Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A politicalha de 2016, monta o Cassino eleitoral de 2018.

HELIO FERNANDES

Com um presidente provisório, desesperado para ser efetivado. E uma presidente afastada, desesperada para voltar. O assunto principal e coletivo é a eleição de 2018. Nada surpreendente, embora se acreditasse que a pauta prioritária fosse à tão prometida salvação nacional. E para agravar e complicar ainda mais a situação, o que se discute ou se debate, é precisamente a reeleição. E Tudo movimentado por quem está no poder, Michel Temer.

Duas violências praticadas por ele. Primeiro a verbal: não tendo sido eleito, não pode ser reeleito.A não ser que pratique mais uma deturpação,como a que o levou ao Planalto, sem consulta á comunidade.Esqueceram ou não se lembram,que toda a crise nacional,começou com o único presidente do PSDB, comprando a reeleição para ele mesmo.

Comprou, pagou com dinheiro de empresários poderosos, que receberam a compensação em doações e desonerações. Se não tivesse havido a reeleição, a imprudência e incompetência de Dilma teriam durado apenas 4 anos.  Assim, em vez de "depois de mim o dilúvio", o normal, depois de mim o sucessor. Tratemos e analisemos o assunto nos dois ângulos. Primeiro nos bastidores. Agora, ao vivo e a cores.

Quando ganhou o titulo de provisório, precisou formar o governo, preservando apenas o que chamou de equipe econômica. Ou melhor, Henrique Meirelles. Conhecendo o carreirismo do fracassado Presidente do BC com Lula, agora Ministro da Fazenda, escrevi: "Temer, se não puder ser reeleito, vai apoiar Meirelles contra os adversários". (È facílimo constatar, basta consultar os arquivos, com um clique).

Temer conversou em primeiro lugar com o jovem presidenciável, Aécio Neves. Este, com 4 ações no TSE, pedindo a cassação da chapa Dilma - Temer, não achou heresia conversar. Disse que o PSDB não queria cargos e sim eleição, ou melhor, reeleição. Temer garantiu que estava satisfeito, não haveria reeleição.

Poucos dias depois, na TV, o entrevistador Jorge Bastos Moreno, perguntou: "O senhor admite se candidatar á reeleição? "Resposta rápida com aquele sorriso melífluo e sardônico: "Nem penso nisso, é ótimo chegar até onde cheguei". Aécio viu o programa, ficou satisfeito.

Na questão dos cargos, o presidente do PSDB foi logo superado por Serra, impossível contê-lo. Citado para a Fazenda ou Desenvolvimento, Indústria e Comercio,acabou nas Relações Exteriores, nenhuma queixa. Aí, acreditando que não haveria reeleição, o próprio Aécio indicou Aluizio Nunes Ferreira para líder do governo no Senado. Aluizio foi sempre contra Temer, mas a falta de convicções é uma constante, aceitou correndo e sem protesto.

Aécio Neves, descuidado, começou a tratar da QUINTA candidatura do PSDB a presidente. FHC só foi eleito por causa do impeachment do Collor. Itamar assumiu, um grupo quis aprisioná-lo, não o conheciam. Não havia reeleição, Itamar ia ficar apenas 18 ou 19 meses. Surpreendeu a todos, nomeou FHC Ministro da Fazenda. E depois do Exterior, acumulando. Senador em fim de mandato, sabia que não seria reeleito, ganhou a presidência da Republica.

Continuando com o PSDB, que pretende a proeminência em 2018. Perdeu em 2002, 2006, 2010, 2014. Serra duas vezes, Alckmin e Aécio completaram. Agora, mostram que não ha renovação, a velharia domina. Só que de forma inacreditável. Em 2018, o PSDB disputará com os 3 derrotados. Lógico, não na mesma legenda.

Aécio será oficial pelo partido. Alckmin tem acordo com o PSB, já mostrou agora, na véspera da eleição municipal de SP. 

Serra, já articulou a própria candidatura pelo PMDB, apoiado pelo próprio Temer, se não houver reeleição. Serra e Temer montaram a chapa arcaica, com dois nomes femininos, Marta e Andreia. Mas um desconfiando do outro, como fizeram a vida toda. Só que agora, o que se tramava nos bastidores, passou a ser realidade autentica, com um personagem novo, o presidente da Câmara.

No fim de semana, Rodrigo Maia surpreendeu os ingênuos e incautos, lançando a candidatura de Temer para a reeleição em 2018. Explosivo por que acreditavam em Temer e desacreditavam que Rodrigo Maia tivesse capacidade para uma jogada como essa. Pois apresentando o nome de Temer para a reeleição, apresentava também o seu, para vice.

Quem imaginava que Maia estava satisfeito em ser vice ocasional por alguns meses, se enganou completamente.

Impressionante, o silencio mantido entre Temer e Maia. O partido de Maia, o DEM que já foi PFL, articulava uma candidatura própria, com Agripino ou Ronaldo Caiado. Superados e ultrapassados, por um jovem de 43 anos, que sempre subestimaram e desconheceram. Presidiu o DEM, pelo rodízio. O presidente provisório, fez a mímica da surpresa, não enganou ninguém.

Disse o obvio, "o Presidente da Câmara, criou muitos problemas”. Mas não desmentiu nada,nem podia, estava tudo combinado. Conclusão básica da jogada arquitetada por Temer, com a mesma insensibilidade, como planejou e executou a traição conspiração que o levou até onde está. Se der certo, ganha mais 4 anos, sai do poder com 82 anos, Michelzinho já adolescente. E segundo ele mesmo, governa os próximos 2 anos e 3 meses, fortalecido. Em 2018 não estará em fim do mandato, e sim no começo de outro.

Apesar da insatisfação geral dos que se julgam ou se julgavam presidenciáveis em 2018. E que considera a jogada arriscada, nada mais simples de decidir ou resolver: se a pressão contra Temer for invencível, basta que ele mande uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional) acabando com a reeleição. Dirão: "Que desprendimento". E será aprovada quase por unanimidade.

Se ele não enviar a PEC, basta que um grupo de partidos o faça. Será votada, Temer assistindo. Se a reeleição acabar, poderá explicar: "Eu sempre disse isso". Mantida, ele será candidato. Garantindo: "Cumpro a vontade do Congresso e da comunidade".

A cassação de Cunha não será mais dia 9

Inacreditável e inaceitável o que o corretíssimo impõe á Câmara. São 513 deputados, ele 1 só. Mas desde novembro, quase 1 ano, mantem o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, num suspense total. Aparentemente vem sendo seguidamente derrotado.Perdeu a presidência da Câmara, está afastado do mandato, duas vezes réu no  Supremo, mas continua no centro dos acontecimentos, assustando indefinidamente.

O novo presidente da Câmara, marcou o dia 9 para a sessão plenária da cassação do seu mandato. E explicou: "Data marcada é para ser realizada". Devia acrescentar: "Menos para Eduardo Cunha". O que parece ser verdade. Pelo menos um grupo de deputados, trabalha com a seguinte idéia: a sessão para a votação do mandato de Cunha, só seria realizada depois da votação do afastamento definitivo de Dona Dilma. (O relator Anastasia entregou o relatório ontem, já estava pronto ha muito tempo).

Temer e Rodrigo Maia, parece que "compraram" o adiamento. Cada um com "justificativa" diferente. Maia: só coloco em pauta com quórum elevado. Então fixou dia 9? E apesar da pressão dos partidos, não conseguem colocar 257 deputados a favor da cassação.

Temer não aparece, claro, mas seus apaniguados resplandecem. E temem que Eduardo Cunha, cassado antes, possa criar embaraços á votação do impeachment. E parecem aceitar o adiamento. Dizem que com o adiamento, Cunha pode ameaçar com delação.


Na verdade têm medo e ficam assustados com o próprio passado. Já informei: a equipe da Lava Jato não tem o menor interesse em delação de Eduardo Cunha.

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