Titular: Helio Fernandes

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MARIGHELLA: A GUERRILHA TRAÍDA, INFILTRADA, BRUTALMENTE ASSASSINADA.

26.10.15
HELIO FERNANDES
reprise

Parte - II

A conversa sobre guerrilha

Deixei o carro no Jardim do Meyer, além de ter nascido ali, ia muito à casa do extraordinário Agripino Grieco, que espantosa biblioteca. Os jornais naquela época tinham o que ficou eternizado como “rodapé”. Pela forma como eram colocados nas paginas e pela importância dos que escreviam.

Na verdade foram os precursores do “colunismo,” mas “Nossa Senhora”, que genialidade. Agripino foi o primeiro, depois vieram Alceu Amoroso Lima, Álvaro Lins, Eduardo Portela, todos grandes amigos do repórter. Sabia que em 15 ou 20 minutos estaria na casa do Marighella.

Genialmente automático. Olhei o numero da casa, atravessei a rua, a porta se abriu. 19 anos depois, reencontrava Marighella. Já era uma lenda, ainda iria mais longe, se transformaria em legenda, como conta magistralmente Mario Magalhães. Entramos logo no assunto.

Começou: “Helio, quando posso acompanho a tua luta, e tenho enorme admiração pelo teu poder de analise, por isso pedi para você vir aqui”.

O que ele queria, não demorou: ”Helio, estamos organizando a guerrilha, queria saber a tua opinião”. Ficou em silêncio, respondi: “Não tenho nada contra a guerrilha como forma de luta, o que me interessa é a proporção das forças. Quantos serão esses guerrilheiros?”.

“Seremos 60 no Maximo” 
   
Fiquei assombrado, sabia que não formaria um exercito, era uma força para combater. Incomodar o adversário, sem nenhuma possibilidade ou pretensão de vitória. Mas não queria desacreditar a vontade de ninguém, eu estava ali para analisar e não para desencorajar.

Falei para um Marighella atento, silencioso, mas muito bem informado: “O Exercito vai partir com tudo para cima de vocês. Pode ficar certo que serão 60 mil armadíssimos, contra 60 de vocês, que terão que enfrentar a luta na floresta, a traição que é natural, e a ânsia de tortura dos que se jogarão sobre vocês”.

Continuei, tentando mostrar a desigualdade: “Vocês todos tem admiração pela Coluna Prestes, eu também. Mas já se passaram mais de 40 anos. O país mudou as forças armadas, agora, tem serviços de inteligência, vão localizar vocês imediatamente e saberão sempre onde vocês estarão”.

Passei para a História de Canudos e Antonio Conselheiro: “O Exercito mandou três quartas partes do seu efetivo, para lá. Envergonhados, chamaram a quarta “expedição suplementar”. Assassinaram todos em Canudos, na quarta expedição levaram até canhões, que montaram num morro chamado FAVELA".

Que depois seria imortalizado e eternizado, nos morros do Rio, pelo único que escapou de Canudos.  E reprisei: “Morreram todos. O único “herói” de Canudos, foi o Coronel Moreira Cesar, conhecido muito verdadeiramente, como “coronel corta-cabeça”.
 
PS – O encontrou levou duas ou três horas, já sabíamos que havia terminado. E logo Marighella levantou, me abraçou: “Foi ótimo ouvir você. Toda luta tem riscos, você faz a tua parte que é importantíssima”.

PS2 – Continuou: “Você sabe muito bem, ou não teria sido convocado, que resistiremos, haja o que houver. Não vou contar nada aos companheiros, mas nossa decisão é definitiva. Considero tua analise positiva, em nenhum momento você negou a guerrilha”.

PS3 – Não me pediu silencio, não disse para manter a conversa entre nós, me conhecia. Guardei sigilo por 46 anos, mesmo depois de tudo ter acabado. Agora, conto, como homenagem ao bravo lutador.

PS4
 – Nunca mais encontrei Marighella. Ainda me lembro de suas ultimas palavras, não me levando até a porta: “Saia pelos fundos, você entrou pela frente”. Não era recomendação, e sim um dos segredos da clandestinidade.
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sábado, 24 de outubro de 2015

MARIGHELLA: A GUERRILHA TRAÍDA, INFILTRADA, BRUTALMENTE ASSASSINADA
24.10.15
HELIO FERNANDES
reprise

Parte - I

Conversa interessantíssima, importante, pelo conteúdo, e que deixa bem claro, a razão dos comunistas serem mestres da clandestinidade. Durante vários períodos ficavam livres, apareciam. Logo, logo voltavam a serem procurados, desapareciam.

É a primeira vez que escrevo sobre o fato. Nem na Tribuna de papel nem no blog. Sabia que o grande jornalista e escritor Mario Magalhães fazia biografia elucidativa do líder comunista, não contei nada a ele. Não queria dar a impressão de que pretendia aparecer. Só falei com ele mês passado, quando a biografia já era sucesso de critica e de bilheteria, com várias edições.

Meu relacionamento com Marighella

Conheci os 14 deputados comunistas e mais o Senador Luiz Carlos Prestes, na Constituinte de 1945. Que promulgou a tão esperada Constituição, em 18 de setembro de 1946. Mocíssimo, Secretario-adjunto da Revista O Cruzeiro, fui cobrir os trabalhos. (Ainda não existiam os editores. 

Foi o bravo jornalista Pompeu de Souza, que morou anos na Inglaterra e nos EUA, que trouxe a palavra. Implantada por ele na belíssima fase jornalística do Diário Carioca).

Como eu ia à constituinte durante 7 meses e 18 dias, e como era de uma revista importante, fiz amizades. Não era nem nunca fui comunista, mas minhas inclinações progressistas eram visíveis na convivência e no que escrevia. Daí as conversas com Grabois, José Maria Crispim, Lamarca, Jorge Amado, e lógico, Marighella, personagem de hoje.

Com Prestes conversei também varias vezes. O que não me impedia de ficar furioso, quando ele e Plínio Salgado sentavam juntos amigavelmente. E depois, os dois na tribuna, se agrediam (é a palavra) violentamente.

Separados Câmara e Senado, continuei freqüentando as duas casas, com os comunistas, até 1948. Nesse ano o partido (Partidão) teve o registro cassado. Prestes foi avisado pelo seu advogado na ditadura do “Estado Novo”, e para sempre seu amigo pessoal, o bravo Sobral Pinto. Todos foram embora, ninguém foi encontrado ou preso. Embora não tivessem fugido do Brasil.

“Marighella quer conversar com você, com urgência”

Um dia, antes do AI-5, mas com o endurecimento mais que visível nas ruas, e os prisioneiros sofrendo na carne a tortura impiedosa, tortura que era a base, a idolatria, filosofia e ideologia dos generais, me telefona um grande amigo, que não via ha tempos.

Excelente figura, líder comunista, morreu ha mais ou menos três anos, fui ao enterro. No telefonema não disse o que esta no titulo destas notas, era sabido, discreto e eficiente. 

Textual: “Helio, pode me encontrar ás 2 horas da tarde?”. Nem podia recusar, ele completou: “Então me encontre na Avenida Rio Branco esquina de Assembléia”.

Não disse mais nada, desligou. Nessa avenida, quando abre o sinal para os pedestres, passam uns 300 para um lado ou para o outro. Não olhou para lado algum, o sinal ficou verde, disse, “vamos”, tirou um papel do bolso, e no meio daquela confusão, me entregou sem uma palavra, era a lição maior da clandestinidade.

Li rapidamente fiquei surpreendido. Era um endereço no Cachamby, quase um sub-bairro do Meyer, onde nasci. Perguntou, “decorou?”. Como respondi afirmativamente, terminou: “O Marighella está te esperando às 2 da tarde, não toque a campainha ele sabe quando você chegar”. Esperou eu dar a indicação do lado para onde iria, seguiu logo no sentido contrario, sem um aperto de mão, realmente desnecessário. 

Só vi quando esmigalhou o papel, que já era pequeno, foi jogando pedaços nas lixeiras.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

OS 70 ANOS DA AVENIDA GETÚLIO VARGAS, E A HISTÓRIA COMO ELA É.

23.10.15
HELIO FERNANDES
Reprise

Parte - II

O 10 de novembro do líder Henrique Dosdworth 

Com o Congresso imediatamente fechado e centenas de prisões se sucedendo, (em todos os setores, jornalistas e Supremo) ficou em casa, praticamente sem sair do telefone.

Deputados de vários partidos queria saber o que fazer. Ninguém tinha a menor ideia. Atendendo o telefone assim que tocava, por volta de 10 da noite, tremenda surpresa.

No outro lado da linha estava o senhor Lourival Fontes, Chefe da Casa Civil de Vargas. Foi rápido e definitivo: "Deputado, o presidente Vargas quer conversar com o senhor, amanhã às 9 horas. Ele não gosta de atraso". E desligou.

Tudo passou pela cabeça do professor-deputado. A vaidade e a modéstia. Ele não queria admitir que o presidente fosse chama-lo para prendê-lo pessoalmente. mas para quê esse recado absurdo? Não dormiu, Às 8 horas da manhã chamou um táxi, (não tinha carro) chegou no Catete na hora exata.

Lourival Fontes levou-o até o gabinete do presidente, impressionado com a beleza do palácio.

Lourival deixou-o, disse para ir até o presidente, fechou a porta. Vargas falou: "Não vou mandar o senhor sentar, o que vou lhe dizer é rapidíssimo. Amanhã, no Diário Oficial, sai a sua nomeação para prefeito do Distrito Federal. Espero que o senhor seja tão bom administrador como foi líder da oposição ao meu governo. Bom dia". 

Desespero e perplexidade 

Voltou para casa, chamou os amigos mais íntimos, contou os fatos, perguntou: "O que faço?". Unanimidade: "Você não pode recusar. é uma ditadura, você pode influenciar e interferir democraticamente". Mais tarde Lourival Fontes telefonou, deu todas as coordenadas e indicações para a posse, o local de onde administraria, a liberdade de formar a equipe da maneira que bem entendesse.

Lourival desligou com o seguinte recado: "Não precisa pedir autorização ou audiência com o presidente Vargas, para nada, ele só quer sucesso como prefeito". 

Resumindo 

Eu não conhecia Dodsworth nessa época, nem tinha idade. Mais tarde ficamos amicíssimos, tudo o que está aqui foi contado por ele, fora comentários finais. 

Almoçávamos muito no entro da cidade, um dia pediu: "Hélio, me dê teu endereço, quero mandar um livro, mas não para o jornal. Respondi: "Rua Engenheiro Alfredo Duarte", não pude terminar, disse com grande satisfação, "foi meu Secretario de Obras, do primeiro ao ultimo dia, responsável pelas grandes transformações da cidade".

A primeira notável obra grandiosa e inacreditável a Avenida Brasil. "Apanhou" de todos os jornais, chamado de maluco, por aí. Inaugurada em 1940, 10 anos depois, enorme mas praticamente engarrafada. Mudou todos os trajetos, incluindo quem ia para Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, etc. E a Getúlio Vargas que precisava de grande preparação, ficou pronta e entregue ao público em 1944. 

1945, o fim do governo 

Derrubada a ditadura, não houve cassação ou inelegibilidade. Mas foi feita investigação praticamente sigilosa, para examinar o comportamento dos que ocuparam cargos elevados. Respeitados e reverenciados: Osvaldo Aranha (que ocupara todos os Ministérios) e Henrique Dodsworth.

Osvaldo Aranha já representara o Brasil em Washington, foi feito embaixador na ONU, logo depois presidiria o órgão. Dodsworth foi nomeado embaixador em Portugal, grande relacionamento. Ficou 5 anos, voltou, me disse: "Senti saudades do Pedro II". 

PS- Continuou dando aulas e encantando amigos até o fim. Nunca pensei que os 70 anos de Getúlio Vargas, uma avenida, me fizesse recordar tantas lembranças agradáveis.

Fim.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

OS 70 ANOS DA AVENIDA GETÚLIO VARGAS, E A HISTÓRIA COMO ELA É.

22.10.15
HELIO FERNANDES
Reprise

Parte - I

A Constituinte de 1933 que promulgou a Constituição de 1934, veio direto da revolta do 9 de julho de 1932 em São Paulo. Os paulistas foram massacrados pelas “tropas legalistas” como se chamava na época. Mas o roteiro defendido pelo Brasil inteiro, na pratica, inteiramente diferente da teoria. Com Vargas seria sempre assim. 

O Debate sobre o assunto levou quase 1 ano. Até que finalmente Vargas convocou a constituinte para outubro desse 1933. Era um sonho. Eleição verdadeiramente direta para presidente a primeira vez que as mulheres votariam para presidente, (um trabalho notável da doutora Berta Lutz), pluripartidarismo, incluindo o direito de voto ao Partido Comunista. 

Promulgada a Constituição, seria marcada a eleição presidência dentro de 60 dias. 

Tudo aconteceu como se esperava, até aqui. Vargas havia incluído nessa Constituinte os primeiros “pelegos” da historia da República. 18 trabalhadores, 18 patrões, todos submissos ás ordens do Catete, onde Vargas estava, ditatorialmente desde outubro de 1930. 

Promulgada a Constituição de 1934, a grande reviravolta, a maior decepção da nossa historia: foi apresentada emenda transferindo a eleição direta desse 1934 para 4 anos depois, em 1938. Aprovadíssima a emenda o mandato de Vargas prorrogado até esse 1938. Só que não chegaríamos, nem chegamos lá. 

A constituinte dissolvida, como aconteceu e normalmente, Câmara para um lado, Senado para o outro. E uma oposição vigilante, competente, atuante. Não podiam fazer mais do que se opor. Vargas conspirava, não queria apenas mais um mandato de quatro anos, queria tudo. 

O senado se acomodou, mas na Câmara surgiu um grupo fortíssimo, que combatia e já reconhecido com ditador, Getúlio Vargas. O líder dessa oposição era o professor Henrique Dodsworth. Catedrático de duas matérias no Pedro II, em 1933 eleito para Constituinte com grande votação. 

E depois de “transferida” a eleição direta de 1934 para 1938, foi feito líder. Tudo girava em volta dele, mas a historia brasileira girava também, mas em sentido contrário. Vargas comandava tudo. 

Novembro de 1937, surge o “Estado Novo

Foram 2 anos e meio de luta, esperança e desesperança, Vargas comandava tudo, e preparando o fim da representatividade. Implantando o que está no titulo destas linhas, magistralmente definido pelo Barão de Itararé: “o Estado Novo é o estado a que chegamos”.

Vargas cooptou o deputado Negrão de Lima (logo depois feito embaixador) para conversar com os governadores. Dos 21, 19 aceitaram, só dois recusaram imediatamente. Lima Cavalcanti, governador de Pernambuco viajou imediatamente para a Europa, não passou o cargo para ninguém.

E Flores da Cunha, governador do Rio Grande do Sul, grande amigo de Vargas, que resistiu com as tropas do estado, chamadas de “provisórios”. Lutou o máximo que pode até que se asilou no Uruguai. Estava realizado o “estado novo”. 
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

JÂNIO NÃO FOI CONVIDADO NEM VETADO PARA A FRENTE AMPLA, APENAS IGNORADO. FHC O INVENTOR DO RETROCESSO E DA REELEIÇÃO, CRITICA DILMA.

21.10.15
HELIO FERNANDES
Reprise
Existiram três Jânios Quadros. 1- O eleitoral. 2- O político. 3- O pessoal. O primeiro foi um fenômeno, fez uma carreira inigualável a vereador pelo então PDC, ficou como primeiro suplente. Em 1948 o Partido Comunista teve o registro cassado, seus representantes foram cassados, insatisfeito, Franco Montoro renunciou, Jânio assumiu.
(No então Distrito Federal os vereadores Carlos Lacerda e Adauto Cardoso, que travaram debates diários com os comunistas, como protesto, renunciaram também).
Jânio foi de vereador a Presidente da República em 12 anos, sem derrota, inacreditável. Deputado Estadual, prefeito da capital, governador de 1954 a 1958, ainda ficou 2 anos esperando para ser presidente.
Como político usou e abusou de todos os truques, numa época irreal ele se aproveitou para enganar sem constrangimento o cidadão-contribuinte-eleitor. Fingia, enganava, andava sempre mal vestido e com as roupas cheias de caspa. Era uma espécie de “malabarista de Nossa Senhora”, como no conto famoso de Aníbal Machado, cujo irmão Cristiano foi candidato a presidente em 1950, traído pelo PSD e PTB.
Do ponto de vista pessoal era intratável, desprezava a todos se julgava melhor do que todos. Na campanha presidencial de janeiro a outubro de 1960, renunciou varias vezes nos bastidores, desaparecia súbita e inesperadamente, surgia ou reaparecia da mesma forma.
Deve  a presidência e Carlos Lacerda que o manteve apesar de tudo. O depois governador da Guanabara, líder e “dono” da UDN, garantiu sua candidatura, imaginem, derrotando o próprio presidente do partido, general, governador, interventor, ministro, Embaixador, Juracy Magalhães.
Praticamente tudo que aconteceu depois se deve á leviandade de Janio. E jamais consegui explicação. Podia ter feito um excelente governo, ficar cinco anos e voltar, era mocíssimo.
FINAL
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IMPEACHMENT DE DILMA. HISTÓRIA PARA ‘BOI DORMIR’. LULA-LÁ ESTÁ DE OLHO NO PARLAMENTARISMO. VIROU ARISTOCRATA.
ROBERTO MONTEIRO PINHO
21.10.15
A lei que regula oimpeachmentno Brasil (Lei 1.079) foi sancionada por Eurico Gaspar Dutra, em 1950. Sem dúvida, está completamente ultrapassada, há sérias dúvidas sobre se foi (ou não) recepcionada pela Constituição de 1988.Tão logo surgiram os primeiros pedidos de impeachment a guerra de liminares, que já começou e todas concedidas pelo STF, para reprovar a manobra jurídica promovida por Eduardo Cunha e pela oposição.   
Questiona-se o presidente pode ser responsabilizado por “crimes” ocorridos em mandato já extinto? O pedido deimpeachmentadmite aditamento? Uma mera opinião do Ministério Público sobre “pedaladas”, opinião não analisada pelo TCU nem convalidada pelo Congresso, é suficiente para tirar um partido do governo? As contas de Dilma, de 2014, rejeitadas (corretamente) pelo TCU, mas ainda não apreciadas pelo Congresso Nacional, como manda a Constituição, constituem base jurídica para o impedimento?   

A oposição alega-se incompetência, ingovernabilidade e corrupção da moralidade pública. Os imputados retrucam e dizem que isso é golpe.

O fato é que a lei de 1950 é do tempo em que mandava em tudo e soberanamente o Executivo (com total menosprezo ao povo e ao Poder Jurídico de Controle). Cunhamos a frase: “Todos os males da democracia se podem curar com mais democracia” (Alfred Emanuel Smith, americano, político), ou então: “Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário” (Albert Einstein).

Necessitamos urgentemente de uma nova regulamentação jurídica para encampar esse poder (do povo) de deseleger. O velho modelo do Estado brasileiro, falido (onde convive o patrimonialismo dos governantes com o extrativismo de algumas elites econômicas e financeiras, em prejuízo da maioria da população), é decrépito e está ultrapassado. Oimpeachment(da Dilma, por exemplo) é uma forma de “deseleição” dominada pelo mundo político normalmente corrupto (e que, ademais, é subjugado pelo econômico e financeiro).   

A cassação dos parlamentares (de Eduardo Cunha, por exemplo) cabe ao mundo político (que é comandado pelos financiadores das suas campanhas). Em regra, não passa de uma farsa.

Enquanto discutimos o impeachment, a presidente Dilma Rousseff (PT) fica, por isso protagonizou mais uma gafe em pronunciamento e virou novamente motivo para piada nas redes sociais. Durante entrevista coletiva realizada em Nova Iorque, em evento da Organização das Nações Unidas a petista sugeriu a invenção de uma tecnologia para estocar vento.

O mecanismo eleitoral do país é vergonhoso, o eleitor vota de forma desastrosa, 90% sequer se lembra dos nomes que sufragou na última eleição. Um sistema combalido, falido, e se consistência. Elegemos um poste, indicado por um senhor, que escapou do “mensalão”, fala a língua o povo, mas pratica a do capital. Temos a Lava Jato, e o impeachment em discussão.

Enquanto costuram o impeachment, Lula-Lá descobriu o discurso do parlamentarismo. Quer ser aristocrata.

Chega a ser vergonhoso esse tipo de discurso azedo e de vocabulário medíocre da presidente, certamente atenta contra o país, dando certeza aos demais países sérios que o Brasil está sendo dirigido por pessoa despreparada para a presidência. Nos movimentos sociais de junho de 2013, ouvimos: “Vocês não nos representam”.



terça-feira, 20 de outubro de 2015

JÂNIO NÃO FOI CONVIDADO NEM VETADO PARA A FRENTE AMPLA, APENAS IGNORADO. FHC O INVENTOR DO RETROCESSO E DA REELEIÇÃO, CRITICA DILMA.

20.10.15
HELIO FERNANDES
Reprise

PARTE – II

FHC: hipócrita e mentiroso.
Num artigo que se lê por dever de oficio, só o fato de ser assinado por uma sigla subserviente afasta o leitor: "Do governo do PT ha pouco a esperar mesmo quando tenta se corrigir". FHC que "inventou" a reeleição inconstitucional e paga, completou o retrocesso de 8 anos em 8, e nem assim se recuperou.
Dona Dilma em matéria de tempo e espaço, seguiu a trilha pedregosa da sigla patrocinada pela Fundação Ford. Obteve a reeleição no segundo turno, errou de tal maneira, que ao completar 90 dias da repetição, trocou os 73 por cento a favor pelos 79 contra, somando uma impopularidade de 152 por cento.
Mentiroso, (igual a ela) mistificador, apoiou a ditadura fingido que a combatia, foi o único "cassado", (suposto e presunçoso) que conseguiu ser candidato a suplente com os generais no poder, em 1978.
Iniciando assim, a carreira que infelicitaria o país. Só se consegue essa façanha sendo servo, submisso, subserviente, mentiroso, hipócrita. FHC é mestre nisso tudo. Dona Dilma ainda tem 48 meses, o tempo de FHC já se esgotou.
Não acredito de maneira alguma na recuperação política econômica, administrativa de Dona Dilma. E são vozes do Planalto que confirma o repórter" "A presidentA está satisfeita de ter mantido os 13 por cento de bom e ótimo da pesquisa anterior
Com outras palavras, Dona Dilma glorifica a estagnação negativa, aplaudindo o retrocesso de FHC.
Odebrecht.
A empresa arrolada, encrencada, acusada de forma indefensável na Lava jato, fez a proclamação e praticou a tentativa de explicação da fortuna acumulada. Citou os clientes aos quais serviu e que contribuíram para o enriquecimento.
Clientes poderosos e importantes apresentados na matéria paga: República Dominicana, Portugal, Angola, Venezuela, Peru, Panamá. Não citou nenhuma empresa do Brasil, as que mais contribuíram para a notoriedade (palavra ás vezes desagradável) até da prisão.
Não falaram uma vez só em PROPINA, poderiam ter obtido mais leitores e audiência.
Resposta.
Fernando Powlow, Jânio Quadros não foi convidado nem vetado. Foi apenas ignorado. Em 1965 ele simplesmente não existia mais. Vivia bêbado começava a beber as 9 da manhã, as 9 da noite já estava caído em qualquer lugar. Ou então viajando (principalmente para a Inglaterra) com o dinheiro que acumulara de forma ilegítima. E que dizia sempre, “foi o resultado da venda de um terreno na Vila Maria”. Durou até morrer. O golpe de 64 teve início com a sua união com os generais golpistas em 1961.
 Dizia depois de eleito: “com esse regime é impossível governar”. Não conseguiram o objetivo, se retirou. Mas em Outubro de 1962, com o mesmo regime que detestava e considerava “impossível governar”, tentou refazer a caminhada.
Disputou o governo de São Paulo, foi derrotado por Ademar de Barros. Ainda houve o episódio com FHC que “sentou” na cadeira antes de eleito, Jânio ficou mais algum tempo como prefeito de capital, mas já não tinha mais como enganar ninguém.
AMANHÃ ÚLTIMA PARTE
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