Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 9 de outubro de 2016

No Supremo, vários partidos "fatiados" e assustados

HELIO FERNANDES

Ha muito tempo o Supremo não avançava tanto. No caminho do combate á corrupção. Diversificando, ampliando e atingindo, em alta velocidade, partidos e personagens mais do que suspeitos, altamente comprometidos. Se julgavam inatingíveis, ficaram praticamente esquecidos, apesar de repudiados pela comunidade. Mas agora foram lembrados, os processos nos quais estão incluídos e enquadrados, sairão do arquivo, ganharão a luz do sol.

Na semana passada, o Ministro Facchin liberou para o plenário, um processo sobre Renan Calheiros. Ficam faltando 8, que estarrecedoramente foram abertos a partir de 2007. Ele é o mais antigo financiado e patrocinado por empreiteiras. Nessa época era também presidente do Senado. Teve um filho por acaso, sem residência fixa, a Mendes Junior, generosa, custeou e custeia até hoje, todas as despesas.

A empreiteira registra a prioridade. As outras que assaltaram as estatais e principalmente a Petrobras vieram depois. Embora as propinas tivessem começado cronologicamente, em 1997 e 1998.

Apesar do alto patrocínio, Renan não se livrou das complicações. Dominava o Senado, levou um tempo enorme para o "acordo”: renunciava á presidência, mas não perdia o mandato. Não tendo sido cassado, voltou e ei-lo novamente presidente do Senado, no apogeu. 

Escolhe Ministros, e agora, em plena era da mensagem tecnológica, escreve uma carta ao presidente indireto. Volta aos tempos da "Republica velha", quando o meio de comunicação com o presidente da Republica, era unicamente esse.

Mas apesar das aparências e do exibicionismo supostamente grandiloqüente, caminha para a derrocada. Só que desta vez em companhia de mais de 150 deputados e senadores, indiciados e até denunciados por corrupção. No Supremo, estarrecedoramente inatingíveis. E ainda têm foro privilegiado. O que não vai salva-los, nem continuarão imunes, impunes, intocáveis, inatingíveis.

O Ministro Zavascki, atendeu pedido do Procurador Janot, e "fatiou" os processos que estão com ele. Dessa forma serão investigados mais rapidamente. Foram divididos em 4 grupos, cada um terá devassa separada. Ficou assim. 1-PP. 2-PSDB. 3-PMDB da Câmara. 4-PMBD do Senado. Muitos até hoje poderosos, estão em um dos grupos. Incluindo Temer, Renan, Aécio, imaginem os que foram lembrados, e já freqüentando as manchetes. Tentarão os mais extraordinários roteiros criminosos, não escaparão.

Não se surpreendam com a inclusão do nome do presidente indireto. Ou com a divisão entre PMDB da Câmara e PMDB do Senado. Ele sabe de tudo. Já contei aqui com exclusividade. Quando era vice e presidente do PMDB, foi chamado com urgência,para conciliar uma divergência entre deputados e senadores. 

A poderosa JBS (agora teve que depositar 1 BILHÃO e 500 MILHÕES para "compensar" duvidas e dividas do rombo de 8 BILHÕES que surrupiou dos 4 maiores Fundos do país) doara 50 milhões ao PMDB.

Não havia endereço certo. Temer, foi lá, acertou: 25 milhões para deputados. 25 milhões para senadores. Ficou tudo em paz, e ele com cacife para passar de "vice decorativo", a presidente provisório. E agora indireto. O fato do PMDB ser 
devassado em 2 grupos, é que o partido é grande e nunca foi contemplativo.

Doam a Petrobras e ainda tripudiam com o fato

Já escrevi sobre o que fizeram com a empresa. Mas como ninguém se manifesta ou defende a empresa, tenho que tentar insistir em "combater o bom combate", como pregava, ensinava e praticava o Apostolo Paulo. As multinacionais que rondavam o patrimônio e a riqueza do pré sal, saíram do subterrâneo da pretensão e da doação, já vieram a publico.

E exibindo a arrogância dos vencedores, nada surpreendente, a primeira afirmação: "Não iremos depender da direção da Petrobras, trabalharemos com métodos diferentes". Não receberam ou assinaram contrato de exploração. Receberam doação da maior conquista da empresa em toda a sua existência, trabalharão para que essa "doação, proporcione os maiores lucros".

O Deus do capitalismo é o lucro, eles são capitalistas, e precisam cada vez de mais lucros. Os que facilitaram a vida dessas multinacionais, são traidores, mistificadores, usurpadores da riqueza nacional e popular. 

Determinaram a entrega do nosso patrimônio petrolífero, alegavam, "estamos livrando a empresa da obrigação de ter que explorar todos os campos do pré sal". È preciso muita audácia para uma afirmação como essa.

Mas não ficaram por aí, acrescentaram: “A Petrobras, pode escolher os campos que mais lhe interessa, até o total de 30 por cento".

Ora, como ela é dona de tudo, pode escolher o momento conveniente para explorar 30, 50 ou 100 por cento dos campos. Alem do mais, as multinacionais, já disseram que não trabalharão com a própria Petrobras. Mistificação completa.

Noticia EXCLUSIVA sobre a Petrobras

O presidente Pedro Parente, decidiu: "Vamos construir plataformas no exterior. No Brasil, essa construção sempre é terminada com atraso". Dá a impressão de que isso só acontece ou aconteceria no Brasil. Alem do mais, as plataformas do exterior, sabidamente são bem mais caras. E ha o aumento custoso do transporte.
Nada é surpreendente, se lembrarmos que o agora presidente da Petrobras, foi chefe da casa civil de FHC. 

E que quando foi convidado pelo então presidente provisório, agora indireto, pediu: "Sou presidente do Conselho de Administração da Bovespa, queria continuar". Espantosamente Temer concordou. Perguntinha inócua e inútil: a que horas trabalha na Bovespa, já que o comando da Petro exige tempo integral. A opção é receber na Bovespa sem trabalhar, impensável.

O Nobel da Paz, para o presidente da Colômbia

Quando houve a assinatura do acordo com as Farcs, transcrevi uma nota do correspondente Ariel Palácio. Ele conhece tudo sobre o que acontece nos países da America Latina. E divulgava que se falava, que o presidente da Colômbia e o líder das Farcs, (conhecido como Timoshenco, que foi um famoso general soviético na Segunda Guerra Mundial) receberiam o Premio Nobel da Paz. Imediatamente comentei que isso seria absurdo completo.

Afastado o chefe da guerrilha assassina, extorsiva, explorando o seqüestro em troca de pagamento, e se transformando na maior força traficante do país, as coisas ficaram mais claras e aceitáveis. E assim, o Nobel da Paz apenas para Juan Manuel Santos, merece todos os aplausos.

Alem do mais, o presidente da Colômbia, tem uma vida dedicada á paz. E não é de hoje ou de ontem. É de sempre. Tão preocupado ha mais de 10 anos com o problema, que foi morar a Irlanda, para estudar a luta do Ira pela libertação. Isso antes de ser presidente. Depois, eleito e reeleito, merece o respeito do povo da Colômbia, ao qual serve com dedicação.

Temer: constitucionalista inconstitucional.
A primeira dama apareceu ontem num jantar no alvorada.

A PEC do "teto dos gastos", tem muitas inconveniências. Se fosse cortar pura e simplesmente, diminuir as despesas naturalmente supérfluas, ninguém discordaria. O senhor Henrique Meirelles fez um comentário, comum em amadores mas não num Ministro da Fazenda, e ainda mais, arrogante: comparar as dificuldades de um país, 
com as de uma família. Tem as aparências, mas são realidades diferentes.

De qualquer maneira, não poderia "congelar" toda a economia. Como se intitula de constitucionalista, devia pelo menos se lembrar do que está escrito: "Os Três Poderes são autônomos e independentes entre si". Inclusive no orçamento. O indireto enfrenta problemas de toda ordem. Do Supremo e do presidente da Câmara.

A melhor receita para limitar gastos, é não gastar, principalmente para se projetar, e "maldizer", o que gosta de intitular de herança maldita. Não tem planos, projetos, compromissos. Nem mesmo o que na "Republica Velha" se chamava de "plataforma de governo", lido por indiretos sem votos, como ele. A sorte da PEC, está lançada.

Tem que enfrentar a decisão do Supremo, a pedido do Procurador Geral. Pode ser contra ou a favor, e até mesmo depois da votação no Congresso. Outro empecilho ou obstáculo veio da palavra de Rodrigo Maia, que não está sendo tão complacente quanto Temer esperava.

Na sexta feira afirmou: "Votação do teto dos gastos, tem que acontecer na segunda feira (Hoje). Se não votarem, não coloco novamente na pauta". Distraído, temer garantiu: "Acho que temos numero para aprovar a PEC dos gastos".

 Para reforçar sua convicção, abusou da gastança: ontem recebeu entre 300 e 400 parlamentares, no Alvorada. Inédito para um presidente, e mais inédito, que utilize simultaneamente três palácios.

Alem de cabalar votos, apresentava oficialmente ao mundo político, a mulher Marcela, assumindo a posição, desnecessária e ultrapassada, de primeira dama. Essa presença, provocou a ida ao jantar de um numero impressionante de outras primeiras damas parlamentares.                                 





Nenhum comentário:

Postar um comentário