Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 23 de outubro de 2016

A hora e a vez de liquidar a politicalha. Temer, indireto e sem futuro.

HELIO FERNANDES

A Republica foi comprometida e desmoralizada, pela politicalha militarizada. Instalamos a democracia de partido único, logicamente longe do povo, sem voto e sem urna. Desperdiçamos 56 anos dividindo o poder entre amigos, fardados ou a paisano. A seguir, sem interrupção, uma ditadura de15 anos, que tentaram eternizar como Revolução, assim mesmo em maiúscula.

56 anos depois da intimidação e não da PROMULGAÇÃO, derrubada a ditadura, houve a primeira eleição intitulada de direta. Na verdade, uma farsa. Pois com o voto obrigatório, o povo teve que sair de casa para votar. E votou no general Dutra, que durante 8 anos (1937-1945), garantiu o ditador no poder. Essa é a síntese e a sumula da democracia brasileira.

De tempos em tempos, interrupção do autoritarismo, a impressão de que a liberdade viera para ficar. Depois dos 5 anos abusivos de Dutra, a volta de Vargas, que fora alijado por uma união de civis e militares. Não sabia governar, em determinado momento preferiu "deixar a vida para entrar na Historia". Atingiu os dois objetivos. Mas para o país sobrou o caos, o tumulto e mais conspiração.

Juscelino, finalmente um Presidente eleito

66 anos depois da Republica, um Presidente eleito. Mas quase sem assumir. JK venceu nas ruas, mas nos quartéis, os generais generalizavam se ele deveria tomar posse. Divididos, levaram 24 horas para decidir. Como Lott, Denys e Estilac Leal, estavam a favor, não só tomou posse, como governou os 5 anos. Foi o ultimo nos próximos 29 anos. A seguinte eleição, só depois de uma ditadura de 21 anos, a transição de mais 6 comandada pelos próprios generais fracassados ou remanescentes.

Se o roteiro e o calendário fossem seguidos, haveria eleição em 1965. Com dois candidatos certos e irrefutáveis. O próprio Juscelino e Carlos Lacerda. Os dois tinham legenda certa e garantida. JK pelo PSD, e Lacerda com a UDN. Mas existiram ambições e distorções de tal ordem, que o povo só pôde votar novamente, quando os dois já estavam mortos. Admitem que assassinados, junto com a liberdade.

Em 1989, 100 anos depois da Republica, tentativa de democracia

Foi uma festa. Só que entre 60 e 89, muita coisa aconteceu. Uma das mais festivas e emocionantes, a "diretas já". Faltaram 22 votos para que a eleição direta acontecesse em 1985. Só que a traição coletiva da mídia, muito maior e mais revoltante do que esses 22 votos. Ficou então para 1989, a tão sonhada e desejada REDEMOCRATIZAÇÃO.

Os que esperavam ha muito tempo, se apresentaram. O doutor Ulisses, Lula, Brizola, Covas. E um jovem no qual ninguém acreditava, Fernando Collor. Surpresa: Lula e Collor foram para o segundo turno, levando Brizola ao desespero. E ainda mais surpreendente, Collor foi eleito e tomou posse. Mas só governou por 2 anos. Desse 1992 até este 2016, a descrença completa.

 A tão proclamada redemocratização sucumbiu diante de 2 impeachment. E no intervalo entre os dois, uma desqualificada reeleição. Comprada e paga pelos empresários que patrocinavam FHC. Eleito por acaso, reeleito por ambição pessoal, e corrupção coletiva.

Sem a reeleição, nada tão grave aconteceria. A alternância no poder teria sido cumprida democraticamente. A tentativa de eternizarão no Poder, sonho ou ilusão. FHC 4 anos, mais 4 para Lula e outros 4 para Dilma. Se não surgisse alguém no meio do caminho. Uma única vice de 2010 a 14 para Michel Temer, não haveria tempo e espaço para a conspiração parlamentar, tendo como protagonistas, ele e Eduardo Cunha.

Michel Temer, incerto e indireto, dependendo do TSE e de Eduardo Cunha

Nesses 127 anos da Republica, que não é a dos sonhos, (royalties para o notável Saldanha Marinho), aconteceu de tudo. Mas ninguém imaginava esse vice que se intitulava "decorativo", tomar o poder tão acintosa e desgraçadamente. Aconteceu. Mas esse vice desqualificado, foi deixando pedaços dele mesmo pelo caminho. E se despedaçando, se deteriorando e se destroçando de tal maneira, que não consegue sequer localizar por onde e de onde virá o seu futuro.

Se fosse apenas o dele, nenhuma preocupação. Mas acontece que alem da conspiração parlamentar, ele trouxe a incompetência congênita, adquirida e calamitosa. O país não suporta mais outra REDEMOCRATIZAÇÃO adiada ou prorrogada. E o pior de tudo: a população inteira se volta para a delação do ex-presidente da Câmara. Esperando que ele confirme o que ninguém desconhece: a parceria bizarra e corrupta entre os dois. Nessa trama amaldiçoada, Michel Temer não pode ser considerado INOCENTE.

Nessa "sucessão "presidencial, sem Temer não haveria Eduardo Cunha. Sem Eduardo Cunha, não haveria Michel Temer. Para felicidade geral do povo, ainda estamos longe do final.

Serginho cabralzinho reapareceu

De forma surpreendente, foi senador e governador duas vezes. Muito moço, tinha futuro e especulação. Mas preferiu o exibicionismo, a extravagância pessoal e o apogeu do suicídio político e eleitoral, que pode ser resumido em 3 pontos. 1- Ir da Lagoa ao Palácio Guanabara, de helicóptero. 2- A "noite dos guardanapos" em Paris, com alguns intimissimos, entre eles o corrupto empreiteiro Fernando Cavendish.
3 - Ficou tão revoltado, que montou guarda em frente ao seu apartamento. O povo foi enganado por um carro que entrava e saía de sua casa. Mas ele estava abrigado no apartamento triplex, do mesmo Cavendish.

Sua impopularidade era tão grande, que não pôde se candidatar a cargo algum, a coisa mais natural para quem é governador duas vezes. Usando da mistificação, tão habitual nele, explicou: "Não vou me candidatar a cargo algum, para meu filho se eleger deputado".

Começava o ostracismo. Ha mais de 2 anos não sai de casa, mas não imaginava que o despenhadeiro surgisse por delação do próprio Cavendish, cuja empreiteira monopolizasse obras do seu governo.

Passavam fins de semana na Europa, sempre em grupos. Mas dessa vez foram apenas os quatro (cabralzinho e a mulher, que aniversariava, Cavendish e a mulher), as televisões se fartaram de retumbar a festa, que teve um ponto alto. Cavendish doou á primeira dama, um anel supostamente de 800 mil reais. 

Cavendish, cercado de famosos e ilustres advogados, jamais imaginou que fosse preso. Na primeira vez, se surpreendeu. Na segunda recorreu imediatamente á delação. E o grande e inédito alvo, cabralzinho. Contou com documentos, o que chama de "toda a verdade" sobre o presente de aniversario.

Esse anel da mulher tem a possibilidade de se transformar em algema para cabralzinho. Por enquanto sem tornozeleira. O que é surpreendente, pois o ex-governador foi um dos primeiros citados na Lava-Jato.

A Petrobras e o preço dos combustíveis

O fato do presidente da Petrobras acumular o cargo de presidente do Conselho de Administração da Bovespa, alem do visível conflito de interesses, causa duvidas, distorções, desconforto. Quando a empresa, com estardalhaço, anunciou a redução do preço dos combustíveis, a impressão geral, é que as ações cairiam na Bolsa. Ao contrario, subiram 3 dias seguidos.

Constatado que a redução era fictícia, e que enchendo um tanque com 40 litros, economizaria apenas 60 centavos, a complicação foi ainda maior. E a realidade piorou as coisas: o que houve, na verdade, foi aumento até surpreendente. O presidente tentou explicar: "Houve redução, mas foi eliminada ao passar pela distribuição, e ter que absorver o aumento do álcool e do etanol". Enganaram o cidadão.

E as coisas continuaram duvidosas. No mesmo ritmo, a Moodys mudou a posição da Petrobras de B3 para B2, e anunciou: "Podemos passar logo para ESTAVEL". Poucos entenderam e mais complicado ainda, com a justificativa da Moodys: "A Petrobras foi muito beneficiada com o impeachment". Nada a ver uma coisa com a outra. Mais próxima da realidade, ela representa interesses dos beneficiados com a doação do “pré sal". E ainda não completaram a votação.

Como dizem e repetem: "No capitalismo não existe almoço grátis". Só que a doação do pré-sal, é "um banquete de 400 talheres". Nem FHC teve tanta audácia. Apesar de tentar.

Eduardo Cunha perderá hoje, no Supremo

Enquanto a equipe da Lava-Jato não procura o ex-presidente da Câmara, ele vai tentando recursos protelatórios. Hoje, seus advogados entram com pedido de Habeas Corpus no Supremo. Pede a liberdade. Será recusada quantas vezes forem pedidas.

No TSE, o processo para cassar a chapa Dilma-Temer, agora anda em velocidade. O relator, Ministro Hermann Benjamin, quer fazer o que Dias Toffoli e Gilmar Mendes não fizeram. Resolver o problema. Alguns depoimentos são contundentes a favor da cassação.

PS- Em qualquer país do mundo, o bispo Crivella seria impedido de disputar eleição. A capa da Veja de ontem, deveria substituir qualquer voto, por mais ingênuo e displicente que seja o eleitor.


PS2- E mesmo que dispute e tenha mais votos do que o adversário, não deve tomar posse. Já aconteceu mais de uma vez. Tão grave quanto o livro ultrajante publicado pelo bispo.

Um comentário:

  1. Prezado Helio,
    Soube,agora que Eduardo Cunha fara a Delação Premiada e vai fazer tremer muita gente,aqui em Brasília.


    Já é dado como absolutamente certo,que Eduardo Cunha fará delação premiada,nos próximos dias,ou até mesmo,nas próximas horas.Tudo depende da conveniência e da precisa avaliação do ex-presidente da Câmara dos Deputados.
    Também é certo,que pedido de habeas corpus.protocolado por seus advogados esta manhã com o objetivo de retirá-lo da prisão,será negado pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região .
    O ex-presidente da Câmara dos Deputados entende sua prisão como “absurda” afirmando que o pedido usava argumentos de uma ação cautelar extinta pelo Supremo Tribunal Federal.Eduardo Cunha declarou que “a referida ação cautelar do supremo, que pedia minha prisão preventiva, foi extinta e o juiz, nos fundamentos da decretação de prisão, utiliza os fundamentos dessa ação cautelar, bem como de fatos atinentes a outros inquéritos que não estão sob sua jurisdição, não sendo ele juiz competente para deliberar”.
    A ordem de prisão preventiva contra o ex-presidente da Câmara foi expedida pelo juiz federal Sergio Moro,responsável pelos processos da operação Lava Jato em Curitiba.
    A prisão preventiva do ex-parlamentar baseia-se em investigações que indicam a existência de contas secretas na Suíça e informações de que o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira lhe pagou propina para fazer jus a benefícios em um contrato de exploração num campo de petróleo no Benin, no continente africano.

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