Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 25 de setembro de 2016

O corrupto Eike Batista imita o corrupto Eduardo Cunha

HELIO FERNANDES

Ontem, tive um problema com a internet, que estava sem conexão, meu texto desapareceu. Como não consegui "salvar nada, tenho que reproduzir de memória. O que não posso é "esquecer", as bandalheiras do homem das empresas em X.
Em 2014, novembro, corriam rumores de que o Ministro Mantega seria demitido.

Conversei com um amigo dele, que me disse: "O Mantega está preocupado, me falou que não quer voltar a ser professor em São Paulo". Não quero defender o ex-ministro incondicionalmente. Mas essa preocupação não é a reação de um personagem enriquecido no cargo. Jamais foi acusado de coisa alguma, o que obviamente não o inocenta.

Exatamente o contrario de Eike Batista, que já devia estar preso, julgado e condenado no mínimo há 150 anos. Já foi ultrajado, injuriado, repudiado de todos os modos e maneiras. Começou a aparecer por causa da "herança" criminosa, entregue a ele pelo pai, poderoso presidente da Vale do Rio Doce. Mandava e desmandava na empresa, então do governo.

(Até que foi doada por FHC, num dos maiores escândalos da historia. Entregou por 10 por cento do seu valor, recebendo em moedas podres, expressão criada por este repórter para identificar a operação de uma das maiores empresas do país).
Eliezer Batista, seu pai, dominava a empresa, sem contestação.

Dois fatos que comprovam. Foi morar um tempo na União Soviética, mas continuando presidente da Vale. Mais tarde, outra sonata e fuga de residência. Foi morar na Alemanha, casou, teve filho, daí o nome de Eike. 

Voltou para o Brasil com a mulher, num casamento duradouro, exatamente como sua permanência na presidência da Vale, cargo que ocupou por mais de 40 anos, até ser doada. Bom pai, e fazendo o que bem entendia com os bens do Estado, deixou para o filho Eike, dezenas de mapas de reservas minerais riquíssimas e desconhecidas.
(Isso gerou uma discórdia na família, por causa da "proteção" unicamente para um dos filhos. Não quero entrar no assunto, embora envolva riquezas publicas. Um dos filhos foi para o exterior, não voltou mais).

Eike começou por aí e empresas "of shor", reveladas por ele mesmo. Mas era pouco, queria ser um dos homens mais ricos do mundo. Montou então a mais colossal  operação de marqueting, já vista no Brasil  e no mundo. Foi lançando empresas e mais empresas, fantásticas nos dois sentidos da palavra. Todas com ações negociadas em Bolsa. Com a projeção que alcançou, havia briga e corrida para comprar essas ações. Atingiram preços altíssimos, ele foi vendendo, criando novas empresas. O Cade, que controla essas operações, ficou em silencio, sem qualquer fiscalização.
Omissão culposa e prejudicial para milhões de pessoas, que perderam bilhões. Eike conseguiu empréstimos sem garantia em grandes bancos. E deve uma fabula ao BNDES, que jamais receberá coisa alguma. Os bancos privados, não querem nem ouvir falar nos prejuízos. Preferem o prejuízo, do que prejudicar a reputação, que não é nada boa.

Apoiado até por presidentes da Republica, que se orgulhavam e propalavam: "Nossa política social criou o homem mais rico do mundo". Eike não saía das manchetes, sempre falando na sua fabulosa riqueza. Diversificou porque tinha dinheiro á vontade. Comprou restaurantes, o Hotel Gloria, que levou anos reformando. Mas a base do seu império, todos sabiam e compravam cada vez mais, eram as empresas de petróleo.

Mas como era tudo mistificação, um dia teria que explodir. Isso aconteceu quando descobriram que seus poços de petróleo, tinham 90 por cento de lama, e o resto de água suja, tudo desmoronou. O império desabou, ele continuou muito rico, mas o sonho de ser o "numero 1 do mundo da Revista Forbes", desabou. Teve que contratar vários advogados, dobrou o numero de seguranças, só andava de avião, que pousava e decolava de aeroportos privados. Nada dava mais certo. A não ser a certeza de que seria preso, e perderia todo o patrimônio.

Mas tudo começou a mudar para ele, começou a caminhar no sentido da impunidade, quando contratou um advogado famoso. Criminalista de formação mas estrategista por convicção. Agora, Eike SABE que conquistou a tranqüilidade. O golpe de mestre foi à apresentação "voluntaria" ao juiz Sergio Moro. Como o estrategista da sua defesa, soube que ele iria ser incriminado, determinou que fosse depor como testemunha.

Um sucesso. Voltou ás manchetes, não apagou o passado, mas é noticia novamente. E mais do que isso. Incriminou um ex-ministro da Fazenda. De vastamente acusado, agora é acusador. E eu que apoiei sempre a Operação Lava-Jato, tenho que assistir um dos maiores criminosos financeiros, passar a ser informante e testemunha da notável campanha contra a corrupção.

Um corrupto comprovado, pode auxiliar o combate á corrupção? Podemos e temos que esperar. Com Eike Batista, imitando Eduardo Cunha, e depondo voluntariamente. Só que Cunha não tinha e não tem o advogado e

O poderoso e invencível preconceito racial

Os últimos países a acabarem com a escravidão: Estados Unidos, Brasil, Cuba. Lincoln, um dos quatro presidentes estadistas americanos, assumiu em 1860 já com o país dizimado pela terrível guerra civil. Governou os 4 anos com a mortandade inacreditável. Foi reeleito, a guerra terminou, mas por causa da sua luta incansável contra a escravidão, foi assassinado em 1865. Mas deixou um grupo tão aguerrido continuando a luta, que em 1866, foi aprovada a emenda constitucional numero 13, que eliminava a escravidão. Está completando 150 anos, sem comemoração.

Toda a Europa, aproveitando a Revolução Industrial da Inglaterra de 1780, acabou com a escravidão, libertando os escravos, e transformando-os em consumidores. O norte  dos EUA, a partir de nova Iorque,seguiu o exemplo, enriqueceram igualmente. A guerra civil americana foi iniciada e prolongada pelos estados do Sul, até hoje escravagistas. Em 1860, quando iniciaram os combates sangrentos, se refugiavam na burrice: "Se a escravidão acabar, todos iremos á falência".

Constitucionalmente não havia exploração dos negros. Mas tudo continuou, incluindo o nefasto preconceito racial. Que passou a ser utilizado e manifestado, com o assassinato impune, de cidadãos negros por policiais brancos. Neste momento, o país vive um ambiente de revolta, por mais uma tragédia como essa. Uma policial, isso mesmo, mulher, branca, atirou certeiramente num negro desarmado, que não estava fazendo nada.

Sua vontade era mesmo de matar. Varias pessoas gritavam, "não atire, ele está desarmado e não faz nada". Ela ignorou, matou, entrou no carro oficial e fugiu. Considerada foragida, apareceu 3 dias depois, com um advogado famoso. Não prestou depoimento. O advogado pagou 50 mil dólares, equivalentes a 170 mil reais. Até o presidente Obama protestou. Não adianta, o crime hediondo será arquivado.

No Brasil, a situação melhorou muito depois da Lei Afonso Arinos. Antes, os negros eram discriminados de todas as maneiras. Nos edifícios, só podiam entrar pela porta de serviço. Hoje entram pela porta da frente. Brancos não gostam, mas cumprem com medo de serem presos em flagrante. È o mínimo. A discriminação profissional é odiosa. Escondida. Os negros continuam sem direito a qualquer possibilidade de se afirmarem e se realizarem.

Temer queria ir á Colômbia (Exclusivo)

Assim que depois de muitos adiamentos, Farcs e governo, anunciaram para hoje, segunda, a assinatura do acordo final, o presidente interino decidiu: "Estarei presente". A afirmação provocou protestos e negativas de vários lados. Ele tentou argumentar, mas na verdade, tinha apenas um objetivo: melhorar sua imagem impopular, de dentro para fora.

Pelo mesmo motivo foi á China. A ida á ONU era obrigatória. Apesar da presença sem destaque, ganhou internamente. Na terça e na quarta ficou o dia todo nas televisões. Foi um custo, convencê-lo a não ir á Colômbia. Desinformado, dizia: "O fim dessa guerra civil é o maior acontecimento da America Latina". Pode até ser, mas as dificuldades estão começando e não terminando.

Os obstáculos são ainda maiores do que a realidade parece demonstrar. Só conseguiram manter o indireto a ficar por aqui, com a informação: "O senhor será o único presidente a comparecer". Diante dessa solidão, desistiu.

Temer indireto, invade o ensino médio

Querendo mostrar que se interessa, decidiu regular o ensino médio. Fez tudo errado, não ouviu e descuidou precisamente dos personagens mais importantes: estudantes e professores. Autoritário e desinformado, agravou as coisas utilizando medida provisória. Que é definitiva, não permite esclarecimento ou debates. E tem prazo definido: 120 dias.

E sem consultar ninguém, eliminou matérias ou tornou obrigatórias algumas, na contramão dos países mais desenvolvidos. Estes sempre consultam alunos e professores. E barbaridade contestada e polemizada, sem exceção. Retirou da obrigatoriedade educação física, que é uma necessidade e pode salvar o mundo da vida sedentária. Isto, uma fonte de corpos disformes, doenças evitáveis, e custos inimagináveis para os Serviços de Saúde. 

A educação física devia começar com o ensino primário, 7 a 11 anos. E mantido e aumentado no ensino médio, de 12 a 15 ou 16 anos. Mas como acontece com as improvisações, já admitiram o erro, voltaram atrás, junto com o ensino de Arte, que engloba valores notáveis e imprescindíveis. Explicam: "Essas duas matérias serão obrigatórias, a partir da revisão curricular".

O único ponto que chamam de integração das horas na escola, razoável, mas podiam ser mais criativos e eficientes. Estabeleceram 7 horas diárias do ensino médio. Como o horário escolar começa ás 7 da manhã, deixariam a escola ás 2 da tarde, o que fariam a partir dessa hora? Se a integração fosse de 10 horas, sairiam da escola ás 5 da tarde, jantados, e com o dia todo bem aproveitado.

Pelo convívio, o conhecimento aprofundado, a satisfação da pratica da educação física. Antídoto dos males do nosso tempo, que atraiçoa e compromete os jovens nas esquinas da vida. Nessa idade, os jovens não estão trabalhando, podem se preparar muito melhor para o futuro.

PS-48 horas depois da cassação de Eduardo Cunha, o Canal Bloomberg noticiou que o já ex-deputado, lançaria um livro, que já assustava muitos políticos que conviveram com ele. Imediatamente publiquei  a nota, lógico, citando a fonte.

PS2- Agora surgem rumores de que em vez de um livro, escreverá dois. O rumor surge de conversas de ex-amigos dele. Base para o informe: ele tem tanto material para publicar, que apenas em 1 livro, não seria possível.

PS3-Como ele já revelou, "que o livro seria um ajuste com os que se aproveitaram dele", teria que ser uma autobiografia confirmadora da corrupção. E não é segredo que pretende atingir o ex-vice,agora presidente indireto.


PS4-Mas terá que contar fatos de uma época, em que ele e Temer eram intimissimos. E se aproveitou, do que Cunha chama agora, de "golpe parlamentar". Será preciso coragem, os fatos ele conhece realmente.

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