Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A promiscuidade política de Renan Calheiros

HELIO FERNANDES

No primeiro dia de fevereiro, o presidente do Senado será Eunicio de Oliveira, termina o poderio e o autoritarismo de Renan. Faltam exatamente 100 dias, quer aproveitar para tentar preservar a liberdade futura. Respondendo a 8 processos no Supremo, e com 1 já liberado pelo ministro Fachini, sabe que as coisas serão inteiramente diferentes. Bom observador e carreirista notório, se movimenta para a ultima jogada.

Ha 20 anos, políticos que podem ser respeitados, querem a reforma verdadeiramente representativa. Três pontos são objeto quase unânime, só que não conseguem colocá-los em pauta. 1- Eliminação das coligações proporcionais. Deturpação da vontade do cidadão, que vota num candidato, e elege outros.

2-A clausula de barreira, que já existiu e continua de forma degradante. Partidos (?) praticamente sem representantes, têm direito a Fundo Partidário suntuoso, e fazem ou servem para as mais diversas negociatas. Alem do direito a tempo de radio e televisão, "gratuito". Se estabelecerem uma representatividade que nem precisa ser muito dura, ficarão 5 ou 6 legendas, será possível governar ou se opor, sem
possibilidade de conspiração parlamentar.

3-Fim da reeleição, que não existiu nos 100 primeiros anos da Republica. Era a devoção e a clausula pétrea de Rui Barbosa. Que não admitia que um presidente ficasse mais de 4 anos no governo. Essa alternância no poder foi violentada por FHC. Que no fim do seu mandato, comprou e pagou á vista, a permanência por mais 4 anos. Tudo o que está acontecendo, conseqüência da reeleição.

Agora esses 3 itens estão no projeto que será votado na Câmara. Apesar de ser na outra Casa, Renan pulou na frente, e já tenta modificar a ideia renovadora. Colocou no mesmo projeto, a aprovação do projeto assinado por mais de 2 milhões de cidadãos. Com 10 itens relevantes contra a corrupção. Pura mistificação.

Pois imediatamente introduziu no meio, um projeto que estava engavetado há 6 anos, e apresentou com o titulo de "contra abuso de autoridade". Que na verdade é uma afronta e uma violência para atingir a Lava-Jato.

A 100 dias do poder, o visível desgaste de Renan

Assim que tomou coragem e juntou a ação contra a lava-jato, no projeto de reforma política, o ainda presidente do senado, tentou o ultimo protagonismo. Da sua cadeira, com veemência, leu o projeto já alterado, e deu entrevista coletiva, "exaltando" a oportunidade da "importante reforma". Não contava, mas foi repudiado das formas mais diversas.

Mandou o projeto para a Comissão presidida por Romero Jucá, com a recomendação: "Urgente, para ser votada ainda este ano". Ficou surpreendidissimo com a reação do amigo e parceiro. Declaração textual: "Não é hora de votar um projeto como este. Precisa de muito debate, deveria ser votado depois que a Lava-Jato terminasse o seu trabalho".

Na Câmara, a repulsa foi total. O deputado Vieira Lima (irmão do Ministro Gedel), relator do projeto de reforma política, foi violento, ríspido e agressivo: "Na minha Comissão só questão política será votada. Se o senador quiser, que apresente um projeto para aprovar as ideias dele". 

Renan já percebeu o rumo de sua vida, passados estes 100 dias que começaram tão acintosos. Em 2007, deixou a presidência do senado para não perder o mandato. Agora, continua com o mandato. Mas voltar á presidência, "nunca mais". Como disse o corvo, de Edgard Alan Poe.

Aprovação de Temer, caiu mais. Cunha, quase prisão perpetua

A consideração a respeito do governo do indireto, caiu mais de 7 pontos. Estava em 38 alto,está em 31 baixo. Não existe nada que favoreça seu governo. Apostou na PEC dos gastos, que não ajudou a comunidade, só favoreceu os ricos. E a "queda" do preço dos combustíveis, foi tão pequena, que provocou mais protesto do que satisfação.

Não foi feita pesquisa sobre sua popularidade pessoal. Dizem que é para protegê-lo, não existe fator que possa melhorar sua penetração junto á comunidade. E ontem, longe de casa, do outro lado do mundo, total intranqüilidade. Motivo: recebeu a noticia da prisão de Eduardo Cunha, a quem deve, inquestionavelmente, a promoção de vice para presidente. Primeiro provisório, e agora indireto. Temer não lamenta a prisão, teme as conseqüências.                                                                                                                
(Quanto á prisão de Eduardo Cunha, no momento ele está no jatinho da Policia Federal, a caminho de Curitiba. Chegará ás 6 da tarde. Noticias de bastidores, só a partir daí. Mas é o fato mais sensacional do dia, apesar de esperado ha muito tempo).

Cunha: em 2 anos, do Céu para o inferno

No primeiro dia de fevereiro de 2015, derrotava o candidato do governo Dilma, chegava ao maximo, o apogeu da carreira: presidente da Câmara. Devia ocupar o cargo por 2 anos, até fevereiro de 2017. Ontem, faltando pouco mais de 3 meses para completar o prazo, foi preso no meio da rua, em Brasília, como se fosse um indigente. 
Na verdade, um indigente político, isolado, sem amigos, correligionários, cassados. Sem apoio a não ser de 4 ou 5 descuidados. Mas foram 2 anos atribulados, de amor e ódio, de gloria e desonra.

Anteontem, terça, ás 7 da noite, quando habitualmente deixa o juizado, Sergio Moro determinou a prisão PREVENTIVA do ex-presidente da Câmara. E mandava bloquear 220 milhões de bens e recursos nas suas contas. Se não tivesse tantos elementos e provas á disposição, não agiria dessa forma. È importante ressaltar a combinação dos dois fatos, que reforçam a segurança da decisão.

Se tivesse duvidas e precisasse mandar prendê-lo, poderia usar a prisão PROVISORIA. Vale por 5 dias, poderia ser prorrogada por mais 5. Com a prisão PREVENTIVA, vai facilmente bater o recorde de Marcelo Odebrecht, que completará
2 anos longe da liberdade.

Já que fiz a comparação dos dois, a conclusão. Marcelo tem uma delação tão preciosa, que está negociando não cumprir pena nenhuma. Quanto a Cunha, revelei ha 2 meses com exclusividade: a equipe da Lava-Jato não tem o menor interesse numa possível delação dele. 

E acrescentei com informação segura: estariam mais interessados numa delação da mulher, Claudia Cruz. 

No mês passado, escrevi para satisfação de muita gente: "O livro de Eduardo Cunha, 
não sairá este ano". E mostrei a razão: Cunha acreditava que era só "puxar'” pela memória, e estaria acabado. Viu que não era bem assim. E começou a procurar alguém que soubesse escrever, ele iria ditando. Não encontrou.

Agora, os mesmos que estavam alegres pelo livro não sair, estão desesperados exatamente por causa desse fato. Se a Lava-Jato aceitasse a delação, o ex-presidente da Câmara poderia ir ditando por horas, dias, semanas. Ninguém duvida, e por isso, tantos se apavoram. Mas estamos apenas numa nova fase de um episodio, que na certa, terá muitos desdobramentos.

PS- Houve a anunciada queda de juros. O próprio Presidente do BC. falou: "Vamos cortar 0,25 por cento na Selic". Foi o que aconteceu, é o mesmo que não tivesse acontecido nada.

PS2- A constatação é obvia: a equipe econômica é incompetente, mas de palavra. quem sabe não reduz outros 0,25 logo no ano que vem?

PS3- Para terminar por hoje, com Eduardo Cunha. Quando ele foi cassado e começaram a divulgar, que faria delação, comentou: "Prefiro morrer a fazer delação".

PS4- Agora, com ele preso, e os fatos caminhando na contramão do que afirmava, não é difícil constatar: Eduardo Cunha vai viver por muito tempo.  

PS5 – No dia 17 de novembro a Associação Nacional e Internacional de Imprensa – ANI presidida pelo experiente colega Roberto Monteiro Pinho, que iniciou sua trajetória no jornalismo escrevendo coluna no jornal Gil Brandão, depois na Tribuna e a edição de jornais de bairro, completa um ano de existência. Em meses realizou mais do que outras congêneres que patinam no ostracismo. Na lista de realizações duas conquistas formidáveis e dignas de elogios dos mais exigentes jornalistas e mídias sociais.

PS6- Entre as realizações a inédita formação do Plantão das Prerrogativas dos Jornalistas, que entre outros atendimentos, recente através do advogado Ricardo Braga França, apoiou os fotojornalistas em quatro ações. Eles foram agredidos de forma brutal na gare Uruguaiana do Metrô do Rio de Janeiro, uma semana antes da realização das Olimpíadas Rio 2016. O assunto ganhou fronteiras e foi notícia nas redes sociais. Diversos jornalões deram as notícia.

PS7- A partir do dia 18 de novembro a ANI, que tem no seu Conselho Consultivo este repórter, Bernardo Cabral, Continentino Porto, Claudia Cataldi entre outros ícones da imprensa, estará credenciada para entrar com intervenções como amicus curiae, Nota Técnica, de Apoio e Emendas em projetos de lei, em demandas de interesse da classe, que estejam tramitando nos tribunais do país. Duas delas na pauta no STF, para discutir o Marco Civil da Internet e a Lei de Direito de Resposta. Seus associados possuem razões de sobra para comemorar. Parabéns!



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