Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 2 de outubro de 2016

Temer se queixa da "herança maldita". Palocci, a corrupção burra.

HELIO FERNANDES

Na próxima semana estará completando 5 meses de governo. Ele tenta se justificar, "nos primeiros tempos era apenas interino ou provisório, a incerteza era total". Tem a extrema capacidade de fugir da verdade, criando uma realidade só para ele. E se aproveitando de tudo,sempre em beneficio pessoal. Sua carreira é o mais completo apogeu do "carreirismo". Isso não é redundância, e sim a vitoria do oportunismo e da maleabilidade ou mistificação.

Não perde uma chance para mostrar as condições precárias em que assumiu o governo. Já disse duas vezes e repetiu no sábado, véspera da eleição municipal, tentativa de "ajudar" candidatos, principalmente em São Paulo. Textual. "Recebi um governo falido, inflação alta, juros lá em cima, desemprego absurdo. Não fui eu que criei nada disso".

Se tivesse disputado nas ruas a eleição presidencial, derrotado os adversários, assumido o Planalto e constatado o caos e a crise, que chama primaria e insensatamente, de “a maior da nossa historia", uma realidade incontestável.

Teria então todo direito e até á obrigação de convocar uma cadeia, desculpe a palavra, de radio e televisão, para comunicar ao povo que o elegeu, a catástrofe que estava assumindo. Legitimo. Irrefutável. Receberia compreensão geral.

Mas sua situação é completamente diferente dessa imaginaria que mostrei. Durante quase 1 ano liderou a conspiração parlamentar contra Dilma, presidente eleita e reeleita. Incompetente, sem duvida alguma. Na parte econômica, política,
administrativa.  Agravada por causa do conflito e da estagnação, provocado com a união do próprio Temer, com seu parceiro e amigo, Eduardo Cunha.

(Corrupto e indefensável, o ex-presidente da Câmara não pode ser contestado, pelo menos no que disse no discurso da noite da cassação: "Se não fosse eu, não teria havido impeachment". Rigorosamente verdadeiro. E Temer não seria presidente, interino, provisório, indireto. Totalmente inconstitucional).

Inflação, juros, desemprego Temer e Dilma, sem diferença

Os que se aproveitaram e se aproveitam da ocupação ocasional e circunstancial
da permanência indébita do poder, deveriam dizer, não dizem por que não acreditam: "Ele não completou nem 5 meses, é preciso esperar". Teriam alguma razão, se proporcionalmente existisse alguma coisa, "plantada e que começaria a frutificar dentro de algum tempo". Não faz nada, quando tenta, se arrepende, recua,
não acredita na base parlamentar, a base não acredita nele.

Ele, o Ministro da Fazenda e o Presidente do Banco Central, fazem afirmações disparatadas. Ha meses o presidente do BC, vaticinou: "No fim deste 2016, a inflação estará no centro da meta, 4,5 por cento". Passou para o "alto" da meta, 6 ou 6,5 por cento. Já transferiu para o fim de 2017.

Assumiram com 11 milhões e 100 mil desempregados. Ante ontem o IBGE publicou
pesquisa. Os sem trabalho atingiram o total "redondo", de 12 milhões. Imediatamente a Golden Sachs divulgou: "Em 2017 o desemprego ainda vai subir mais”. Economistas falam em 13 milhões. Barbaridade. Crueldade. Tragédia.

Enquanto perderam 900 mil empregos em menos de 5 meses, o trêfego Meirelles vai á televisão e garante: "Empresários e consumidores estão recuperando a confiança".

Não é apenas trêfego, mas também irresponsável. E continua insistindo: "Não haverá aumento de impostos, "No momento". Nem ele sabe o que está afirmando. Tudo malabarismo para iludir o cidadão. Essa afirmação tola e tosca, de que "empresários e consumidores, recuperaram a confiança no governo", sem nenhuma credibilidade. Empresários não investem, confiança do consumidor, só com investimento.

E mais um item, importantíssimo, inteiramente desprezado pelos "gênios" recrutados pelo presidente indireto, inócuo, inútil: os juros. Vergonhosos, calamitoso, criminosos.

Estão ha muito tempo em irrecuperáveis 14,25 por cento. É à base de toda a tragédia. Minoria escandalosa, que enriquece sem esforço ou trabalho, empobrece o país inteiro. O juro é o fruto saboroso de uma arvore que nunca foi plantada.

Em suma: não ha suma nesse desgoverno, nem agora, nem depois. Temer se diverte viajando e chegando. Hoje, segunda, vai á Argentina conversar com o presidente Macri. No sábado, comunicou a Rodrigo Maia, rindo, "se prepara para ser presidente da Republica".

Só não falou a duração da ausência. O jornalista Jorge Bastos Moreno, revelou no seu blog e coluna: "Temer gosta de chegar e fazer a transmissão do cargo, no aeroporto, quase sempre de madrugada".

Palocci: a vitória da corrupção sobre a convicção

Sua prisão não provocou a menor surpresa. Seu nome era citado ha muito tempo. Se existe alguma surpresa, é provocada pelo fato de ter trocado, uma carreira política que poderia ter chegado á presidência da Republica, pela ambição burra de possuir uma geografia bancaria, que se localizava em vários países.

Em 2005, no auge do mensalão, José Dirceu, mentor e maior influencia sobre Lula, foi atingido e derrubado. Palocci, todo poderoso Ministro da Fazenda, não resistiu, 1 ano depois era demitido. Por corrupção e covardia contra um humilde caseiro. Saiu quando era o "o homem da vez", na hierarquia de Lula e do PT.

Ressuscitado por Dona Dilma, que pretendia mostrar a Lula e ao partido, "quem manda sou eu", eis Palocci ministro Chefe da Casa Civil. Só duraram 7 meses, não conseguia explicar de onde vinha tanto dinheiro. Saiu mas "sem desonra, ainda não
existia a Lava-Jato". Aí, foi completamente "desvendado".

Preso por 5 dias, a Policia Federal e o Ministério Publico, pediram a transformação
em temporária, sem tempo determinado. Sergio Moro concordou, e aí veio o ataque de imprudência dos advogados. Acusaram a Força Tarefa de arbitrariedade e abuso de Poder, "ele não pode ser preso 48 horas antes da eleição". Tolice, ele já estava preso. Exagero na incompetência, alegar a Lei Eleitoral, nada a ver.

E entrando no mérito da acusação: "Palocci pode explicar tudo, ele está sendo acusado por mera suposição". Acontece que a investigação provou que ele recebeu da Odebrecht, 128 MILHÕES de dinheiro de propina. Determinado o bloqueio, foram encontrados em duas contas e BLOQUEADOS, 60 milhões de reais. Como negar tudo isso? 

Rumores muito fortes em Brasília, que Palocci fará delação premiada. Não acredito. Mesmo porque, ele não poderá contar nada substancial, que já não foi minuciosamente detalhado por Marcelo Odebrecht. Este sim, o verdadeiro
DELATOR. Que restabelecerá a perfeita igualdade entre os "propineiros" dos mais diversos partidos.

Não é o fim da Lava-Jato. Mas pode ser o seu ENCERRAMENTO. Aplaudido. Ovacionado. Glorioso. E com a chamada opinião publica, proclamando: "Vocês, sim nos REPRESENTAM".

Farcs e Presidente da Colômbia são candidatissimos ao Nobel da Paz

O plebiscito para que o povo decida sobre o acordo para o fim de uma guerra civil de 50anos, foi ontem. No momento, em que escrevo, por causa do fuso horário, não sei o resultado. Mas o correspondente Ariel Palácio, que conhece tudo sobre a America Latina, revelou o que coloquei no titulo desta nota. Se acontecer, será o rebaixamento de um dos maiores Prêmios existentes. Mas estamos vivendo uma Era, em que tudo é imaginável.

Alfredo Nobel, o criador do Premio que leva seu nome, fez fortuna colossal, inventando a dinamite. E não apenas isso. A partir de 1880 e por muitos anos, fabricou as armas mais modernas para aquela época. Pode se dizer que foi o criador da "indústria do armamento", hoje tão poderosa quanto à do petróleo. Morreu sem herdeiros, deixou tudo para manter não só o Premio Nobel da Paz, mas todos os outros, disputadíssimos.

Eisenhower, ao passar a presidência dos EUA, depois de exercê-la por 8 anos: "Agora eu sei por que o mundo é dominado pelo complexo industrial militar".

Dos supostos presidenciáveis para o hipotético 2018, só Alckmin não perdeu

PS- Foi uma eleição desestimulada e desesperançada. Com o cidadão desanimado e constrangido. E por causa disso, a abstenção, voto branco e anulado, foi inominável. 144 milhões inscritos que poderia provocar uma renovação maravilhosa, começando pela base, que é o voto municipal.

PS2- Como quase o país inteiro esperava, a verdadeira política, a indispensável e necessária, foi derrotada pela politicagem e a politicalha. E os velhos e deteriorados caciques, insistiram todos eles, concordando: "Essa eleição municipal será o ponto de partida para a campanha presidencial de 2018".

PS3-Mas todos foram ultrapassados, o único que elegeu facilmente seu candidato, foi o governador Alckmin, como digo no titulo desta maneira. Tirou João Doria do ostracismo de quem jamais disputou eleição, levou- ao vencedor com tal vantagem e velocidade, parecendo um Usain Bolt.

PS4- È lancinante olhar para o resultado das 3 maiores capitais. São Paulo, com um cidadão que nega a política, em vez de exaltá-la. No Rio, um "bispo" que repudia o titulo e a própria religião evangélica. E em Minas, um goleiro, disputando com um diretor de clube que sempre participou do esporte negativo. Explorando o prestigio do clube.

PS5-Amanhã faço analise profunda dessa eleição, que deveria mobilizar os 144 milhões de eleitores inscritos. Mas que não compareceram nem 100 milhões. Muita tristeza para um dia apenas.


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