Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 30 de outubro de 2016

Nenhum réu pode pretender a presidência da Republica

HELIO FERNANDES

A reunião dos presidentes dos Três Poderes, foi inócua. E só aconteceu por causa da nobreza de Carmen Lucia. E do medo de Michel Temer em relação á votação, no Senado, da PEC dos gastos, também conhecida como PEC do desgaste. E Renan nisso tudo? Foi ele que começou a divergência, com o que chamei de provincianismo primário e sem grandeza 

Duas horas vazias, ninguém querendo usar a palavra. Durante a sessão, um momento de ridículo e subserviência. O medíocre Ministro da Justiça deu a volta na mesa, e foi apertar a mão de Renan. Para agradecer o fato de ter sido chamado de "chefete de policia", identificação rigorosamente verdadeira.

Carmen Lucia, em silencio praticamente o tempo inteiro. Também sem palavras,recusou o almoço, deixou o recado, que nem precisa de analise:" Compareci por dever de oficio. mas nosso encontro termina aqui. Para almoço descontraído, tenho melhores companhias". E foi embora.

Mais tarde, tentando reconquistar o protagonismo, o presidente do Senado, ainda, fez elogios abertos á presidente do Supremo. Não foi ouvido nem notado. Está sempre voltado para ele mesmo.

Depois de amanhã reafirmação da linha sucessória

Na pauta da sessão do Supremo, recomposição da linha da sucessão 
presidencial. Como conseqüência da conspiração parlamentar, o vice subiu para presidente da Republica. E o Presidente da Câmara substitui o presidente, em viagens. Digamos que haja um atraso numa volta, ou outro impedimento, assume o Presidente do Senado. Já aconteceu, mas nenhum se chamava Renan Calheiros. Nem tinha o seu passado e presente.

Não existe uma possibilidade em 1 milhão, de chegar à vez de Renan como substituto. Faltam menos de 90 dias para entregar o cargo para Eunício Oliveira. Mas cabe ao Supremo refazer a hierarquia do Poder. Não só por obrigação constitucional, mas também para manter a credibilidade de uma possível sucessão. E confirmar o princípio de que REU não pode chegar a Presidente da Republica.

Renan Calheiros se movimenta de todas as maneiras, para que o Supremo não decida a questão na quarta feira. Tenta deixar a decisão para depois do recesso de Natal e Ano Novo.Quando voltar, já haverá a eleição, que será em 1 de fevereiro.O Supremo não pode fazer concessão, principalmente numa questão que favorece um personagem indiciados 9 vezes no próprio Supremo.

 Renan é processado desde 2007, foi o primeiro parlamentar a ser patrocinado por uma empreiteira roubalheira. Outra tentativa de Renan, se não conseguir adiar a pauta de quarta feira. Pretende que um Ministro "peça vista", traria o processo em fevereiro. 
Dificilmente, praticamente impossível. O mais certo, é que na quarta feira, Renan deixe de ser presidente do Supremo. Assumiria sem problemas, o vice Jorge Vianna. O próprio Renan apregoa: "Mas ele é do PT". Qual o problema?

Lula pode virar REU este ano. Não federalizaram a eleição municipal

Grande preocupação do ex-presidente, e do PT em massa. O juiz Sergio Moro, marcou o depoimento das testemunhas do ex-presidente, para o dia 21 de novembro.  Como o Ministério Publico fez graves acusações e muita carga contra Lula, vai depender do que disserem as testemunhas. O destino dele dependerá da credibilidade e profundidade do que for dito e comprovado.

O suspense no PT, é enorme. E a preocupação do próprio Lula, total. Acreditam que Moro não condenará Lula sem ouvi-lo. Embora isso tenha acontecido com muitos acusados. Mas nenhum era ex-presidente da Republica. De qualquer maneira, a duvida no partido é imensa. Para agora e conclusivamente para 2018.

O PT não acabou, mas precisa de tempo pra se reformular, se modificar, se reinventar. Só que o partido ocupou o poder durante 14 anos, não se renovou pessoalmente. Abandonou as ideias que o levaram ao governo, mas acreditou que Lula era eterno, e Dilma "Salvação da Lavoura". Nada aconteceu, e agora para 2018, o PT não tem ninguém para a corrida presidencial.

Apenas para preencher formalidade, Haddad por ser de São Paulo. E Tarso Genro, ex-ministro e ex-governador, realmente um bom quadro. Mas não pensa em candidatura e sim em reformulação. E as duas coisas precisam de tempo. Mas 2018 está muito perto. Genro aceitaria ser candidato sem chance agora para facilitar a mudança total. Mas se tiver a legenda garantida para 2022.

O PT não acabou, nenhuma legenda se fortaleceu

Quem fez a previsão desastrosa, foi à carreirista Marta Suplicy. Ela não é tratadista para ser citada, e acabou antes do PT. Lula se fartou de dizer, antes, durante e depois de ser Presidente: "Fundei o maior partido de esquerda da America Latina". Rigorosamente verdadeiro.

Candidata a prefeita sem votos, precisava explicar porque mudara do PT para o PSDB-PMDB. Menos mudança, mais excrescência. Ajudou a derrota, quinto lugar entre 5 candidatos, com a afirmação: "Em 33 anos no PT, jamais deixei ENTREVER que era de esquerda". E ainda acreditava que podia ganhar eleição, com esse discurso eleitoral e pessoalmente ultrajante.

Impressionante. Lideres de partidos, e comentaristas que se pretendem bem informados, chegaram á mesma conclusão: "A eleição municipal que terminou ontem, exercerá grande influencia na disputa presidencial de 2018". Nada mais distante e disparatado. 

Os supostos ou hipotéticos personagens que pretendem o Poder em 2018, ficaram longe do vencedor. Com uma restrição ligeira para o governador Geraldo Alckmin. Elegeu no primeiro turno um candidato "não político". E apesar desse fato, se confirmou como candidato "não partidário".

Tem legenda á disposição (o PSB), mas terá que sair de onde disputa eleição desde 1994. Incluindo uma presidencial. O PSDB terá 3 candidatos, como fartei de analisar bem antes da eleição municipal. Precisamente os 3, que unidos, perderam as quatro ultimas presidenciais. Agora, desunidos, pretendem o quê?

Os outros, quase os mesmos. Aécio acredita que tem a legenda garantida, apesar das derrotas "em casa". O PMDB tem um candidato, que chegou ao Poder sem eleição. O jornalista Jorge Bastos Moreno,que estreava um programa de entrevista na TV,perguntou:"O senhor disputará a reeleição?" 

Resposta, com o sorriso dúbio de sempre: "De maneira alguma. Chegar até aqui, já foi uma vitoria. Sou candidato a salvar o país". Se no projeto político não acabarem com a reeleição, fará tudo para ser candidato. Isso se Gilmar Mendes conseguir salva-lo no TSE.

Dois candidatos certos, sem a menor chance de vitoria. Ambos com duas derrotas: Dona Marina da Rede e José Serra com uma legenda de ultima hora. Aos 76 anos, encerrará a carreira com a terceira campanha presidencial.

A titular da Rede, fenômeno ou incógnita, estará presente pela terceira e ultima vez. Na primeira, apareceu com 20 milhões de votos, um assombro.

Qualquer um administraria essa montanha de votos. Ela desapareceu, tem horror a participação. Só voltou para a segunda disputa, acumulou 18 milhões. Está reaparecendo agora para a despedida. Impossível prever sua votação. Este é o
quadro presidencial para 2018. Nenhuma alteração, a não ser as do destino, imprevisíveis. E até mais sabias do que a realidade de hoje.

Segundo turno desnecessário, quase inútil

Nenhuma novidade, renovação zero. O melhor exemplo veio de Curitiba. Às 17,25 Rafael Greca, era considerado vencedor. Velocidade na apuração, retrocesso na constatação. Já foi prefeito medíocre, se notabilizou na campanha, pela afirmação: "Dei carona a um pobre, tive que vomitar de tanto que cheirava mal".

5 minutos depois, Nelson Marchesan filho, confirmava a vitoria em Porto Alegre. Ótima noticia. Conheci o pai, deputado federal, excelente figura. No primeiro turno, a melhor vitoria, (79 por cento dos votos) veio de Salvador, com a reeleição de ACM neto. Não pela vitoria, mas pela projeção para o futuro.  Aos 37 anos, o partido queria que ele disputasse outro cargo, para liderar o DEM no plano nacional. Recusou, respondendo: "Quero completar o trabalho que comecei, com 41 anos pensarei no futuro". Competência, desambição e sensibilidade.

O PSDB, perdão, Aécio Neves, que perdera o governo de Minas, perdeu também a Prefeitura. Inexplicável para ele e para o eleitor. Que elegeu um candidato, que afirmou na televisão: "Eu roubo, mas não peço propina". Em Belém, o candidato do PSOL era favorito, por causa do prestigio do senador Randolfe. A ultima hora fizeram acordo com a família de Jader Barbalho, perderam a eleição.

Às 6,32, Crivella comemorou a vitoria. Ganhou do principio ao fim. Liderou em todo o primeiro turno, nas pesquisas, confirmou na votação. Derrota irreversível para a cidade e para toda a população. Faltou interesse e convicção. 

Reviravolta completa em Florianópolis. Angela Amin, que já foi excelente prefeita, ficou longe no primeiro turno, e nas pesquisas. Na apuração, acumulou votos e quase ultrapassou o adversário. Perdeu por 50,04, contra 49,06. Uma pena.

Em Macapá a Rede teve a única vitoria, por causa do senador Randolfe. Foi á forra de Belém.

PS- Foi a ultima eleição direta deste 2016. Agora só em 2018, provavelmente sem muita alegria para o cidadão brasileiro.

PS2- È possível que haja um novo presidente indireto, no inicio de 2017, Se o TSE cumprir o seu dever e cassar a chapa Dilma - Temer. Nenhuma satisfação popular por eleição sem povo.  A culpa será do TSE, presidido pelo Ministro Gilmar Mendes.


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