Titular: Helio Fernandes

quarta-feira, 21 de agosto de 2019


A INDEPENDENCIA DO BANCO CENTRAL

HELIO FERNANDES

Nos mais diversos governos depois da chamada redemocratização, o assunto mais comentado, afirmado, discutido, negado, foi a liberdade do BC. É preciso enquadrar a  questão no tempo, sempre garantiam, "sem independência e autonomia o BC não serve para nada".

O fato mais  comentado: "È preciso garantir o BC, para que não seja mergulhado na política". (Naturalmente queriam se referir á politicalha).

Agora, sem o menor constrangimento, transferem o COAF para o BC. Órgão especializado no combate á "lavagem de dinheiro", é passado para outro com funções inteiramente diferentes. E não foi o presidente da Republica que assinou e enviou a medida provisória.

Quem assinou e concretizou a MP, foi o ex-todo poderoso Paulo Guedes.

Como um dos objetivos da MP era tirar da jogada o candidato do ministro Moro, deixaram a  função para o ministro da Economia. Desgastadíssimo, (e agora  em litígio franco e aberto com o próprio Bolsonaro, Moro não é nem evangélico, o que poderia salva-lo) não é nem político nem magistrado. 

È quase uma reforma ministerial feita através de MP. Roberto Leonel sai da presidência do COAF. Essa "mexida" deve atingir a Receita. E talvez até a Casa Civil, ou esta fica para depois.

A reforma TRIBUTÁRIA mais importante
do que a PREVIDENCIÁRIA

Se abandonarem os privilégios e cuidarem com total credibilidade dos interesses da coletividade, poderão aprová-la até o fim do ano. Conforme garantiu o presidente da Câmara. E já está trabalhando intensamente para confirmar. Não precisará dos 10 anos da farsa da Previdência. 

Também não terá prefixado o valor de 1 trilhão. Que tanto garantiram e badalaram na surrealista reforma da Previdência. 

Não podem deixar criar novos impostos, como a tão "inventada" CPMF.  Os mesmos que arruinaram a Previdência, querem implantar o tumulto e a balburdia na reforma tributaria.

Rodrigo Maia precisa ficar atento. Ele tem ainda praticamente 4 meses e meio de 2019, e todo o ano de 2020 como presidente da Câmara. 

PS- A partir daí, voltará para a planície. Com um futuro plantado e construído por ele mesmo.

PS2- Não desperdiçou tempo e espaço a partir do quinto mandato de deputado federal.

PS3- E a segunda vez que preside a Câmara.

SIMONE TEBET, PRESIDENTE DA CCJ DO SENADO

È a parlamentar mais requisitada de Brasília. Pela sua Comissão transitam os dois projetos mais disputados, mais tumultuados, mais acirrados. A reforma da Previdência, que chegou da Câmara. E a sabatina sobre a aprovação (ou não) do filho de Bolsonaro para embaixador nos EUA.

Como não vou a Brasília, não conheço a senadora. Mas todos sabem que é competente, independente, combatente. Mas ela não surgiu do nada. Seu pai, o senador Tebet fez historia ha 38 anos, presidindo a notável CPI do Terror. (O senador Franco Montoro, o relator. E este repórter foi depor quando dinamitaram a Tribuna da Imprensa).

Essa CPI foi criada quando os generais torturadores, assassinaram  (a palavra é essa) a secretaria da OAB nacional, ao abrir uma carta bomba. Em fevereiro de 1981, predio e maquinas do jornal foram pelos ares.

No dia seguinte os dois senadores telefonaram para Barbosa Lima Sobrinho,
(então  presidente da ABI) para fazer contato comigo.  Montoro veio, Tebet ficou na capital, eu fui depor 3 dias depois. Foi recorde de audiência e de duração. Deputados e senadores lotavam a CPI, falei durante mais de 5 horas.

Contei com nomes e detalhes, como o SNI preparou toda a destruição do jornal.

Agora o mais dramático, que poderia ser trágico, mas revelava o clima de TERROR.

Estava cansado, falei: "Vou para o Hotel só volto para o Rio amanhã". Aí um clamor geral: "Você está maluco? Vamos para o aeroporto agora, você não vai dormir aqui de jeito algum".

PS- Senadores e deputados lotaram vários carros, me empurraram para dentro de um avião que só decolaria dentro de uma ou 2 horas.

PS2-Inesquecível.

MAIS BOLSOMORO

O capitão inexplicavelmente presidente, além dos erros e equívocos continuados, cultiva com satisfação a ingratidão. Principalmente quando é contra Moro, a quem deve toda a sua ascensão.

Nessa trapalhada que fez com a Receita, o COAF e o resto, atingiu fundamente o ministro Moro. Esqueceu que ele comunicou que convidou Roberto Leonel para continuar no cargo, mesmo agregado ao BC.

Escolheu alguém inexplicado e inesperado, surpreendido com o convite.


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