Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Sacrificado na madrugada, congelado nos seus direitos, 90 por cento do povo perde tudo

HELIO FERNANDES

È proibido gastar. O fundamento considerado essencial pelos planejadores, articuladores e executores da PEC 241, é inicial e rigorosamente contraditório e contraproducente. Depois, numa leitura mais atenta a aprofundada, se constata: é burra, retrógada, elitista, a favor dos 10 mais ricos, contra os que vivem do trabalho em todos os segmentos, que totalizam 90 por cento de toda a população.

Está implícito e explicito no texto, que é proibido gastar, principalmente em educação, saúde, benefícios sociais, infra-estrutura, em investimentos imprescindíveis e reprodutivos. E por extensão, acrescente-se, está no âmago da PEC 241: tudo o que pode significar progresso, distribuição da riqueza produzida, ou seja, a partir da aprovação da 241, a palavra de ordem sem debate, é a estagnação intimidada e intimidativa, sem qualquer concessão.

Falta mais uma votação na Câmara, e outras duas no Senado. Aqui, o impoluto e indomável Renan Calheiros já garantiu a aprovação. E ele não falha, controla tudo. Na Câmara a outra votação se realizará no dia 24 de outubro. Temer viaja hoje, volta no dia 22, comandará tudo pessoalmente, como fez na maratona criminosa das ultimas 72 horas.

Passará o fim de ano, gozando e usufruindo que ele mesmo identifica, como salvação do país, "entrada vitoriosa na historia". É uma autoproclamação sem qualquer credibilidade, mas ele gosta de repetir, viu não sabe onde, "porque me ufano do meu país". Só que alem dos itens que já relacionei, o Brasil, estará paralisado ou andando para trás, nos seguintes setores que englobam ou aglutinam, todo o território do país. Vejamos alguns, sem contestação, que serão desabaladamente atingidos. Repetindo: alem de educação, saúde, benefícios sociais, infra-estrutura.

Sem nenhuma ordem ou hierarquia, apenas relacionando de memória. Habitação, esporte, ciência, saneamento, cultura, meio ambiente, indústria, transporte, salário mínimo, que (inacreditavelmente) a PEC 241 quer manter intocado, agricultura, e mais o que leitor for lembrando. Os articuladores da 241, "esqueceram" dos 10 por cento mais ricos, que se livraram de tudo, não pagarão 1 real, nem se assustaram.

Lucros e dividendos continuarão sem serem taxados. Eles constituem o que chamam de "mercado", comandam tudo. Temer intitula essa PEC, de "salvação da pátria". Lógico, não poderia utilizar o nome verdadeiro, "lesa pátria". 

Num dos raros momentos de humor e inspiração, quando o presidente Sarney saía do país, FHC dizia, "a crise viajou". 

Agora que Temer foi mostrar a Índia e o Japão á primeira dama, na sua primeira viagem internacional, com o maior constrangimento, faço uma adaptação da frase do ex-presidente: "A traição viajou". E o pior é que já tem data marcada para voltar, dia 22 estará utilizando um dos três palácios. Estimulando a gastança, e pregando o contrario

Os 366 deputados que "ratificaram" a decisão do presidente indireto, não tiveram tempo ou interesse de ler o que lhes entregaram. Também não era difícil como apregoaram os coordenadores, acertar o total da aprovação. Bastava fazer o
calculo pela ordem inversa, a oposição. 

Calculei que teriam 105 votos, não sei como chegaram aos 111, uma espécie de Carandiru surpreendente. De qualquer maneira, na contramão do mundo, em constante e permanente evolução e inovação, a PEC 241 estrangula o país. Durante 20 anos, as coisas não podem acontecer, para atender ás imposições do indireto, que determina de forma direta e certeira, a estagnação.

Governar não é apenas equilibrar receita e despesa. È muito mais do que isso. È usar a inteligência, a competência, a convicção, a credibilidade e principalmente o espírito publico. E nada disso se usa ou se utiliza em favor da comunidade, através de uma PEC. Tenha o numero que tiver.


O TSE confunde a opinião publica

Logo depois da derrota em 2014, Aécio e o PSDB, entraram com ação pedindo a cassação da chapa Dilma - Temer. Alegação: irregularidades nos recursos gastos na campanha. O PSDB, depois acusado da mesma pratica irregular, pretendia que o mais alto tribunal eleitoral do país, invalidasse os dois, e empossasse Aécio. O pedido de cassação, legitimo. A posse do derrotado, absurdo descartado.

Não demorou, o PSDB e Aécio entraram com mais três recursos. Durante 9 meses, o TSE fingia que investigava, este repórter cobria o assunto ininterruptamente. E sempre apoiando o TSE, baseado num argumento irrefutável; cassada a chapa, haveria eleição direta em 90 dias. Fui alertado varias vezes, até mesmo de dentro do TSE: "Helio, eles querem eleição indireta, você está sendo usado”.

Desde o inicio dos recursos até agora, se passaram 9 meses. O TSE presidido por dois deploráveis Ministros do Supremo. Dias Toffoli 4 meses, Gilmar 5. Toffoli só tomou uma decisão: juntou todos os processos com a mesma relatora, ministra Maria Tereza Moura. Gilmar só fez jogar tempo fora, para que se houvesse eleição, fosse indireta. È o que está acontecendo.

Tendo terminado o mandato da Ministra, demorou um pouco, mas foi indicado o ministro Hermann Benjamin, que se integrou no cumprimento do dever, e começou a ouvir testemunhas. Ontem, dois depoimentos, separados. Do doleiro Youssef e do ex-senador Delcidio Amaral. Confirmaram a utilização de recursos ilegítimos na campanha vencedora. Ontem mesmo, os advogados de Dilma e de Temer, desmentiram os depoentes. Já existem outros para serem ouvidos.

Haja o que houver, não servirá mais á comunidade. Mesmo que houvesse um milagre de Santa Aparecida, que é festejada hoje em todo o Brasil, e a chapa fosse cassada, haveria ELEIÇÃO INDIRETA, 90 dias depois. Ou seja: em fevereiro, de preferência durante o carnaval. Numa indireta, realizada por esse congresso que está aí, maioria de chances para a escolha de um tipo como Renan Calheiros.

Repatriação de dinheiro sujo

Já aconteceu de tudo, desde que descobriram: “As contas que sonegadores mantêm no exterior, representam reforço extraordinário". Não se lembraram ou nem sabiam que ha mais de 20 anos, esse dinheiro é cobiçado. Só que os donos das contas ditas sigilosas, não tinham confiança no governo, qualquer que fosse ele.

Agora, surgiu um dado que favoreceu integralmente o governo brasileiro.

Os jornalistas investigadores, que conseguiram repercussão mundial, com o que se chamou de "Panamá Papers”, provocaram um movimento inédito e inesperado. Os bancos que protegiam os sonegadores, mudaram inteiramente de posição. Passaram a denunciar exatamente os protegidos de antes.

Aí ficou mais fácil fazer acordo. Mas os coordenadores do governo, tentaram mudar as regras, melhorar para os sonegadores. Também houve problema com governadores, que pretendiam ficar com uma parte grande do que entrasse como multa ou devolução.

Cesar Maia, declarou: "A votação só entrará em pauta na terça feira, até ás 15 horas. Se não houver acordo, não haverá votação". Ontem, exatamente na hora marcada, o presidente da Câmara retirou o projeto da pauta. E não admitiu mais conversa, apesar dos apelos. 

Rodrigo Maia é espetacularmente uma novidade. Tão novidade quanto sua candidatura a governador, que começa a ser articulada.(Exclusividade).

Lula precisa mudar de advogados

Os advogados do ex-presidente, não saem das TVs, com equivocada defesa dele. Existe um ditado antigo: "Não se defende o réu, acusando o juiz". Não fazem outra coisa. Insistem que Sergio Moro não pode julgar Lula, porque já demonstrou parcialidade, em varias oportunidades.

Alem de sem competência, desinformados. Já deviam ter percebido, que esse roteiro dos advogados, tem sido recusado sistematicamente pelo Supremo. Lula poderia usar mais o doutor Batochio, também seu advogado. Pode ser mais caro. Mas é também mais brilhante e obtém melhores resultados.





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