Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 14 de agosto de 2016

Brasil, sem esperança no futuro, tudo a temer

HELIO FERNANDES
Caminhamos para o cadafalso. A conspiração traição do vice, consolidou a promiscuidade com a politicalha. A efetividade, que se aproxima,é produto dessa aliança sem rumo, sem ritmo, sem roteiro. A não ser a ascensão ao poder, e a permanência nele, á custa de qualquer promessa ou compromisso. Tudo o que Temer garantiu a partir da carta na qual se auto identificava como "decorativo", se esvaiu.

Começou garantindo um ministério de notáveis, e em numero mais reduzido, duas afirmações irrealizáveis. No seu currículo político de segundo time, só consta relacionamento com "notáveis". E lá se foi à primeira garantia. A segunda, reduzir o numero de Ministros, mistificação visível. Uma das poucas coisas que ele sabe, é que nesse extravagante sistema presidencialista pluripartidário, vulgarmente chamado de troca-troca, nada é de graça.

Como conseqüência, surgiram 37 partidos, era preciso remunerá-los ou compensá-los com cargos. As coisas ficaram tão vergonhosas e irrealizáveis, que foram obrigados a criar o que se chamou de clausula de barreira. Era inútil e inócua, mesmo assim os partidos denominados de "nanicos", reagiram. E acabaram com essa denominada clausula de barreira.

Perdão, não acabaram com ela, reduziram o tamanho das bancadas. Cada legenda tem que eleger o "mínimo" de 1 parlamentar, deputado ou senador. Para receber o dinheiro do Fundo Partidário. E participar do horário eleitoral de radio e televisão. O presidente provisório acaba de nomear mais 2 Ministros. 1 a pedido de Eduardo Cunha, para ser preenchido por indicação do amigo Paulinho da Força, que finge ter votos e prestigio.

Todas essas reformas políticas, lógico têm que ser feitas pelo Legislativo. Não esquecendo as coligações proporcionais, e as outras. Mas assim que foi empossado, Temer designou líder do governo, o deputado de um partido com apenas 9 representantes. E que portanto,seria atingido por qualquer clausula de barreira. Mas como dizer não a mais uma indicação de Eduardo Cunha, o grande artífice do impeachment, que levou Temer ao poder?

Ao fazer a indicação desse deputado de Sergipe, que entre outras acusações tem a de tentativa de homicídio, Temer contrariou a ele mesmo. Publicamente, seu candidato a líder era Rodrigo Maia. Menos de 1 mês depois, Maia se elegia presidente da Câmara, acumulando com a vice presidência eventual. Eventualidade que se aproxima.Assim que for efetivado,Temer viaja ao exterior, eis o quase desconhecido Maia, presidente da Republica.Sem saber quantos dias fica, mas podendo fazer tudo o que um presidente de verdade faz.

(Faça o que fizer, não será inédito. Em 1897, o presidente Prudente de Moraes, deixou o cargo para uma operação urgente e grave. Assumiu o vice. Praticamente tomou duas decisões inacreditáveis. Comprou o "Palácio da Águias", depois chamado de Catete. E a seguir, trocou a sede do governo, que era na belíssima mansão Itamaraty, passou a localizar o Ministério do Exterior. No governo Collor, o presidente viajou, o vice Itamar assumiu. Não gostava do Ministro da Justiça, coronel Passarinho, demitiu-o. Collor voltou, renomeou-o. Nenhum dos dois praticou ilegalidade.O coronel é que não podia ser Ministro).

Maia mais Temer, os dois a favor de Cunha

Impressionante a blindagem que armaram e continuam armando para preservar o ex-presidente da Câmara. Deputado afastado, duas vezes réu no Supremo, reiteradamente acusado por delatores de todas as origens, não sai das manchetes e dos holofotes, desde novembro do ano passado. Não vou recontar o que aconteceu a partir daí, é publico e notório.

Começarei a partir de 5 de agosto, quando dois novos protetores entraram no palco para garantir que Cunha continuasse em cena. Esses inesperados personagens, são protagonistas agora relevantes. Temer, o primeiro, ainda é provisório, mas não demora a ser efetivado. Aí o país ficará dependente da sua ambição, traição conspiração. E claro, incompetência.

O segundo, Cesar Maia. Tentou ser líder do governo, era tido publicamente como candidato de Temer. Mas não era de Cunha, foi preterido. Pouco tempo depois, alçado á condição de presidente da Câmara. Que pelas deformações e peripécias do sistema, é, no momento, também presidente substituto. Saiu do auge do ostracismo, chegou ao apogeu da interinidade.Tem 5 meses e 15 dias para desfrutar desses benefícios e privilégios, até 1 de fevereiro de 2017.

Podia aproveitar esses desvios do destino, e marcar positiva posição. Mas traiu seus leves 43 anos, se aliou a Temer, a partir de 5 de agosto. Para que, essa aliança? Para reforçar a permanência de Cunha como personagem. Mas não foi Cunha que vetou a ida de Maia para a liderança? Foi. È difícil de entender o comportamento dos que inesperadamente, mudam de degrau hierárquico. Aconteceu com Temer, se repetiu com Maia. Agora estão juntos. Vamos então contar, com exclusividade, o que pretendem.

Nesse 5 de agosto, uma sexta feira, voluntariamente, Maia revelou a jornalistas: "Na segunda feira recebo o relatório da CCJ, que votou pela cassação de Eduardo Cunha". Silencio, os jornalistas esperaram, Maia continuou: "Terça feira coloco na pauta para votação imediata”. Todos publicaram. Rádios, jornais, televisões, sites, blogs. No mesmo dia, Temer chamou Maia no Jaburu. Para o que ia dizer, é mais discreto do que o Planalto. Temer disse a Maia: "Cunha me pediu que não quer a votação da cassação, antes do impeachment de Dona Dilma. Achei razoável, concordei, depende de você".

Maia perguntou apenas: "Marco para que data?". Vitorioso, Temer respondeu: "Depois te falo". Lógico, precisava ouvir o beneficia. Que não demorou a enviar o roteiro com suas exigências. Maia decidiu logo. De 9 de agosto, passou para 12 de setembro, uma segunda feira. Quer dizer, adiamento de 33 dias na votação. E numa segunda feira, quando não aparece ninguém.

Cunha tem dito a amigos: "Não serei cassado". E completa: "Não darei numero para nenhuma votação". O que se comenta nos bastidores: "Assim que Temer viajar, colocaremos a cassação na pauta. E em 24 ou 48 horas, teremos decidido tudo.Só que poucos acreditam nisso.

PS- Pela terceira vez seguida, Usain Bolt ganhou o ouro Olímpico. Divertiu o Rio e o mundo, Como fizera em 2008 em Pequim. E em Londres  2012. Ele é empolgante, record de venda de ingressos: a abertura da Olimpíada (maravilhosa) e as provas disputadas por ele.

PS2- Venceu a eliminatória, olhando para os lados, com 9,91. Na semifinal novamente o primeiro, 9,86. E na final, (ainda faltam os 200 metros e o revezamento), confirmou o que prometera: o terceiro ouro seguido, 9,80, a sua melhor marca de 2016.


PS3- Disse que disputou a ultima Olimpíada, quer se lembrar do Rio. Mas acrescentou: "Ainda correrei em 2017 e 2018, meus patrocinadores não querem que eu pare agora". Admirável.



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