Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O "novo" Trump quer subir ao palco

HELIO FERNANDES

È o nome do dia nos Estados Unidos e no resto do mundo. Não recebe um só elogio, acumula restrições, mas não pode ser esquecido. Nos próximos dias que completarão o tempo até 20 de janeiro. Nos dois meses que faltam para ser presidente de fato, ninguém será tão citado e insultado quanto ele. E merecidamente.

Será empossado como o presidente de numero 45. Reconhecido e proclamado como racista, troglodita, preconceituoso, sonegador de impostos, desrespeitador de mulheres, sem palavra, sem respeitabilidade, sem qualquer credibilidade, personagem com o qual teremos que conviver. Não só até á posse, mas nos próximos 4 anos. 

Pasmem, talvez até em mais 4. Pois ele mesmo divide sua atuação presidencial. E tem se referido assim, ao tempo de execução: "Isto ou farei no primeiro mandato, algumas coisas deixarei para o segundo". Podem dizer, "Isso é impossível", mas sua vitoria agora, também era negada e desprezada".

Antes de Trump, os Estados Unidos tiveram 44 presidentes.  Apenas 1 indireto e sem eleição. Gerald Ford, que era presidente da Câmara, quando Nixon, eleito e reeleito, renunciou para não sofrer impeachment.

5 estadistas, sendo que um deles eleito e reeleito 4 vezes. Que junto com a Inglaterra e a União Soviética, livrou o mundo do "Reich dos Mil anos". O que prova que muitas vezes o eleitor acerta de forma magistral. Mas também erra muito, até mesmo por falta de opção.

O povo americano elegeu 17 presidentes medíocres. E 21 rigorosamente inexpressivos. Para 228 anos de eleições, (a partir da primeira, em 1788,com candidatos do Partido Federalista e Republicano, o Democrata só seria formado 40 anos depois, em 1828) convenhamos, a media é rigorosamente decepcionante, depressiva, deprimente, revelando displicência,

Mas nada igual à Trump

Quando ele foi lançado sob protestos nas previas do Partido Republicano, eram 7 ou 8 nomes, dentro da tradição eleitoral do país. Ninguém levava Trump em conta. Mas durante 1 ano, no espantoso festival de esbanjamento de dinheiro, Trump foi ultrapassando a todos. Com suas bandeiras destruidoras, mas que se prenunciavam gloriosas e vencedoras. 

Chegou ao pódio inimaginável, à poderosa presidência dos Estados Unidos, a maior potencia mundial. Que como se vê, assusta e preocupa os mais diferentes países. Todos os Continentes imaginam como se relacionar com um país presidido por um personagem como Trump.

Os recuos e contornos, de um presidente sem planos

È evidente que a destruição proposta e encaminhada por Trump durante a campanha, é tão avassaladora, que precisa de tempo para ser consumada. E tem que garantir apoio e sustentáculo, para corresponder ao que garantiu. Mas não esperava que critique e resistências surgissem da forma tão arrasadora como surgiram.

Principalmente da Europa. Pessoalmente, através de lideranças respeitadas. Ou do próprio Comitê da UE, atingindo-o coletivamente.

O que mais o surpreendeu e motivou as mudanças que já deixa entrever: o fato dos maiores lideres da Europa, terem dito, textualmente: "Como contracenar ou compartilhar ideias, com um homem que não conhece o mundo?". Queriam se referir ao fato de Trump jamais ter saído dos Estados Unidos. Parece inacreditável, mas é rigorosamente verdadeiro.

Motivou o presidente eleito, que já admite mudanças a partir da posse, mas elaboradas desde agora. Vai levar tempo para concretizar, quer apresentar como necessidade e não concessão.

Trump vai viajar muito, logo nos primeiros meses 

Totalmente confiante na liderança e competência do vice presidente, deixará as medidas administrativas internas, a critério dele. Que negociará a execução, para quando ele voltar de viagem. De algumas dessas medidas não abrirá mão, para atingir Obama e o Partido Democrata. E satisfazer o Partido Republicano. Insiste em dizer, "não preciso de partidos". E pela contundência da vitoria, parece mais do que irrefutável que teria chegado á Casa Branca como candidato independente. 

Como Trump será personagem diário e obrigatório, por muito tempo, terminemos hoje, com um fato que por enquanto é rigorosamente exclusivo. Se concretizar a ideia de viajar, já tem dois países escolhidos: o Vaticano e a Rússia. Ainda não decidiu qual dos dois visitará primeiro. Considera que a ida á Rússia, ainda mais em primeiro lugar, provocaria contrariedades. Mas apregoa, "não tenho medo de nada, sou um vitorioso em tudo"

Temer: contrariedades e contradições

Com a decisão do TSE, (Tribunal Superior Eleitoral) desabando sobre o seu mandato, liquidando-o e acabando definitivamente da condição de provisório e indireto, Temer sofre pressão em cima de pressão. Se Gilmar Mendes conseguir salvar seu mandato, existem problemas políticos cada vez mais insolúveis. E todos começam com a eleição para Presidente da Câmara.

 Antes era apenas eleição, agora passou a reeleição. Ele, o insubstituível Renan, e o próprio Rodrigo Maia, concordavam: a solução é manter tudo como está. Foram buscar até o parecer do Ministro aposentado do Supremo, Francisco Rezek. Que respondeu: "Numa questão ANOMALA, a reeleição é permitida".

Mas Rogério Rosso e Jovair Arantes, que apoiaram integralmente o impeachment de Dilma, consideram: "ANOMALO é eles serem preteridos por Maia, que nem existia na época do impeachment". Rosso já foi derrotado por Maia, agora quer o cargo.

Falta contentar Jovair Arantes, que não se conforma em ter tido o trabalhão de ler 234 laudas que nem sabe quem escreveu, e agora, "ser jogado para escanteio". E o candidato do PSDB, o primeiro a ser lançado, o líder Imbassahy. Aécio Neves, em situação deprimente dentro do partido, não pode admitir a recusa. Principalmente com o crescimento de Geraldo Alckmin.

E os problemas não se restringem a esse. O senador Romero Jucá, demitido de forma fulgurante do Ministério do Planejamento, quis ser Presidente do Senado. Mas Eunicio Oliveira já está acertado. E alem do mais, bem longe da Lava-Jato. Romero compreendeu, mas quer ser lider do governo no Senado.

Impossível nomea-lo. E os vetos e advertências surgem imediatamente. Como lider, estará em contato com o presidente, nos mais variados momentos. Todos os projetos passam pelo Senado, o líder tem que falar com o presidente, varia vezes por dia. Como resolver? E existem outros problemas políticos.

O pessimismo triplo do presidente do BC

Tem deixado claro. O PIB não terá o crescimento anunciado para 2017. A inflação também tende a cair menos do que ele mesmo apregoava. E finalmente o terceiro item, esse como informação: "Com as noticias ruins sobre PIB e inflação, será difícil baixar mais os juros".


Ora, se com a esperança de que “a economia crescia", a Selic depois de 4 anos, só caiu 0,25, o que se pode esperar. Especialistas culpam diretamente o presidente do BC. Unanimidade: "O Banco Central age com cautela exagerada. E os juros atropelam toda a economia, impedem o crescimento. E o investimento”.

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