Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Como reconstruir o Brasil. com o pessimismo crônico e o otimismo anacrônico

HELIO FERNANDES

Aproveitando um vice ambicioso. Uma presidente displicente. Um presidente da Câmara corrupto. Minoria parlamentar ocasional transformada em maioria votante. E vitoriosa. Inauguraram no Brasil o "não governo". Antes só pregado pelos anarquistas, que jamais chegaram ao Poder.

Sabiam que ideologicamente era perfeito, mas não funcionaria na pratica. È o que os "anarquistas" brasileiros estão provando. Á custa da miséria de 200 milhões de habitantes. Menos o UM por cento que domina tudo. E enriquece cada vez mais. Só não se sabe até quando.

O vice, que publicamente se auto-definiu como "decorativo", imediatamente vazou a carta para um jornalista, que publicava ou negava e abandonava a profissão. Mas para o vice, o "vazamento" era ponto de partida e de chegada. Dando salto da vice "decorativa", mas indispensável, para a presidência, apesar de provisória e a seguir indireta.

E não se completa apenas com essas duas palavras. Na tentativa da auto adoração, já que não recebem nem de longe o aplauso popular, é o primeiro presidente a acumular, 3 palácios ao mesmo tempo. 

O Planalto, onde não exerce nenhum poder, e deixa evidente o desperdício de executar um projeto que não tem. 

O Jaburu, palácio de origem, mais do que moradia. A tentativa afinal vitoriosa, de fundir a condição confessada de "decorativo", com a de chefe ou subchefe da conspiração parlamentar. Que junto com o poder com varias, denominações, lhe concedeu a posse e o domínio do terceiro palácio.

O Alvorada. Que mostra 56 anos depois, a mais do que provada genialidade de Oscar Niemeyer. Não só como arquiteto consagrado e admirado pelo mundo. Mas também como pensador ao dar ao Alvorada esse nome e titulo. Pois para o provisório indireto, só serve para uma alvorada inócua, inútil, indireta. 

Serve para o indireto tentar aglutinar estouvadamente, 200 deputados dos 
400 que convocou para a primeira grande votação. A da PEC dos gastos, que de impensada e imprensada pela irrelevância e irregularidade do objetivo, passou popularmente a ser identificada como PEC do desgaste.

Isso na primeira rodada na Câmara. Na segunda, coube a Rodrigo Maia, substituto do substituto, usar o palácio para dar impotência falsa, a uma votação já ganha pela complementação, complacência, compartilhamento, cooptação desabonadora.

Depois de escalada rápida até chegar á condição de agora, outras incertezas. È indireto e pode ser substituído por alguém tão indireto quanto ele. Basta que o TSE, (Tribunal Superior Eleitoral) tente recuperar sua obrigação, descuidada e desprezada durante 9 meses. 

Nesse tempo, pelo menos 3 Ministros eram a favor da cassação da chapa Dilma - Temer. As investigações, as pericias e os depoimentos, não deixavam duvida. Levavam á constatação, que as campanhas de 2010 e 2014, foram financiadas com dinheiro sujo, ilegítimo e impuro.

A campanha que o TSE investiga ha 9 meses, é de 2014. A partir de 4 ações do candidato derrotado Aécio Neves. Agora parceiro e cúmplice do presidente indireto. Indireto e mais do que tudo, subserviente, inseguro, incerto. 

Temer: refém e possível réu de duas delações

 Se conhecesse historia, poderia repetir o Presidente Epitácio Pessoa em 5 de julho de 1922, no Hospital Central do Exercito: "Tanta bravura por uma causa inglória". Só que Epitácio, utilizando o tipo de eleição da época, derrotara simplesmente Rui Barbosa. E emocionado, dera grandeza ás palavras bravura e inglória, que Temer não conhece nem de dicionário.

Alem das ações do TSE, Temer vive assustado com duas constatações que podem atingi-lo pessoalmente, e desatrelar seu mandato indireto. Uma delas: que viria do depoimento monumental do empreiteiro Marcelo Odebretch. E maia 50 ou 60 executivos e ex-executivos da empresa. Ainda em sigilo, dizem que pode se tornar publica no finzinho deste 2016 ou no inicio de 2017. Falam na inclusão de Michel Temer. Se não incluir, não é monumental.

A outra intimidação, se for feita, atingirá Michel Temer em pleno vôo. Já perceberam que virá de Eduardo Cunha, não é delação e sim confissão. Ele quer fazer, a equipe da Lava-Jato não acredita nele. Está respondendo a tantos inquéritos, indiciamentos, acusações, que para obter benefícios ou recompensa, terá que "entregar" no mínimo um personagem da sua intimidade, como Michel Temer. 

Se negar fatos ligando os dois, antes, durante e depois do impeachment, nem será ouvido. Se confirmar, não precisa inquérito, Temer RENUNCIARÀ. Nesse dilema, um homem como o ex-presidente da Câmara, não hesitará.

Em matéria fora das delações e sim de realizações, para confirmar o que coloquei no titulo, basta lembrar que está completando 6 meses desde que assumiu como provisório, na Câmara. E foi confirmado como indireto pelo Senado. Fala muito, promete mais ainda, mas não faz nada. A única matéria aprovada, que é negativa e não afirmativa, falta a garantia de duas votações no Senado.

A reforma da Previdência, é sempre adiada. Tem medo que não seja aprovada na Câmara e no Senado, pode atingir deputados e senadores. Que se aposentam com 8 anos de "trabalho". 2 mandatos na Câmara, 1 no Senado. O que não fez, uma calamidade. O que promete, outra, trágica.

Duas realizações (?) do fim de semana. 1- "Sou a favor de uma queda responsável dos juros". Em 6 meses, reduziu 0,25 da Selic. Ainda no tempo de Dona Dilma, eu sugeria juros de 10 por cento. Isso, mais tarde, confirmado por economistas renomados, competentes, independentes. 

2- "O desemprego começará a cair a partir de 2017". Adoraria que isso fosse verdade, apoiaria sem qualquer constrangimento. Mas precisaria saber quanto dos 12 milhões e 400 mil conseguiriam emprego. Ouviu isso de Meirelles, mas não sei qual dos dois é mais desacreditado.

Hoje, Trump luta pelo segundo lugar

No fim desta terça, quase na madrugada de quarta, o mundo, respirando aliviado, saberá que pela primeira vez na Historia, a maior potencia mundial, será presidida por uma mulher. Hillary não é o ideal, mas é inequivocamente a melhor. Não só para os 300 milhões de americanos. Mas também para os pouco mais de 7 bilhões de habitantes do mundo.

Sempre se soube que o segundo lugar não é um premio ou reconhecimento de mérito. Mas Gabriel Garcia Marques, colocou as coisas nos lugares, com uma frase
perfeita: "Em qualquer competição, o segundo lugar não representa vitoria ou consideração". Para Trump, a derrota e o segundo lugar, são agravados pelo fato indiscutível. Ele chega em segundo apenas com 2 candidatos.

O "capital motel" voltou

A Bovespa tem subido muito no ultimo mês. Não como conseqüência de qualquer medida positiva. Ou esperança numa possível ou suposta esperança de recuperação. E sim pelo malabarismo do próprio "mercado", e seus operadores profissionais. Isso já aconteceu ha tempos, se chamava "capital motel", pela velocidade com que entravam e saíam.

Ganhavam diariamente, na entrada e na saída, na compra e na venda. Quando achavam que já haviam ganhado o suficiente, iam embora. Não pagavam nenhum imposto. Nem mesmo sobre os lucros, que não precisavam declarar. Ganham também na compra e venda de dólares. Esse tipo de negocio, 'mágico', voltou.

PS- Já votaram antecipadamente, nos EUA, 40 milhões de pessoas. Com a maior facilidade. Acredita-se que hoje, se atinja o total de 80 milhões de votantes.


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