Titular: Helio Fernandes

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

*Blog oficial do jornalista Helio Fernandes que durante 46 anos foi diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Aqui teremos suas matérias exclusivas, e também a participação de colunistas especialmente convidados. (NR).

EM 1940/41, HITLER MANDOU DESTRUIR PARIS, O MUNDO SE PERGUNTAVA: “PARIS ESTÁ EM CHAMAS?”. AGORA A CORRUPÇÃO CHEGANDO MAIS PERTO É O BRASIL, “O PLANALTO ESTÁ EM CHAMAS?”.

HELIO FERNANDES
05.12.14

Em 1940, sem um tiro, Hitler tomou Paris, entrou como conquistador na cidade símbolo do mundo. Formados dois grupos, os “colaboracionistas” e os “resistentes”, estes liderados por Mitterrand, que seria depois duas vezes presidente pelo voto direto. De 1981 a 1988, daí a 1993, ia conquistar o terceiro mandato, veio o adversário invencível, o câncer, morreu sem a vitória.

Em 1941, o Marechal Petain, “herói” na Primeira guerra, “vilão” na Segunda, fugiu e organizou em Vichy um governo nazista. Nomeou Primeiro Ministro o ultra-comunista Pierre Laval, que acabaria como traidor, enforcado.

Nesse mesmo ano, no fim de 1941, Hitler foi pessoalmente a Paris, chamou o general comandante. Ordenou: “Destrua a cidade, quero ver Paris ardendo em fogo, não pode sobrar coisa alguma”. Naquela época a informação era precária, e ainda mais com todos os jornais e revistas fechados, só se ouviam e passavam para o exterior, sussurros e não informações.

(O Fígaro, Le Monde, Le Parisien, a maior revista do mundo, “Paris Match”, na qual eu com 13 anos já me acostumava a admirar o extraordinário fotografo, Cartier-Bresson, que depois republicaria muito na revista “O Cruzeiro”. Todos os jornalistas convocados).

O mundo, perplexo, se perguntava: “Paris está em chamas?”. Quase, mas ninguém sabia que o general-comandante nazista teve um momento de grandeza, desprendimento, generosidade, não acendeu a última centelha que destruiria aquilo que não poderia ser reconstruído.

Paris sobreviveu, Hitler muito longe, já estávamos em 1942, ele tentava avançar e conquistar a União Soviética, para implantar seu objetivo, que chamou de “Reich dos mil anos”. Mandava telefonar com insistência para Paris, as comunicações, precaríssimas, morreu sem saber que Paris estava cada vez mais viva.

Foi feito um filme maravilhoso, com o mesmo titulo da ordem de Hitler para o comandante: “Paris está em chamas?”. Com interrogação e tudo. Hoje, com um “clique”, apertando o “play” de um celular, Hitler destruiria esse templo do mundo.

O Planalto está em chamas?

Agora é a corrupção que ameaça muita gente, impede a formação do segundo governo de Dona Dilma. E mais grave ainda, agora sem muita duvida ou incerteza, repete a pergunta de 72 anos antes, apenas mudando o cenário: “O Planalto está em chamas?”.

Aparentemente, sim. Os depoimentos vão chegando cada vez mais perto dela e da legenda. E não apenas agora, com a prisão de alguns, (apenas alguns) dos que assaltaram, como quadrilha, a fortaleza da Petros. Mas remontando a história e a histeria de Pasadena, com a firmação taxativa: “Pasadena (a compra BILIONÁRIA) não existiria sem a participação da própria Dilma”.

Esse já era fato notório, pelos cargos que Dona Dilma ocupava e pelas afirmações que coinfirmavam sua autoconfissão. Cargos: Ministra de Minas e Energia, Chefe da Casa Civil, comandando o Conselho da Petrobras. Tendo portanto a ultima palavra para o que se fez de forma c-o-r-r-u-p-t-i-s-s-i-m-a em Pasadena.

“Autoconfissão”, sem direito a duvidas ou retificações: “Só assinei autorização para a operação de Pasadena, porque o relatório era falho e não tinha informações”. Em Suma: tudo o que era indispensável para vetar a negociata, que usou para autorizar.

E o empresário Gerdau, geralmente conselheiro dela, por que nunca foi interrogado? Uma vez afirmou que não examinara o assunto. Logo depois, mudava de convicção. Dizia: “O Conselho autorizou a operação”.

PT nas manchetes de jornais, acusado por receber propina. A “delação” e o medo.

Manchete da Folha: “Executivo diz ter pago propina em doações oficiais para o PT”. O Globo, denunciando e já interpretando: “Propina virou doação oficial ao PT, diz delator”. A direção da legenda, com acusações novas, usa a velha tática: “Não sabemos de nada”.

O Planalto está “intransitável” Em matéria de discussão sobre “delação premiada”. Não se pode falar do assunto nem mesmo quando Dona Dilma está ausente, existe sempre o susto de que alguém conte a ela.

Três Ministros da fazenda, e apenas um com Poder.

Deixemos um pouco de lado a corrupção, essa fogueira vai arder ainda por tanto tempo, que temos que cuidar de outros assuntos, como esse que está o título. O novo Joaquim, antes mesmo de ser empossado, afirmou publicamente: “Não admito que o tesouro repasse recursos para bancos oficiais”.

Explicação para os não iniciados. O objetivo era o BNDES, mas também outros bancos oficiais. Motivo: o Tesouro repassa ALTISSIMOS e o BNDES entrega a privilegiados juros BAIXISSIMOS. Sem que isso seja elogio, é posição altamente defensável.

Só que imediatamente, o ministro da Fazenda demitido há seis meses só que ainda não “desempossado”, poucos minutos depois afirma publicamente: “esse dinheiro é para empresários comprarem equipamentos”. Juros de 12 entregues a 4 por cento.

(Era o que acontecia com o levianissimo e protegido Eike Batista?).

Agora Dona Dilma que garante sempre: “Quem traça a política econômica sou eu, os Ministros da Fazenda apenas executam”, o que vai fazer? Referendar a posição de Joaquim ou de Mantega?

Joaquim pode ter falado por ele mesmo, tenho quase certeza. Mantega não falaria sem consultar “a ministra da Fazenda Verdadeira”. O Planalto está ardendo?

O novo Joaquim e Barbosa, que pode substituí-lo, e a cópia ou plágio do Sociólogo Magnoli.

No dia seguinte a apresentação do novo Ministro da Fazenda, chamei-o de “Joaquim sem toga e sem autonomia”. E revelei que outro Barbosa, estava indo para o Planejamento, Ministério sem importância, “apenas para substituir esse Arminio Fraga do B., quando não tivesse mais importância”.

Meu texto, interpretação e considerações, “considerados altamente jornalísticos, um verdadeiro achado”. Ontem, sem nenhum constrangimento, o Sociólogo Demétrio Magnoli, “colou” desavergonhadamente meu texto. Até no título da matéria colocou destacados, os nomes de Joaquim e de Barbosa.

Que incrível jornalismo esse de hoje. Com amplo, vasto e desmesurado espaço em jornais e televisões, precisou utilizar a iniciativa deste repórter. Estou e sempre estive a disposição. Não fico aborrecido, tanto que vou registrar: a partir do plágio, seu artigo foi bem concanetado, que palavra, e este se tornou bem interessante.

Mas também não pode deixar de acrescentar: se eu não tivesse juntado o “novo” Joaquim que vai dominar os holofotes e o Barbosa que entrará no seu lugar, Demétrio Magnoli não teria chegado a lugar algum.

PS – Todos acertaram: os juros foram aumentados, passaram a 11,75. Mais 0,50. O governo luta desabrida e desesperadamente para que o Congresso diminua o que se chama de “superávit primário”. Para obter esse objetivo faz até chantagem explicita.

PS2 – Intima o Congresso a votar o DECRETO PRESIDENCIAL ou então não irá liberar as emendas que os parlamentares votaram. Essa novela já dura muito tempo, e a divida aumenta cada vez mais. Vejamos em números.

PS3 – A dívida total está em 2 TRILHÕES e 200 BILHÕES. A juros de 11,25, a amortização, (como explico sempre: não é pagamento e amortização), fica em quase 250 BILHÕES.

PS4 – Agora com juros de 11,75, a amortização aumenta 0,50, vejamos o que é isso. 10 por cento do total, daria 220 BILHÕES. 1 por cento, 22 BILHÕES. 0,50, 11 BILHÕES.

PS5 – Portanto, é sobre esse total que é preciso debater, discutir, decidir, Mas como? A forma de amortizar será mudada. Mas a que limite chegará essa dívida e seus juros amaldiçoados?




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

*Blog oficial do jornalista Helio Fernandes que durante 46 anos foi diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Aqui teremos suas matérias exclusivas, e também a participação de colunistas especialmente convidados. (NR).

DEPOIS DA ELEIÇÃO, A BAIXARIA DO PT E DE DONA DILMA, CONTINUA. E OS MINISTROS DERROTADOS COMEÇAM A SER INDICADOS, SEM O LAVA-JATO.

HELIO FERNANDES
04.12.14

Desesperados, lideres (?) do PT, esquecem os infortúnios e as derrotas, acusam os oposicionistas de não terem assimilado a derrota, no primeiro e no segundo turno da eleição presidencial. O mais hostil e sem limite, é o senador Humberto Costa.

O Planalto.

Precisando fazer média com Lula e Dona Dilma, investe furiosamente contra Aécio Neves, diz textualmente: “A derrota subiu á cabeça do candidato da oposição”. Humberto esquece ou não quer se lembrar. Em 2010, com apoio total de Lula e Dilma, foi feito senador.

Em 2012, com os mesmos apoios e suportes foi candidato a prefeito do Recife. O ex- e a presidente foram lá, era favoritíssimo. Eduardo Campos lançou um candidato desconhecido, Costa estava com 45 por cento dos votos, triturado. Dois anos depois embora não seja elefante, não esquece. Em 2018 acaba seu mandato. Pânico geral.

Equívocos antes e depois.

Padilha, Ministro da Saúde, fez um estardalhaço com o programa-problema, “mais médicos”. Fracasso completo, era o sonho de Lula para enterra-lo como “poste” no terreno arenoso de São Paulo. Derrotadíssimo, se “credencia” para novo cargo. Para um médico badalado, nada mais merecido: Ministro do Turismo.

Toda equipe do segundo governo, terá essa marca. Menos Dona Suplicy que deixará o partido, e será derrotada para prefeita da capital, pela terceira vez. A primeira, estava no cargo. A segunda tentava a reeleição, tinha apoio precioso de Maluf. Agora, sem votos mas acumulando vetos, será derrotada em outro partido que o PT.

Começa o festival dos derrotados.

Satisfeita com a “independência” revelada no caso do Ministro da Fazenda, tem que preencher mais de 35 cargos. Quase todos da Câmara e do Senado, mas não neste 2014. 

Precisa esperara o ultimatum de Curitiba, saber quem será indiciado, quem poderá ser indicado. Pelo rumo isso só acontecerá em 2015. Só que a sua posse para o segundo mandato ocorrerá logo no primeiro dia de 2015. O que fazer?

Medíocre, subserviente mas fora dos riscos da Avenida Chile, (onde ficam o BNDS e a Petrobras) Armando Monteiro foi o primeiro ungido, sagrado e sacramentado. Feliz e exuberante, ganhou o Ministério da Indústria e Desenvolvimento. Provocando perplexidade geral, ficou 48 horas nas manchetes dos jornalões debaixo dos holofotes, em todos os programas de todos os canais de televisão aberta, de graça. Com audiência cinco vezes maior do que os canais por assinatura.

Seu currículo não será superado por ninguém. Senador, favoritíssimo, perdeu para governador, voltou para o senado. Estava lá, acabrunhado, como “Inês posto em sossego”, foi chamado, conversado e nomeado.

Saiu do Planalto falastrão, repetindo sempre: “Esse ministério precisa acelerar a industrialização, isso significa desenvolvimento”. Às vezes invertia a frase, citava primeiro o desenvolvimento, depois a industrialização.

Nunca leu ou lembrou de Rui Barbosa, que em 1889, tomando posse no Ministério da Fazenda, afirmou com total repercussão: “O Brasil precisa deixar de ser um país ESSENCIALMENTE AGRÍCOLA, tem que se INDUSTRIALIZAR”. De forma primária mas sem saber quem foi o autor, 125 anos depois, diz a mesma coisa.

Três senadores do PMDB, derrotados, esperam o ministério.

Se não forem enquadrados na delação premiada, têm a mesma credencial ou falta dela, do senador já ministro de Pernambuco. Eunicio de Oliveira, Eduardo Braga, Vital do Rego, esperam ansiosos, o que o futuro ou o destino lhes reserva. Vital já aceita o Tribunal de Contas, é vitalício.

Eunicio, longe do governo do Ceará, trabalha para ganhar a presidência do senado. No primeiro mandato isso não aconteceria, Renan, intocável. Agora chamado de “vergonha nacional” em plena sessão que presidia, não sabe o que fazer. Seu “apadrinhado” não volta para a Transpetro, a reeleição na presidência, está perigando e periclitante.

Eduardo Braga tem que ser Ministro de qualquer maneira. Dona Dilma não pode esquecer ou desconhecer suas nobres razões. Derrotado para o governo do Amazonas, tem ainda quatro anos no senado. Mas a suplente é sua mulher. Se não assumir, está fazendo mais ameaças do que a própria Dilma, “encarcerando” o Congresso.

O "credenciadíssimo" Kassab.

Ninguém tem tantos títulos e referencias que agradam a Dona Dilma, quanto ele. Por isso será ministro certo. Candidato ao senado, teve cinco por cento dos votos. Ao fundar o seu partido, afirmou, orgulhoso: "Não somos de esquerda, de centro ou de direita". Só falta escolher a pasta.

Aldo Rebelo na Defesa.

Em Brasília não se fala noutra coisa, com ares de "quem recebeu comunicado divino". E por mais espantoso que seja, é o próprio Rebelo que se auto-credencia: "Tenho o melhor relacionamento com militares e generais".

El é comunista, de um partido que tem soberbos 11 deputados e nenhum senador. Não combateu a ditadura, ficou "ganhando" cargos, da presidência da Câmara ao Ministério dos Esportes, querendo pular para defesa. Dele não do país.

Justiça retardada e injusta: "Sabe com quem está falando?”.

O Brasil tem hoje, 92 milhões de ações esperando julgamento. (Já publiquei esses números há muito tempo). Nada foi feito por vários motivos, mas um deles fundamental. 70% dessas ações têm a União como RÉ ou como Autora. Num caso a União retarda, no outro, as partes é que não aceleram.

Agora, o Conselho Nacional de Justiça publica dados oficiais e assustadores: "Em 2020 o Brasil terá 114 milhões de ações á espera de julgamento". Os 90 milhões de agora não terão sido resolvidos, e centenas deles, ferem e prejudicam milhares de pessoas. Que República.

O juiz que pensava (?) que era Deus.

Depois da tremenda repercussão negativa, e a entrada obrigatória no circuito do Conselho de Justiça e da OAB, não pensa mais. Será punido junto com outros que o absolveram (incluindo três desembargadores do Rio) criminosamente.

Está bem, seu carro estava sem placa, desprendeu do carro no trajeto, ele não percebeu. A documentação do carro, esqueceu em casa, se perdeu, aceitamos. Mas estava sem condições de dirigir, por um fato que não foi CASSADA pelo Detran por um ano. Então desobedecia ordem do órgão responsável, foi deliberadamente irresponsável.

O resto é agravante. 1- O fato de insultar um servidor público que cuja obrigação era verificar a legalidade de quem dirigia. 2- Não podia insulta-la ou intimida-la. 3- Exorbitando mais ainda, chamou a Polícia Militar para prendê-la. 4- Chegando no auge da ilegalidade (ainda mais por ser um magistrado) queria que o oficial da PM, ALGEMASSE a Agente do Trânsito. O oficial se recusou.

Não podemos ficar prisioneiros de notícias e comentários sobre a importantíssima investigação do lava-jato. Essa investigação, as prisões e as condenações dos empreiteiros, não podem sair da Primeiras, têm que ficar debaixo dos holofotes.

Mas a prepotência e abuso de poder de juízes e desembargadores, não podem ser jogadas para "debaixo do tapete" como gosta de fazer Dona Dilma.

Temos que dar espaço também para juízes e desembargadores, que deturpam, maculam, ofendem a majestade da justiça. Magistrado como esse, com o passado que carrega, não representa nem pode julgar a coletividade. Esse que se julgava e se julga Deus, não pode ficar impune ou continuar julgando cidadãos.

E os que o absolveram duas vezes e mantiveram a multa condenando uma funcionaria que cumpria seu dever e obrigação, também passiveis de punição. Uma Justiça que protege seus “pares”, não é justiça, não podem ser chamados de magistrados. Representam uma escoria, não mais do que isso. Precisam de uma operação lava-jato para examinar e remover a sujeita de suas togas.

PS – Jornais e televisões, anteontem e ontem repetiram várias vezes a reunião “quilométrica” de Dona Dilma com ministros certos ou duvidosos. Estranho e curioso: todos rindo, a começar por Dona Dilma, o esfuziante Eduardo Cunha, Temer, e mais e mais.


PS2 – Ninguém ria tão estrepitosamente quanto Aluízio Mercadante, e com toda razão. Senador em 2002, Ministro da Fazenda que nunca foi nomeado, duas vezes derrotado para o governo de São Paulo. E controlando o Planalto.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

*Blog oficial do jornalista Helio Fernandes que durante 46 anos foi diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Aqui teremos suas matérias exclusivas, e também a participação de colunistas especialmente convidados. (NR).

EUA: ISOLACIONISTA ATÉ 1941, HOJE QUASE NO OSTRACISMO, SEGREGACIONISTA, APAVORADO COM A VOLTA DO RACISMO, DOMINADO PELO TERROR DO ESTADO ISLÂMICO.

HELIO FERNANDES
03.12.14

Mudaram muito. O único país do mundo ocidental, a conquistar independência pelas armas, garantir a República pela insuperável solidariedade entre aquelas províncias, (13 na época) que nem nome tinham.

Em 1776 deflagraram a Independência, com aquele belo manifesto, escrito totalmente por Thomaz Jefferson. Tão importante, que historiadores, mais tarde, analisaram e definiram: “É o que de melhor já se escreveu em língua inglesa, excetuando Shakespeare”. Exaltando Jefferson mas ressalvando Shakespeare.

Começaram então a organização da República, tudo pela forma direta, nada era feito indiretamente. (No Brasil tudo foi mistificação. A independência, uma farsa. A Abolição da escravatura, prorrogação a favor dos senhores de engenho. A República, golpe militar, militarizado e militarista, deturpado e derrotando uma das mais brilhantes gerações de lutadores civis).

Depois da vitória contra os ingleses, os americanos fizeram a maravilhosa Convenção da Filadélfia. Durante meses e meses discutiram os assuntos que deveriam ser debatidos e resolvidos na Constituinte, e os que de menor importância podiam ficar por ali mesmo.

Quatro assuntos principais.

1 – O nome do país. Só existiam províncias, nenhum estado. 2 – A Constituição deveria ter maioria Federalista ou Estadualista? 3 – Duração dos mandatos presidenciais. 4 – O país deveria se voltar apenas para o desenvolvimento e o bem estar do seu povo ou se preocupar com o que acontecia no resto do mundo? Tudo era polêmico e controvertido, por isso colocavam na pauta da Constituição.

1– Queriam que o nome definisse o país, geograficamente e politicamente. Então decidiram por Estados Unidos da América do Norte. O que antes eram estados unidos, em minúscula, ganhou maiúscula. E a localização, América do Norte. Controversa, mas contornável.

2 – A primeira grande hostilidade, quase uma divisão. A maioria considerava que um terço apenas da Constituição deveria ser Federalista, traçando as grandes metas do país, organizando a ordem e a justiça, estabelecendo as metas nacionais.

Os outros dois terços seriam obrigatoriamente Estadualistas, com independência total, Os oito “pais fundadores”, como eles mesmos se identificaram, concordaram depois de meses de lutas e debates. A Constituição ficou sendo e continua até hoje, 30 por cento Federalista e 70 por cento Estadualista.

3 – A duração dos mandatos presidenciais provocou o mais longo debate. Washington Jefferson, J. Adams, Monroe, Madison, lutavam por mandatos de dois anos, sendo prorrogação. Derrotados, propuseram três anos, finalmente quatro, Não ganharam nada, a Constituição aprovou quatro anos ininterruptos, o que prevaleceu até 1952.

Todos esses citados foram presidentes por oito anos, uma eleição e uma reeleição, não quiseram mais, desistiram da vida pública. Outros não aceitaram o cargo como o notável Benjamin Franklin. Indicado, recusou, explicou: “Eu só queria ter um país que pudesse chamar de meu, continuar com as minhas invenções”. Continuou, inventou o para-raios. Sua efígie (desculpe) está na nota de 100 dólares.

4 – Dos pontos polêmicos esse foi o mais rapidamente resolvido. Os americanos queriam se isolar do mundo, viver o mais confortável e mais longe de todos. A Constituição foi promulgada em 1788, durante 110 anos viveram apenas para eles mesmos, sem preocupações com o que acontecia do lado de fora.

110 anos depois em 1898, quebraram esse chamado isolacionismo, suas tropas saíram de casa pela primeira vez. A Espanha invadiu a República Dominicana e Cuba, foram derrotados pelos americanos. Que ganharam o direito de anexar a República Dominicana, e tiveram entrada livre na belíssima Cuba.

Construíram a base de Quantanamo, posto principal para a derrota da Espanha. Se instalaram suntuosamente, construíram cassinos, grandes empresas americanas foram para lá. Até 1959, com a chegada de Fidel Castro e a derrubada do sargento Batista, que estava no poder como “marechalissimo”.

Depois da vitória contra a Espanha os americanos voltaram para casa, ainda isolacionistas. Na primeira Guerra Mundial, (a verdadeira) também não os atraia. Declarada oficialmente em 1º de Setembro de 1939, quando Hitler e Stalin então aliados, devastaram a Polônia.

Stalin atravessou a fronteira da Ucrânia, hoje tão comentada. Hitler passou por toda a Europa assombrando franceses e seu Primeiro Ministro Deladier. E ingleses e o Primeiro Ministro Chamberlain.

Os americanos não tomaram conhecimento da guerra, que ia se alastrando pelo mundo. Fundaram o “Comitê Isolacionista”, chefiado pelo Coronel Lindberg. Herói Nacional, foi o primeiro homem a atravessar o Atlântico, em 1936, num avião que de tão pequeno era chamado de “casca de nós”. Foi de Nova Iorque a Paris em 38 horas, inacreditável para a época.

A França foi ocupada por Hitler sem um tiro, em 1º de setembro de 1940, 1 ano de guerra, e os EUA de fora. 1º de setembro de 1941, dois anos de guerra, e os EUA nem observando. Mas dois meses depois, em 7 de dezembro de 1941, o mundo mudaria e atingiria surpreendentemente os EUA.

Numa façanha que deixou o mundo perplexo, mais de 50 aviões japoneses saíram de Tóquio, e sem escala chegaram á base da Marinha em Pearl Harbour. Destruíram dois terços da frota naval americana.

Isso era considerado impossível mas aconteceu. No dia seguinte, 8 de dezembro, os EUA entravam em guerra contra o que se chamava de nazi-nipo-fascismo. (Alemanha, Japão e Itália, então aliados).

No mesmo dia o coronel dissolveu o Comitê Isolacionista, me alistou na aviação, lutou até o fim, foi herói mais uma vez.

A partir desse dia os americanos mudaram tudo no país. Criaram a indústria de guerra, os homens foram lutar, as mulheres para as trincheiras da retaguarda, construir para resistir e conquistar. E nunca mais foram isolacionistas, descobriram a satisfação de dominar o mundo, o prazer de serem considerados a maior potencia mundial.

PS- Voltarei ao assunto, a invasão do mudo pelos EUA. Contarei o que aconteceu em 1943/44 "segunda frente", a extraordinária ocupação da Normandia, nada havia sido feito igual antes. E em 1944, em Bretton Woods, o domínio da economia do mundo, com a substituição, como troca universal do ouro pelo dólar, inacreditável. Ocuparam o mundo, militar e monetariamente.

PS2- Fica para depois, o importante é ressaltar, registrar e ressalvar agora, o fracasso continuado dos EUA, por repetidos erros militares. Embora ainda tenha o poder das armas, usa essa força de modo errado ou equivocado. Depois da memorável derrota no Vietnã, jamais os EUA tiveram tantas dificuldades quanto agora.

PS3- Clinton e Obama herdaram a tragédia da incompetência do Bush filho, invadindo o Iraque, "por causa do seu estoque nuclear". Na verdade não havia nada só o envio incessante de tropas e o assassinato de Saddan Hussein. Obama não podia retirar as tropas, achou que fazia media com o eleitorado. 

PS4- Deixou a Síria e o próprio Iraque desguarnecido, daí surgiu esse terrorismo do "estado Islâmico". Errou quando ameaçou bombardear a Síria, o que não fez, permitindo um acordo, cujo intermediário foi o ditador Putin. E o desgaste de Obama, terrível, só ele não percebeu.

PS5- Nesta fase chegamos então ao pânico do "Estado Islâmico", com Obama garantindo ao mundo, "que iria destruí-los com bombardeios, sem tropas terrestres". Imediatamente, contestei. Textual: "Não existe vitória sem tropas terrestres, é impossível prescindir da infantaria, a rainha das armas".

PS6- Bombardeios inócuos, sem impacto ou repercussão. Premido pelos fatos, Obama conversa e negocia o envio de tropas terrestres, é preciso avaliar o tamanho dessa tropa.

PS7- Sem essas tropas, o "Estado Islâmico" resistirá no mínimo 20 anos, o governo Obama tem apenas mais dois. É uma pena que Obama tenha terminado assim. Mas os americanos não querem mais voltar para casa. Resistirão do lado de fora?

PS8- Mas agora, além do terrorismo dos Republicanos, Obama tem que enfrentar muitos outros problemas, gravíssimos. Outro terrorismo, do "Estado Islâmico", não sabe como resolver, a não ser enviando tropas em quantidade, coisa que o cidadão americano não quer.

PS9- E surgiu ou ressurgiu o que parecia morto: o preconceito racista. A emenda constitucional número 11, promulgada em 1866 depois da maior guerra civil do mundo ocidental, dava a impressão de que viera para sempre. Não saiu do papel. Um policial branco assassina um civil negro e desarmado, não é nem preso nem condenado, logo absolvido.

PS10- Obama foi obrigado a declarar: "O problema não é o assassinato de um negro numa cidade minúscula, isso acontece no país inteiro". O assunto interessa ao mundo inteiro, é preciso reformulação total. Mas de maneira alguma a SUBSTITUIÇÃO dos EUA pela China.

PS11- Estamos todos insatisfeitos, o Papa Francisco tem acertado em cheio. Voltarei ao assunto. 1 BILHÃO e 600 MILHÕES, que não têm onde morar. 1 BILHÃO e 400 MILHÕES, que não têm o que comer. 1 BILHÃO e 200 MILHÕES que ganham (?) 2 reais por dia.

PS12- Que mundo. Não quero nem falar que dois BILHÕES de pessoas, 43% da população mundial, não tem saneamento básico. Só existe uma solução para esse problema medonho, tenebroso, lancinante: todos os que ocupam cargos públicos, de prefeitos a presidentes ou Primeiros Ministros,seja de país forem, TERÃO QUE MORAR EM LOCAIS, casas ou apartamentos, SEM SANEAMENTO BÁSICO. Até que essas comunidades tenham dignidade nas moradias.

Amanhã.

Começa o festival Wagner da nomeação de Ministros, derrotados para governadores.








terça-feira, 2 de dezembro de 2014

*Blog oficial do jornalista Helio Fernandes que durante 46 anos foi diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Aqui teremos suas matérias exclusivas, e também a participação de colunistas especialmente convidados. (NR).

PARA ONDE VÃO OS SENADORES LOBÃO E LOBINHO? SÚMULA ELEITORAL: DE 137 MILHÕES DE ELEITORES, DONA DILMA TEVE APENAS 54 MILHÕES. 83 BILHÕES NÃO VOTARAM NELA.

HELIO FERNANDES
02.12.14

Alem de todos os erros, equívocos e desacertos do primeiro mandato, Dona Dilma tem que carregar a falta de nomes para os cargos mais importantes. Com muita resistência e tendo que escolher alguns, aceitou indicar o novo Joaquim, uma espécie de Arminio Fraga do B., como rotulei, logo no dia da apresentação com a ausência dela, quase não notada.

Nelson Barbosa é uma espécie de Mantega eventual, não para ser diminuído e sim para ser elevado em caso de “acidente de percurso”. E Tombini nunca esteve sem espaço ou com substituto á vista.

Escolhido, indicado, oficializado mas não nomeado e assumido, de qualquer maneira, o Ministro da Fazenda já aparece em qualquer “selfie” da presidente, Não é muito, mas aparente ou simbolicamente já é alguma coisa. Enquanto estiver vagando pelos corredores do poder, não se pode critica-lo ou afirmar que o ministério está vago.

A perplexidade atinge e domina todos os círculos do Planalto-Alvorada, pela impossibilidade de preencher cargos, que no primeiro mandato que não acabam, eram ocupados pelo troca-troca com deputados e senadores. Estes, agora, são citados sempre como “supostos” indiciados na operação lava-jato.

Quando consegue livrar alguns que não estarão entre os que têm foro privilegiado, o que acontece? Dona Dilma “escolhe” Dona Katia e o quase governador de Pernambuco, que aparentemente têm unanimidade contra. Mas em matéria de competência, quem responde por eles?

Quem irá para a Petrobras?

Pelas circunstancias, até mais importante do que o Ministério da Fazenda. Este tem a obrigação de desfazer tudo o que Dona Dilma fez de errado. E os desacertos dela, no setor da economia, foram gigantescos. E o novo Joaquim, para tentar acertar tem que contrariar a própria Dilma onde garante por ela e por supostos porta-vozes: “Quem comanda a economia sou eu”.

A maior empresa brasileira tem repercussão nacional e internacional. Com ações negociadas em Wall Street, já esteve valendo 73 dólares, agora ninguém mais de 9. Será responsabilizada por isso, a investigação continua. E nos EUA chegará a algum resultado. Principalmente quando se trata de empresas estrangeiras, como a Petrobras.

É uma vergonha e repercussão negativa para o país. Aqui as ações da Petro já estiveram a 43 reais, agora ficam entre 11 e 13 reais. Não é insegurança do “mercado”, como dizem, e sim jogatina “na cara” da CVM, que não faz nada para reprimir ou punir os jogadores.

Desarvorada, desenganada, desarticulada, Dona Dilma procura nomes para esse cargo. Semana passada até sábado, imaginava que poderia nomear Luciano Coutinho ou Belluzzo para recuperar a Petrobras.

Quando falou com gente do Planalto e do PT, que estava examinando desses nomes. Foi repudiada com tal energia e até hostilidade que já entrou nesta semana com outros nomes para serem “avaliados”. Quais? Ninguém sabe, até Lula tem criticado duramente a sucessora que ele mesmo inventou.

Não são desonestos, apenas medíocres, submissos e subservientes. O presidente do BNDES "emprestou" 400 milhões ao Corinthians, depois do Banco do Brasil ter recusado. Coutinho cumpriu ordens de Lula, fez a mesma coisa de forma avassaladora com "empréstimos" a Eike Batista, sem nenhuma garantia.

(Bancos particulares, Bradesco, Santander, Itaú, também deram fortunas a Eike, nem querem ouvir falar nisso). Vai ficar desempregado. Belluzo, depois de presidir e rebaixar o Palmeiras, não arranja emprego no esporte, na política, na economia. Já disse ha muito e repito: "Se me pedissem para indicar um presidente para a Petrobras, nem saberia o que responder".

Quem sabe não trazem Shigeaki Ueki. Na ditadura foi presidente da Petrobras, depois Ministro de Minas e Energia. Numa época em que a Petrobras gastava 20 BILHÕES em compras no exterior. Hoje a maior fortuna do Texas, mais rico do que o Bush, pai e filho.
Pensem nisso. 

ROUBOU tanto e nunca foi preso, nem sequer acusado. A não ser por este repórter. Shigeaki não tem respeito da comunidade pelo menos respeita o ditado popular: "Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão".

Lobão e Lobinho.

Assim que foi citado na operação lava-jato, no dia 5 de setembro, desapareceu do Planalto e do ministério. Não foi nem à parada de 7 de Setembro, holofote garantido. Ainda tem quatro anos no senado.

Mas quem está exercendo (?) é o filho, derrotado para governador do Maranhão, apesar da tremenda lista de apoios. Agora, quem ficará desempregado, o pai ou o filho? O filho nem governador chegou a ser, o que o pai conseguiu ha muito tempo.

Súmula eleitoral.

O eleitorado deste 2014, que funcionou para as eleições de Outubro é de 137 milhões de cidadãos. Proporcionalmente um dos maiores do mundo, para o país de 200 milhões de habitantes. Decodificando, sumarizando ou mostrando como votou essa massa enorme.

51 milhões votarem na oposição, em Aécio Neves.
20 milhões não saíram de casa, se abstiveram.
12 milhões, obrigatórios, anularam ou votaram em branco.

Sobraram 54 milhões, os que "escolheram" Dona Dilma. Representam mais ou menos 53% do total, não justificam tanta arrogância. E votos conseguidos com a máquina, baixaria, injúria, calúnia, difamação, mentira colossal.

PS- Dona Marina está preparando uma volta de grande repercussão. Pelo menos ela e os "seguidores-sonháticos" esperam. Não têm data, mas não deve ser neste resto de 2014.

PS2- Pretendem independencia total, incluindo o Partido Socialista. Mas não querem de jeito algum rompimento ou desligamento traumático. Como todos ou quase todos, o objetivo é 2018.

PS3- A decadência e a degradação do futebol brasileiro, é típica da "Era Dilma". Agravada por árbitros e técnicos. No jogo Corinthians-Fluminense, não foi marcado pênalti claro a favor do Corinthians. A seguir 2 pênaltis favorecendo o Fluminense. O primeiro não houve, o segundo a falta lá fora da área.

PS4- Enquanto isso, Felipão perde três jogos seguido, por pura incompetência, fica fora da Libertadores. Em todos reclamou arbitrariamente, ninguém esqueceu o 7x1.

PS5- Parabéns a Santa Catarina e a Florianópolis. O estado classificou 4 clubes para o Brasileiro. E a capital, com menos de 500 mil habitantes, colocou dois, Avaí e (dirigido pelo seu competente amigo Chico Lins) e o Joinville.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Judiciário e a sua imaginária “Ilha da Fantasia”.

 (...) Segundo dados da PNAD de 2008, existiam cerca de 92 milhões de pessoas trabalhando. Destes, 61 milhões eram empregados, sendo 48 milhões do setor privado, 6,5 milhões do setor público e 6,5 milhões trabalhadores domésticos. Ou seja, os empregados do setor privado somavam 54,5 milhões, com 32 milhões registrados em carteira do trabalho e 22,5 milhões sem proteção alguma.

Roberto Monteiro Pinho                                                                 
   O modelo laboral brasileiro fundamenta-se na filosofia do gigantismo legal, do protecionismo as instituições afetas a sua mecânica, nos caso os sindicatos, com os dissídios e uma estrutura senil, incapaz de aplacar a avalanche de novas ações, resolver as atuais e cessar as balbúrdias praticadas pelos integrantes da especializada, que praticam atos extremados e incabíveis. Tudo em constante afronta aos dispositivos legais, onde a mentira deslavada desde que seja em prol do trabalhador, segundo o instituto do dubio promisero, pode prevalecer. 

A solução para cessar essa estupidez colonial e tuteladora da via estatal, é regular, com rigidez, as relações entre capital e trabalho, abandonando o texto oxigenado da CLT, cujos ditames, ensejam uma relação serena, conciliadora e de paz social, onde o trabalhador é sua figura central.
   Na tese de naufragados pensadores da legislação trabalhista, ainda lincada nos anos “40”, quanto mais leis, mais protegidos estariam os trabalhadores, calcificados nos 44 dispositivos constitucionais, de difícil alteração e de algumas leis esparsas, 922 artigos da CLT, (dos quais 240 inócuos), contendo vasto elenco de direitos dos trabalhadores, considerados em sua maioria imutável. A CLT nasceu no apogeu da era Vargas, um governo ditatorial e populista, quando se praticou uma enormidade de crimes contra a pessoa humana. 

A Justiça do Trabalho é o que é hoje, porque está fundada na mística do dirigismo estatal. Ocorre que de lá para cá, o mundo mudou, as novas profissões, a gama de novos direitos, a exemplo do dano moral, a hora in itinere, Banco de Horas, o direito do doméstico e outra dezena de novos dispositivos. Mas isso não significa a sua violação em nome da causa globalizante, pelo contrário o seu aperfeiçoamento só visa benefícios para os polos de sustentação da humanidade trabalho/capital.

 O judiciário trabalhista nos últimos anos está tomado pelo regime ditatorial da toga, manobrado por magistrados sociopatolobistas, eloquentes, capazes de impressionar e de cativar as lideranças do Congresso, governo e até mesmo setores da Ordem dos Advogados do Brasil, onde a maioria das suas subseções infelizmente funciona como cartórios para nomeações do Quinto Constitucional, e pavimentação para carreira política, como se este fosse o seu principal mister.

   A moeda de troca neste vendaval, de praticas lesivas, aos interesses dos advogados, da sociedade, é a cabeça do profissional, com a involuntária complacência da população, equidistante dos poderes, os mesmos constituídos para justamente combater essas injunções.  Basta dizer que uma das piores estratégias do julgador é a crença de que para reduzir o volume de trabalho, basta indeferir e fixar indenizações pífias desculpa mediocre para evitar o trabalho, ou ainda no caso da ação trabalhista criar situações analógicas, e jogar a lide para a judicialização nos tribunais superiores. O retorno do processo a origem, após percorrer todas as esferas é de no mínimo cinco anos. 

E por isso ser relevante trazer aqui as nuance desta mecânica de influência dos magistrados nos textos de leis, onde o individuo e sobrepujado pelo corporativismo das sentenças que lhe dá o passaporte para uma futura promoção ao grau superior. A lei escrita carece às vezes de singular entendimento, uma vez modificada, deve prevalecer á norma mais favorável, mesmo frente á Carta Federal de 1988, previsão esta principiológica oriunda do princípio protetor, não obstante a possível positivação desse princípio no inciso I, do art. 7º. E nesta ideia de hierarquia, se enquadram outras normas, conforme previsão da própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, parágrafos 2º e 3º.


   Segundo dados da PNAD de 2008, existiam cerca de 92 milhões de pessoas trabalhando. Destes, 61 milhões eram empregados, sendo 48 milhões do setor privado, 6,5 milhões do setor público e 6,5 milhões trabalhadores domésticos. Ou seja, os empregados do setor privado somavam 54,5 milhões, com 32 milhões registrados em carteira do trabalho e 22,5 milhões sem proteção alguma. E mais: como há inúmeras categorias onde a informalidade é elevada, somavam 19 milhões os trabalhadores por conta própria. 

Eram 4 milhões os estabelecimentos formais com mais de dez empregados e 11 milhões os informais. Nos dias de hoje, a economia concorrencial exige ajustes rápidos e crescentes em todas as áreas, inclusive no universo de 65 milhões de informais. Mas os mandarins da Justiça do Trabalho, com seus feudos representados pelos tribunais, e a nobreza de seus juízes e serventuários, se dignam enxergar uma realidade que avança a passos largos, para determinar uma reformatação deste modelo de judiciário, que chega a beira do “medíocre”.  

Quando falamos em modernizar as relações de trabalho, provendo ajustes nas relações trabalhistas, com foco em ganhos de produtividade e flexibilização na negociação de contratos de trabalho, maior agilidade na contratação e descontratarão da mão de obra, desoneração da folha de pagamento e criação de mecanismos mais efetivos de resolução dos conflitos trabalhistas, nos deparamos com uma antipatia dos magistrados trabalhistas, de tamanha aspereza que nos faz acreditar seja realmente a especializada uma “Ilha da Fantasia”.
*Blog oficial do jornalista Helio Fernandes que durante 46 anos foi diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Aqui teremos suas matérias exclusivas, e também a participação de colunistas especialmente convidados. (NR)

A ENTREVISTA DE FHC, VERGONHOSA, PECAMINOSA, VEXAMINOSA E PRINCIPALMENTE, MENTIROSA. A COMISSÃO DA VERDADE “IDOLATRANDO” PINOCHIO.

HELIO FERNANDES
01.12.14

A Comissão da Verdade, com todos os poderes, conseguiu obter algumas explicações, desvendar crimes e descobrir e desenterrar corpos, mais nada. Está trabalhando há anos, poderia conseguir muito mais, se não tivesse visível receio de se aproximar de alguns generais. Chegaram perto dos quartéis, fizeram requerimentos, perguntas e indagações, foram completamente ignorados.

É bem verdade (desculpem o uso da palavra), essa Comissão levou tanto tempo a ser concretizada, que todos os generais do “primeiro time”, transformados em “presidentes”, morreram muito antes de serem acusados.

Ao contrario do que aconteceu na Argentina, onde quase todos morreram em celas miseráveis. Ou no Chile, onde semana passada, generais criminosos foram condenados. Estavam na cadeia, as condenações confirmadas, ficarão lá para sempre.

A Comissão perde tempo.

Conduziram mal a investigação, receberam respostas inteiramente desligadas da realidade. Como a confirmação dos militares, que não quiseram ou não puderam contestar ou desmentir: “Nos quartéis não ocorreram fatos que conflitavam com a rotina militar”.

Sem o menor constrangimento, desmentiam a realidade, desprezavam a própria Comissão. Esta devia ter começado por três providencias, indispensáveis.

1 – Responsabilizar os que atenderam “decisões” dos generais culpados, que agiam em beneficio próprio. 2 – Por que não investigaram a razão da transição da “ditadura para a democracia”, ter sido comandada totalmente pelos militares?

3 – Esses militares culpados, que se “inocentaram” com a anistia deles mesmos, comandaram a indireta de 1985, seis anos depois. Ainda acreditávam na prorrogação do terror, com um novo general de plantão, o chefe do SNI, Otavio Medeiros.

Não tendo tomado essas três providencias, que reforçaria seus poderes não apenas de investigação mas também de punições, vão esgotar o tempo, sem nada de muito proveitoso. Ou até de contraproducente, com nítido caráter de desperdício, como essa inacreditável, inimaginável e totalmente dispensável entrevista de FHC. Por que ouvi-lo? Seu passado é mais do que conhecido, jamais combateu coisa alguma.

FHC nunca foi cassado.

Comecemos pelo fim, para desmoralizar tudo que o ex-presidente falou: “Ele jamais foi CASSADO ou perseguido”. Tanto não foi cassado, que disputou eleição em 1978, em plena ditadura, muito antes da anistia ampla. Jose Serra, esse sim, CASSADO, exilado, perseguido, voltou para o Brasil em 1978. Candidato a deputado estadual, teve o registro recusado, com a alegação: “Ainda esta cassado”.

(Em 1977, o MDB autêntico lançou a candidatura deste repórter a senador em 1978. Cassado por 10 anos em 1966, acreditávamos que em 1976, estaria terminada, mas veio a resposta arrogante, audaciosa e impossível de contestar: “A cassação não é mais por 10 anos, agora é para sempre”).

Nesse 1978, na chapa de senador, junto com Franco Montoro, FHC teve míseros 300 mil votos, Montoro, 3 milhões. Mas FHC começaria a “carreira”, ficaria como suplente. Em 1982, Montoro se elegeu governador de São Paulo na primeira eleição majoritária depois do golpe de 64, FHC assumiu no senado. Se não tivesse sido candidato em 1978, teria que começar em 1982, como todos os cassados de verdade, muito mais difícil.

Com o próprio FHC presidente no primeiro mandato, e no segundo, comprado e pago com a reeleição, desafiei-o várias vezes a provar como conseguiu ser candidato em 1978, se dizendo cassado. Isso na Tribuna da Imprensa, assassinada pela ditadura. Mas ele jamais respondeu, não tinha o que dizer. Ou o que dissesse seria mentira, como tudo o que diz agora.

Não existe comparação entre outras mentiras e as que FHC retumba agora. Esta, que jornais obrigatoriamente publicam em manchete, é mais colossal do que qualquer outra: “Não fui torturado, mas vi gente torturada”. Nunca foi preso, CASSADO, perseguido, é lógico, não está mentindo quando diz que “NÃO FUI TORTURADO”.

Mas onde é que viu gente torturada? Nesses tempos, rigorosamente livre e satisfeito, seu roteiro era o seguinte. Patrocinado pela Fundação Ford, (que na Tribuna de papel revelei, que arrogante, só chamava de Ford Fundacion) viajava para o Chile, onde muitos estavam exilados.

Quando assassinaram Allende e instalaram no Chile um dos regimes mais arbitrários, autoritários e atrabiliarios, os exilados autênticos tiveram que se dispersar. FHC passou então a ira para a França, e para os EUA, o9nde estava proscrito exilado mesmo, seu amigo Sociólogo e Historiador, Luciano Martins (Brilhante, lúcido competente). Hospedava-se na casa dele.

Nuca esteve com Golbery.

Pula de mentira em mentira, a maior e a mais degradante: “Eu estava indo de carro para a Universidade, ouvi pelo rádio que tinha sido CASSADO”. Ouviu o que jamais aconteceu, diz que “ouviu o Ministro Gaminha ler o AI-5, redigido por ele”.

Que mentiroso primário. O AI-5 foi redigido por vários militares, que desprezavam o então Ministro da Justiça. Está aí o coronel Passarinho que não deixa ninguém mentir. E foi lido na televisão por um locutor da Rádio Nacional, precisamente ás 20,30, ninguém vai para a Universidade a essa hora.

Conta, “fui sozinho ao gabinete do general Golbery”, mas não mostra quando. E o general Golbery só uma vez teve gabinete, mandava mesmo, mas da sua fazenda maravilhosa. Disse que contou ao general as suas diversas prisões, e que “Golbery ficou revoltado, disse que isso precisa acabar”. Desculpem: Há! Há! Há!

Depois conta as prisões, “não sei se foi com o Chico Buarque ou o Vinicius de Moraes”. Ora, que é perseguido, ou preso com gente como essa não pode esquecer pelo menos os nomes.

Na época Chico Buarque estava na Itália (onde já morara com a família) Vinicius jamais foi para o DOI-CODI ou para a Oban. (mesma coisa). Vinicius era um combatente natural, por convicção, mas um combatente musical.

O Pinóquio FHC.

Tenho que terminar, o ex-presidente é impagável, nos dois ou três sentidos da palavra. Os generais ditadores tentaram popularizar aquele “ame-o ou deixe-o”. Pois FHC termina com a frase quase igual, mas que significa a mesma coisa: “Estou aqui no Brasil porque tenho amor pelo país”.

O medo do desemprego.

Luciano Coutinho já foi comunicado: “deixará o BNDES. Ronda o Planalto, não quer ficar sem nada”. O economista Belluzzo que frequenta o Planalto (mesmo depois que rebaixou o Palmeiras) acreditava a serio que fosse nomeado Ministro da Fazenda, um impropério.

Agora, fala mal do escolhido, ninguém o ouve. Quer alguma coisa, nem ele mesmo não sabe o que é. De qualquer maneira os dois precisam de explicação. Talvez dada por eles mesmos: qual a diferença entre RONDAR e FREQUENTAR o Planalto?

Três senadores impacientes.

Derrotados para o governo. Do Amazonas, Ceará e Paraíba, ainda têm quatro anos no senado. Mas querem um ministério. Eduardo Braga pretende sair para deixar a mulher no cargo, é sua suplente.

Eunicio Oliveira, não quis ser Ministro em outubro de 2013, considerava que tinha passaporte para governador. Parecia mesmo. Vital do Rego, insensato, disputou o governo, teve 5 por cento dos votos. Já não quer mais ser Ministro de Estado e sim Ministro do Tribunal de Contas. Pode ser.

PS – Como o Ministro Zavascki é o relator dos acusados da lava-jato que têm foro privilegiado, nos últimos dias, muitos querem saber até quando fica no Supremo. Tem exatamente mais quatro anos. Cai na expulsoria dos 70 anos, no limite entre 2018 e 2019. Todos dizem: “É muito tempo”.

PS2 – O Ministério da Agricultura pode ficar vago por mais algum tempo. O Ministro que está no cargo, é acusado de usar terras para a ”reforma agrária”, entre os irmãos. Surrealista.

PS3- Já a senadora indicada, mas não oficializada por muitos motivos, é sempre lembrada por um motivo: “a exploração do trabalho escravo nas suas fazendas”. Nada surrealista.

PS4 – O ditador Osny Mubarak, foi condenado á morte, punição logo transformada em prisão perpétua. Agora foi absolvido, será solto ainda esta semana. Qual o critério ou a ideia que pretendem transferir á comunidade?