira, mesmo se chegar ao segundo turno, não chega á prefeitura. Apesar do esforço do amigo Eduardo Paes, que revela uma rejeição inesperada.

E finalmente, a fuga de Michel Temer. Aqui no Rio, 5 candidatos da chamada base partidária pedem seu apoio. Recusou, argumentando: "Tenho um trabalho intenso assim que voltar da ONU, não posso perder 1 minuto". Mistificação, como sempre. Só a possibilidade de aparecer em publico, leva o indireto e impopular, ao mais completo desespero. 

Gilmar protege Temer

Ha 9 meses, o TSE foi recebendo ações para cassar a chapa Dilma - Temer. Primeiro, o PSDB pedia a cassação e a sua posse como presidente. Por ter sido o segundo colocado. Depois entrou com mais 3 recursos, aí se restringia á perda do mandato da presidente e do vice. O então presidente do TSE, Ministro do Supremo Dias Toffoli, reuniu todos, e indicou a Ministra Maria Tereza Moura, como relatora. 

Estranhei, pois a Ministra,sem a menor duvida, era reconhecida como um voto a favor da não cassação. Investiguei, me disseram: "O presidente usou de estratégia. Colocando como relatora a Ministra a favor de Dilma, arrastava Temer para a impunidade". Não concordei, mas apoiei a cassação pelo TSE. Pois tinha uma conseqüência altamente positiva: eleição DIRETA em 90 dias.

Apesar de não ter a menor confiança no Ministro Toffoli, continuei defendendo intransigentemente a solução pelo TSE. Argumento irrefutável: com o voto direto, viria alguém que não poderia ser pior do que Dilma e Temer, juntos ou separados. Só que o tempo passava, nada acontecia, ninguém cobrava. A não ser este repórter, que não abandonava o assunto.

Em maio, terminaram os 2 anos de Toffoli, ele é substituído pelo também Ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Do ponto de vista do interesse publico, um retrocesso igual ou pior. Toffoli e Gilmar votam sempre juntos. Apesar da discordância total com os métodos e os votos do novo presidente do TSE, não mudei de posição. Apesar de ter criticado sua proximidade cada vez maior, incoerente e comprometedora com Temer.

Da posse de Gilmar em maio, até agora, quase fim de setembro, os recursos "continuavam sendo investigados", sem nenhum resultado. Apenas um fato, que independe da vontade do presidente. Acabou o mandato da Ministra Maria Tereza Moura. As ações foram transferidas para novo relator, que pretende reexaminar o que foi investigado (?) em 9 meses. Nesse tempo nasce uma vida. No TSE de Gilmar, morre uma ideia moralizadora.

Agora, o fato que vem de Gilmar: não haverá eleição direta este ano

O presidente do TSE, falastrão e sempre utilizando os holofotes, revelou: "Acho que depois do impeachment da presidente, o TSE não votará uma cassação isolada”. Isso, inconcebível, mas rigorosamente verdadeiro, é a prova irrefutável da cumplicidade de Gilmar com a impunidade de Temer.

"Justificativa" do Presidente do TSE, para salvar o presidente indireto, de cassação: "A presidente Dilma já foi punida com o impeachment, não pode ser punida uma segunda vez".

Como acreditar num Ministro que faz afirmação como essa. O impeachment, uma conspiração parlamentar que combati, tinha como base, o crime de responsabilidade, que não inclui o vice. No TSE o crime é pela utilização de dinheiro de propina, que atinge os dois. Não acusando Dilma para não acusar Temer, o próprio Gilmar, esquece: chamou de "bizarra" a decisão que preservou os direitos de Dilma. Um presidente do TSE, comprometido e sem memória, isso é inédito e inesquecível. 


Mas ha mais e muito mais grave: a esperada e esperançada eleição DIRETA, foi eliminada solertemente. Gilmar lembrou uma realidade. Se o TSE CASSAR A CHAPA, terá que haver eleição em 90 dias. Portanto a cassação teria que acontecer até o fim de setembro. O que é impossível. Então não cassariam Temer. Mas se isso acontecesse, haveria ELEIÇÃO INDIRETA, em fevereiro ou 
março, já de 2017.


E uma conclusão dramática ou trágica: esse presidente indireto, seria escolhido pelo congresso. Esse mesmo congresso, quase todo envolvido com a Lava-Jato. Renan Calheiros, pelo numero de citações no supremo, seria um dos favoritos. A não ser que fosse vetado por Eduardo Cunha. Essa é a indiscutível realidade nacional.

Re: Meirelles contraditório, negado por Rodrigo Maia

È outro que não sabe ficar longe das manchetes, fora dos holofotes. Mesmo desdizendo a ele mesmo. Ontem na televisão: "Estados declararem situação de calamidade, prejudica o pais”. A seguir: "Estado que fizer a lição de casa, pode pedir empréstimo". Precisava se explicar, pois praticamente todos estão em situação de calamidade. Não declarada mas constatada.

E só podem pedir empréstimo ao governo federal. Outro descontrole do Ministro: aconselhou a Eletrobrás "a vender ativos, para fazer caixa". De forma competente, a empresa recusou. Certíssimo, a hora não é de vender. O próprio Ministro tem dito: "Empresários e consumidores estão recuperando a confiança. E a economia dá sinais de crescimento". Ora, se isso é verdade, seu conselho a empresas seria o de NÃO vender.

Só que nada do que ele diz, faz sentido. Desenvolvimento e crescimento, só com investimento. Que está longe de aparecer.

Já o Presidente da Republica em exercício, não respeitou o "seu" Ministro da Fazenda. Imediatamente refutou tudo o que ele disse. Textual e publicamente: "A situação dos estados é dramática. A única saída é decretar a constatação de calamidade publica".

Maia podia demitir o Ministro da Fazenda, tem todos os direitos. Itamar era Vice de Collor. O presidente viajou,ele assumiu,demitiu o Ministro da Justiça, coronel Passarinho. Achava que não estava á altura do cargo. Collor voltou, o Ministro reassumiu. Nenhuma inconstitucionalidade.

Sergio Moro aceita denuncia contra Lula

Mas não é o fim do mundo para o ex-presidente. Lógico que ser considerado réu, pode abalar Lula e principalmente sua mulher, Maria Leticia. E se considerar a campanha presidencial de 2018, levar o PT ao desespero. Mas examinando friamente, é o inicio de um processo, do qual o ex-presidente pode sair muito bem, sem ser condenado ou culpabilizado.

Começa uma nova fase da ação da Lava-Jato. E só os comprometidos ou despreparados, podem chegar a uma conclusão tão apressada, apaixonada ou interessada. O Ministério Publico fez uma denuncia. Era esperado que o juiz aceitasse. Acertaram, aceitou. Agora Lula será notificado, terá tempo e condições de se defender, pessoal e com quantos advogados entender.

Sergio Moro, e só ele, nesta instancia, se manifestará. È um processo que não pode ser chamado de normal, unicamente por envolver um ex-presidente. Que suposta ou aparentemente, pretende voltar á presidência. Essa a questão fundamental nisso tudo.

Recebida a defesa do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz Sergio Moro compara com o relatório de 149 laudas do Ministério Publico e decide. Se considerar que o réu ex-presidente conseguiu eliminar as razões da acusação, pode ABSOLVER o réu. Se entender o contrario, que as razões do Ministério Publico, ficaram intocáveis, pode condenar o ex-presidente.

Neste caso, o processo vai para a segunda instancia, Porto alegre. Onde a sentença 

pode ser anulada ou confirmada. Mas ainda não estará atingido pela "ficha limpa". Portanto falta muita coisa. Preocupante, a começar pelo seu projeto de participar das campanhas municipais. Terá que decidir. Esta é uma analise sucinta mas rigorosamente indestrutível. Por enquanto.

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