Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O futuro de Renan, como Primeiro Ministro

HELIO FERNANDES

No limiar de perder a presidência do Senado, sai atirando. Não para matar ou morrer, e sim para sobreviver. Intocável desde 2007, completa 9 anos de impunidade, com 9 citações no Supremo. Com apenas um dos processos liberados pelo ministro Fachini (corrupção). E outro, (o das gravações de Sergio Machado) despachado pelo Ministro Zavascki, para investigações complementares. Que nem seriam necessárias, está tudo provado, com som e palavras.

Não é de agora, que Renan tenta se defender e se afirmar. Nas gravações do amigo da Transpetro, que lhe garantiu 100 milhões de retorno, foi o primeiro a falar na mudança: "Temos que colocar o Temer ", o resto está na confissão. Que é totalmente detalhada. E complementada pelo próprio autor das gravações. Que são tão autenticas e autenticadas, que garantiram a liberdade e a impunidade para ele e para os filhos.

O objetivo foi obtido, "Temer foi para o lugar", mas ele, Renan, não teve grande proveito. Se mostrou inteiro contra a Lava-Jato, mas não acrescentou ao seu poder, nenhuma parcela a mais. Tanto isso é verdade não desmentida, que teve que descuidar da cautela, e se jogar abertamente nos trilhos por onde passa a Lava-jato.

Apresentou o projeto que denominou como sendo contra o "abuso de autoridade",uma audaciosa forma de se manifestar contra os que investigam, denunciam e condenam, não apenas os empreiteiros. Mas também as centenas de políticos como ele, que se subvertem e se submetem a tudo, em troca de propinas colossais, e cargos ainda mais poderosos. E desejados.

Esperava que o projeto fosse aplaudido de pé. E o projeto aprovado por unanimidade. Foi atropelado pelo trem da lava-jato. E repudiado por deputados e senadores, cujo apoio contava como certíssimo. A primeira surpresa, importante, foi a do parceiro e intimissimo, Romero Jucá. 

Mandou o projeto para a Comissão presidida por Jucá. Ficou assombrado com a resposta publica do senador, que não teve nem a gentileza de falar com ele antes. Textual do senador: "A Lava- Jato está prestando grandes serviços. Esse projeto deve ser submetido a intensos debates. Talvez a hora de apresentá-lo, seja quando a operação terminar seus trabalhos".

Na questão, o presidente do PMDB não pode nem ser contestado. Ministro todo poderoso do governo ainda provisório, foi demitido logo depois da posse. Com sua reação, corroborada por dezenas de deputados e senadores, sentiu que estava derrotado. Mas não assimilou a derrota. Mudou de estratégia.

O Parlamentarismo, e o "abuso da autoridade", incluídos na reforma política

Como crescia e cresce ainda mais, o anseio por uma forma nova de política, encampou imediatamente o sentimento coletivo. Só que introduziu nos itens da reforma, seu projeto repudiado por todos. Entre duas exigências obrigatórias, o fim das coligações e a eliminação da reeleição, colocou o seu monstrengo. Mas não terminou por aí, não sei se para tripudiar ou se aproveitar.

Surpreendendo a todos, a reforma política ansiada pela comunidade, recebeu um novo item; o Parlamentarismo. Já repudiado duas vezes pela coletividade (1963-1993) reaparece de forma inaceitável. Não mais como referendo, e sim como "salvação do país", Como ele mesmo rotulou. Esse Parlamentarismo á moda de Renan, nem transitará no congresso. Mas o ainda presidente do senado, garante: "Falta muito tempo, eu sou o nome ideal para Primeiro Ministro". 

Enquanto isso, envolvido no escândalo das "varreduras", se mete em novas e varias encrencas. Com a Associação dos juízes, com a Polícia Federal, atira no coração do ministro da Justiça, pediu sua demissão.

Não atendido pelo presidente indireto, teve discussão violenta com ele. Isso não é o importante, estarão reconciliados, depois de amanhã. O grande atingido é o país, que alem de tudo, tem que aceitar protagonistas desse quilate.

Parabéns ao Ministro Zavascki

Desde os tempos do jornal impresso, e depois aqui mesmo, sempre estranhei que o Supremo convivesse com o que se chama de foro privilegiado. Uma extravagância, e mais grave ainda: uma afronta á Constituição. Praticada e aceita pelo Supremo, cuja principal função é a de ser o "guardião da Constituição".

Nas mais diversas Constituições, e temos tantas, está determinado apenas num artigo simples e sem necessidade de interpretação: "Todos são IGUAIS perante a Lei". Mas com a complacência do próprio Supremo, l5 ou 20 mil cidadãos, podem desrespeitar a Constituição, e continuarem gozando da impunidade. E esse privilégio não é encontrado em nenhum país civilizado. 



Espero que depois da manifestação do Ministro Zavascki, a IGUALDADE entre todos, seja restabelecida. Colocada na pauta, acredito que seria aprovada por unanimidade, quer dizer, 11 a 0.

O otimismo vazio de Meirelles e Parente

Isso é tão prejudicial e inconseqüente, quanto o pessimismo crônico. Esse governo indireto, que chegou ao poder sem autenticidade e com a validade vencida antecipadamente, influencia os Ministros que não têm muita segurança. Então tentam se manter com afirmações que não resistem a qualquer analise. Não quero me alongar, ficarei nos dois mais afirmativos.

Pedro Parente, Presidente da Petrobras: "Dentro de 5 anos, a Petrobras será uma das 6 empresas mais importantes do mundo". 5 anos é um curto prazo para uma 
recuperação tão exuberante. E as provas ?

O presidente da empresa dá a impressão de que pretende recuperar os erros e equívocos que vem praticando. Deu aval completo á saída da Petrobras da exploração do pré sal. E vem se desfazendo de ativos valiosos. A  hora não é de VENDER, ele mesmo, eufórico, aponta para o sucesso.

E comprometeu a própria credibilidade, no anuncio da "modificação" do preço dos combustíveis. Falou em "redução" do preço, quando na verdade, o que aconteceu foi aumento. O cidadão foi enganado. Mas o "mercado" acertou por "coincidência". Mesmo com a redução do preço, as ações da Petrobras subiram durante três dias seguidos. Depois, voltaram á realidade.

O Ministro da Fazenda foi mais contido, mas igualmente irreal. Afirmação: “Dentro de 10 anos, o Brasil estará completamente recuperado". Nem ele acredita, pois se mostra entusiasmado com a PEC dos gastos, que "congela" o país por 20 anos. PEC cujo segundo turno foi manipulado ontem.

Meirelles tem uma justificativa para a euforia. Admite ou espera ser o sucessor de Temer. Assim, esses 10 anos da sua fala, podem ser decodificados da seguinte forma. 2 anos de Temer e 8 dele. Naturalmente incluída a reeleição.

PS- Ás 8 horas da noite de ontem, teve inicio o velório de Carlos Alberto Torres, o famoso "capita". Uma das lendas do futebol brasileiro, foi embora inesperadamente,
 46 anos depois do inesquecível tricampeonato de 1970.

PS2- Nesses 46 anos que terminaram ontem, só fez consolidar a sua condição de lenda e legenda. Quem era quem no futebol brasileiro, estava lá. Constatado de forma impressionante. Havia tristeza, lógico. Mas o sentimento dominante, era de saudade antecipada.


PS3- Lamento geral: o velório de um personagem da grandeza do "capita", não poderia ocorrer na sede da CBF. Essa localização, permitiu que um homem como o suposto presidente Del Nero, circulasse entre gente honesta. Que não pode sair do Brasil, com medo de ser preso. O que seria justíssimo.

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