Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 8 de novembro de 2016

De Curitiba aos Estados Unidos. Temer, testemunha de Cunha

HELIO FERNANDES

O mundo inteiro vive os últimos dias de uma batalha campal, que termina depois de 1 ano e 7 meses de confronto violentíssimo. Sem saber quando terminará a apuração, e proclamado o novo presidente. Um pouco pela diferença múltipla do fuso horário. Outra parte pela duplicidade da campanha: voto popular, direto. Voto no colégio eleitoral, indireto.

Os americanos não esquecerão a eleição presidencial de 2 mil. Não pela baixaria de agora, mas o choque, pela primeira vez em mais de 100 anos, entre o voto direto, da rua. E o indireto, do colégio eleitoral. Concorriam, Al Gore, Democrata, vice de Clinton. E George W. Bush, Republicano, filho de ex-presidente.

Gore teve nas ruas 527 mil votos a mais do que Bush. Mas este ganhou na Florida, onde seu irmão Ted era governador, e empenhou toda a maquina para favorecê-lo. Alem disso, fraudou o resultado, o que levou a questão para a Corte Suprema.  

Depois de 36 dias incertos, duvidosos e inquietos, Bush foi considerado vencedor e empossado. Foi um presidente trágico, que declarou guerra e invadiu o Iraque. O que dura até hoje. 

Para isso bastou afirmar e garantir que o Iraque tinha arsenal nuclear, e estava pronto a usá-lo. Mais tarde a própria ONU provou que tudo era invenção, não passava de mentira. Milhões de pessoas morreram por essa "palavra presidencial", planejada e exacerbada como se fosse verdade.

Para retardar o conhecimento do resultado, e proclamado o vencedor, outros fatores. Um exemplo: o fuso horário. Quando a votação se encerrar em Nova Iorque serão 6 da tarde. No Brasil, já 9 da noite. E existem fusos mais amplos com o Brasil. Nem preciso falar ou comparar com outros países.

E existe a formação do complicado Colégio Eleitoral, que é mais importante e fundamental do que o próprio voto popular. Vejamos o que pode acontecer em apenas 1 estado. Mas são vários os casos de insignificância de votos, e super importância na contagem final.

Vou dar como exemplo elucidativo, apenas um estado: New Hampshire. Pequeno, um dos 3 menores, tem apenas 4 delegados. Hillary fechou a pré-eleição, com 268 votos, precisando de 270. Ganhando nesse estado, leva os 4 votos, passa a 272.  È considerada vitoriosa, nem precisa saber se ganhou ou perdeu no voto popular.

Portanto, nesta sumula ou resumo do que acontece ou pode acontecer numa eleição presidencial dos EUA, se preparem: nesta quarta feira, o país já poderá conhecer o nome de quem ocupará a Casa Branca, e governará o país a partir de 20 de janeiro de 2017.

A Lava-Jato, volta ás manchetes

Os órgãos de comunicação do Brasil, dão mais "cobertura" á eleição dos EUA, até mesmo á sucessão no Brasil. Os programas batem recordes de audiência. A preocupação é total. Mas enquanto esperam, se interessam pelo que acontece em Curitiba.

Eduardo Cunha apresentou 22 testemunhas para sua defesa. Sergio Moro aceitou todas, que estão sendo notificadas. Entre elas, duas que chamam a atenção pelos cargos. Lula, que foi presidente por 8 anos. Michel Temer, que foi vice por 5 anos, preferiu ser presidente provisório e agora indireto, por 2 anos e meio, que não sabe se completará.

Um dos obstáculos para que ele tenha a garantia de que ficará no poder até o ultimo dia de 2018, é precisamente a intimidade e a cumplicidade, que eles dividem a longos e longos anos. Como é presidente, mesmo sem eleição, pode dar o depoimento por escrito. Mas o grande problema, para Temer, não é a forma e sim o conteúdo.

O que ele dirá não terá maior importância para o processo e o juiz e sim para Cunha, pessoalmente. No processo, quem julga, é Sergio Moro. Mas sobre o depoimento, quem dará a ultima palavra, será o próprio Eduardo Cunha. Sua reação estará condicionada ao que Temer disser.

Se o ex-presidente da Câmara considerar que o depoimento foi correto, ficará em silencio. Mas se ao contrario, interpretar a palavra de Temer como "defesa acusatória", poderá desencadear um vendaval sobre o antigo amigo. A quem tanto protegeu, ajudou e favoreceu.

Mas é preciso esperar, impossível saber quanto tempo. Em relação ao depoimento de Lula, nenhuma preocupação. Surpreendente foi à inclusão do seu nome. Nunca tiveram relacionamento. Apenas atuaram na mesma época política. Mas de longe.

Rodrigo Maia, apóia o provisório Temer e Renan

Reconheço que é difícil resistir à alavancagem que sua vida política, sofreu de uma hora para outra. Deputado de atuação discreta, inesperadamente se tornou presidente da Câmara, e substituto oficial na própria presidência da Republica. Passou até mesmo a parceiro do presidente indireto. E até do ameaçado, mas ainda importante presidente do Senado.

Com problemas para a eleição do presidente da Câmara, em 1 de fevereiro de 2017, Temer e Renan, decidiram: "A solução é a reeleição do Maia". Começaram a trabalhar. Não conseguiram nada. Nunca houve reeleição de Presidente da Câmara. 
Mas para Rodrigo Maia, só a lembrança do seu nome, uma honra. Está defendendo os dois, na tentativa esdrúxula e extravagante, de colocar a "anistia para o caixa 2”, no mesmo projeto que combate a corrupção.

A lembrança não foi apenas uma honra, mas um alicerce e ponto de apoio, para o sonho que revelei aqui com exclusividade: a tentativa de ser candidato a governador do Estado do Rio, numa coligação eleitoralmente forte. E com apoio do próprio Temer. Se ele resistir até 2018. 
No momento só ele acredita. Maia tem conversado sobre o assunto, com varias pessoas. Menos com o pai, que nos intervalos de Prefeito, foi derrotado para senador. E 4 anos depois, para governador. Vereador, tentaria novamente ser governador. Mas enfrentando o próprio filho?

A hipocrisia de Temer, e os 45 mil empregos

Anteontem. “Mais uma vez, fez o discurso da isenção e da relevância dos serviços que pretende prestar.” A popularidade não me seduz. Não “me incomodo de ser impopular, mas contribuindo para a salvação do país”. Logo depois apelava para a demagogia,anunciando "a criação de 45 mil  empregos que irão durar até julho de 2017".

Mostrou o plano. Vai liberar 2 bilhões para terminar "pequenas obras”, que estão paradas há algum tempo. São 1.600 obras, que garantirão esses 45 mil empregos durante 7 meses. È lógico e evidente que estou a favor da criação mesmo de apenas 45 mil empregos, desde que não sejam apócrifos e imaginários. E na verdade não passam disso e de mistificação.

2 bilhões para 1.600 obras, mesmo pequenas, dá pouco mais de 1 milhão para cada uma delas. E 1 milhão para uma obra publica, mesmo "pequena”, se esgota ou se esvai, em 10 ou 15 dias. E os 7 meses que Temer garantiu pra esses 45 mil trabalhadores? E quem irá paga-los?
Gilmar Mendes nos Estados Unidos

Foi "estudar” o tipo de eleição americana. Perda de tempo, desperdício, não existe a menor relação entre as duas escolhas. Mas como é Presidente do Tribunal Eleitoral, se deslocou para lá, viu muito pouca coisa.

Se tivesse ficado no Brasil, teria acompanhado tudo, estado por estado. As TVs daqui cobriram o que acontecia lá, desde as 6 da manhã. (Daqui). Mas com tudo pago, avião, hotel, até diária de representação, que maravilha viver. Quando voltar, fará discurso no TSE e no STF, cheio de "sabedoria e conhecimento".








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