Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Temer pode ser cassado pelo TSE. Mas ele teme outras duas cassações.

HELIO FERNANDES

Ha mais de 6 meses, praticamente com exclusividade, venho investindo no mais alto tribunal eleitoral. Dei tudo a ele. Espaço, tempo, credito, e principalmente esperança. Nas mais diversas oportunidades insisti: "A cassação da chapa, com a convocação de nova eleição, colocaria o povo como personagem principal". Também ressaltei e ressalvei, que não seria a "oitava maravilha do mundo", mas incomparável em relação à Dilma ou Temer.

O material que o TSE vem recebendo da equipe da Lava-Jato, justificaria e ratificaria a decisão de afastar a presidente e o vice. Não perdi o animo e a convicção, nem mesmo quando o Ministro Gilmar Mendes assumiu a presidência do tribunal. Estranhei que o Ministro tivesse ido a um jantar de homenagem a Temer. Parcialidade e presença comprometedora. E mais ou menos ha 15 dias, o Ministro disse na TV: "Acho que o TSE não irá cassar Temer, ISOLADO".


Informei que o presidente não tem que ACHAR nada, precisa votar. O povo está esperando uma solução que pelo menos restitua a crença nas instituições. Mas se deixarem passar mais algum tempo, a substituição dos dois, terá que ser complementada através de escolha indireta. Dizem-me, de lá mesmo, que é isso que desejam pelo menos 2 membros do TSE. Não acredito.

O presidente provisório está assustado com a realidade. Mas não perde a chance de garantir duas coisas. 1-O tribunal não pode interferir no que já está decidido pelo poder competente, que é o Legislativo. Bobagem e excesso de absurdo.

Assim como o Legislativo tem autonomia total, para aprovar o impeachment, apesar das contradições e incoerências. O TSE é soberano para examinar o caixa 2 das campanhas eleitorais.

Não adianta todos dizerem a mesma coisa: "As doações foram legitimas e registradas noTSE". Procura limitar no tempo, a competência do TSE para agir, se sua decisão ocorresse antes da decisão definitiva da Câmara e agora do Senado.

A suposta credibilidade de Temer se esvai, quando acredita que tem poderes especiais para cercear o Poder do TSE. Terá que viver com essa duvida, durante algum tempo. Mas pode ter problemas iguais, vindos de outros setores, igualmente eliminatórios para ele.

Temer corre o risco de mais duas cassações

O presidente provisório, está convivendo, diariamente com o medo, o susto, definindo com mais precisão: verdadeiro pânico. Alem do TSE, dois terremotos cassatorios, podem desabar sobre a realidade que foi "conquistada"  SEM sangue, suor, mas com muitas lagrimas.

Daí, pode (ou poderia) surgir uma cassação por DESONESTIDADE. Tudo o que vem fazendo para proteger Eduardo Cunha e salvar sua face, se enquadra nessa palavra. 

Desonestidade não é obrigatoriamente ligada a dinheiro, a doações do mensalão ou petrolão. Os 33 dias que prorrogou para a pauta da cassação do mandato dele, pura desonestidade. A pauta para essa votação, premeditadamente incluída numa segunda feira, incontestável desonestidade.

È mais grave ainda, se foi feita por gratidão. Ou nem sei o grau da desonestidade, se for "justificada" pela intimidação que o ex-presidente da Câmara exerce sobre ele. Isso eu contei ontem, com detalhes.

Hoje vou lembrar, de memória, o que escrevi sobre o veto de Cunha a Rodrigo Maia, para líder do governo.
                     
Ele ainda era presidente da Câmara, sabia de tudo na hora. Ficou furioso quando lhe contaram o fato. Disse para o próprio informante: "Vou acabar com esse convite agora mesmo". E se mandou para o Jaburu, sem nenhum aviso, tinha entrada livre, a qualquer hora.                                                                                                     

Foi ruidoso e estrondoso, o que aconteceu. Dois assessores que estavam na ante sala, não sabiam o que fazer diante da gritaria entre um presidente da Republica e um presidente da Câmara. Cunha mal cumprimentou Temer, foi logo perguntando: "Você convidou o Maia para líder do governo?". Assustado, Temer respondeu: "Estou estudando isso, mas podemos conversar". Cunha tirou um papel do bolso, jogou na mesa, acrescentando a palavra ao gesto acintoso.

Temer é subserviente por vocação, formação e convicção, mas não agüentou. Revidou os gritos, que eram de tumulto incontrolável. O que se podia perceber, era o comportamento, que chamaremos de represália mutua e simultânea. Temer dizendo, "você não manda no governo". E Cunha num grito maior, "quero a nomeação desse líder ainda hoje, ou haverá arrependimento da tua parte". E foi embora.

O que Cunha deve saber, ou finge que sabe sobre o passado do presidente, gravíssimo. No fim da tarde desse mesmo dia, Temer chamou o deputado cujo nome estava escrito no papel. Ele entrou no Jaburu desconhecido. Saiu líder do governo. Isso ocorreu ha 3 meses. Cunha repete, vitoriosamente, as mesmas acusações e intimidações.

2- O outro temor de cassação, vem da incompetência, farsa, mistificação, desses três meses no Planalto. Não faz nada, mente voluptuosamente. Imita tragicamente Dona Dilma. Só que ela foi eleita e reeleita. Com ele na garupa. Sem votos, e dizendo numa entrevista ao jornalista Jorge Bastos Moreno: "Não penso em reeleição,chegar até onde cheguei, já basta". Mas ninguém acredita nele. Nem mesmo os 3 presidenciáveis do PSDB, que embarcaram na aventura de apoia-lo. Em troca de cargos e de não haver reeleição.

 Os cargos teve que entregar na hora. Sobre reeleição, vai esperar os acontecimentos. Dona Dilma perdeu o poder, culpada pelos mesmos fatos que Temer repete. E agora, insiste: "O que está ocorrendo, pode mudar o resultado da votação no Senado".

Cunha: a delação que não haverá

Mais ou menos ha 15 dias, o grande assunto de bastidor, em Brasília: um possível entendimento entre o ex-presidente da Câmara, e a equipe da Lava-Jato. Estes não se interessaram, mas Cunha insistiu. Então, através do advogado da mulher, Claudia Cruz, teria enviado uma lista de “gente que poderia entregar". Nessa relação, 152 deputados e 1 senador. Surpresa total com o disparate entre o numero de deputados, e apenas 1 senador.

O pessoal da Lava Jato, mostra desinteresse, comentando: "Ele tem problemas com a Câmara, com o Supremo. Então, teria que fazer revelações de tal importância, não acredita que tenha cacife”. Já em Brasília, Cunha nega tudo, e usa e abusa do seu jargão atual: "Não serei cassado, então por que especularem com revelações que eu possa fazer?".

Por tudo o que tem sido formulado e reformulado, uma delação de Cunha, para ser aceita em Curitiba, tem que começar por Michel Temer. Não é que duvidem da intimidade passiva e passada de Temer-Cunha. Mas é que Cunha teria que contar sobre Temer, mais do que o proprietário da Odebrecht está contando, "para começo de conversa".


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