Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 7 de agosto de 2016

De Olímpia ao Rio de Janeiro, duas inesquecíveis Olimpíadas. FHC confunde heresia com hipocrisia.

HELIO FERNANDES

Foi impressionante. Fulgurante. Comovente. E surpreendente para um terço da população do mundo. Com os jogos transmitidos para 5 bilhões de pessoas, e com a humanidade tendo ultrapassado os 15 bilhões, esse terço inclui realmente quem interessa. E atingiu positiva e imediatamente os personagens que comandam e controlam toda a comunicação do planeta.

O espetáculo começou ás 8 da noite, terminou exatamente á meia noite. 4 horas ininterruptas, a não ser ali mesmo, pelos aplausos emocionados, da multidão presente. E com a força, o poder e a repercussão da nova tecnologia, não parávamos de receber, saber e se orgulhar com o que diziam os maiores jornais do mundo, através dos seus sites. E com manchetes iluminadas. Jamais a palavra, ENCANTADOR foi escrita ou falada em tantos idiomas diferentes. 

E orgulhosamente, este repórter deixava rolar uma lagrima de satisfação. De satisfação e de protesto silencioso. Não acreditavam que os brasileiros fossem capazes de lances maravilhosos como esses. 10 dias antes, escrevi aqui, vou citar entre aspas: "Quem não tiver ingressos para a abertura da Olimpíada, corra para comprar. Conheço pessoal ou profissionalmente, os artífices do espetáculo. Sei que todos eles, genética ou pela conquista e o conhecimento, têm o astral do sucesso". Fiquei tão recompensado, como se eu tivesse tido alguma participação, contribuído a não ser com a admiração.

205 países. 10 mil e 600 atletas, 2 mil dirigentes, técnicos, médicos, treinadores, preparadores físicos, 3 mil jornalistas, tudo para que os jogos fossem competitivos. 5 mil voluntários entusiasmados, centenas de milhares de pessoas, assistindo ou passeando pela Vila Olímpica, todos felizes por estarem ali. Meses e meses de trabalho, nos mais diversos setores.

Os atletas se preparando, entusiasmados, para que pudessem empolgar. Os responsáveis para que a Olimpíada fosse o sucesso que todos viram. E os analistas, comentaristas e o publico do mundo todo, empolgados e surpreendidos, proclamavam sem ressalvas: "Foi à abertura mais sensacional de todos os tempos". E essa Olimpíada dos Tempos Modernos, completava 120 anos.

Daniela Thomas e Fernando Meirelles, mestres de criatividade, entregaram ao cineasta Andrucha Wandvogal, um material que ele transformou num filme de longa metragem que empolgou o Maracanã. E fez a felicidade de 5 milhões de pessoas. O roteiro começava ha centenas de milhões de anos, com os índios. Passava para a época da escravidão, sem esquecer de compor um libelo sobre e contra isso. O verde da sustentabilidade, predominando.


Não esqueceram do desfile dos 205 países. Na frente de cada delegação, um tricicle, dirigido por uma mulher, com o veiculo cheio de coisas verdes. E ao lado do porta bandeira, um menino ou menina de 10 ou 12 anos, todos de branco, e nas mãos, um vaso com uma planta. Cada chefe de delegação, recebia uma semente, que plantava num lugar determinado. Dentro de 1 ano, serão 200 arvores, que se transformarão no Jardim dos Atletas, centro de descanso e atração turística. Criativos, juntaram o passado, o presente e o futuro.

 Do ponto de vista de realização e manifestação, quando chega à descrição do urbanismo, os "prédios" vão subindo, e em volta deles, os bailarinos exibiam uma categoria indescritível. Eram 1500 e a coreografia, inesquecível. Foram meses e meses de trabalho insuperável. Superado apenas pelas verbas, que foram desaparecendo.

 Poderia continuar escrevendo, indefinidamente. Mas fora do conjunto, quero destacar três episódios individuais marcantes. 1-O desfile, isolado, da mais extraordinária modelo do mundo, Gisele Bündchen. Acostumada com o sucesso de sempre, já fora das passarelas, desfilou para 5 bilhões. Admiração geral. Inédito e sensacional. Ideia da craquissima Daniele Thomas. Aplaudida do inicio ao fim do percurso.

2- A autorização do Presidente do COI, para que os refugiados pudessem desfilar. Eram 28, sob a designação de Republica dos Refugiados Independentes. Foram os mais aplaudidos, ou melhor, ovacionados.

3- Para este repórter, pessoalmente, o ponto mais emocionante, indescritível e relevante de todo o desfile: o Hino Nacional ouvido quase em silencio, acompanhado apenas pelo violão admirável de Paulinho da Viola. Muita gente chorava de emoção, incluindo o próprio Paulinho. Não consegui saber de quem foi a ideia, mas deu grandeza inesperada ao espetáculo.

PS- O presidente provisório, proibiu que anunciassem sua chegada. Mas terminada a abertura, teve que dizer: "Estão abertos os Jogos Olímpicos". Explodiram as vaias, mas o Maracanã vibrava de tal maneira, que pararam logo. Uma pena. Temer merecia muito mais. Depois, mandou apaniguados retirarem os que estavam com cartazes, "fora Temer".

PS2- Noticia não exclusiva, mas extravagante. A NBC, uma das 4 grandes televisões                                            dos EUA,gastou uma fortuna, mas fez acordo sobre fuso horário com o COI.(Comitê Olímpico Internacional).Como em relação ao Brasil, os fusos lá são menores, a audiência da NBC aberta e por assinatura, seria atingida.

PS3- Um só exemplo: o Brasil jogou ontem, ás 22 horas. Em varias cidades importantes dos EUA, sem o "acordo", esse jogo e outros eventos, seria visto pela manhã ou poderia passar ao meio dia. Os prejudicados foram os países da Europa. O jogo exibido aqui ás 22 horas foi visto na Europa ás 3 da manhã. Com exceção da Inglaterra que assistiu ás 2 da madrugada. Os outros eventos, prejudicados da mesma forma, com esse "acordo esquisito".

FHC: a farsa e o farsante

Não sabia que o ex-presidente escrevia em jornal. Difícil descobrir quem tem interesse em lê-lo. Talvez os estrangeiros beneficiados pelas amaldiçoadas doações. Ou os empresários privilegiados pelas desonerações. Ontem, por acaso, dei com seu artigo. Comecei a ler, chatissimo, fui logo para o final. Uma frase que ele deve ter achado genial: "A consolidação da democracia é a alternância no poder”.
Não fiquei surpreendido, conheço os personagens. Mas não pude deixar de lembrar: em toda a historia da Republica, só houve uma reeleição. Precisamente a dele, comprada e paga á vista. Ainda queria o terceiro mandato, não conseguiu. Agora, fala em alternância do poder. FHC confunde hipocrisia com heresia, pratica as duas.

Eduardo Cunha, ouro na Olimpíada da corrupção

Está demorando a receber o ouro, que conquistou merecida e desavergonhadamente, no caso dele, nenhuma contradição. Rodrigo Maia afirmou publicamente: dia 8, hoje, segunda, recebo o relatório da CCJ, a favor da cassação do deputado afastado. Amanhã, terça coloco em pauta para votação. Mas esses fatos, referendados pelo próprio, presidente da Câmara, são desmentidos por rumores constantes.

Que surgem e não são desmentidos. Espalhados pelo ex-presidente, por amigos dele, e de apaniguados do próprio presidente provisório. Do Jaburu surgem quase que oficialmente: "È melhor que a votação para sua cassação, aconteça depois da efetivação de Temer". Dizem isso sem o menor constrangimento, confirmando: se ele for cassado antes, é capaz de criar problemas para a decisão do impeachment no senado. Que Republica.

PS- Gabrielgol, Gabigol, Neymargol. Nenhum gol. E o Brasil, draconiana e deleteriamente invicto.


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