Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 27 de junho de 2017

SE 172 DEPUTADOS SALVAREM TEMER, QUEM SALVARÀ ESSES 172 DEPUTADOS?

HELIO FERNANDES

O próprio AINDA presidente, tenta se mostrar forte e inarredável, reúne grupos no Planalto ou no Jaburu, pela manhã, à tarde e à noite, exibe farsa, arrogância e basófia. E termina sempre com o que pretende se transforme em realidade ou marca registrada: "Ficarei até o fim do meu mandato em 2018".

Aí, aponta a mão de forma circular, "eu e meus ministros". Como não têm o que fazer, não faltam. O mais assíduo e contumaz é Meirelles, o único que sempre fala, coisas deste tipo: "Estamos em plena recuperação". Ou então, "superamos a recessão". Finalmente não esquece o desespero do desemprego de 14 milhões, que atinge todo o país: "Já começaram as contratações com carteira assinada". E as televisões mostram filas colossais para 26 vagas anunciadas.

Outra frase predileta de Temer: "Não temos Plano B, meu mandato não corre risco". Se baseia no fato de que o Brasil é um dos raros países que precisa desse numero mínimo de deputados para INVESTIGAR um presidente. Apenas INVESTIGAÇÃO , que na segunda à noite explodiu, quase derrubando o Planalto.

Vamos dar apenas o exemplo dos Estados Unidos, uma república parecida com a nossa. No caso brasileiro, quem trata nos Estados Unidos, é o Procurador Geral. Mas ele não é absoluto. Ele pede a Câmara o impeachment ou uma investigação sobre o presidente. A câmara, que tem 446 deputados, precisa da maioria mais um, desses 446, para atender ao pedido do Procurador. Portanto, são necessários 224 deputados.  Aqui, como já dissemos, apenas 172. 

Apesar desse número ínfimo, ficaram em pânico quando o Procurador Geral falou que vai fazer a acusação em 3 ou 4 vezes. O que significaria 3 ou 4 votações, o que poderia mudar de uma hora para outra. Aliás, a situação do AINDA presidente, é rigorosamente insustentável. Haja o que houver, o mandato de Temer já acabou, até mesmo os 172 deputados que supostamente votarão a favor dele, sabem disso. 

Justificando o que coloquei no título desta matéria, é bom lembrar do Marechal Floriano. Vice Presidente e chefe do Exército, em outubro de 1891, apenas 8 meses depois de promulgada a Constituição, derrubou o Presidente Deodoro, tão entre aspas quanto ele.

A Constituição, como a de hoje, e todas as outras, estabelece e estabelecia: se o Presidente por qualquer motivo não pudesse exercer mais o cargo, até a metade do mandato era substituído pelo vice, obrigado a realizar eleição em 30 dias. Se a primeira metade do mandato já estivesse ultrapassada (o que aconteceu com o Presidente Afonso Pena, que eleito em 1906, morreu em 1909, deixando apenas 16 meses para o vice Nilo Peçanha) o vice assumia e completava. 

O Marechal Floriano, arrogante e chefe das Forças Militares, assumiu o mandato e continuou como se fosse o dono da Constituição. Rui Barbosa, disse então ao Presidente do Senado (Prudente de Moraes, depois Presidente da República): "Vou entrar com Habeas Corpus no Supremo para tirar o Floriano do cargo". Floriano soube, e arrogante como sempre, mandou um recado: "Se o Supremo conceder HC pra me tirar do poder, quem é que vai conceder HC aos Ministros do Supremo e ao próprio Rui Barbosa?"

Como se vê, a história se repete 126 anos depois, em farsa, como repetem alguns historiadores.

EM 15 MINUTOS, TEMER ASSUSTADOR

Começou a falar ás 2,45, terminou exatamente 15 minutos depois. Para o monte de besteiras e tolices que juntou, não precisava mais. Começou pedindo ao povo brasileiro (não fez por menos) que prestasse atenção: "Estou sendo acusado por corrupção passiva". E repetiu, acentuando a leviandade da acusação.

Esqueceu que o Procurador Geral deixou bem claro: "Vou fazer a denuncia em 3 ou 4 vezes, para que haja varias votações".

A seguir afirmou, estou sendo acusado sem provas por ILAÇÃO". Aí como se estivesse falando para espectadores de Walt Disney, disse, vou contar uma historia, sem nomes, não tenho provas não acuso por ILAÇÃO. O que contou, passa perto de quem o acusa, não falou mais.Terminou nessa palhaçada, "estou tranquilo, não atingirão a Presidência ou a mim pessoalmente". E foi embora, carregado por duas dezenas de áulicos e acumpliciados. Para o repórter acabou o  assunto.

Duas coisas que não cabe ao repórter responder. 1- "Agradeço a Deus que me colocou neste lugar". Não perdeu a oportunidade de endeusar Eduardo Cunha.

2- Dois desafios do ex-amigo FHC. Há 4 meses, o ex-presidente, publicamente pediu a Temer, que por GRANDEZA renunciasse. Na sexta feira, numa conferencia luxuosa voltou a pedir, que por GRANDEZA Temer convocasse ou antecipasse eleições diretas.

A palavra está com FHC. 

serginho cabralzinho filhinho

Como não podia deixar de acontecer, a fase não é nada boa para ele. Parecia restrito a uma carreira de deputado estadual, inesperadamente se elege senador, surpreendentemente duas vezes governador, seu nome começa a ser cogitado nos dois mais altos degraus políticos eleitorais.

Mas no meio do caminho havia muito dinheiro , essa fortuna misteriosamente  foi incorporado patrimônio de serginho. De uma vez, 342 milhões. Até o poderoso Eike Batista, colaborou com 60 ou 70 milhões. Agora, tudo virou. Quando foi depor em Curitiba, achei que estava deprimido. Parecia. O mais normal nas circunstancias. Na sua cela, encontraram excesso de ampola, apreenderam todas. Só falta agora, a advogada ingênua que é a sua mulher advogada, seja condenada. 

O FUTURO PROCURADOR GERAL

Em votação interna, foram escolhidos os 3 a serem indicados. Os 2 mais votados foram Nicolao Dino, muito ligado a Janot. E Rachel  Dodge, APOIADA por Renan Calheiros, Sarney e Serraglio, ex-ministro da Justiça. O que prova a divisão.

A tradição dos últimos tempos é a nomeação do mais votado, mas não é obrigação. Mesmo porque Temer não votará de jeito algum, num homem como Nicolao Dino. Falam, que nem se restringirá á lista. Tudo é possível e imaginável, num presidente que acaba de fazer o mais VERGONHOSO discurso, baixaria pura e indecente.


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