Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Quem TEMER medo de Eduardo Cunha?

HELIO FERNANDES

Ontem, escrevendo sobre o fato do dia, terminei com uma frase: haverá muito desdobramento. Pode parecer o obvio, mas não é tão visível assim. Os fatos mudam ou se modificam, principalmente quando envolvem ou podem envolver e até incriminar, alguns dos personagens mais poderosos da Republica.

Antes da prisão, duas considerações afirmações, haviam transitado em julgado. 1- A equipe da Lava-Jato desdenhava abertamente de uma possível delação. E resumia: "Eduardo Cunha terá que contar fatos miraculosos, para resgatar o que existe contra ele". 2- O ex-presidente da Câmara, dizia,afirmava e reafirmava: "Prefiro morrer a fazer delação". Ele ainda nem fora interrogado, mal chegara a Curitiba, e tudo isso já fora ultrapassado. Dos dois lados.

A partir daí, as duas palavras mais pronunciadas em Brasília, foram, delação e Rivotril. A primeira como constatação. A segunda, como conseqüência e tentativa de recuperar a tranqüilidade perdida. 

Na capital parou tudo logo que chegou a noticia da prisão. No plenário da Câmara, mais de 400 deputados, concordaram em levantar a sessão, e irem se lamentar, em grupos, nos mais variados gabinetes. Eram raros os que acreditavam que Eduardo Cunha se manteria em silencio. A maioria tinha certeza da delação.

Mas de Curitiba surgia uma terceira versão, reforçada pela origem: a equipe da Lava-Jato. Confirmava, que não daria um passo no caminho da delação. Mas admitia conversar, se a iniciativa partisse de Eduardo Cunha.

No entanto, impunham uma condição: teria que ENTREGAR todos. Se tentasse fazer delação no caminho de personagens menores, na tentativa de preservar os maiores, suspenderiam imediatamente a delação.

 E não haveria possibilidade ou oportunidade de recomeço. Não se incomodavam que se livrasse da prisão, ou cumprisse pena menor. Mas teria que contar a verdade, mostrar tudo o que dizia conhecer em profundidade.

O pânico mora no Planalto, Jaburu, Alvorada

Enquanto o presidente indireto não chega, a ordem de silencio é cumprida como forma de preservação. Ninguém fala com ninguém, não é apenas medo de gravação. Mas receio de que "interpretem" rascunhos de pensamentos. 

Todos se conhecem muito bem, muitos deles participaram da conspiração parlamentar, que no momento, é o grande objetivo da Policia Federal e dos Procuradores Federais. Até aqui consideravam a delação da Odebrecht, a mais importante. Agora acreditam que Cunha pode ultrapassá-lo facilmente.

Tem gravações quilométricas de todo o roteiro da tramitação e votação do Impeachment. Na Câmara e no Senado. O que levou alguns senadores a se irritarem ou a se retraírem completamente. Com prioridade para Renan Calheiros, que chegou a dizer revoltado: "Não sou especialista em Eduardo Cunha". Pode não ser. Mas 
pode estar na beira de ter o mesmo destino do ex-presidente da Câmara. 

O alvo agora é o PMDB, da Câmara e do Senado. Os dois, tão comprometidos, que o Ministro Teori Zavascki, para acelerar os processos, "fatiou" em 4. Um, só para deputados do PMDB. Outro unicamente para senadores do mesmo partido. Renan é tão envolvido em tudo, que deve responder criminalmente nos dois.

Só se fala em delação. Mas levará algum tempo. A Lava-jato tem certeza que a delação do ex-poderoso presidente da Câmara, pode ser um final glorioso e triunfal.  E consideram que a chave de tudo está na tramitação e votação do Impeachment. Na Câmara e no Senado.

A suposição da equipe tem como base, ação, participação e afirmação do próprio Eduardo Cunha. Conduziu todo o processo do Impeachment, e afirmou publicamente: "Sem a minha colaboração não teria havido o impeachment". Depois, na sessão em que foi cassado, ameaçou 140 deputados. E bradou, amargurado: "Se beneficiaram do meu sacrifício, e me abandonaram". A frase pode não ser textual, mas é rigorosamente.

E só houve um grande beneficiário do impeachment, na época amigo intimissimo, depois o mais distante possível. Para obter recompensa, Eduardo Cunha terá que explicar seu fervor pelo impeachment, e sua amargura com a cassação.

Por conhecer muito bem os fatos, todas as razões para que a inquietação e a intranqüilidade, estejam morando no Planalto, Jaburu e Alvorada.

Hillary ganhou mais um debate

Impossível perder para Trump. Normalmente, ela é muito mais preparada, competente, tem uma carreira voltada para o serviço publico. E em matéria de servir á comunidade, nada mais convincente e conveniente do que a presidência da Republica. Principalmente de um país como os Estados Unidos. E Hillary sempre pensou nisso. Desde os tempos em que ficou no Arkansas com o marido, 6 vezes governador do estado. Cada mandato, 2 anos.

Trump é exatamente o contrario. Gastou a vida fazendo fortuna, segundo muitos, de forma desonesta e fraudulenta. Michel Bloomberg, 12 anos prefeito de nova Iorque (3 mandatos seguidos), acusou duramente Trump. Cara a cara, antes do primeiro debate. Trump não respondeu, se manteve em silencio.

Debate não ganha eleição, ainda mais em se tratando de Trump, que é sempre, o principal destruidor dele mesmo. Candidato do Partido Republicano, conseguiu jogar os principais lideres contra ele. Foi chamado de "desgraça", "tragédia”, "presidente catástrofe". 

Isso se ganhasse, o que é considerado impossível. Governar os EUA, é uma tarefa gigantesca. Para Hillary, dedicação inabalável. Para Trump, uma punição que o povo americano não merece.

Eleita, empossada e governando, a vitoria de Hillary permite uma analise distante no tempo, mas bem perto da realidade. Hillary ficará na Casa Branca até 2024, reeleita em 2020. E passará o cargo a Michele Obama, notável personagem. Será a segunda mulher a presidir o país. E o segundo negro, a ocupar a Casa Branca. Lógico, não verei a confirmação da minha mais do que razoável analise. Mas vocês poderão comemorar, será ótimo para a sustentabilidade do mundo.

TSE quer acelerar julgamento da chapa Dilma - Temer

São 10 meses completados e perdidos. Por falta de decisão. E da oportunidade desperdiçada, do povo ter votado em 2016, numa eleição direta. Desses 10 meses, 5 negativos para o então presidente Dias Toffoli. E outros 5, também negativos, para o ainda presidente Gilmar Mendes. São 4 ações impetradas pelo PSDB, alegando utilização irregular de financiamento da campanha presidencial.

O Ministro Hermann Benjamin, relator em substituição á então Ministra que terminou o mandato, quer chegar ao julgamento. Mas encontra obstáculos velados e ostensivos. Não desiste. E ontem, determinou a organização de uma força tarefa, para que os trabalhos possam terminar. È um processo discriminado e desorientado.

Venho acompanhando tudo desde o inicio, dando a maior força para o tribunal. Por um motivo fundamental: cassada a chapa, haveria eleição direta. Ha meses,  num trabalho exaustivo, fiz levantamento sobre a tendência. Publiquei aqui, 3 a 3. E 1 ministro com voto indevassável. Agora mudou tudo.

De qualquer maneira, mesmo cassada à chapa, a eleição será indireta, em 2017. Está na Constituição. Os advogados do antigo vice, dizem que ele não tem nada a ver. Acontece que os registros de gastos, são feitos em conjunto. Tudo ocorre nesse processo. Luiz Fux, Ministro do Supremo, sem nada ver, deu entrevista, "adiantando" voto que seria favorável a Michel Temer.

PS- Declaração de Rodrigo Maia: "A prisão de Eduardo Cunha, não prejudica a votação do pré sal, na segunda feira". O presidente da Câmara deveria se manter calado. Está prejudicando conversações e adesões sobre possível candidatura a governador, em 2018.

PS2- Cunha é vingativo, e sua base é o Estado do Rio. Outro fato. Cesar Maia, pai de Rodrigo, já foi derrotado para governador. Imaginava tentar novamente em 2018. Mas com um adversário dentro de casa? 

PS3- Pelo terceiro dia seguido, o preço do barril de petróleo, fica acima de 50 dólares, em Nova Iorque e em Londres. Enquanto a Petrobras se desfaz do pré sal.


PS4- Agradeço aos nossos seguidores as inúmeras e singelas homenagens pela data (17 de outubro) do meu aniversário. Helio

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