Titular: Helio Fernandes

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Um presidente provisório, ministro licenciado-exonerado, o presidente da Câmara afastado e "morto", o líder do governo acusado de tentativa de homicídio. Que Republica

HELIO FERNANDES

24 horas depois da maior e mais previsível crise que atingiu o governo, Michel Temer veio a publico. Falou muito e disse pouco. Promessas, compromissos, divagações, a certeza de que depende muito do congresso e da opinião publica. È o próprio Prometeu Acorrentado, sem convicção, sem meta, sem destino, sem paradeiro, sem rumo, sem plano, projeto.

Muito queixoso, não escondeu o ressentimento falso, que resumiu numa frase amarga mas de base inexistente. "Quando um governo assume, todos devem apoiá-lo. Mas no Brasil não existe essa cultura". È muito fácil jogar a culpa no país e no povo. Principalmente para eles.

Isso que ele lança ao vento, se dissipa imediatamente. Governos verdadeiros que podem pedir e até exigir apoio para que cumpram ou cheguem a um destino positivo e proveitoso, são os que saem das urnas. Ungidos, sagrados e sacramentados pelo voto, devem ter independência e autonomia, até mesmo para inovar, e quem sabe, talvez para errar. Ninguém tem a chave milagrosa ou miraculosa do sucesso, deve dispor de liberdade para fazer. Ou de tentar. De procurar. Na tentativa gloriosa de recompensar os votos que recebeu nas eleições.

Não é, nem de longe, a situação de Michel Temer. Chegou ao poder, apenas pelo malabarismo da traição, pelo "pacto do golpe". Ninguém está interessado em desmentir Romero Jucá. Ele deixou no gravador de Sergio Machado, suas digitais verbais e a comovente convicção de que era "imperioso aprovar o impeachment da presidente eleita, substituí-la por Michel".

Assim mesmo, a intimidade unicamente do primeiro nome, sabia de tudo. E não apenas sabia, mas também compactuava. (Quem participa de um pacto, compactua). Nesse pacto vitorioso, alem da substituição de um presidente eleito por um vice não eleito, apenas acoplado, outro grande, insubstituível e irreversível objetivo: a destruição da LAVA-JATO

Conseguiram o que perseguiram durante 1 ano: empossar Michel Temer, jamais eleito, colocá-lo no lugar de outro, eleito e reeleito. Consumada a primeira parte, eufóricos e se julgando poderosos e vitoriosos, partiram para a segunda: a desmoralização da Lava-Jato. Essa ação complementar, que vinha sendo articulada junto com a tomada do poder, fundamental.

Com a Lava-Jato no auge da atuação, o poder valeria pouco. Temer sempre soube disso. Tanto que numa entrevista com o golpe ainda não concretizado, afirmou: "Não nomearei ninguém envolvido na Lava-Jato". Pressionado pelos próprios, fez o de sempre: recuou, nomeou todos. O maior poder para Jucá, sem nenhuma duvida a quem devia tudo. (Naturalmente depois do corrupto Eduardo Cunha. Este não podia nomear, mas conceder. Entregou a ele a liderança do governo na Câmara. Sabe que não pode mantê-lo, espera o momento).

Esse capítulo definiu Temer e seus comparsas. São incompetentes e péssimos analistas. A investigação e as condenações de Curitiba, nunca estiveram ameaçadas. E se fosse necessário, teria se consolidado com a maquinação Jucá-Sergio Machado. A Lava-Jato é hoje um bem publico inalienável, foi TOMBADA pela comunidade. Exatamente o contrario do que acontece com o governo provisório de Michel Temer, agora sem Jucá. Falta retira-lo da presidência do PMDB.

Michel e Jucá tentam transformar a Procuradoria Geral, num órgão de consulta. Ontem, o ex-ministro do Planejamento fez outra declaração estapafúrdia: "Enquanto o Procurador não responder minha consulta, continuo Ministro". Para o governo ele já foi afastado. Falta encontrar alguém que não tenha nada a ver com a Lava-Jato. Está difícil de encontrar.

Deserto de homens e ideias

Enquanto Jucá insiste que continua Ministro, vários nomes são lembrados. Uns descartados por sofrerem restrições. Outros por serem insubstituíveis onde estão. Henrique Eduardo Alves citado varias vezes é intimo do provisório. Foi o único Ministro do PMDB que pediu demissão, assim que Temer abriu fogo contra Dilma. Mas a citação da Lava-Jato invalidou a nomeação. E se ele mudasse do Turismo, a vaga iria para um amigo de Renan.

Um dos favoritos era e continua sendo Moreira Franco. Só que nem ele nem o próprio Temer, sequer admitem conversar sobre o assunto. O ex-governador abriu mão de ser Ministro para ocupar essa secretaria. De qualquer maneira, apesar do desgaste e desprestigio do governo provisório, aparecerá alguém. Mesmo Jucá insistindo: "Continuo Ministro".

O governo exige 10 BILHOES do BNDES

Depois de retumbar, "o governo Dilma falou em déficit de 86 bi, mas deixou um rombo de 170 bi" veio com a novidade. Está querendo que o banco devolva 100 bilhões ao Tesouro. Mesmo podendo ser considerado receita primaria, é dinheiro de verdade, ou o governo não estaria pressionando o BNDES. Dessa forma, esses recursos vieram do governo Dilma. Contabilizado, o déficit não seria de 86 bi, e sim um saldo de 14 bi. Fazem tudo para fingir que estão trabalhando e produzindo. Não mostram constrangimento.                                                                                                      

 A vergonha e o escândalo de Cunha na presidência da Câmara

Está em tramitação no Congresso, um projeto que parece miragem. Proíbe que réus entrem na linha de sucessão presidencial. Explicando e resumindo. Aprovado, a proibição atinge os presidentes da Câmara e do Senado. Na verdade o projeto nem vai caminhar, pois visa retirar dessa hierarquia presidencial, o deputado afastado, Eduardo Cunha. Afastado mas cada vez mais poderoso. E ainda por cima conta com a proteção, o beneplácito e a admiração do presidente provisório.

A situação não pode continuar como está. Com dignidade e respeito á opinião publica, a presidência da Câmara pode ser preenchida digna e imediatamente.

A Câmara deve ter um presidente proporcionalmente indicado pelo maior partido. No momento é o PMDB. A Comissão de Constituição e Justiça é presidida pelo deputado Osmar Serraglio, também do PMDB. Essa Comissão em 24 ou 48 horas pode declarar vaga a presidência da Câmara. (Na verdade, vaga ela ficou quando Cunha foi
interditado pelo Supremo. E vaga continuou quando o vice assumiu, empurrado e garantido pelo próprio corrupto destituído).

Vaga de direito e de verdade, a Câmara pode eleger sem demora, sem ressalva e sem restrição, o próprio Osmar Serraglio. È uma das melhores figuras, serio, (presidiu a CPI dos Correios com enorme competência), prestigiado e respeitado por todos. Assim a Câmara não ficaria á disposição de aventureiros. E o presidente da Republica poderia viajar á vontade, sem qualquer preocupação.

Eduardo Cunha tem espalhado: não demora e estarei voltando a ser presidente da Câmara. Outros ligados a ele informam que negociam e conversam sobre uma proposta. Renunciaria e sofreria apenas advertência escrita. Tenho uma sugestão intermediaria. Cunha renunciaria, e seria nomeado embaixador na Tanzânia. O ex-presidente enfrentaria apenas um problema. Esse país recusar a indicação.

Pedida a cassação de Jucá

O PDT apresentou pedido, que mereceria o aplauso do próprio Brizola. Pedido de cassação do mandato do ex-ministro do Planejamento. Falta de decoro parlamentar. Muitos senadores já estão inteiramente a favor. O grande problema ou obstáculo: Michel Temer vai proteger Jucá, como tem protegido Eduardo Cunha.


PS- O Senado está votando a medida fiscal preparada por Meirelles e entregue por Temer a Renan. Já houve muita confusão desde que a sessão foi aberta ás 11 da manhã. Precisaram antes, "limpar" a pauta, votando 24 medidas provisórias acumuladas. Essa "limpeza"deve acabar por volta de meia noite. Começará então a discussão propriamente dita, da matéria. 
DILMA E OS NÚMEROS MENTIROSOS DO ORÇAMENTO, DÍVIDA, E DESMANDOS DE TODA ORDEM. A PRESIDENTE PEDIU MAIS QUE O IMPEACHMENT. LULA ARREPENDIDO, NÃO ESPERAVA TANTA INSENSATEZ DE DILMA.
ROBERTO MONTEIRO PINHO
Muito se discute sobre o impeachment, mas o cerne da questão, que é o orçamento da União, não é de fácil entendimento do leigo este deveras nebuloso. O orçamento enviado ao Congresso pela presidente Dilma Roussef ocorreu de maneira ilegal, previa uma deficiência de 30,5 bilhões de reais.
A discussão era de que o governo afirmava ter que gastar, em um ano, quantia bem maior que a arrecadada, e praticamente transferia ao Congresso a solução do problema.
Esse mesmo governo (e o antecessor) transferiu para o BNDES, em títulos públicos e em cinco anos, cerca de 300 bilhões de reais. Aqui ficou uma nebulosa para a população é que o tesouro paga uma taxa de juros remuneratória a esses títulos de 9,5% ao ano, e o BNDES empresta esse dinheiro a apaniguados nacionais ou estrangeiros a algo como 4%, que corresponde à TJLP (taxa de juros em longo prazo).
A mídia de truste, ou seja: a que monopoliza 80% da população, descuida-se de dar ênfase as crescentes dificuldades econômicas, que continuarão a recair sobre uma população cada vez mais combalida pela carga tributária.
Carga cada vez mais longe de ser devolvida em justos benefícios, e consumida em grande parte por uma máquina estatal usada por um partido e um grupo ideológico que ocuparam o governo, com o firme propósito de “levar vantagem”, repetindo exatamente o que a direita sempre fez.
Os escândalos envolvendo Petrobrás e Eletrobrás, no grupo das ações criminosas, apuradas pela operação Lava-Jato, ainda não atingiu o seu principal alvo, o BNDES.
No capítulo da dívida, e do orçamento, mentiras e mais mentiras. Lula não mereceu tamanha insensatez de sua indicada ao mais alto posto da nação.
Tudo indica o que se esconde no BNDES, algo ainda mais expressivo do que tudo aquilo que vem escandalizando a nação. Hoteleiros estão envolvidos, a Construtora Odebrecht aqui dentro, ou seja: o governo da Venezuela lá fora. Todos meteram no bolso os 300 bilhões remunerados a 9,5% e emprestados a 5%.
A liberação desses recursos foi lastimável. Como nos empréstimos a Angola e a Cuba, é muitas vezes secreto. Eike Batista — R$ 10 bilhões; Marfrig — R$ 3,5 bilhões; Governo de Cuba (Porto de Mariel) — 3,5 bilhões; Governo da Venezuela — 11,5 bilhões; Governo da Nicarágua — 4 bilhões; Governo da Argentina — 4 bilhões e Governo de Angola — 10 bilhões. Dinheiro que o brasileiro jamais terá de volta – ficará por conta do velho ditado, “devo não nego, pago quando puder”.
Agora sabemos por que o dinheiro sumiu. Os bilhões escamoteados pelo governo da “petista” Dilma Rousseff, copiou tudo aquilo que nos sempre contestamos. A lisura o respeito ao dinheiro público é a primazia do dirigente.
E as mentiras infantis de Lula declarando que ganhou centenas de milhares de reais por palestras que não valem um tostão furado? A não ser por aquela voz rouca, e as piadas que o diferencia dos demais.
Essa gente, brincou de fazer política, deram um espetáculo de incompetência, tamanho o malogro da sua política econômica, principal pilastra de uma nação, que precisa se auto-financiar para investir na saúde, educação e moradia.
Foi muito fácil tirar dinheiro de um lado e atirar como néctar em 50 milhões dos contemplados do Bolsa família. Foi fácil, enganar, o hipossuficiente. Ademais o brasileiro é bondoso, generoso, pacifico e acredita em “Papai Noel”.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Duas duvidas até agora. 1 - De onde surgiu essa gravação, quase 4 meses depois. 2 - Temer se desgasta demitindo Jucá? E o povo entenderá o licenciamento ?

HELIO FERNANDES

Durante toda a tarde de segunda feira, o clima no governo foi principalmente de perplexidade. Depois vieram o desconforto, as duvidas e a reflexão sobre as consequencias. Jucá ficar ou não ficar, não era avaliado sobre qualquer critério em que se usasse a palavra credibilidade. A tentativa de esclarecimento se chocava sempre com a pergunta que ninguém respondia.

O que é pior para o governo: manter ou não manter o Ministro, provavelmente o mais prestigiado no cenário político. No sábado, Temer chamou Meirelles a SP para conversar. Mas chamou também o Ministro Jucá. Isso prova a sua importância e força no governo. 

Temer combinou com auxiliares mais próximos, que sairia do Planalto ás 4 horas. pois estava com hora marcada no Senado. Iria entregar como entregou o relatório com as medidas que precisarão ser votadas hoje,terça. Ficou pouco tempo. Exatamente ás 16,40, todas as televisões deram de frente, praticamente posada, imagem com Temer entre Renan e Romero Jucá. Num momento, Jucá falou qualquer coisa no ouvido do presidente em exercício, que deu um sorriso. Havia muita gente  em volta, confusão geral.

Não muito mais tarde,um senador me contou:"Helio, naquele instante,Jucá dizia ao Presidente:vou ficar aqui no Senado.Reassumo o mandato,e já amanhã começo a trabalhar para aprovar rapidamente tudo o que o governo precisa com urgência".Era algo surpreendente,complicado, quase inexplicável.

Ele estava renunciando? Como é que poderia reassumir no Senado, o que agradava ao governo. Mas e o cargo no ministério? Era ou parecia tão incompreensível, que rádios, televisões e sites, noticiaram com estardalhaço, "o ministro renunciou".  Menos de 10 minutos depois, retificaram: "o ministro do Planejamento se licenciou".

Tudo é tão esdrúxulo, estranho e extravagante que foi difícil de entender. Para explicar de forma clara,e para que todos entendam,recuemos no tempo, voltemos para o Jaburu entre 2 e 4 horas,antes de Temer ir para o Senado. Havia enorme ansiedade para encontrar uma decisão que agradasse a todos.

Traduzindo: ninguém tinha confiança em Jucá. Se fosse demitido drasticamente, voltaria ao senado, seu mandato vai até 2018. Romperia com o governo, poderia influir  e influenciar o julgamento do afastamento de Dona Dilma. Não existe grande folga na votação, perderiam o voto dele, e não seria difícil conseguir mais 2 ou 3. Poderiam estar perdendo o poder, mesmo interino ou provisório.

Alguém lembrou um outro problema grave,não fora nem comentado.Romero Jucá é presidente do PMDB,fora eleito e empossado com estardalhaço.Se fosse demitido do ministério, iria para o senado,continuaria presidindo o partido.

Alguém falou, "demitido do ministério, podemos afastá-lo também da presidência do PMDB". Silencio completo, sabiam que no PMDB, é impossível examinar o que é realidade ou divagação. E se não conseguissem numero para retira-lo?

Surpreendentemente, a solução (?) foi sugerida pelo próprio Jucá. Saindo do Senado, o Ministro falou para o presidente: "Quero ir no carro com o senhor, só 5 minutos". Temer concordou Jucá mandou o carro segui-lo e logo  entrou no assunto."presidente, não cometi crime algum, não posso ser condenado sem defesa.

Peço licença do Ministério, reassumo no Senado, onde sou mais importante.  Entro com um recurso na Procuradoria da Republica para saber se sou culpado. “Se responder efetivamente, o senhor me demite. Inocente, reassumo". 

Temer concordou imediatamente, apertaram as mãos, Jucá desceu, tomou seu carro, voltou para o Senado. Às 6 horas em ponto,deu entrevista coletiva (só ele falou) e durante 20 minutos explicou tudo o que acontecera.

Repetiu o que dissera ao meio dia, incluindo afirmações como esta: "Só penso no interesse nacional, jamais coloquei qualquer problema ou reivindicação pessoal, acima da sagrada obrigação da coletividade e do país". E acreditar que ainda existe gente que acredita nisso. Do Senado foi para o ministério, despachou muita coisa. Mais tarde passou o cargo ao Secretario Executivo.

Temer chegou ao Jaburu, tão sorridente, que o silencio foi obrigatório. Sentou, explicou com tanta naturalidade, que ninguém perguntou ou refutou coisa alguma. E dentro da realidade nacional, um episódio perfeitamente aceitável apesar de incompreensível.

Quem pode punir alguém por combater a Lava - Jato, propor um "pacto" para derrubar um governo, e afirmar, inocentemente, "me relaciono com muitos Ministros do Supremo. Estão obrigados a devolver o mandato do senador Delcídio.

PS-Quando se soube que a gravação foi feita pelo ex-senador Sergio Machado, muitos se lembraram: "Ele esteve lá em casa, conversamos longamente. E naturalmente sobre Lava-Jato, nem lembro o que disse.

PS2- Ao saberem que o ex-presidente da Transpetro está fazendo delação premiada e que já entregou muitas gravações á Procuradoria, o pânico foi geral. 

PS3-O único que se divertia era o senador Jereissati. Eram 3 cearenses, mocissimos e grandes amigos,que montaram um plano. Os 3 seriam governadores e senadores. O primeiro Ciro Gomes, governador mais jovem do estado. Depois, Jereissati, a mesma coisa. Chegada a vez de Sergio Machado enganado miseravelmente por Jereissati.

PS4-Sergio nem conseguiu vaga para disputar o governo. Mais tarde se elegeu senador, não conseguiu se reeleger. Foi para a Transpetro. Ficaram inimigos para sempre. Jereissati sabe que está imune e inatingível. Pela inimizade.

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Helio Fernandes

Meus cumprimentos

Sou curto e grosso. Foi ou não foi golpe?

Sebastião de Souza Martins
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Senhor jornalista

A cada dia que passa percebo que estou vivendo em dois países. Um dos poderosos e mentirosos da política brasileira. E outro de 99% de cidadãos pacatos, trabalhadores e de boa índole, que deseja uma nação livre, democrática e igualitária. Mas pelo visto estou querendo uma utopia.

Marcia Verneck Vieira
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Helio Fernandes – Tribuna

Meu caloroso abraço

Estou passando aqui, deixando um forte abraço, e para dizer que Mato Grosso do Sul tem enorme apreço a sua coragem. Suas narrativas sobre o impeachment foram assombrosas e magnificas. Admiramos os que enfrentam a ira dos poderosos, sempre com destemor. Viva o jornalismo verdade!
Força Helio


Wantuir Salgado Jr
JT terá 3 milhões de novas ações em 2016 (...) “Na base dessa pirâmide padecem milhões de trabalhadores, enganados, surrupiados e lesados por maus empregadores, a maioria empresas terceirizadas e o próprio estado e empresas públicas, que ao lado de bancos e estatais representam 65% da demanda trabalhista.
ROBERTO MONTEIRO PINHO                             

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) estima que a Justiça do Trabalho, deverá receber este ano cerca de 3 milhões de novos processos, o que representará um aumento de quase 13% em relação a 2015. De acordo com o TST, entre 2014 e 2015, o número de novas ações trabalhistas cresceu 5,1%. No trimestre deste ano, as 1570 varas trabalhistas receberam um lote de 660.837 de novos processos, o que significa um percentual de 6% em relação ao primeiro trimestre de 2015.
Segundo estimativas extra-oficiais, tramitam hoje no judiciário laboral cerca de 25 milhões de ações. São iniciais sem primeira audiência, processos com sentença, recursos, Mandado de Segurança (MS), pedido de liminares, correcionais, tutelas, e no segmento da execução milhões de processos aguardam solução, perfazendo um encalhe de mais de 60%. ·A morosidade é constante. Um prócer advogado divulgou que em um processo, o cartório levou exatos um ano e um dia para juntar um documento e fazer a conclusão ao juiz.
O panorama real da justiça trabalhista é desalentador. O corte no orçamento obriga uma redução de 90% dos investimentos e de 29,4% das despesas de custeio. A folha de pessoal dessa justiça abocanha 93,5%.  Por sua vez, na oportunidade que foi anunciada a medida, houve a reação da entidade classista Anamatra, que fez severas criticas ao governo (leia-se da presidente afastada Dilma Rousseff), tendo como subsídio o artigo 99 da Constituição Federal da República - colidido, em razão de que a proposta orçamentária do Tribunal Superior do Trabalho - TST teve o parecer do Conselho Nacional de Justiça – CNJ.
Em nota, a entidade classificou a medida como “chantagem institucional” e de caráter retaliatório do parlamento em relação à atuação do Judiciário Trabalhista, em detrimento dos demais ramos do Judiciário que tiveram cortes menos drásticos. Vale lembrar: corte de um lado e do outro a demanda de ações aumentando. Uma catástrofe!
Segundo nota da Anamatra (...) o STF declare a nulidade, por inconstitucionalidade, dos valores do orçamento da Justiça do Trabalho constantes da LOA de 2016. Cautelarmente, pretende que se determine à União que promova em 2016 a execução de 100% de sua proposta orçamentária encaminhada originariamente pela Justiça do Trabalho, ou aplique à Justiça do Trabalho o corte linear de 15% para custeio e 40% para investimento, assim como os demais órgãos do Poder Judiciário.

Examinando com exatidão a extensão da discussão sobre o tema reforma trabalhista, podemos dizer que, entra governo, sai governo, o tema continua na gaveta. Não foram poucas as medidas propostas, aprovadas e colocadas em pratica pelos atores da especializada, tendo como argumento a solução da morosidade processual. Da mesma forma que o governo não trouxe nenhum resultado positivo quanto à reforma, os juízes do trabalho, também não conseguiram cumprir com o prometido. È o “roto falando do esfarrapado”.

Na base dessa pirâmide padecem milhões de trabalhadores, enganados, surrupiados e lesados por maus empregadores, a maioria empresas terceirizadas e o próprio estado e empresas públicas, que ao lado de bancos e estatais representam 65% da demanda trabalhista. Existe de fato um biombo, que esconde os verdadeiros criminosos, eis que segundo preconizam os ditames legais, tomar o trabalho e não remunerar é pratica de trabalho escravo.

A síndrome do insolúvel está latente neste contexto de justiça, que fustiga e frauda flagrante o trabalhador, ávido pela proteção e a solução de sua demanda, tal qual insere o texto que consta em sua CTPs, consignados e da Carta Maior, que deixo de citar, por ser de conhecimento público e notório.

Ninguém tem mais paciência para ficar ouvindo reclamações e pleitos de atores da especializada, que só reagem quando o “sapato lhes aperta”. Nunca em tempo algum foi dito ou está escrito, que os juízes e serventuários dessa “Ilha da Fantasia”, têm procuração para falar pelo trabalhador. Que eu saiba tão somente os sindicatos possui essa legitimidade. O juiz fala pela lei.

Mas essa é outra história. Imagina-se que uma demanda de 3 milhões de novas ações venha estraçalhar de vez com os serviços da JT. Eu faria o seguinte: devolveria a execução fiscal, essa “erva daninha”, exportada para a especializada com a EC 45, para onde ela saiu.

Convocaria milhares de advogados, indicados pela Ordem (eles são essenciais para a efetivação da justiça), e com eles um mutirão nacional, principalmente para solucionar as pequenas demandas. (É o que faz o TSE em época de eleição). Vamos deixar de lado a hipocrisia, e trabalhar de verdade, com comprometimento, e abandonar essa conversa de chantagem orçamentária. Quem aqui escreve, conhece essa gente.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

SEGUNDO GOVERNO:

O desgoverno Temer não resiste a manchete de jornal, o Primeiro Ministro (Jucá) é atingido irremediavelmente

HELIO FERNANDES

A segunda feira tormentosa e rumorosa do presidente provisório começou no domingo. Por volta de 3 da tarde. De roupa esporte, via televisão, a sua mais agradável e até excitante atividade intelectual. Recebeu telefonema alarmante mudou todo o roteiro do fim de semana.

Alguém com informação de "cocheira" (como se diz no jargão jornalístico) lhe deu conhecimento da matéria que sairia na Folha da segunda. Sem conhecê-lo, minha admiração por esse informante, total. Ditou a manchete, leu os trechos principais e arrasadores. Quando fica em SP, um jatinho da FAB está sempre á disposição.

Mandou comunicar que sairiam logo, chamou o chefe do policiamento perto de sua casa, que tinha naquele momento, quase 5 mil pessoas. Depois que ele saiu, a manifestação diminuiu muito. Enquanto se vestia falou rapidamente: "Acabe com a manifestação, ninguém pode ficar aqui á noite, mesmo que precise destruir as barracas". Não exibia mais o sorriso pretensioso e presunçoso, surgia o verdadeiro Temer. Sentindo que a realidade se apresentava vingativa, se vingava antecipadamente das ruas.

 O dialogo é ultrajante, e os interlocutores mais do que notórios. Sergio Machado, presidente da poderosa Transpetro, era citadissimo como "o homem do PMDB na Petrobras". Muito antes do estrondo do petrolão. Seu cargo, autônomo e bastante mais importante do que qualquer diretoria. Descoberto logo no inicio, protegido pelos beneficiários da cúpula do PMDB, pediu "licença por 90 dias", acabou permanente.

Sobrou apenas a certeza da corrupção que praticara, o medo e o susto como consequencia, Machado tem agravante. A desonestidade congênita e adquirida. O pai, Ministro dos Transportes de Jango, foi cassado por corrupção.

No atual Primeiro Ministro de Temer, o que espanta é a sua capacidade de sobrevivência e de mistificação. Ministro foi demitido, deixando um rastro de irregularidades. Nada lhe aconteceu, perdão, o que aconteceu foi à permanência e a promoção na vida publica. Jucá foi líder no Senado de FHC, Lula e Dilma.

Quando Temer abandonou as catacumbas, deixou de ser "decorativo" para assumir a traição e o governo sem eleição, anunciou, "o PMDB está desembarcando do governo". Escolheu então Jucá para "comandante" desse desembarque. O senador Waldir Raupp, que era sempre o segundo de Temer na presidência do partido, preterido, reclamou. A resposta publica e badalada: “O Jucá é muito mais operacional".

 Esse "desembarque" coincidiu com a conversa calamitosa Jucá-Sergio Machado. E a afinidade e a proclamada junção de objetivos deles. Jucá e Machado deviam ser punidos pelos crimes e a burrice de ainda fazerem afirmações como as que foram reveladas agora. Não ha mais sigilo, nem em dialogo a dois. 

Basta um celular no bolso ou até em cima da mesa, o que era provisório se prolonga. Até ser descoberto. O secretario de Delcídio Amaral, chamado pelo Ministro Mercadante, estranhou e desconfiou. Foi mas com um celular, gravou horas de conversa dita, acreditada e imaginada sigilosa.

Na época, eufórico, empolgado, Jucá contou ta Temer, ainda restrito ao Jaburu. Esse "pacto” (Jucá enfatizou a palavra-chave para chegar ao poder) provocou entusiasmo em Temer. Foi aí que decidiu entregar a Jucá a "operação desembarque”. Uma única pergunta restritiva de Temer:"Por que Sergio Machado?Ele não é de confiança, é pessoa de Renan Calheiros. Não é do nosso grupo e  não fará parte do governo que montaremos".

A segunda feira começou terrível e desagradável para Temer. Chamou Jucá, decidido a demiti-lo imediatamente, conforme contou a três intimissimos. Mas como sempre, mudo de posição. Proposta: "Você me disse que dará entrevista coletiva, explicando tudo. Se a repercussão da entrevista for positiva, fica tudo esquecido".

PS- Isso que está mostrado aqui é o que aconteceu de domingo á tarde até segunda ás 13 horas. A entrevista de Jucá, vergonhosa, mentirosa, é uma saudação, reverencia, mistificação e subserviência diante da Lava-Jato.


PS2 Quase tudo exclusivo. De agora, 1 da tarde, sem final previsto, tudo pode acontecer. Jucá ser "prestigiado" ou demitido. Temer em matéria de caráter ou credibilidade, é tão P REVISÍVEL quanto IMPREVISÍVEL. Ou IRRESPONSAVEL.
Sem orientação, sem autonomia, sem convicção, Temer enfrenta a falta de credibilidade da cúpula do PMDB

HELIO FERNADES

Aos 75 anos, transformado em presidente interino ou provisório, Temer se matricula no jardim de infância do Poder, num curso por correspondência. Durante 1 ano tem que se comunicar com uma porção de gente por telefone ou texto, gravado. Não imaginaria que tudo se voltaria contra ele.

Terminou esse curso sofridissimo, se graduou, ganhou o diploma. Mas teve que pagar preço exorbitante, pelo que parecia uma conquista, mas na verdade era apenas ilusão. Provisório no titulo que lhe deram, na realidade, menos do que nada.

Foi cometendo erros em cima de erros, uma parte por deficiência congênita. A outra parte por compromissos assumidos apressadamente e pela fatura apresentada na mais alta velocidade. Teve que terceirizar tudo. Entregou de "porteira fechada", o mais importante fator ou setor, o da economia.

O destinatário, donatário e "dignitário", exigiu sabia que obteria. Carreirista, experiente, ambicioso, não deixou parte mínima para o provisório, assumiu de forma permanente. Não saiu da televisão, exibindo seus planos, testando o que era pura teoria e o que poderia transformar em pratica.Na sexta feira apareceu em publico com números e mais números.

Só ele tinha as conclusões, acreditava que não pudesse ser contestado por ninguém. Deu entrevista coletiva, apresentando déficit calculado por ele e só por ele. Não gostou quando soube que hoje, segunda, o ex-ministro Nelson Barbosa, vai examinar ponto por ponto, esses 170 bilhões.

Nos cálculos montados e apresentados por Meirelles, ainda na fase de experiência, estava o aumento de impostos. E como sugestão prioritária, a recriação da CPMF. Que a então presidente Dilma tentou aprovar, não conseguiu nem conversar. Meirelles foi tão vaiado nessa questão, que silenciou sobre o assunto.

Terça e quarta, a Câmara terá que aprovar as medidas que Meirelles enviará. Será testada então a segunda terceirização montada no jardim da infância do Poder. È o "centrão", com 290 deputados. Temer já deu muito a esses arrivistas, mas terá que dar muito mais. Se não der, não obterá nenhuma aprovação. Acontece que Temer se aprisionou de tal maneira a esses grupos, que não existe possibilidade de resistência.

O espetáculo de baixaria do Congresso é deprimente, revoltante, lancinante. Pode ser até que o "centrão", numa concessão aos seus propósitos de interesses dilacerantes, aprove tudo, para manter o comando. Mas o clima na Câmara é indescritível, impossível qualquer  resumo.
A ligação Temer-Centrão é um ato de irresponsabilidade e de tal leviandade, que chega a ser rigorosamente intolerável. Nem sei qual medida pode ser proposta e executada. Mas tem que ser alguma coisa moralizadora, saneadora, renovadora. Aplicada em nome das instituições, da preservação da Pátria, da democracia, da liberdade, do tão falado e repetido IDEAL REPUBLICANO.

Todos os que lutaram,resistiram,se sacrificaram lutando contra a ditadura de 1964-1985, precisam se mobilizar para enfrentar esses grupos que se intitulam de defensores da DEMOCRACIA.São apenas seus coveiros.

A ultima terceirização, tão decrépita e vergonhosa quanto às outras. O presidente interino fez questão de aproveitar logo no governo, todos os mais envolvidos na Lava-Jato. Na sexta feira, Romero Jucá falava não como Ministro do Planejamento e sim como Primeiro Ministro. Meirelles descrevia, ele replicava.

Em determinado momento chegou a noticia: o Supremo indiciara mais uma vez toda a cúpula do PMDB, incluindo novamente Jucá. Um repórter perguntou se ele tinha alguma coisa a dizer. Disse. Em 2 minutos falou que daria explicações, usou 5 vezes estas duas palavras: "Estou tranquilo”.

Único aplauso a Meirelles

Tem se aproveitado como ninguém da oportunidade. Tentou ocupar o mesmo cargo no governo Dilma. Não conseguiu nada a ver com méritos ou deméritos. Queria a ampla liberdade que obteve agora. Não lhe deram antes. Principalmente porque seu objetivo era mais do que visível: suceder Dona Dilma. Isso era impossível, o candidato intransponível era Lula. Agora, Temer concordou. Prefere uma possível ou provável candidatura Meirelles a alguém do PSDB.

Meirelles não podia dizer a muitos: "Não imaginava que a situação econômica do Brasil, fosse tão terrível". Ganhou o único aplauso do repórter por ter lembrado que a "questão da DIVIDA PUBLICA é catastrófica". Como trato do assunto ha mais de 50 anos, quando ainda era DIVIDA EXTERNA discutirei o que fazer. 

A presidência da Câmara, problema urgente e estarrecedor

A subserviência e a recompensa de Temer a Eduardo Cunha, representam o grande e aterrorizante escândalo da republica provisória. È bem verdade que vem de longe e de antes. Sem essa intimidade não haveria o impeachment e a entronização do corrupto com dupla "nacionalidade" financeira: brasileira-Suíça. Rouba e corrompe aqui, deposita lá. Com a generosidade exibida sem constrangimento: doou tudo para um trust. Proclama e confessa: "Não tenho mais nada, tudo pertence ao trust".

Durante um ano de trabalho incessante e incansável, se dedicou a garantir a vida e a sobrevida dele e de Temer. Ninguém conseguiu tira-lo da presidência da Câmara, apesar da atuação aberta, desabrida e criminosa. Muitos foram cúmplices por ação, Temer e seu grupo. Outra parte enorme, por omissão. E até o Supremo, depois de receber as denuncias do Procurador Geral, levou 4 meses para considerá-lo réu. Por unanimidade mas com atraso e constrangimento.Decisão sem efeito pratico, com Eduardo Cunha mais atuante e poderoso do que nunca.

O que se diz em Brasília sobre a "escolha", e a "nomeação" do líder do governo é tão vergonhosa, criminosa, serva, submissa e subserviente, que parece inacreditável. Mas é rigorosamente verdadeira. O presidente tinha um candidato oficializado publicamente, renunciou a tudo. Quem está nessa liderança: o amigo de Cunha.

Eleito por um partido que tem apenas 9 deputados. Respondendo a vários processos no Supremo. Mais 3 por irregularidades com dinheiro publico. E para estarrecimento geral, processado por tentativa de homicídio. Nenhuma surpresa, o fato de pertencer á bancada da bala.

Estarrecedor o episodio e o encontro Temer-Cunha no Jaburu. A nomeação de André Moura não foi uma conquista audaciosa de Cunha e sim o abandono medroso e temeroso do candidato do presidente provisório. Até gravações antigas foram ouvidas para reforçar a exigência-recompensa. Haja o que houver, Temer está obrigado impreterivelmente a se livrar de Cunha e do seu protegido. Cunha já deu sinais de medo.

Anunciou que hoje, segunda, voltaria á Câmara. Corrupto e sem caráter ou escrúpulos, recebeu a informação de que seria preso antes de chegar ao gabinete,assim que penetrasse em território da Câmara.Ordens do Supremo, que não suportou mais as criticas á sua complacência com  Eduardo Cunha.

Está sendo muito badalada, uma frase admirável do governador interino do Estado do Rio, Francisco Dornelles: "Até o vento muda de direção". Se usar a reflexão, Temer pode "recuperar" o prestigio que nunca teve. E já mudou de direção duas vezes em matéria de Ministério da Cultura.

Acabou com ele, ficou intransigente, recriou o Ministério sem falar com ninguém, nem mesmo com o inócuo e inútil Ministro da Educação. Motivo: recebeu o informe quase informação. O projeto de Renan Calheiros,restabelecendo o Ministério da Cultura, seria aprovado por consagração. Amanhã, o diplomata que já tomou posse como secretario da Cultura, será empossado como Ministro. Foi à promoção mais rápida da Historia.

PS- Temer tem conversado muito com o Ministro da Previdência, que pela primeira vez na Historia acumula com a Fazenda.Se ajustam nos números da aposentadoria. 70 anos para as mulheres, 75 para os homens. Como as resistências são enormes, admitem 65 para as mulheres, 70 para os homens.

PS2-  A coerencia-incoerencia de Temer não é só em relação à Cunha, é mais abrangente. Ele tem duas aposentadorias. Uma aos 55 anos, como Procurador do Estado de SP. A outra da Câmara. Os parlamentares se aposentam até com 8 anos de "serviço". Um mandato de senador ou dois de deputado. Vergonha. Indignidade. Assalto aos cofres públicos.

PS3- Perguntinha ingênua, inócua, inútil: Temer conseguirá a terceira aposentadoria? Como provisório? Ou mesmo que infinita e infelizmente chegue até 2018? Terá direito a segurança e todos os direitos e benefícios que a Constituição reserva e determina para os presidentes eleitos?



Eduardo Cunha, o homem mais poderoso do país, sem escrúpulos, sem caráter, sem constrangimento, sem mandato, ainda acaba presidente da Republica

HELIO FERNANDES

*materia republicada

Tudo é possível ou imaginável, em se tratando desse personagem. Sem ele não teria havido de jeito algum, o impeachment da presidente Dilma. Isso é conhecido e reconhecido por tantos, que parte enorme da Câmara manteve o deputado como presidente da Câmara. Ninguém ousava desmentir o mínimo possível. As acusações e constatações culposas contra e sobre ele, eram de tal ordem, que ninguém ousava defendê-lo.

Mas sua audácia e desfaçatez eram tão amplas, que todos temiam contestá-lo. Alem do mais, precisavam dele para a abertura e o prosseguimento do impeachment. Não podiam afastá-lo, a não ser depois de ganha a batalha. Em 1965, a ditadura resolveu lançar o senhor Negrão de Lima, candidato a governador da Guanabara.

Precisavam do seu nome, por ser declarada e abertamente, inimigo pessoal de Carlos Lacerda, que terminava o mandato. Mas tinham que tomar duas providencias fora da curva. Primeiro, afastar o Marechal Lott, que já era candidato oficial. Nenhum problema para o poderoso, criativo e imaginativo General Golbery. Como o Marechal candidato morava em Teresópolis, criaram o "domicilio eleitoral". Apesar de ser marechal e lógico, ligadíssimo ao regime, teve que desistir da candidatura. 

O segundo problema, resolvido com a mesma facilidade e tranquilidade. Era indispensável o apoio dos comunistas, relativamente fortes na antiga capital. Mas os comunistas estavam sempre precisando de dinheiro.(Como aconteceu em 1945 em SP,na eleição para o senado. Portinari estava disparado na frente, os comunistas "venderam" a vaga para o empresário milionário, Roberto Simonsen.

Eu e Portinari conversávamos muito num café perto da sua casa, ele me disse: "Não me aborreci, o partido sempre precisa de dinheiro, eu não tinha nada a fazer no Senado".

 Os comunistas "fecharam" com Golbery. Mas os que tinham convicções e lutavam, recusaram apoiar Negrão. Veio a ordem da cúpula: "Votem em Negrão com um lenço no nariz, mas votem".  Votaram, Negrão foi eleito. Com outras nuances mas as mesmas justificativas, repetiram agora,o episodio de 1965.Só que tiveram que agir em duas frentes.

Não tira-lo da presidência da Câmara, era fundamental. E não deixar a Comissão de Ética aprovar a "admissibilidade" para que o plenário cassasse o seu mandato. Deputados arrogantes e presunçosos, com lenço no nariz e horrorizados, mantiveram Eduardo Cunha.

Agora estamos diante da realidade, criada pelos interesses escusos, dos representantes dos partidos ditos mais importantes. Não sabem o que fazer com um deputado afastado da presidência da Câmara e suspenso da função parlamentar. Em pânico, reconhecem, ele está mais forte do que antes. Contribuiu poderosamente para o afastamento de um presidente.

E como consequencia, aprisionou o substituto. È impossível negar sua participação nos dois episódios. O afastamento de um presidente, fato. A submissão do substituto, beneficiado pela sua atuação, mais do que visível, constatável, incontestável.

Por que um Presidente da Republica, mesmo interino, cometeria esse ato criminoso, vergonhoso, acintoso, de indicar para líder do governo na Câmara, um deputado que faz questão de proclamar: "Sou o maior amigo de Eduardo Cunha". Isso já seria inimaginável. Mas ha mais e gravíssimo. O novo líder de Temer, pertence a um partido que elegeu 9 deputados em 513.

Percentualmente, menos de 2 por cento. Responde a diversos processos no Supremo. Mais 3 por desvio de dinheiro. E outro por tentativa de homicídio. Cunha tem preenchido diversos cargos, por indicação feita diretamente ao presidente interino. Entra no Jaburu sem pedir passagem, prefere o encontro particular a ir ao Planalto, e eventualmente ter que esperar.

Ontem foi depor na Comissão de Ética. Era a sessão de numero 199. Mais de 6 meses, a media é de 20 ou 25 dias. Mais de 8 horas  de depoimento, mentindo do principio ao fim. Sem a menor alteração na fisionomia, sem modificar o tom de voz, certo e garantido da impunidade. Disse que não é RÉU em processo algum, num desafio insultante ao Supremo.

Pela centésima vez tentou convencer que "não tenho patrimônio, passei tudo para um truste". Ficou inflexível, não respondeu, mesmo quando afirmava idiota mas audaciosamente:"Se eu declarasse ao Imposto de Renda, um patrimônio que já NÂO TENHO, aí sim, estaria praticando irregularidade, assumindo propriedade e patrimônio que não me pertence".

Para terminar este assunto tenebroso, criminoso, vergonhoso, que parece retirado de um tratado sobre a relevância do lixo sobre o luxo, uma revelação, na qual me recuso a acreditar, mas que é rigorosamente verdadeira. Eduardo Cunha trabalha intensa e incessantemente para VOLTAR À PRESIDENCIA DA CAMARA. Já tem os acordos e apoios necessários, principalmente do presidente interino. Do qual ninguém pode duvidar, depois da nomeação do líder na Câmara.

A estratégia de Cunha e apaniguados, começou no exato momento do seu afastamento da presidência. Está mantendo no cargo, o Primeiro Vice, Waldir Maranhão, que não tem cacife pra coisa alguma. Resiste por interferência e comando de Eduardo Cunha.

Quando este admitir a conclusão de que "chegou o momento", então Maranhão renuncia. E o ex volta vitorioso, a primeira grande demonstração de força do "centrão". Concordo: é impensável. Mas neste Brasil em que vivemos, pode ser inimaginável. Mas não impensável. O resto Cunha obterá por simples gravitação.

Moreira Franco toma a palavra

Sem convicção, como já disse, diplomata, mas também sem fugir da luta, usou seu poder e sua intimidade com Michel Temer, para tentar eliminar as visíveis desavenças que ocorrem na frágil equipe de poder. Ontem, sem veemência ou exaltação, proclamou: "O gado se acalma quando chega no curral". Não conhecia essa vocação rural do ex-governador. E também o momento não foi apropriado. Não acabou com as desavenças. Que representam manifestações de voracidade. E estão se voltando contra ele.

O PT preocupado com Lula

No dia em que a presidente afastada falou ao sair do Planalto, Lula não subiu. Na rua, repetiu o discurso, o ex-presidente estava atrás dela.Registrei: Lula parecia desatento, distraído, sem prestar atenção. Agora a preocupação se espalhou, 
principalmente entre os mais íntimos.  Não tem ido ao Instituto, praticamente sem sair de casa. Pelo visto, acredita que o futuro deverá ser muito pior do que o passado, 

A propósito: um grupo de deputados, entrou com ação no Supremo contra a presidente afastada. Motivo: querem punição para ela, por ter dito que "sofreu um golpe". A relatora, por sorteio, Ministra Rosa Weber, não devia ter recebido a ação. Não só Dilma, mas qualquer cidadão tem direito á opinião. Se fosse nos EUA, a Suprema Corte, nem tomaria conhecimento. A Primeira Emenda, defende, garante e sustenta, tudo que se refere à Comunicação. 

 Estratégia preventiva do governo interino de Michel Temer

Ha um visível afobamento para elevar discricionariamente o déficit publico. Inicialmente, o calculo era de 96 bilhões. Sem maiores dados, foram elevando o numero. Agora, Jucá vem ás ruas e garante: "O déficit é de 200 bilhões, no mínimo". Trata-se de um movimento de autopreservação ou auto louvação. Se as coisas não derem certo o notável líder imposto por Eduardo Cunha, poderá dizer: "Também com o déficit que herdamos, só com milagre". Se acertarem, o mesmo porta-voz transmitirá, eufórico: "Puxa, com a massa falida que recebemos, nem nós acreditávamos".

O novo presidente da Petrobras começa mal

Pedro Parente, quase 15 anos depois de deixar a Casa Civil de FHC, volta a um cargo publico.  E surpreendentemente, para presidir a Petrobras. Não consegui saber quem lembrou o nome dele. Mas não foi uma boa lembrança. 

E pela entrevista que deu ontem, terminando exatamente ás 8 da noite, teremos que esperar muito. Falou 9 vezes o nome Michel Temer, um certo exagero.

Mais grave e quase inacreditável: no momento ocupa o cargo de presidente do Conselho de Administração da Ibovespa. Pediu ao presidente interino, "gostaria de acumular os dois cargos". Temer respondeu: "Não vejo inconveniente”. Não sei quem está mais deslocado no cargo.