Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A votação do impeachment, preocupa o provisório. Marta Suplicy e Andréa Matarazzo, inimigos de infância. Lewandowski contraria o plenário.

HELIO FERNANDES

Com o recesso do Judiciário, do Legislativo, e a bifurcação do Executivo, a sensação da semana não saiu do Rio. E teve como personagem presente, apesar de não convidado, o provisório, que carrega indisfarçavelmente, a indicação negativa. E para não fugir do cotidiano e da irresponsabilidade, fez piada com o câncer do governador licenciado, Pezão. Este foi eleito diretamente, está licenciado por causa da doença. 

Temer foi á inauguração da linha 4 do metrô, disse publicamente, de forma inconsequente, incoerente, inconsciente, como se fosse uma comemoração: "Pezão, a doença fez bem a você, está até mais bonito". Constrangimento geral, silencio que só Temer não percebeu, continuou com aquele riso melífluo. 

Andou no metrô, fez confidencias. Naturalmente sobre o seu assunto predileto: a votação do impeachment no senado, a efetivação no cargo. Apesar do cooptação, se assusta quando falam na suposta prorrogação.

Proclama, como se fosse preocupação nacional e não apenas o apogeu do ego e da consagração: "Quero assumir efetivamente, mais rapidamente posso trabalhar para salvar o país". Nos quase três meses de provisório, esgotou seu vasto tempo, entre nomear e demitir ministros, enlameados pela Lava - Jato.

Ha 10 dias, na sua mesa, está a recusada nomeação do Ministro do Turismo. Indicado por Renan, obrigatoriamente tinha que estar citado em Curitiba. Pediu outro nome, Renan não respondeu, sinal de que não está satisfeito. Suspira para apaniguados: "Ah se eu já estivesse efetivado, seria bem diferente". O susto que Renan provoca em Temer, é inavaliavel, mas visível de qualquer distancia. 

Como tenho dito e repetido inúmeras vezes, não ha possibilidade da Comissão Especial ou o plenário do Senado votarem pela volta de Dona Dilma, nem é isso que pretendo. Ha meses defendo que o TSE cumpra sua participação importante na Historia. Casse a chapa Dilma - Temer, indissoluvelmente entrelaçada. Convoque eleição direta em 30 dias. Ou em outubro, junto com a eleição municipal. Mas como acreditar nisso, quando o Presidente do TSE comparece a homenagem publica, ao usurpador que deve ser cassado?

O relator na Comissão Especial, senador Anastasia, já está com seu relatório pronto. Não existe possibilidade ou vontade de modificação. E naturalmente não tem tempo nem necessidade de ler ou tomar conhecimento do que está contido nas 534 paginas, redigidas e entregues pelo advogado da presidente afastada.
O senador e ex-governador eleito por Aécio Neves, quis mostrar o relatório ao jovem presidenciável, a resposta: "Não precisa,confio em você".

Será lido ainda esta semana, amanhã ou depois de amanhã. Aí então, será votado no plenário. "Surpresa": 60 senadores, (pelo menos um terço cooptado) votarão pelo afastamento definitivo. E perderá os direitos políticos, obrigatoriamente por 8 anos.

Ficará então esperando as conseqüências da delação do marqueteiro João Santana. Ele já confessou: "Nas duas campanhas de Dona Dilma, 2010 e 2014, houve dinheiro de Caixa 2". Ela começou negando. Como era impossível insistir no jargão, "eu não sabia de nada", mudou. Responsabilizou o PT. O clima então, que era de desavença e desentendimento, passou a ser de guerra e hostilidade.

O juiz Sergio Moro, mandou soltar João Santana e a mulher do marqueteiro. Péssimo sinal para o PT e para Dona Dilma. A liberdade da mulher, era um dos itens,acertados nas negociações para a delação. E o que foi publicado, não deixa duvidas sobre a veracidade do que foi dito, justificativa de Sergio Moro: "Não houve intenção de esconder nada". O depoimento dele foi na primeira pessoa.

Francisco em Auchvitz

È o terceiro Papa a ir a esse lugar, onde 6 milhões de pessoas foram assassinadas, a maioria judeus. Mas Francisco é singular,transmite emoção até pelo silencio. Foi o que aconteceu. Três minutos sem uma palavra,caminhando lentamente,sem ninguém ao seu lado.Sentou num banco,dava para sentir sua angustia.Ficou olhando,provavelmente para o passado.

Levantou, beijou 12 judeus com mais de100 anos de idade. Novamente caminhou, lhe deram o livro onde visitantes, deixam suas impressões. Emocionado, escreveu: "Deus, perdoai tanta crueldade". Onde alguém procura e encontra tanta força e simplicidade? Mesmo para um Papa, é um fato inexplicável.

Prefeitura de São Paulo, acende a pira olímpica dos sem votos

A maior cidade do país, com enorme eleitorado, atrai não apenas um possível prefeito. Mas também seduz como escalada para uma carreira de sucesso. E não é de hoje, ou melhor, hoje é cobiçada por quem não tem votos ou credenciais. Com exceção de Luiza Erundina e Fernando Haddad, o resto assusta pela falta de constrangimento na exibição do passado, como ponto de apoio para o futuro. E antes de mais nada, lamentemos que os dois melhores candidatos, estejam se hostilizando.

Existem vários candidatos inexistentes por eles mesmos. Mas são repatriados por alguns possíveis presidenciáveis em 20l8. Serra com Andréa Matarazzo, Alckmin carregando João Doria, Marta Suplicy tentando vender por bom preço, seu ódio
retardado pelo PT e até pelo próprio Lula. Em 33 anos fez carreira dentro desse mesmo PT. E só não foi mais longe, por culpa dela mesma. Prefeita em 2000, perdeu a reeleição no cargo em 2004, apesar de apoiada por Maluf.

Tentou novamente em 2008, outra derrota. Não considerou que estava no ostracismo, por causa de uma certeza: em 2010, seria indicada por Lula para sua sucessora. Quando soube da escolha de Dilma, chorou como nunca. E disse horrores dela. O que não impediu de ser Ministra no seu governo. 

Depois, candidata ao Senado, nenhuma chance. Só que os 2 candidatos favoritos á reeleição, Tuma e Quércia, MORRERAM durante a campanha. Virou senadora, novamente ministra. E agora, inimiga de infância do PSDB e PMDB, se alia a Andréa Matarazzo. O Globo publicou na primeira, uma foto ótima dos dois. Ela desequilibrada, aparentemente não por fatores normais.

A carreira de Andréa, tão estranha e vitoriosa quanto surpreendente. Amigo de Serra, e sendo este o principal nome do governo FHC, conseguiu nomea-lo
Ministro. Em determinado momento, lembrou que era Matarazzo, sentiu saudade das origens. Como essas origens estavam na Itália, foi nomeado embaixador nesse país. Ficou 1 ano, voltou ao Brasil, novamente Ministro. Nenhuma surpresa, estamos num país no qual o presidente compra a própria reeleição.

Terminado o retrocesso de 80 anos em 8, Matarazzo voltou para São Paulo, o maximo que conseguiu foi ser vereador. Agora tentou a Prefeitura, perdeu a indicação, teve que mudar de legenda, outro veto.

Temer e Serra coordenaram a chapa considerada impossível e inaceitável: Marta-Andréa. Se perder a eleição, Fernando Haddad, excelente prefeito, será a primeira vitima do massacre do PT. Marta tem um programa de governo: acabar com as ciclovias, hoje popularizadas no mundo todo.

O Supremo, data venia. Totalmente "rachado"

Não é de hoje. Mas agravado pelos movimentos dos poderosos incluídos na Lava-Jato. E da mobilização de Lula para ser nomeado Ministro.E assim,com foro privilegiado,ser julgado pelo Supremo. Era uma velada depreciação da insuspeição do mais alto tribunal. E alguns Ministros assim entenderam.O tempo passou rápido,Lula não conseguiu ser Ministro,dona Dilma perdeu o poder de nomea-lo.Lula agora,é réu até no distrito Federal.

Explosiva, restou a tentativa de modificação da decisão magistral do próprio supremo. Tendo decidido por 7 a 4, que réus condenados pela segunda vez, poderiam logo serem presos, empreiteiras, assustadas, coordenaram e comandaram ação para derrotar o que fora vencedor. Ou seja: estabelecer, que presos, só depois de sentença transitada em julgado. Com isso, tentavam favorecer o regime de duas instancias. (Tentaram liberar Odebrecht, nomeando um Ministro para o STJ. Na Turma, perderam de 4 a 1).

Não existem duas instancias, e sim mais de 50. Condenado na primeira instancia, o réu, com poderosos e caríssimos advogados, vai entrando com recursos em cima de recursos, todos protelatórios. A segunda instancia não chega nunca, o objetivo é a prescrição. Agora de forma suspeita, o advogado mais caro entra com recurso, em nome de um partido nanico, que não tem nem interesse, nem dinheiro para pagar o advogado.

Ha quase 2 meses, o plenário espera para julgar e confirmar o decidido em fevereiro. No mês passado revelei: existem rumores de que o Supremo pode mudar o julgado em fevereiro. Agora o rumor se consumou em fato. Como plantão no recesso, o Ministro-presidente Lewandowski, monocraticamente, votou contra o decidido pelo plenário. Mandou soltar um réu municipal.

Preso por ter sido condenado pela segunda vez. Inapropriado. È o máximo e o mínimo que posso dizer, sobre o voto do Ministro-presidente.

PS- Já que Pelé está impossibilitado fisicamente, o porta-bandeira da delegação do Brasil á Olimpíada, deveria ser o Guga. Sem demérito ou depreciação para ninguém.
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Comentários...

Helio,

Venho através deste parabeniza-lo pela excelente matéria publicada ontem nesta coluna. Ha muito venho esperando por algo assim, espetacular, pontual e com a sua marca registrada que o notabilizou como o melhor jornalista do país.

Parabéns

Otávio Custódio do Nascimento




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