Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Temer: três meses perdidos e irrecuperáveis, e a delação da Odebrecht

HELIO FERNANDES

Ainda não fez coisa alguma, e pelo jeito não vai fazer. O tempo corre em alta velocidade, para trás e não para frente. A fragilidade do seu governo, é cada vez mais visível. Pelas suas próprias palavras, teria marcado vitoria retumbante, com o que chama num exagero egocêntrico, de "minha equipe econômica". Pois essa "equipe" que se resume ao Ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, esgotam o possível e até o previsível, com promessas tolamente repetidas.

Pessoalmente mostrou toda a incompetência para o cargo, tendo que demitir apressadamente os ministros mais íntimos, tidos como relevantes.  Mas essa relevância se autodestruía com o envolvimento na Lava Jato. O Ministro Meirelles podia ser o porta-bandeira incauto de uma nota só: "Se for necessário, aumentaremos impostos". Seu passado recomenda ao contribuinte: no maximo, no maximo, em janeiro-fevereiro de 2017, a carga tributaria será elevada.

Fracassado e demitido do Banco Central do governo Lula, Meirelles corre o mesmo risco, ou correria, se Temer tivesse alguém para colocar no seu lugar. O presidente provisório conheceu Meirelles,quando foi á poderosa doadora JBS, resolver uma generosa contribuição de 50 milhões que ameaçava jogar o PMDB da Câmara contra o PMDB do Senado. Resolveu o problema, mas ficou vulnerável como revelei.

Não vou repetir o que já contei com exclusividade. Pois o próprio Odebrecht importantíssimo, revelou: "Tive encontros com o vice Presidente Michel Temer, dei a contribuição pedida para o PMDB". O agora provisório, imediatamente confirmou
tudo e acrescentou: "As contribuições foram registradas, utilizadas pelo partido, e aprovadas pelo Tribunal Eleitoral". Todos dizem a mesma coisa, como afirmou o juiz Sergio Moro, "o caixa 2 é uma trapaça".

Todo esse dinheiro "trapaceado" para o desejado caixa 2, já teria diminuído a crise política, e conseqüentemente a crise econômica. Se o TSE, ha pelo menos 6 ou 7 meses tivesse cassado a chapa Dilma - Temer, em 2010 e 2014. E colocado o povo como participante, em nova eleição direta. O TSE ficou em silencio, deixou que os mais diversos partidos, tivessem sido alimentados e mobilizados com "dinheiro cúmplice". Agora, a Odebrecht inclui entre os "recebedores", influentes lideres do ínclito PSDB. É evidente que isso precisa terminar.

Temer dá a impressão, que a delação da Odebrecht, nada a ver com ele. Continua com a obsessão da efetivação, e uma possível provável reeleição. Inteiramente desligado da necessidade de construir para conquistar, fez toda a carreira sem disputar um cargo majoritário. Mesmo como deputado sem votos, ficou vários, geralmente como suplente "assumido". Baseado nisso, acredita que mais uma vez será vitorioso, no plenário do Senado.

(Também não tenho nem nunca tive qualquer duvida a respeito da votação no plenário). Só que Temer precisa abandonar o mais rápido, a condição de provisório, para poder viajar. Espera que seja uma consagração, o tempo fora do país. Considera, que sua viagem á China, tenha enorme repercussão. Gostaria de receber convite de um país importante da UE. E estender o tempo fora do Brasil. Aqui não faz nada. È até desnecessário.

Reestruturação

Em 1998, FHC tirou a Telemar do caminho telefônico, entregou tudo á OI. Não houve exame, ninguém investigou se a nova empresa tinha condições ou recursos para substituir a Telemar. Não tinha. Agora,18 anos depois,a OI,com 65 bilhões de dividas,pediu recuperação judicial.Os credores concordaram.Não passou muito tempo, já discordam.E consideram que não receberão

Outra reestruturação, esta surpreendente: a da JBS. Considerada importantíssima e poderosa, está pedindo "autorização aos credores, para modificação". A JBS ocupa ha anos, manchetes de jornais e revistas, como grande fornecedora de dinheiro para presidenciáveis. E até não presidenciáveis. Alguma coisa está incompreensível, na administração da JBS.

Primeiro tempo do Impeachment

Hoje o plenário decidirá Se o processo continua ou não. È necessária apenas maioria simples, que o governo obterá facilmente. Admitindo apenas com números: se houver um resultado inesperado e inexplicável, e a oposição vencer, por 1 voto que seja, estará tudo terminado. Dona Dilma volta imediatamente. E conclui o mandato, até 2018.

Se como é esperado sem restrições, o governo vença, por 1 voto, significa que o processo irá á votação final. No dia 29 ou outra data, fixada pelo presidente do Supremo. Para esta votação, os coordenadores do governo, já cooptaram e compartilharam 60 votos. Menos do que isso, será surpresa.

A cassação de Eduardo Cunha


Mais uma vez não foi marcado o dia do termo final, para o ex-presidente da Câmara. Rodrigo Maia disse que colocará na pauta de julgamento, desde que haja quórum elevado. Mas conseguir fixar esse quórum, antecipadamente, dificílimo. Esteve reunido com lideres, nada resolvido. Cunha foi a SP, ouvir o depoimento de Julio Delgado, que repetiu o libelo anterior. O ex-presidente da Câmara será cassado. Mas essa demora, vergonha e vexame.

PS- Na segunda-feira (8/8), o juiz federal João Augusto Carneiro Araújo liberou as “manifestações pacificas de cunho político” durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. O magistrado argumentou que proibir as manifestações, em geral pedindo a saída de Michel Temer do cargo de presidente, “contraria o próprio espírito olímpico de união e respeito entre os povos e o respeito à diferença”. As manifestações vêm sendo reprimidas pela Força Nacional de Segurança e pela Polícia Militar do Rio sob o argumento de que elas estimulam desentendimentos. No pedido, feito em ação civil pública de autoria do Ministério Público Federal, há relatos de casos de expulsões dos estádios e ginásios e até de prisões.

PS2- Para justificar a conduta, os policiais se baseiam na Lei 13.824/16, que, no artigo 28, proíbe manifestações ofensivas, xenófobas e racistas. Citam especialmente o inciso X do artigo 28, segundo o qual os torcedores não podem “utilizar bandeiras para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável”.
PS3- Para o juiz João Augusto Araújo, entretanto, o texto da lei não proíbe as manifestações “pacíficas de cunho político”. “Qualquer interpretação que seja conferida ao inciso X ou ao parágrafo 1º do destacado artigo que possa tolher a manifestação pacífica de cunho político afronta o núcleo inviolável do direito fundamental da liberdade de expressão, a qual deve ser afastada imediatamente”, escreveu, na liminar.
PS4- A decisão é destinada à União e ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016, arrolados pelo MP Federal como réus da ação. O juiz estipulou ainda uma “multa pessoal” de R$ 10 mil para cada violação à liminar. Para conferir segue: (Ação Civil Pública 0500208-93.2016.4.02.5101).
PS5 – A Associação Nacional e Internacional de Imprensa - ANI, cobre com seus 41 jornalistas inscritos os eventos das Olimpíadas Rio 2016. Por seu comprometimento com a cidade e os profissionais de mídia, merece medalha de ouro, pela competência. Os elogios são do próprio Comitê organizador. Até ontem (8/8) são 1,2 mil fotos, 80 filmagens, 12 entrevistas e duas dezenas de matérias. Quatro exclusivas postadas no seu site oficial: www.anibrasil.com.br








Um comentário:

  1. Qualquer país ter sua liberdade de expressão reprimida já é afronta. Imagine num país como o nosso, agraciado com um povo ordeiro e festeiro, com tradições pacifistas, de fazer manifestações políticas. Não há cabimento. Mas dessa justiça. esperar o quê. Me surpreendeu. "Fora. Esse que não se pode dizer o nome"...agora pode.

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