Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cunha comanda o espetáculo. A Odebrecht acusa Temer, Gilmar Mendes defende.

HELIO FERNANDES

È ultrajante e até política e jornalisticamente repugnante. Mas o ex-presidente da Câmara continua vencendo todas as batalhas até chegar á guerra final e definitiva. Ele cada vez tem mais espaço e tempo para arquitetar e ir melhorando o roteiro do medo, do susto, da intimidação. Até á humilhação dos adversários.

A exigência dele, desde o inicio, uma só, agora referendada pela subserviência dos chamados lideres partidários. E a pusilanimidade assustada do Planalto-Jaburu, comandando sua complacente base parlamentar. Tudo isso levando á conclusão nada surpreendente e indiscutível: a data para a votação da cassação do ex-presidente da Câmara, fixada para 12 e 13 de setembro.

Essa era a única e irrevogável exigência dele: tentativa de cassar seu mandato, só depois da facílima e irreversível cassação de Dona Dilma. Em conversas as mais variadas na segunda feira, de manhã á noite, chegou a confessar a incrédulos apaniguados: "Meu compromisso com o presidente Temer é este. Não admito ser cassado antes da presidente".

Se não cumprirem o compromisso, "aí quem decide o que fazer sou eu". Revelei tudo, é minha obrigação jornalística. Que cumpro ha 80 anos, repetindo o Apostolo Paulo: "Lutei sempre o bom combate". Isso foi dito textualmente pelo ex-presidente
 da Câmara. Compartilhando responsabilidades, perdão, irresponsabilidades, com os que ocupam indevida e de forma incompetente, o que chamam de governo provisório.

Hoje é dia 12 de agosto. Como a cassação foi marcada para 12 de setembro, Cunha tem 1 mês exato para suas maquinações, movimentações, mobilizações. Vitoria em cima de vitoria. Renunciou á presidência, está afastado do mandato, é duas vezes réu no Supremo, já devia ter sido cassado, e perdido a liberdade.

Apesar de tudo isso, continua radiante, provocando cada vez mais admiração da Câmara quase inteira. Nem sei por que utilizei esse quase, na verdade é a própria Câmara, inteira, que o manter, sustenta,obedece suas exigências, mesmo que pareçam absurdas e inconvenientes.

As reuniões intermináveis no apartamento "funcional", reafirmam a admiração de todos pelo ex-presidente. E o "funcional" é pequeno para o numero cada vez maior de participantes. E o Planalto-Jaburu, "lideres” partidários, Rodrigo Maia, sabem de tudo, como desautorizar e não cumprir as exigências dele? O medo do passado, não é bom conselheiro.

Cunha é implacável na analise. Agora não conseguiriam me cassar. A partir de 12 de setembro, não haverá nem sessão.Depois vem a eleição, todos apavorados com a derrota municipal.E termina uma das conversas, com a única auto-critica que já  ouviram dele: "Eu não deveria ter renunciado, antes do fim do  ano, teria voltado. Mas não serei atingido".

O presidente do BRAdesco, esteve com o presidente provisório

Conversaram demoradamente, não sei o que tinham para conversar. Trabuco quase foi Ministro de Dilma. Preferiu continuar. Gastou uma fabula, para popularizar publicitariamente o BRA de Brasil e o BRA de Bradesco. Não colou. Sobrou apenas o BRA de bravata, de um banco que cobra juros de 400 por cento ao ano e pratica sonegação de 4 bilhões.

Apanhado em flagrante de querer apagar a sonegação com propina, virou réu. Rumores de que deixará a presidência. O Canal Bloomberg, bem informado mas comedido: "Deve haver modificação na cúpula do Bradesco". A conversa foi sobre isso?

Odebrecht assustador

Ha muito se sabia: seu depoimento seria devastador. Era tido e havido, que sua contribuição em "dinheiro cúmplice”, teria o tamanho da sua empreiteira roubalheira. Dos primeiros presos, foi o que mais resistiu em se comprometer. Mas quando começou a depor, assombrou até a equipe de Curitiba. Começou por revelar os caminhos tenebrosos que sua empresa percorria. Delatou que só para cuidar da corrupção que era paga lá fora, havia uma espécie de sucursal, que distribuía bilhões.

Quando entrou na fase de revelar os que mais receberam contribuição, não está esquecendo ninguém. De uma vez só, entregou Temer, 10 milhões. Serra, 23 milhões. Eliseu Padilha sem números exatos, mas deve ter sido razoável, foi Ministro de FHC, Dilma e Temer.

Assim que a delação foi revelada, o Presidente do TSE e Ministro do Supremo, Gilmar Mendes, veio a publico indevidamente. Textual: "Acho que o TSE não cassará isoladamente, um membro da chapa". Inacreditável. Presidente do TSE não tem que ACHAR nada. Nem antecipar opiniões sobre matéria que poderá ser julgada pelo TSE. Mas Gilmar é Gilmar.

Outra inconveniência: já considera que "a chapa está isolada". Apesar de ainda não ter havido julgamento final do impeachment. Dona Dilma será cassada, nenhuma duvida. Mas não cabe ao presidente do TSE "adivinhar" o resultado. Ha meses, critiquei o mesmo Gilmar Mendes, por ter comparecido a um jantar em homenagem a Temer. Nada surpreendente examinando sua trajetória como magistrado.

PS- A maior estrela que ainda não estreou na Olimpíada, deu ontem entrevista coletiva. No maior teatro do Rio (Teatro das Artes) sensacional. Respondendo a 300 jornalistas, focado por mais 100 câmeras, imperturbável. Brincou com o publico e os profissionais.
PS2- Mostrou todo seu carinho pelo Rio, afirmou e repetiu: "Estou satisfeito da minha ultima Olimpíada ser esta. Só quero que seja com vitoria, vou sambar até ir embora".  Aplaudidíssimo. E não sobrou 1 ingresso para suas apresentações.


Nenhum comentário:

Postar um comentário