Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Votaram contra a Lava-Jato. Foi um enorme acordo, globalizado. E a tentativa de salvar Eduardo Cunha

HELIO FERNANDES

Em menos de 1 hora mudou tudo na quarta feira. Marcada a votação do impeachment, em 15 minutos, o resultado estava no painel eletrônico. Nenhuma divergência, de um lado e do outro. Tudo o que se esperava, se admitia e aconteceu. 81 senadores presentes, ninguém fugiu do script ou do roteiro aprovado tranquilamente. 61 senadores a favor do impeachment.20 contra.

A partir daí, um novo roteiro, contraditório, diferente, estraçalhando a Constituição. E criando precedentes, que produzirão conseqüências ruinosas e criminosas. E não levarão muito tempo para se transformarem em fatos, realidade, de acordo, com o imaginado e concretizado por Renan Calheiros.                                                             
              
Enquanto senadores se devoravam, Renan coordenava. Para começo de conversa, de forma inacreditável, conseguiu do Presidente do Supremo, autorização e concordância, para que o processo fosse decidido em votações separadas. Primeiro, o impeachment. Depois de proclamado o resultado. A segunda votação, para decidir a punição a ser aplicada á presidente cassada. E aconteceu assim, na mais grosseira violação da Constituição. Praticada pelo próprio presidente do Supremo. Que não pode desconhecer o fato e deixar de tomar providencias drásticas.                                                                           

Livre e autorizado, o presidente do Senado, começou a caminhada pelos gabinetes. Primeira parada: liderança do PT. Nem haviam imaginado essa "solução", ficaram  entusiasmados. Depois, dentro do seu próprio PMDB. 19 haviam votado favor do impeachment. Conseguiu que 16 mudassem de voto, ficassem a favor de não perder os direitos políticos. Eunicio de Oliveira não mudou de voto. Logo ele, que será o próximo presidente do senado. Ou foi por causa disso com medo de rejeição?

Com o plano, completamente assegurado, Renan falou no ouvido de
Lewandowski, os dois riram. Era a alegria de se concretizarem e se colocarem, audaciosa mas satisfatoriamente acima da Constituição. Muitos se perguntavam, depois da segunda votação, como Renan conseguira aquele "milagre". Não era milagre, com ou sem aspas.

Conhecendo seu eleitorado e referendado antecipadamente pelo presidente do supremo, foi recitando para cada um ou para cada grupo, as "doces palavras" que os acalentavam. Eduardo Cunha, o primeiro contatado, através de amigos fieis: "Você não perderá os direitos políticos". Jamais alguém imaginou isso. Perguntou de volta: "Mas serei cassado?". Renan, "não posso garantir, vai depender do quorum. Mas não perderá os direitos isso é o maximo. Em 2 anos tudo foi esquecido, volta deputado ou até senador, são duas vagas".

Conseguiu montanhas de indiciados da Lava-Jato. Dizia a todos: "Vamos acabar com esses arrogantes de Curitiba". E completava: "Meu projeto contra o abuso de autoridade, será aprovado rapidamente". Na verdade o projeto é contra a Lava-Jato, mistificado como defesa da coletividade. Logo depois esteve com Rodrigo Maia, antes de assumir a presidência da Republica. O mesmo tom das outras conversas. Promessas, que pode cumprir, em troca de acordo.

Neste caso, a garantia de que será líder do governo Temer, a partir de fevereiro. Quando acaba seu mandato de presidente da Câmara. Eduardo Cunha e o "centrão”, garantiram publicamente, que não concordariam. Rodrigo gostou do compromisso de não haver veto, ficou satisfeito. Como já imagina ser candidato a governador em 2018, acha que a liderança do governo é importante.

Renan deixou para conversar com Temer em ultimo lugar, já tendo muita coisa para contar. Logo de inicio, mostrou que teria maioria ampla no Congresso, incluindo o PT. E quase imediatamente, parlamentares do PT, afirmavam: "Podemos votar projetos do governo, desde que sirvam ao país". Temer se fingiu de irritado, mas na posse riam muito, juntos. E embarcaram para uma viagem de 20 horas. Juntos.

O PSDB e o PMDB, decidiram: não recorrerem ao Supremo. Cassio Cunha Lima, "intransigente defensor do povo", declarou: "Sou contra, mas não protestarei". Na hora de votar, Renan afirmou: "Votei a favor do impeachment, mas votarei contra a punição, não somos maus".

Às 4 da tarde, depois de uma reunião tumultuada, o PSDB, mudou de ideia: entrará no Supremo, com um Mandado de Segurança. Só contra a segunda parte da decisão do Supremo. Aceita a primeira, quer a anulação da segunda.

O PT entrou no Supremo. Não concorda com a primeira decisão, a cassação. Não toca na segunda. Bobagem e primarismo. O Supremo não tem poderes para anular a primeira votação, do impeachment. E é obrigado a anular a segunda, rigorosamente inconstitucional.

Nem Dona Janaina seria capaz de assinar este segundo recurso. Apesar de estar respondendo a 20 processos na OAB. Por infringencia das normas profissionais. A OAB, considera que ela é muito “pragmática". Como se viu em todas as suas espalhafatosas aparições.

PS -O Senado amaldiçoou a lava-jato. Abençoou corruptos como Eduardo Cunha, que agora, está á beira da impunidade. A salvação é o Supremo, anulando a segunda votação do Senado.

PS2-Mas tem que ser antes do 12 de setembro. Nesse dia, o corrupto ex-presidente da Câmara será julgado, depois de 9 meses. Se valer o "julgado"do Senado, estará livre e impune. Isso quanto ao deputado.

PS3-Em relação á punição de Dona Dilma e Michel Temer pela fortuna ilícita que gastaram nas campanhas eleitorais.  A responsabilidade é do TSE. Se o Supremo e o TSE, falharem, como confiar na justiça?


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