Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Dilma: a carta anônima assinada. Lula assustado

HELIO FERNANDES

Ha tempos vinham falando nessa carta, que definiam como o "encontro da ex-presidente com a Nação". Houve expectativa até favorável, e angustia dos que jogam tudo no afastamento definitivo dela. A carta estava escrita e reescrita varias vezes, e não por ela. Esse foi o primeiro erro, equivoco, desastre ou tragédia política e pessoal.

O que pretendia ser uma redenção, recuperação, com um tom de arrependimento, incluindo o pedido de perdão, se esvaiu,desapareceu. Não passou de decepção, projetada pelo seu próprio grupo. Dentro mesmo desse grupo muita reticência e resistência.

Essa carta altamente pretensiosa, pretendendo um objetivo que não se encontrava em nenhum lugar do seu passado ou presente, teria que ter um sentimento e não um amontoado de palavras. E para provocar admiração, emoção e até compreensão, só vindo dela mesma, não sendo apenas a assinatura eventual, colocada num texto anônimo de muitos outros.

Mas não se aprende a escrever de uma hora para outra. E a arrogância de tanto tempo, não pode ser substituída de um momento para outro, transformada em grandeza, embora tentando forjar a impressão da humildade.

Foi o apogeu do nada, a exaltação da contradição. O maximo que se pode extrair dessa carta, é a confissão dos erros de fato, administrativos, cometidos e admitidos, e que até poderiam ser esquecidos. Pois estão sendo repetidos sem o menor constrangimento pelos que usurparam o poder.

Mas do ponto de vista pessoal, nada a reivindicar ou pretender. Pois na carta anônima que assinou de modo imprevidente, está presente de forma indelével, a arrogante, prepotente, autoritária, que estimulava e exigia a subserviência de todos de chamá-la de PresidentA. Não era nem a preocupação do idioma, e sim a satisfação da rotina verbal, imposta e cumprida sem restrição.

Isso é grave, mas não o fundamental. O que a condena sem perdão é a ausência do dialogo, que agora prega ou reivindica insensatamente. Quando sai do pessoal para o político, ai naufraga dramaticamente. È uma espécie de Titanic irrecuperável, que quando foi jogado ao mar, para a primeira viagem, era considerado inatingível. Agora, visível, apenas os destroços.

A carta é lamentável, provoca até o sentimento de pena. Não merece mais do que isso, talvez nem isso. Enviou a carta apenas para os 81 senadores, muitos deles nem leram. Se despojou de toda a importância de ter sido PresidentA por 6 anos. Recebeu apenas o comentário vago e desimportante, do mais antigo parlamentar, financiado e patrocinado por uma empreiteira roubalheira: o infiel Renan Calheiros. Infiel em todos os sentidos da palavra, que não se esgota com o uso político. Que Renan, sem constrangimento, exibe e usufrui desde 2007.

Dona Dilma, nessa carta anônima, que assinou impensadamente, prega um plebiscito para convocação de eleições antecipadas. Inicialmente, confessa o obvio, a derrota no impeachment. Com a tentativa desesperada de comunicação que sempre repudiou. O governo fala em 60 votos. Não chegará lá. Cooptou tanto e com tanta generosidade, que não atingirá esses 60.

A não ser que mude o regimento, autorizando o presidente Renan a votar, e alcançar os almejados 60 votos. Nenhuma importância. Acertou na palavra indispensável, muito tarde. Foi eleita e reeleita, jamais tomou a mais distante providencia para concretizar a reforma política. Não faltou oportunidade.

Dona Dilma sugere especificamente, a redução dos partidos. Mas ela jamais passou perto, até estimulou o crescimento deles. O mesmo comportamento do presidente provisório, que recompensou muitos ministros dela, "aproveitando-os". Não trabalhavam com ela, continuam sem trabalhar com ele.

Duas afirmações da carta, inúteis e inverídicas. Disse, que afastada do cargo, teve "tempo de se aproximar do povo, e receber o seu carinho". Blasfêmia. Outra leviandade: "Caso volte á presidência, continuarei a luta contra a corrupção". Os corruptos festejaram. Não ha uma possibilidade em um milhão dela voltar ao poder. A não ser dentro de 8 anos, quando acabar a inelegibilidade. Na verdade 10 anos. Pois só poderá ser presidenciável em 2026.

Aécio Neves cobra ação, do presidente provisório

Venho revelando, que o relacionamento PSDB - Temer é cada vez mais distante, apesar do PSDB ter vários cargos. Inicialmente a irritação vinha pela reeleição. Agora, o presidente do PSDB não esconde que o governo Temer caminha para o insucesso. E proclama isso abertamente. Mostrando: "Isso não é bom para o para o país e para o PMDB, que defende eleição direta".

Os comentários chegaram ao Jaburu, como queria o presidente do PSDB. Temer, pusilânime, não reagiu. Mas comentou: "O Aécio é curioso. Está insistindo com o TSE para cassar o meu mandato, mas não larga os cargos". Temer sabe que Serra não deixará o Ministério do Exterior. O mesmo ocorrerá com Aloizio Nunes Ferreira. Os dois têm ambições em 2018. E Michel Temer também. Marcaram um jantar para ontem mesmo no Jaburu. Despesas por conta do contribuinte.

O ex-presidente assustado

Acreditando que está sendo perseguido pela equipe da Lava - Jato. E intimado a depor no supremo, tem se reunido quase que diariamente com advogados. Procura uma solução. A proposta imaginada. Entregaria ao Supremo uma declaração oficializada em cartório, declarando: "Não sou candidato a presidente, de maneira alguma". E para provar que não faz obstrução á Lava-Jato, irá morar no exterior, até depois da eleição de 2018.  A preferência: EUA.







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