Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Denuncias sobre a JBS, envolvem Temer, complicam Meirelles

HELIO FERNANDES

È impressionante a compactuação da corrupção. A penetração nos mais diversos setores, com a citação reiterada e continuada, de personagens no mais alto escalão da vida publica. È praticamente impossível acompanhar tudo, apesar do espetáculo ser comandado sempre pelos mesmos. Que são, sem nenhuma surpresa, os beneficiados. Ontem surgiu o escândalo dos Fundos de Pensão, com roubalheiras quilométricas.

Deram destaque ao roubo nos quatro maiores: Caixa Econômica, Banco do Brasil, Correios e Petrobras. Mas não falaram que centenas de milhares de funcionários dessas estatais, estão sendo prejudicados há anos. E já estão sendo descontados na aposentadoria. Recebem 30 por cento a menos do que deveriam receber. Pois são os mais prejudicados. Precisam "contribuir" para amortizar o prejuízo.

Na esteira dos Fundos, aparece a conivência, a cumplicidade e o compartilhamento da JBS. Tida e havida como a empresa mais poderosa do Brasil, é sempre poupada. Grande DOADORA para campanhas eleitorais, se for investigada ou devassada, terão que ir até o fim. Atingindo intocáveis como o presidente indireto. E seu Ministro da fazenda.

Apenas vice, ainda não tendo desfechado o movimento da conspiração traição, precisou ir á JBS, resolver um problema de doação para o PMDB. Acumulando a presidência do partido, foi chamado com urgência. A JBS doara 50 milhões ao PMDB, sem explicitar. Deputados diziam que o dinheiro era da Câmara. Senadores reivindicavam a propriedade dos recursos. Temer foi á JBS, conversou com um dos irmãos, o outro estava viajando. (Exatamente como agora. Um irmão teve que depor na policia, o outro está viajando).

Bom conversador, não fez outra coisa à vida toda, nenhum problema. 25 milhões para deputados.25 milhões para senadores.Seu cacife cresceu no PMDB, mas foi lá na JBS, que descobriu o mapa da mina.Ficou horas, saiu com documentação rara a respeito de financiamento de campanha.

Constatou que na campanha presidencial de 2014, a JBS "distribuira" generosamente, mais de 400 milhões. A partidos de ponta. E a outros, com pouco destaque. Isso serviu a ele, com dados citados, em conversas não tão sigilosas assim. Mas proveitosas, na contagem geral.

No entanto, alem dos recursos e das informações privilegiadas, um contato inesperado. Conheceu o importantíssimo Presidente do Conselho de Administração da empresa. Exatamente, Henrique Meirelles. Não se conheciam, sabia que ele fora Presidente do Banco Central, no primeiro governo Lula. Estavam distantes do relacionamento futuro. Mas ficaram perto.

Consumada vitoriosamente a campanha para substituir Dona Dilma, Henrique Meirelles foi imediatamente chamado. Temer só tinha conhecimento político. Na área econômica, não conhecia ninguém. O entendimento foi rápido, o convite para Ministro da Fazenda também. Meirelles exigiu liberdade para nomear e para fazer. Conhecendo o personagem e seu "carreirismo", escrevi: "Surgiu um candidato para 2018".

Agora, a área de presidenciáveis para 2018, está atropelada e complicada. Mas alem dos problemas políticos, Temer e Meirelles precisam explicar as doações. Temer tem que contar, como, quando e onde conheceu Meirelles. Pior é a situação do próprio Meirelles. Ocupando por anos, o cargo-chave, que ocupou, não pode dizer: "Eu não sabia de nada". Não será fácil, para nenhum dos dois. È preciso esperar. Não por muito tempo.

Para terminar por hoje, um fato inexplicável. Ha 2 meses, a direção da JBS enviou um comunicado-pedido, a sócios, parceiros, e acionistas. Queria autorização para fazer uma RECUPERAÇÂO. O que significa isso? Como é que uma empresa sempre identificada, "como a maior do país", precisa de RECUPERAÇÃO? Tudo indica que os irmãos Batista, estão em situação desesperadora.

O povo nas ruas

O presidente indireto, corteja a impopularidade. As manifestações têm crescido de forma alarmante. Naturalmente para ele. E muito bom para a democracia. Só que Temer não entende assim. Estava na China, e habitualmente desinformado, comentou: "São protestos inexpressivos, feitos por depredadores". Ficou longe da realidade. Pois as concentrações populares se multiplicaram, e foram dominando os mais diversos estados.

Em São Paulo, a maior concentração, repetida por vários dias. Chegaram a ultrapassar a casa dos 100 mil. E na mais completa ordem. Quando o povo verdadeiro foi embora, na hora marcada, chegaram os “depredadores". Aí houve realmente confronto. Entre os que pretendiam apenas desmoralizar o protesto. E o exagero da violência policial.


Interessante e importante, que não pode passar sem um registro. Ontem, assim que chegou da China, Henrique Meirelles deu entrevista á televisão. E colocou as coisas nas suas devidas proporções. Defendeu as manifestações, não deixou nenhuma duvida: "A democracia se fortalece com isso, não ha como reprimir o direito do povo". Concluindo: "E não foi nada inexpressivo". Meus parabéns, contrariando o presidente indireto.

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