Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Gilmar agride e estarrece o Supremo. Renan assume: é CONTRA a Lava-jato

HELIO FERNANDES

Logo depois de terminada a votação do impeachment, surgiu o inesperado e inapropriado "fatiamento", determinado pelo Ministro Lewandowski. Com essa decisão, Dona Dilma não perdeu os direitos políticos. Quer dizer: sua pena foi mínima, ficou sem o resto do mandato, que praticamente já não exercia. Mas ganhou sobrevida política, continua livre para disputar e exercer cargos, pelo resto da carreira política, que foi mantida surpreendentemente.

A repercussão do julgado foi espantosa, por dois motivos. O primeiro, foi o descumprimento ou o desconhecimento praticamente impossível do artigo 52 da Constituição, que determina apenas uma votação. E liga indissoluvelmente a cassação, com a perda dos direitos por 8 anos.

O segundo motivo, recebido sem a menor explicação: o julgamento, de acordo com o artigo 86, da Constituição, era presidido pelo Ministro Lewandowski, que presidia o Supremo. No mesmo dia, comentei: "O fatiamento do julgamento do impeachment da presidente Dilma, foi ESDRUXULO e EXTRAVAGANTE". O repórter, que ha mais de 70 anos, pratica o jornalismo baseado na informação e na opinião, tinha todo o direito e até obrigação de discordar.

As duas palavras que usei, definidoras, mas não ofensivas ou agressivas. Respeitei a pessoa e até o cargo do Ministro. Embora não concordando com a decisão que pode ou poderia modificar o julgado até agora. Temia-se que o corrupto Eduardo Cunha, poderia se beneficiar do fato.

Só que votada à cassação, o presidente Rodrigo Maia, encerrou imediatamente os trabalhos. E nem anunciou a perda dos direitos dele. Por 10 anos, incluindo os 2 do mandato de deputado. Não houve o menor protesto.

48 horas depois, o Ministro Gilmar Mendes, na televisão: "A decisão do Ministro Lewandowski, foi no MINIMO bizarra". Como ele mesmo colocou seu comentário como o mínimo, se esperava o que seria, no entendimento dele, o MAXIMO. O que não demorou a surgir. Pois como digo e repito ha muito tempo, o descompasso, a incongruência e a contradição, são palavras utilizadas, no dicionário verbal e escrito do AINDA Ministro.

Grafei em maiúscula esse ainda, pois como tenho escrito muito sobre seus disparates nada jurídicos e quase sempre raivosos, já perguntei publicamente: "Ministro do Supremo pode sofrer impeachment?". Não houve resposta, mas estaria implícita. Se qualquer presidente da Republica, pode ser cassado, o mesmo teria que acontecer com membros do Judiciário. Apesar de pertencerem ao mais alto tribunal do país.

Só que agora, complementando sua "bizarrice" praticada logo depois do julgamento, Gilmar vai muito mais longe. E em vez de uma palavra, que é estranha mas não destruidora, usa todo um vocabulário, dificilmente aceitável, E certamente não publicável.

O Ministro não pode agredir colegas, nem contribuir para desmoralizar o próprio Tribunal. Que foi visivelmente atingido. Esse Gilmar Mendes, de tão tumultuada e estranha atuação, é o Gilmar Mendes que tem sido criticado aqui com insistência.
Não tem nem a vocação ou a convicção do magistrado. Como presidente do TSE, fala na TV, que freqüenta assiduamente: "Não decidi sobre a volta do financiamento eleitoral. Decidirei depois da eleição municipal”. O TSE é ele.  

O mesmo comportamento nada jurídico, que exibe na questão do julgamento da chapa Dilma - Temer. Sempre colocando o "eu", com total prioridade. E sem a menor cautela, tentando favorecer e proteger o presidente indireto. Cada vez mais próximo dele. O que não acontecia quando ele era provisório.

Informaram mal, sobre Lula

Não adianta negar: é complicada a situação do ex-presidente. Mas não está á beira de ser preso. Isso pode acontecer, só que não agora. Ou imediatamente. Também é impossível fazer um levantamento sobre suas possibilidades na eleição presidencial de 2018. Uma analise com 2 anos e 4 meses de antecedência, já é dificílimo. Ainda mais com a confusão implantada na política brasileira.

Só um farsante como o presidente indireto, tem a audácia de afirmar como fez no discurso da ONU: "A estabilidade da política brasileira é extraordinária". Ele é capaz de dizer qualquer coisa para se beneficiar. Apesar dos recursos que utiliza sem a menor resistência, não consegue sucesso. Nem mesmo para aprovar projetos misteriosos, ocultos e tenebrosos como o da "anistia".

A "estabilidade" política é tanta, que embarcou para Nova Iorque, sabendo do que tramavam. E "contaminou" até o presidente da Câmara, que foi informado de tudo, mesmo sendo presidente da Republica interino. Nesta condição, Rodrigo Maia tentou interferir para a aprovação. Basta conferir com o desmentido do deputado Beto Mansur, que presidia a sessão da "madrugada". (Como foi rotulada).

Quando o deputado Miro Teixeira, sem informação mas com intuição,questionou a pauta, Mansur, veemente, quase gritando, explicou numa confissão visível: "Eu não sei de nada, me entregaram o projeto, só coloquei na pauta, sem ler". Era a vitoria da "farra parlamentar".

Afinal, Miro Teixeira se elegeu deputado pela primeira vez em 1970, repetiu em 1974 e 1978, até agora. Depois da conspiração parlamentar que levou Temer ao poder, nada melhor do que a farra parlamentar, para inocentar os que roubaram. E jogaram na fogueira, até o ingênuo Maia. (O único ingênuo da família).

Estou contando esses fatos, para mostrar o lamaçal da politicalha, que Temer tanto admira. E é nela, que Lula tem que se defender para sobreviver. Não para 2018, mas para 2016 mesmo, que ainda não acabou. Principalmente para ele. O PT mais desesperado, sem Lula não haverá 2018. 

O partido não acabou, como disse a carreirista Martaxa Suplicy. Ao abandonar o PT, apaixonada pelo PSDB-PMDB. E agora, desgarrada e desorientada, garante: "Eu nunca me identifiquei como uma pessoa de esquerda". Ninguém jamais imaginou isso.
Carreirista não tem convicção ou ideologia, apenas objetivos e ambições. Ela é a versão feminina de Temer, um dos patrocinadores da sua tentativa de voltar á Prefeitura, 12 anos depois das derrotas.

È preciso esperar. Os advogados de Lula estão cometendo equívocos. Não se favorece o réu, atacando o juiz. È fundamental desmontar e desmentir, o relatório do Ministério Publico. O próprio Sergio Moro já disse, "pode absolver o ex-presidente". E Moro não é o ponto final. Em caso de condenação, cabem 3 recursos. Para Porto Alegre, colegiado. Depois STJ, (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal). Não como foro privilegiado e sim ultima instancia. Aí esse processo "transita em julgado".

 Problema real, é se houver uma segunda condenação. Constrangimento, no depoimento pessoal com o próprio Moro. Apesar de ter tido durante 8 anos, contatos, conversas e relacionamento com grandes personalidades do mundo, nada parecido com fato de ter que responder perguntas fundamentais.

Com um personagem que ele já acusou varias vezes de perseguidor. No momento, é o que existe nesse processo. Do qual depende o presente e o futuro do ex-presidente.

Renan assume o combate á Lava-jato

Pouco mais de 2 horas antes da decisão do juiz Moro, o presidente do senado, leviana e audaciosamente, produziu um libelo contra a Lava-Jato. Teve ida e volta, disse e se desdisse, tudo o que pode ser chamado de "estratégia de vida e de política de Renan".

Tudo se resume numa frase, que ele foi dizendo e contradizendo, de acordo com seus objetivos. Textual: "A Lava-Jato precisa acabar com o exibicionismo". Ai, foi seguindo o roteiro, "ninguém defende tanto a continuação da Lava-Jato quanto eu". E numa outra reviravolta: "Por causa desse EXIBICIONISMO, somos obrigados a tomar providencias, em defesa dos direitos democráticos".

Já passava rapidamente para a justificativa do vergonhoso projeto, que sem o menor constrangimento, engavetado desde 2007 e que desenterraram para ser votado com urgência. Sem qualquer sentimento do crime que praticavam, CRIMINALIZAVAM o caixa 2 a partir de agora. Mas ANISTIAVAM todos os que, em eleições passadas usaram esse recurso.

Já ia ser aprovado, com os "grandes" partidos fingindo que não sabiam de nada, como já fizeram antes. Surgiu a denuncia inesperada de Miro Teixeira. Houve um movimento, não de revolta, mas de repulsa, rapidamente tudo foi jogado no lixo. O que foi fácil. O projeto voltou para a lata do lixo, perdão, para o arquivo, onde estava ha 9 anos.

PS1- Já tratei do discurso de Temer na ONU, da sua mediocridade. Agora tratarei rapidamente da sua infelicidade.

PS2- Discursar antes de Obama, nem mesmo um presidente indireto merece isso. Obama era aplaudido a cada momento, dialogava, um espetáculo.

PS3- E para desfigurar ainda mais a comparação, o presidente dos Estados Unidos no seu discurso, deu prioridade total ao COMBATE Á CORRUPÇÂO. Nem parece coincidência.
PS4- A cobertura que a TV do Brasil deu ao discurso de Temer, exagerada. Na terça de manhã até á noite. Na quarta ontem, continuaram.

PS5- "Criativo" e "original", Renan usou 3 ou 4 vezes a expressão popular, separar o "joio do trigo". Mas não se definia, ora querendo parecer uma coisa, ou mudando para outra.


PS6- Mas como a sua reputação é mais do que conhecida, não conseguiu iludir ninguém. E terminou mesmo como joio. O que confirmou, mantendo na pauta a "anistia" para os acusados da Lava-Jato.

Nenhum comentário:

Postar um comentário