Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 1 de novembro de 2016

2016, 2017,2018: hipóteses, ambições, possibilidades


HELIO FERNANDES

Faltam exatamente 2 anos para a sucessão presidencial, se é que haverá alguma. (Esse 3 de outubro ficou marcado como data da eleição, depois de implantada uma ditadura de 15 anos, apelidada de Revolução. Foi também o primeiro asilo da Republica. Derrubado, o presidente Washington Luiz foi expulso do país, obrigado a morar nos EUA).

2 anos é muito tempo para qualquer analise, principalmente quando se trata do cargo mais importante. Durante esse período, acontecerão muitas coisas, mas nenhuma evolução, modificação, transformação. Os personagens serão rigorosamente os mesmos que estão nas manchetes, às brigas serão internas para conseguir a imprescindível legenda. 

Na eleição municipal, três prefeitos eleitos, se lançaram e se fixaram na afirmação, "não sou político". Apenas oportunismo e mistificação. Tão políticos, que tiveram que se filiar a um partido, e já demonstram que querem mais.

A eleição municipal, que era considerada plataforma excelente para o salto presidencial, não revelou ninguém. Todos sem exceção, serão os mesmos de antes. Alguns irão se refugiar nos resultados de agora, apregoando vantagens, e jogando as desvantagens para os supostos adversários. Mas ha muita contradição, e a importância tão apregoada para 2016, ganhou um novo patamar, 2017.

Primeiro a contradição, ou as contradições. O PSDB é tido como o grande vencedor, por causa do numero de prefeitos eleitos. Mas o maior perdedor não foi Lula, como tantos gostam de ressaltar, e sim Aécio Neves. Presidente do partido, era lugar comum, que seria indicado candidato, com previa ou sem ela. Agora, tendo perdido o governo de Minas, ficou também sem a Prefeitura. 

Com duas derrotas como essas, "dentro de casa", para continuar como "jovem presidenciável", terá que derramar sangue, suor e lagrimas. E está muito longe de ser um Churchill, que criou e imortalizou a frase. 

Alem do mais, Alckmin cresceu muito, não só pela vitoria no primeiro turno, mas também pelo bom desempenho, nas outras 13 cidades importantes. E não se esqueçam de Serra, candidato certíssimo. Com 76 anos não se agarra muito á vitoria, mas pode favorecer Alckmin e prejudicar Aécio. Portanto, o PSDB monopolizou os resultados municipais, contra e a favor.

Outro grande derrotado, foi o presidente indireto. Perdeu em matéria de votos e apoios para outra conspiração em 2018, esta não mais parlamentar. E demonstrou falta de visão, se comprometendo com a ligação com Marta Suplicy. Assinou a ficha de entrada no PMDB. E não escondeu que era sua candidata. Apoiou uma concorrente que chegou em quinto lugar, numa eleição com 5 candidatos.

Para 2018, 2017 é mais importante do que 2016

Já distante a eleição municipal, desvanecidos seus resultados e interpretações, ganha prioridade o que já vem sendo discutido, não apenas nos bastidores: a eleição do presidente da Câmara. Tão importante e com enorme poder de destruição, o presidente indireto, em conluio com Renan Calheiros, tentou a reeleição para Rodrigo Maia. Mesmo tendo que pagar o preço, da reeleição também do presidente do Senado.

Ainda não se falava no que o Supremo deve julgar amanhã: REU não pode figurar na hierarquia sucessória. O obstáculo contra a reeleição, vem de longe, até mesmo nos tempos do doutor Ulisses. Ele nunca foi reeleito presidente da Câmara, apesar de ter ocupado o cargo varias vezes. 

É que descobriu ou inventou a formula que permitia se eleger,quando a Câmara voltava, inteiramente vazia. Fim da legislatura. O Senado não permite a invenção, está sempre em funcionamento. O grande problema para Temer, a maioria para as votações, passa pela eleição do Presidente da Câmara.

Essa escolha acontecerá no dia 1 de fevereiro. Já existem três candidatos, lançados, e por enquanto, inarredáveis. Como revelei ha mais de 1 mês, com exclusividade, Aécio Neves comunicou ao presidente indireto: "O PSDB quer o cargo, e já tem o nome, unânime, Antonio Imbassahy".

Com o desprestigio atual se não conseguir a presidência da Câmara, Aécio pode até ser expulso. Pelo menos perderá a presidência da legenda. 

Outros dois candidatos, que trabalham a céu aberto: Rogério Rosso e Jovair Arantes. Temer sabe a importância deles na Comissão Especial do impeachment. Estão cobrando a recompensa. Temer teve que ir almoçar no apartamento funcional deles, impossível dizer NÃO. O que conversou é desconhecido, mas não difícil de compreender.

Sem Vice presidente da Republica, é o substituto natural. Fácil de perceber a luta pelo cargo. Deputados sem maiores expectativas, inesperadamente são projetados para o alto. 2 anos de importância, biografia melhorada, manchetes de jornais, entrevistas de televisão, cacife eleitoral aumentado. Como desistir de tudo isso, facilitando a vida de Temer?

Isso é visível no caminho de 2018. Mas ha o invisível ou imprevisível. Estão considerando Lula "destroçado e ultrapassado". Apenas uma parte é verdadeira. O destino dele não está consumado.

Faz planos para 2022, lógico, passando por 2018, mesmo que não dispute pessoalmente. Estará com 77 anos, Serra com 76,
 Temer com 78. Será a campanha presidencial mais medíocre. Mas também a mais longeva.

Dona Marina descansa, se prepara e disputará pela terceira vez a presidência da Republica. Já conquistou 20 milhões, depois 18, qual o tamanho da sua votação na ultima oportunidade. E ainda existe o PRB, e o projeto do bispo Macedo, representado pelo prefeito Crivella?

Julgamento no Supremo, amanhã

Importantíssima a decisão dos Ministros. É tão obvio, que REU não pode participar da linha sucessória, que a sessão é totalmente redundante. E só pode haver um resultado, 11 a 0, se comparecerem todos.

A movimentação de Renan Calheiros, nos últimos 10 dias, um insulto ao tribunal e á comunidade.

O presidente do Senado vem tentando se salvar, com duas soluções. A primeira, transferir a decisão para 2017, fim do recesso, quando não será mais presidente do Senado, estará fora da hierarquia da substituição. A segunda, um Ministro pedir vista, a conclusão seria a mesma.

PS- O Ministro da Fazenda, falastrão: "O Brasil VOLTA a crescer em 2017". Não tem a menor base para a afirmação. Se tivesse, os sinais teriam que ser muito mais evidentes. Como exemplo, a queda do desemprego.

 PS2- Alem do mais, provando a mistificação, usou a palavra errada. Como se refere a um crescimento futuro (2017), deveria ter dito, VOLTARÀ em vez de VOLTA. È o Meirelles que foi demitido do Banco Central por ineficiência.


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