Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 14 de maio de 2017

PALOCCI HESITANTE E COM MEDO

HELIO FERNANDES

Preso, começaram logo a falar que faria delação.  Tinha todo um passado
para isso. Prefeito de uma grande cidade, Ribeirão Preto. Ministro da
Fazenda. Ministro Chefe da Casa Civil, deve tudo a Lula. E escorraçado
sempre  por excesso de irregularidades,protegido e salvo todas as
vezes pelo incansável Lula.

O INCERTO E HESITANTE PALOCCI

Prefeito de uma grande cidade, Ribeirão Preto. Surpreendente Ministro
da Fazenda de Lula. Inesperado Chefe da Casa Civil de Dilma a pedido
de Lula. Escorraçado de tudo por excesso de irregularidades, sempre
protegido e defendido pelo próprio Lula.

Preso e conhecida a falta de caráter de Palocci e sabendo que faria
delação, todos indicaram: "Entregará  o ex-presidente". Da prisão, o
próprio ex-ministro gritou: "Lula, não. Lula, não". E pediu uma entrevista
reservada com o juiz Sergio Moro.

Foi atendido, conversaram, publicaram: "Se o senhor me ouvir, terá
trabalho para 1ano". Surgiu então uma versão: desmontaria o sistema
financeiro, denunciando banqueiros, corretoras, grandes "investidores"
de Bolsa.

Em suma: atingiria o que chamam de mercado, ou seja, a
profissionalização de ganhos diários de grandes fortunas, sem risco e
com extrema facilidade. Escrevi então pela primeira vez sobre o
assunto: se fizer isso, merece ser solto e inocentado.

Começou então a batalha com o advogado.Defendido por Batochio,
que não trabalha com cliente delator. A disputa entre eles levou
15 dias, a tempo de Palocci entrar com HC no Supremo, que ainda não
foi julgado. Antes do fim de semana, Batochio foi embora,
Palocci contratou outro, o caso se transformou em suspense.
superado apenas pelo casal Santana .

"MATARAM UM ESTUDANTE. E SE FOSSE UM FILHO SEU?"
 
O estudante Edson Luis de 17 anos foi assassinado no refeitório
universitário Calabouço. Era tão jovem, tão sozinho, tão desprotegido,
que não ameaçava os generais torturadores e ambiciosos de poder. Assim
mesmo, foi mais um que perdeu a vida torturadamente, mesmo sem
aparelhos. Apesar de ser jovem e sozinho, sua morte provocou a 
famosa passeata dos 100 mil. 
 
Eu estava lá, e duas coisas são inesquecíveis para mim até hoje. 
Primeiro: jogavam bombas de gás aos milhares. Em determinado 
momento,  meu coração sofria e meus olhos se apagavam e não 
conseguia ver coisa alguma. Alguém então, me segurou pelo braço 
e disse: "faz pipi no lenço, passa nos olhos que você se recupera 
imediatamente". Era um sábio. Fiz o que ele mandou, aconteceu o que 
ele previu.
 
Segundo: a passeata era liderada por Wladimir Palmeira, naquele
momento, uma referencia obrigatória. Milhares de policiais partiram
para cima de nós. 
 
O Wladimir gritou e todos escutaram: "Não resistam, se deitem no chão, 
que nada acontecerá." Impressionante! Em segundos, aquelas 
100 mil pessoas estavam imóveis, deitadas no chão, e a policia perplexa,
 não sabia o que fazer. A partir daí, não aconteceu nada, todos 
se retiraram. 
 
Até hoje, me impressiono com o poder apenas de uma
ordem. Agora, imaginem se o Wladimir tivesse recomendado o confronto.
Naturalmente, uma grande parte dos 100 mil teria sido massacrada.
 
A passeata dos 100 mil, exige duas referências de calendário e de
premeditação de crueldade. A passeata foi no dia 26 de junho, 10 dias
depois de ter sido imposta e implantada a censura à imprensa no dia
16. E agora, com o tempo, se constata a premeditação e a preparação do
AI-5, o mais dilacerante instrumento oficial do terror ditatorial.
 
Esse ocorreu no dia 13 de dezembro do mesmo ano, 1968. Fui preso no
mesmo dia, mas se posso chamar de satisfação, o fato de ter ficado na
mesma cela com Mario Lago, Carlos Lacerda, e Oswaldo Peralva, então

diretor do Correio da Manhã.

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