Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Rivotril

FERNANDO CAMARA

A política brasileira segue cada dia mais parecida com as montanhas-russas dos parques da Disney. Começa mais uma semana que pode acontecer de tudo – ou nada. Mas a expectativa já tem esvaziado os estoques de rivotril das farmácias do DF.

Temer age como um enxadrista, mas os cidadãos começam a exigir mais agilidade.

Crise Fiscal, a mãe de todas as crises. É assim que pensam os economistas

É necessário continuar a limpeza no campo da política pelas ferramentas da Justiça para que, assim, a sociedade volte a acreditar no Sistema Democrático, na lei para todos, para que não entre em desespero e para que a economia dê frutos em 2019.

A crise da economia é precedida pela crise moral, pela crise ética, e pela crise de representação política. Existem muitas ideias, muitas propostas de soluções, muitos homens e mulheres bem-intencionados. Líder não há.

É necessário não desanimar e exigir o cumprimento pleno da Lei.

Eduardo Cunha em evidência

A conta ainda não chegou para Eduardo Cunha.

Foi preso após o primeiro turno, como nós havíamos previsto, pois o trâmite do Judiciário necessita de tempo: desmembrar o Processo no STF, definir para onde irá, sair de Brasília, chegar ao destino determinado. Então o juiz toma ciência e determina os próximos passos e, teoricamente, evita o sensacionalismo da mídia. O ex-deputado ainda não foi julgado, a situação está no primeiro tempo da Justiça.

Cunha pode colaborar e passar o Brasil a limpo

José Dirceu, que foi abandonado pelo PT, talvez por motivo ideológico não revelado, não colaborou para esclarecer os crimes contra o patrimônio público nem esclareceu como foi estruturada a máquina de comando do Estado. Cunha, por questão de isonomia de tratamento, ou para proteger membros de sua família, pode colaborar e ajudar a Justiça a esclarecer muitos outros crimes, e também esclarecer quem são os responsáveis pelas ordens para a pilhagem da Nação.

Sem Dinheiro, sem Política

Cunha foi um presidente poderoso, é um político forte. Resta saber se continuará forte sem dinheiro. Brizola, Ulysses, Prestes não precisavam de dinheiro para fazer política.

Exerceu o poder e foi operador político e financeiro do PMDB. Teve tanto poder político que, quando gritou contra o governo Dilma, contribuiu decisivamente para o seu impeachment. Tem muitas informações, sabe em detalhes como foram construídas cada Medida Provisória – são milhares - no Governos Lula, Dilma e Temer, sabe quais empresários “colaboraram” com as reformas. Certamente terá muito a contribuir.

É da natureza dele se comportar como quem irá resolver tudo por conta própria, mas tem a frieza necessária para avaliar o resultado menos danoso para si e para a sua família.

O Substituto

Rogério Rosso deseja, não será. O mais aglutinador é o deputado André Moura.

Cunha não terá substituto na Câmara. As ambições são mais comedidas e a competência para administrar as situações políticas dos que se propõem são bem menores.

Reforma Política tem que ser discutida com a Sociedade

Para o presidente do Senado, Renan Calheiros, é fundamental o fim da reeleição, o fim da coligação proporcional, que inclua novas definições para o abuso de autoridade, em especial para o Judiciário e que se amplie os mecanismos de combate à corrupção.

o senador Jucá é o relator e prevê dois anos para a conclusão. E está na gaveta de alguém a emenda que garante a Anistia ao Caixa 2 das campanhas eleitorais de 2010 e 2014.

Quem financiará as campanhas?

Essa discussão tem de ser posta à mesa e exaustivamente debatida com a sociedade. Particularmente eu penso ser uma falta de vergonha deixar para o erário público bancar a existência dos partidos, como é feito atualmente. Penso que cada partido é que deve arranjar a forma de se financiar, deixando bem claro a origem dos recursos. E pensar que tem gente defendendo aumento – significativo – para o fundo partidário!

Ministro Herman Benjamim: um fator surpresa

Os políticos, a mídia e os advogados até aqui não têm dado muita importância à ação que tem como relator o Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, ministro Herman Benjamin. Ele determinou que uma força tarefa seja criada para avaliar o material relacionado à quebra de sigilo bancário de três gráficas que prestaram serviços a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições presidenciais de 2014. E ainda ouviu depoimentos dos condenados Paulo Roberto Costa, Sérgio Machado e Nestor Cerveró.

Michel esta dormindo

As contas de campanha da chapa Dilma-Temer vêm se complicando. Herman Benjamim é uma peça fora de controle no ambiente político, mas apenas em 2017 saberemos se esta árvore dará frutos.

Cuidar da sobrevivência é uma atividade que em breve veremos os políticos exercitarem.

A delação premiada dos executivos da Odebrecht está sendo articulada e preparada para que cerca de 60 executivos relatem as “Operações Estruturadas”, isto é, as vantagens fornecidas às autoridades, no Brasil, no Peru, na Inglaterra, nos EUA e na Suíça.

Aguardo os necessários esclarecimentos sobre a contratação da Odebrecht, às vésperas da eleição de 2010, por 860 milhões de dólares, em que o Sr. João Augusto Rezende Henriques declarou à Revista Época que a empresa recebeu, nada trabalhou e que ele próprio distribuiu os valores.

Petrobras Argentina - Aldemir Bendine vai para o banco dos réus

Atenção, porque ainda está longe de se esclarecer a venda da PESA – Petrobras Argentina, ocorrida na última semana do Governo Dilma, para a Pampa Energia, que adquiriu a operação da Petrobras na Argentina por US$ 897 milhões em 4 de maio.

A juíza Maria Amélia de Carvalho, da 23ª Vara de Justiça Federal do Rio de Janeiro, acatou ação popular que questiona a venda dos ativos da Petrobras na Argentina à Pampa Energia, feita por Aldemir Bendine. Segundo a ação, a venda da Petrobras Argentina para a Pampa provocou um prejuízo imediato de US$1 bilhão (R$ 3,2 bilhões) à estatal brasileira.

Segundo Turno

Crivella vencerá a corrida pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, e começará fraco e desgastado pela quantidade de denúncias de inabilidades políticas e de malfeitos que lhe são atribuídos no horário eleitoral, na revista Veja e no jornal O Globo. O desgaste do futuro prefeito aumenta mais na medida em que a bancada de vereadores e setores do PMDB do Rio, e aliados políticos contaminados, se aproximam do candidato.

João Leite e Kallil

O PSDB vai se distanciando da vitória, e não entende o cenário de mudança.

Polícia Federal x Polícia Legislativa do Senado

Acusada de atrapalhar as atividades da Polícia Federal na caçada aos senadores Lobão, Lobão Filho, Collor e Gleisi, a Polícia Legislativa do Senado trouxe constrangimento ao setor policial do País. Varredura qualquer um faz, proteção a suspeitos não é atribuição de polícia.

PEC 241

O relator no Senado será do PMDB. O Governo manterá suas fileiras em defesa da PEC, a medida Constitucional que limita a irresponsabilidade de gastos dos Governos.

Mudanças no pré-sal

Hoje, segunda-feira, os deputados podem votar o projeto que altera o marco regulatório do pré-sal - regime de partilha da produção. O texto-base foi aprovado no início do mês por 292 votos a 101, restando a apreciação de destaques e emendas.


O projeto faculta à Petrobras o direito de preferência para atuar como operadora e possuir participação mínima de 30% nos consórcios formados para exploração de blocos licitados.

Como o texto teve origem no Senado, se aprovado sem mudanças, como desejam as lideranças governistas, será encaminhado à sanção presidencial.

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