Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sem caráter, sem escrúpulos, sem dignidade, ignorante por vocação e convicção, Trump não pode presidir um país potencia mundial

HELIO FERNANDES

Ninguém acreditava que um personagem tão desprezível e desprezado, pudesse chegar ao cargo que chegou, o mais importante do mundo: Presidente dos Estados Unidos. Nenhum elogio ou até vassalagem a esse país. Mas a constatação de que tudo o que acontece lá repercute imediatamente em todos os Continentes. Como está acontecendo antes mesmo da posse trágica, dramática, catastrófica.

Seria impossível admitir que os mais famosos Institutos de Pesquisa do mundo, errassem em massa, todos sem exceção, sabendo que arriscavam suas reputações profissionais. E resolvessem concluir pela derrota do desonesto, retrógrado, inaceitável e execrável Trump. Nenhum Instituto discordou da conclusão total, que foi publicada como unanimidade: "Trump não tem a menor possibilidade de vencer a eleição”.

Alguns dos maiores jornais do mundo, acompanhando diariamente a campanha, publicavam suas pesquisas, sempre com o mesmo resultado incontroverso.  Trump seria derrotado no voto popular e na soma do colégio eleitoral.

 Mesmo nas ultimas 48 horas, quando são detectadas alterações, houve modificação. E mesmo nas pesquisas de "boca de urna", nem o menor sinal de que Trump caminhava para a vitoria". Inacreditável. A vitoria de Hillary no voto popular que termina antes, embora não tenha prevalência em matéria de resultado definitivo, ameaçou os prognósticos. 

O assombro surgiu horas depois, quando foi anunciado o resultado do Colégio e a conseqüente vitoria de Donald Trump. Apesar de surpreendente, sufocante e desnorteadora, a constatação: os Estados Unidos acabavam de eleger como presidente, um personagem que merece todas as palavras que coloquei no titulo. Poderia colocar outras, também rigorosamente verdadeiras.

A Europa dinamita Trump.

Começa o festival de adesismo.

Com a única exceção do Império (?) Britânico, a UE, constatou publicamente , "os EUA elegeram um presidente que nunca saiu do país". Depois, completando ou complementando “Vamos perder pelo menos 2 anos para ensinar esse senhor como funciona o mundo".

Nos EUA, a posição de quase todos, é abjeta, mas não surpreendente. O Presidente da Câmara, Paul Ryan, tido como dos mais influentes lideres Republicanos, na campanha, fez discurso, afirmando textualmente: "Ele não podia ser candidato, não é Republicano, nem tem perfil de presidente". Agora, 24 horas depois de Trump ser presidente, Paul Ryan, faz novo discurso, exaltando Trump. E já é tido e havido como candidato aos mais importantes cargos.

E o contraditório presidente, vem a publico mostrar como será o seu governo em matéria de incoerência. Seu primeiro anuncio, dizia que o ex-governador do estado da Nova Jersey, o primeiro a apoiar sua candidatura , desde o inicio, lideraria a equipe. 48 horas depois, sem avisar ninguém, anunciou "O governo será formado por políticos, meus filhos, sob a liderança ABSOLUTA do vice presidente”. Como acreditar num personagem como esse ?

Trump "estuda" mudanças

Tenho recebido dos Estados Unidos, noticias interessantes, expressivas e exclusivas. Revelam a tentativa de colocar no centro do espetáculo, um novo Trump. Resumindo o que pretende fazer, traduz tudo, em duas frases que tem repetido muito. A primeira, justifica ou procura justificar, decisões que vai tomar, assim que tomar posse:" Acredito em tudo o que prometi durante a campanha, mas acho que o momento de cumprir, talvez não seja agora".

A segunda: "A hora de brigar já passou, agora é o momento de conversar". Isso se refere ao afastamento  do ex- governador de Nova Jersey, a quem define assim: "Gosto dele, mas é muito polemico e está respondendo a investigação sobre um grande escândalo". Não sabia disso? O próprio presidente eleito tem que depor num processo, no dia 28. Tenta transferir para depois da posse, seria bem diferente. Por enquanto não está conseguindo.

Preocupação que não o abandona: os protestos de ruas que crescem cada vez mais. Não pretende responder, como fez da primeira vez. Vai adotar como regra, se identificar com os que protestam. Já disse: "Adoro manifestações, mesmo que sejam contra mim". Vai insistir nisso.

Considera uma enorme vitoria, o fato de não "ter mais adversários nos EUA". Pelo menos define assim, o fato de ter sido recebido na Casa Branca, pelo próprio Obama, 1 dia depois da vitoria. E o discurso de Hillary, altamente elogioso, vindo de quem travou debates, reconhece, "de pura baixaria". 

Trump se aproveitou de um equivoco histórico. Tanto de Obama quanto de Hillary, que não podiam agir como agiram. Depois da derrota da eleição, a sujeição do encontro, ainda amargado e amargurado. Alegaram 'tradição democrática "dos Estados Unidos". E os presidentes (até mesmo estadistas), assassinados por divergência.

Trump considera vitoria pessoal, a pacificação do Partido Republicano. Quem não acreditava nisso? Amanhã, mais noticias sobre Trump e o mundo. Temos que tratar do Brasil. E dos ingênuos que acreditam que Trump pode ajudar o país.
Vitoria do Supremo, mesmo por 6 a 4. Em fevereiro, o mais alto tribunal do país, depois de uma tremenda "guerra civil",destruiu um dos maiores privilégios dos ricos e poderosos. Eles podiam ir acumulando condenações, mas continuavam recorrendo infinitamente, sempre em liberdade.

Por definição, o sistema judiciário tem duas instancias, lógico, a primeira e a segunda. Mas na pratica chega a 80 ou 90, até mais. Pois dentro de cada instancia, advogados habilidosos e espertalhões, vão acumulando recursos, ganhando tempo, caminhando no sentido da prescrição.

Conheço vários casos, em que advogados especialistas em crimes de "colarinho branco", entraram com 45 recursos, sem esgotar a primeira instancia. Quando depois de anos e anos, passavam para a segunda instancia,continuavam o mesmo trajeto protelatório, sem que o cliente jamais perdesse a liberdade.

Juízes que honram a magistratura, protestavam contra a prática criminosa. Mas não conseguiam nada, faziam o maximo, tentavam de todas as maneiras interromper essa trajetória vergonhosa. 

Até que em fevereiro, o Supremo, conhecendo muito bem os problemas que enfrentaria, colocou em pauta a questão. Condenado em segunda instancia, o réu seria imediatamente preso, embora pudesse continuar se defendendo.

Por 6 a 5, a melhor maioria que as boas causas conseguem conquistar nesse Supremo, a questão foi modificada, passou a valer a prisão imediata. Mas não era uma vitoria definitiva. , pelo contrario. Entraram em cena caros e famosos causídicos, com grandes patrocinadores, que esbanjaram dinheiro.

Eram os lideres das empreiteiras roubalheiras. Já condenados em primeira instancia, entravam em pânico incontrolável, só em "pensar", que já condenados uma vez, podem ser condenados uma segunda. E presos imediatamente,  O que vai acontecer, inapelável e impreterivelmente, não  demora muito.

O resultado agora foi de 6 a 4. Nenhuma mudança de voto. È que o ministro Gilmar Mendes, que votou e votaria contra a prisão imediata, está nos EUA. "Estuda" as relações e comparações do sistema eleitoral brasileiro e americano.

PS- Como é publico e notório, Michel Temer é testemunha de defesa de Eduardo Cunha. O que ninguém sabe, nem ele mesmo, é o que dizer. Poderia repetir Dona Dilma, que respondeu numa linha: "Não tenho menor conhecimento sobre o processo".

PS2- Evidentemente as circunstancias eram outras. Tem que defender com a maior ênfase o amigo intimissimo, e o parceiro político a quem deve tudo. Sem ele ainda seria vice. E mais grave: decorativo.

PS3- E o próprio Cunha confirmou isso na noite em que foi cassado: "Se eu não fosse presidente da Câmara, não teria havido impeachment na Câmara e confirmado no Senado".

PS4- Sem saber o que fazer, nas circunstancias, Temer recorreu a Moreira Franco, como já fez em outras oportunidades. O ex-governador redige muito bem. Mas tem que apresentar um texto que não comprometa Temer. E satisfaça Eduardo cunha. 


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