Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Colômbia: o povo, retumbante, implantou a voz das ruas

HELIO FERNANDES

Ninguém acertou no resultado do plebiscito, incluindo este repórter. Identificado por todos, como "o maior acordo de paz já acontecido na America Latina", foi rejeitado nas ruas e nas urnas. Depois de 2 anos de conversas e negociações (sempre em Cuba, exigência de neutralidade), o plebiscito, fundamental como ratificação, provocou surpresa no mundo inteiro. E duvida, incerteza, perplexidade, na própria Colômbia.

A BBC, que transmitiu a solenidade da assinatura e a grande festa da aparente reconciliação, ininterruptamente, por mais de 5 horas, deixou a impressão: o referendo será o inicio de um novo tempo. Não foi. Ainda poderá ser? Os maiores jornais de todos os países exaltaram o fim de uma guerra civil que durou mais de 50 anos. Este repórter analisou e concluiu pela aprovação, apenas ressalvando que a maioria não seria esmagadora. Mas jamais imaginei a vitoria do NÃO.

Sem que isto seja ressalva ou ratificação, considerei que "seriam necessários alguns anos, pelo menos 5, para que os obstáculos fossem superados". Agora, ninguém sabe o que fazer, o que vai acontecer, como recuperar o que parecia uma conquista. E se não foi uma derrota definitiva ,pelo menos é decepção, insatisfação, indecisão. Ocasional, mas é impossível deixar de reconhecer, que as conversações têm que ser retomadas, com outro espírito, visão diferente, e um modelo inteiramente novo.

È preciso saber quem escreverá ou reescreverá o novo roteiro. Logo depois da publicação do resultado, o líder reconhecido do NÃO, se credenciou, afirmando: "Somos a favor da paz, mas em outras condições". Esse é o grande desafio. Retomar as conversações, tendo que enfrentar problemas, que aparentemente dividem o país.

Alem de todas as concessões que precisam ser feitas, surgiu uma constatação que parecia não existir: a repulsa aos "guerrilheiros". Alem dos números de mortos, desaparecidos, torturados, é preciso levar em consideração: 8 milhões que foram obrigados a trocar a vida antiga, por uma outra totalmente inconseqüente, inesperada, sem direito a resistência.

A maioria quer punição, considera que esses ditos guerrilheiros, "são bandidos, que enriqueceram com o aumento indiscriminado do trafico de drogas". Duvidam do anunciado julgamento militar para os que criaram e mantiveram essa selvageria, durante 50 anos.

Fatos que têm que ser ressaltados. 24 horas antes do referendo, duas pesquisas davam ao SIM entre 62 e 65 por cento dos votos. A abstenção de 60 por cento, tem que ser dissecada com isenção e reflexão. E concluir: se a abstenção ficasse nos habituais 20 por cento, os outros 40 por cento favoreceriam o SIM ou o NÂO? Pelo que se vê, dariam vitoria total para o NÃO.

Diante de uma realidade ou reviravolta que ainda não surgiu, um medo generalizado e já reconhecido: se os guerrilheiros (ou uma parte), decidirem voltar para a selva? Se isso acontecer, podem se juntar ao outro grupo menor, mas muito bem organizado e que sobrevive com extorsão?

Se isso ocorrer, a Colômbia terá que enfrentar a situação definida exclusivamente por uma palavra: CATÁSTROFE. Mais terrível do que antes.

A eleição municipal, que não foi federalizada

Bem que tentaram. Os chamados caciques,cujo interesse político eleitoral, tem como alvo e objetivo a campanha presidencial de 2018,apoiaram prefeitaveis, para se fortalecerem.Todos foram derrotados, principalmente em são Paulo e Rio, os dois municípios mais importantes.Temer,Aécio,Serra,Marina,até FHC que não é candidato, lógico, mas quer aparecer.

(Não citei Alckmin e Lula, dedicarei aos dois a seguir, um capitulo especial. No caso do governador de são Paulo, supostamente positivo. No do ex-presidente, irrefutavelmente negativo).

Temer e o PMDB naufragaram por terem embarcado numa nau furada, a de Marta Suplicy. Me fartei de informar que ela não tinha a menor chance,por conta dela mesma, do passado e do presente.Prefeita em 2000,em 2004 foi derrotada no cargo.Insistiu em 2008,voltou a perder,esperou 8 anos por outra decepção anunciada.E ainda por cima falou de mais.Se tivesse ficado em silencio, talvez escapasse da ultima colocação.

Textual e irrevogável: "Nunca deixei entrever que era de esquerda”. Ficou 33 anos no PT, que o próprio Lula garantiu: "Fundei o maior partido de esquerda da America Latina”. Se não era de esquerda,por que apenas 33 anos depois entrou no PMDB?  E disputou com apoio do PSDB, e de Andreia Matarazzo, mais do que adversário, inimigo declarado.

Para completar o quadro altamente medíocre, basta lembrar de Russomano segunda vez, começa disparado na frente. E recua voluptuosamente. Só não chegou em ultimo, o lugar era "cativo'' de Dona Marta. E finalmente o candidato mais bem municiado, o prefeito Haddad. Derrotado pela rejeição e a queda terrível do PT. Fez esforço inútil, chegou em segundo. Mas pela primeira vez, não haverá segundo turno, João Doria, perdão, Alckmin, ganhou direto.

Curioso: Datafolha e Ibope fizeram exaustivas pesquisas. Nem chegaram perto da vitoria no primeiro turno.Nas simulações para o  segundo turno, com todos os candidatos,Doria seria o vitorioso.Repetindo:no segundo turno. Mas ele ganhou no primeiro, insuspeitado para os pesquisadores. Para terminar São Paulo,números  anti democráticos:41 por cento de abstenção, brancos e nulos.
A eleição manteve o quadro atual, medíocre e irreal

Todos os órgãos de comunicação, sem exceção, declararam: "A eleição de ontem, mudou completamente o quadro eleitoral do país”. Já vimos São Paulo, analisemos o Rio, o segundo mais importante.Apesar da repercussão, nenhum nome do primeiro time,disputando ou patrocinando candidato.Daí o resultado questionadissimo, e a dificuldade, quase impossibilidade, projetar o segundo turno.Ou admitir que exista  ou surja alguém para 2018.

Crivela, tinha a "fama" de ser o Russomano do Rio. Novamente disparou no inicio, e começou a retroceder. Mas como não aparecia ninguém para superá-lo, terminou em primeiro.Terá um segundo turno complicado, da mesma forma que Freixo.Este fez esforço grande para ir ao segundo turno.Vai.Mas com que aliados?A dificuldade: tirando Jandira Feghali, que já declarou apoio a ele, todos os outros são de direita ou centro direita. Como apoiar um candidato nitidamente de esquerda?

O que pode favorecer o Freixo, é que Crivela não é de esquerda, centro ou direita. Também não tem credibilidade, situação forjada por ele mesmo.Nega que seja "bispo", e declarou publicamente,"preciso me livrar da ligação com a Igreja Universal". Também não tem carisma, coisa bastante comum em quem fica "sempre em cima do muro", como é o seu habito.

Por enquanto, Freixo já declarou taxativamente: "Não admito de maneira alguma o apoio do PMDB”. Talvez Índio da Costa possa apoiar Freixo, na impossibilidade de aparecer publicamente com Crivela.

O candidato do prefeito, Pedro Paulo, alem de toda a rejeição do primeiro turno, tem outra, surpreendente, no segundo turno: encontrar quem queira o seu apoio. A abstenção, brancos e nulos, bateu em 39 por cento, quase igual á de São Paulo. Não houve a menor diferença entre a política existente no sábado, e a que surgiu a partir do fim  do domingo.

Paes, vitima de si mesmo

Foi o grande derrotado, menos como prefeito e mais como personagem. È impossível negar que fez boa administração, aproveitou a Olimpíada para fazer grandes obras. Apesar da escandalosa "proteção"ás construtoras, que construíram pelo menos 31 edifícios de 18 andares, em áreas com gabarito de 12.E já se fala abertamente, que as próximas construções. Terão esse novo gabarito. Lucros fantásticos e fabulosos.

Eduardo Paes, foi sacrificado por não ter ficado em silencio. Era sem duvida alguma, o único nome de realce, citado até para presidente em 2018.Devaneio de Eduardo Cunha, assim que se elegeu Presidente da Câmara.Como o segundo ponto do "seu roteiro presidenciável" era conquistar o governo do Estado do Rio,e não queria enfrentá-lo,lançou o prefeito como presidenciável do PMDB.Paes aceitou  logo,inacreditável.

Quando "acordou" para a realidade, começou a falar desabridamente. Não percebeu que homenageava o cadáver político dele mesmo.Ainda insepulto, o que acontecerá quando tentar ser candidato a governador em 2018.No Rio, o único que poderia chegar a cargos de primeiro time.

O PSDB, se julga vitorioso, mas só ganha de Michel Temer

Perdeu em São Paulo e no Rio. E em Minas, o goleiro João Leite, é mais Atlético do que PSDB. Faltam os importantes resultados de 18 capitais. Mas não disputa em Recife, Fortaleza, Curitiba. Alem das 3 que citei.Acredita que terá mais força para pressionar o presidente indireto e impopular.


Tem conversado sobre isso com FHC, hoje parceiro inconsolável, por causa da idade. O próprio FHC declarou ha tempos:"Se eu tivesse menos 10 anos, não sobraria para ninguém".Acontece que a carteira  de identidade é inviolável.Aécio considera que agora está mais garantida a exigência que fez:"O PSDB quer a presidência da Câmara em 2017, para o líder do partido, Antonio Imbassahy".Como revelei semana passada.

Um comentário:

  1. Cri7vellas da Lavanderia Universal pode acabar ganhando mesmo do Fresco.

    Quanto à guerra colombiana, semelhante à nossa, ideologia-religião só de narcotráfico-corrupção, submissão.

    Além da abstenção, a disputa eleitoral em muitos municípios também é disputa de mafiosos, típica de milicianos, ou pela boquinha de recursos pùblicos de fumo (enquanto o cidadão-contribuinte-eleitor toma fumo).

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