Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 2 de maio de 2017

O FORO PRIVILEGIADO PROTEÇÃO DA CORRUPÇÃO
 
HELIO FERNANDES
 
O assunto vem de longe, pois os tempos de democracia no Brasil, são raríssimos. Basta dizer 
que a primeira eleição direta, aconteceu em 1945, 56 anos depois da Republica. E a primeira 
Constituição verdadeira promulgada em 1946, criou esse favoritismo para milhares de pessoas. 
Apesar de estar inscrito num dos capítulos: "Todos são iguais perante a lei".
 
Isso durou até 1963, o apogeu da luta pelo poder. Todos conspiravam: civis e militares,os 
mais poderosos governadores, e o próprio presidente da Republica, pretendia continuar no poder. 
Mas só este repórter foi preso.
 
O Ministro da Guerra publicou uma circular SIGILOSA e CONFIDENCIAL. Entregou a 12 generais, 
um deles me deu, publiquei, fui preso e julgado pelo Supremo, ele tinha foro privilegiado. Isso,
 uma excrescência democrática, dura até hoje.
 
A LAVA JATO AMEAÇA A CONTINUAÇÂO DESSE FORO
 
Com o desenvolvimento gigantesco da corrupção, surgiu a força tarefa da investigação, que veio 
com tal espírito publico, que fez estremecer tudo, incluídos  os chamados Três Poderes, contra 
e a favor. Mas a opinião publica , majestosamente pelo fim desse privilegio. Agora, Legislativo 
e Judiciário, nos bastidores, travam disputa pelo tempo, para saber quem toma providencia primeiro.
 
O Supremo demorou, mas agiu. Pautou sessão sobre o assunto para o dia 31 de maio, ultima 
quarta feira O relator, Ministro Roberto Barroso, e mais 6 Ministros, a favor de acabar o 
 FORO PRIVILEGIADO. E não abrem mão da pauta.
 
Câmara e Senado, em pânico, correm para acabar com uma parte desse PRIVILEGIADO, 
atingindo o judiciário e se salvando. Querem legislar antes do Supremo. Mas são exigidas duas 
votações no Senado e duas na Câmara. E mesmo que votem antes, precisam saber se essa 
suposta decisão vale mais do que a do Supremo.

O REFIS DE TEMER

Como outros presidentes, quer fazer o seu "refis", prova da sonegação dos poderosos sonegadores.O relator, Newton Cardoso Junior, deve conhecer bem o assunto. O pai, que foi governador de Minas, acusadissimo de fazer fortuna na vida publica. Em 1998, Copa do Mundo da França, eu e o empresário José Ermírio de Moraes, andávamos por Paris, para almoçar no Café do Teatro, lugar dos mais simpáticos. Numa rua importante, ele parou, apontou para um edifício luxuoso,me disse: "O governador Newton Cardoso tem um apartamento aqui".

A MARQUETEIRA COMPROMETE DONA DILMA

O jornalista Jorge Bastos Moreno, revela lances e trechos do depoimento da marqueteira Monica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. Direto do forno para alimentar a curiosidade do leitor. Alem deles terem trabalhado nas duas campanhas de Dona Dilma, o jornalista coloca a marqueteira no Planalto com a presidentA, e varias vezes com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Sem um adjetivo, apenas transposição verbal,

DESMENTINDO A MULHER DE SERGIO CABRAL

A advogada Adriana Ancelmo para o juiz Sergio Moro: "Meu relacionamento com Sergio Cabral era matrimonial e não financeiro". Ninguém acreditou. Só que menos de 15 dias depois, provas e desmentidos, em depoimentos e vídeos irrespondíveis. As declarações da ex-secretaria, inimagináveis. Corruptos deviam trabalhar sozinhos. Mas a corrupção exige cúmplices e comparsas.

O MARQUETEIRO SANTANA
 
O casal hoje está nas manchetes. Já noticiei, bem mais cedo, que a mulher Monica, "entregou" 
Dona Dilma. Agora o marido esmiúça o que já se sabia, e denunciei varias vezes: a venda entre 
partidos, do tempo do horário "gratuito" de radio e televisão. Só que o repórter tem que descobrir 
a noticia.
 
Ele "fabrica" o que se transformará em noticia, mais tarde. Condenados a 8 anos de prisão, Monica
 e João estão valorizando a liberdade. Já conseguiram a domiciliar, na Bahia, não demora, andarão 
nas ruas.
 
DIRCEU EM LIBERDADE
 
Transferido para agora, o julgamento do ex-ministro, começou como todos. Com a palavra do relator, 
Edson Fachin. Votou contra a libertação, argumentando: "Condenado pelo mensalão, estava 
em domiciliar, foi condenado, novamente, pela Lava Jato". Terminou dizendo. "ele não preenche 
as  condições para outra domiciliar"
 
Seguidamente votaram, Toffoli, Gilmar, Lewandowski, nenhuma surpresa, 3 a 1 pela liberdade. 
Faltava o decano, Celso de Mello, seu voto não alterava ou infuenciava o resultado. 
(Não queria que se repetisse, mas não pude deixar  de lembrar da sessão em que o 
Ministro Adauto Lucio Cardoso, revoltado com o voto de um Gilmar,um Toffoli ou um Lewandowski 
da época, arrancou a toga, jogou-a no chão, exclamando:"este não é o Supremo que eu imaginava").
 
Tentando aliviar a culpa, os 3 votaram para que as condições da libertação de  Dirceu,sejam 
deteminadas pelo juiz Sergio Moro.

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