Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 21 de junho de 2017

JOESLEY-TEMER-AÉCIO

HELIO FERNANDES

Ontem comecei a contar o primeiro encontro publico, entre o então vice, candidato á reeleição, e o dono da JBS, que despontava para a celebridade criminosa. Interrompi, estava ficando longo, retomo as lembranças e a narrativa. Começou com grande intimidade, incluindo o numero do celular do presidente.

Durou alguns anos, prosseguiu nos porões do palácio, chegou a essa baixaria colossal,  que estarrece a opinião publica e até mesmo os políticos que cercam o presidente, com um comportamento jamais visto. Mas que começou inteiramente diferente. Nesse dia mesmo, Joesley confidenciou a Temer: "Vamos participar desta campanha, nosso projeto inicial é de 400 milhões". Temer ficou surpreendido, mas interessado.

Perguntou como executaria o plano, a resposta: "Pretendemos fazer a doação para os 4 maiores partidos". Empolgado quando se tratava de dinheiro, Temer sugeriu: "Você devia doar para 6 partidos, sua influencia seria maior". Joesley estranhou a sugestão, pois o PMDB naturalmente entre os beneficiados, deveria querer numero menor e não maior de partidos.

Joesley desconversou, só voltou a falar no assunto mais tarde, no almoço a 3, incluíram Meirelles, importante Presidente do Conselho de Administração da JBS. E para surpresa de Temer, passou a falar da ligação com Aécio Neves, candidato presidencial. Surpreendido mas interessado, ficou em silencio, ouvindo.

AÉCIO PEDIU 100 MILHÕES

Joesley começou com essa afirmação discorrendo sobre ela. Só aí Temer interrompeu: "Você não pode financiar o meu adversario". Joesley foi duro, mas explicito: "Ainda não  dei resposta ao Aécio, não quero fazer doação pessoal. Mas tenho que pensar no futuro da minha empresa, que é hoje a maior do país".

Continuou: "O Aécio pode virar presidente, aí tenho que me relacionar com ele". Temer não gostou.Joesley tentou consolar, "ainda não decidi". Mentira sobre mentira. Logo depois esteve com Aécio. Que lhe pediu: "Preciso de 50 milhões para o primeiro turno, e outros 50 para o segundo". Disse que estava  difícil, mas 1 mês depois, doava os 50 milhões para o  segundo turno .Fiquem estarrecidos á vontade: EM DINHEIRO VIVO.

Todo investido em SP foi a REAÇÃO do Aécio que chegou a assustar o Planalto. Dilma cobrou de Temer, que era o encarregado da parte mais volumosa do financiamento.  Aí, Temer não podia fazer nada, cobrou de Joesley, que, corrupto arrogante, não ligou. Mas começou a autodestruição dos dois, que não se salvarão.

A JUSTIÇA CONTRA TEMER

No TSE não foi vitoria, e sim desmoralização do judiciário, "comandado" por Gilmar Mendes. Agora, na Justiça criminal de primeira instancia, Temer entrou com ação contra o Batista, alegando "injuria, calunia e difamação". O juiz de primeira instancia, numa sentença-libelo, recusou a ação, fulminou Temer: "Não houve nada do alegado, o acusado tem todo o direito de publicar a narrativa de fatos dos quais participou".

A situação de Temer é calamitosa. 

A do corrupto Joesley não é melhor.

Mas os objetivos e os prejuízos, diferentes.

SUPREMO: INJUSTIÇA, COM O ASSESSOR DE TEMER

Está sofrendo tremendamente, entre violência na Papuda, e trocando, por uma cela de 6 metros quadrados, sem o mínimo de higiene. Entrou com um pedido de liberdade, o Ministro Lewandowski que podia conceder transferência para prisão domiciliar, mandou para o plenário, não se sabe quando  será examinado.

Não quero defender, apenas comparar. 

Ele era apanhador de Temer. Apanhador de trigo em campo de centeio. Numa das gravações das madrugadas no porão do palácio, quando Joesley falava em dinheiro, Temer respondia: "Isso é com o Loures". Agora tudo cai em cima do assessor. Temer cada vez mais acusado, e intocado.

DELFIM NETTO: SERVO DA DITADURA, CRITICO ARROGANTE DA DEMOCRACIA

Nenhum general foi tão golpista e aproveitador quanto esse civil. Se não tivesse existido a ditadura, seria pretensioso professor de escola do interior. Com a implantação do regime de exceção, fez a carreira mais deslumbrante que se pode imaginar. Começou mocissimo, agora depois dos 80, continua explorando o passado

!964, Secretário de Finanças de SP. 1967- Ministro da Fazenda de Costa e Silva. Morto ele, em 1969, continuou com Médici até 1974. Pensou (?) que continuaria com Geisel, nem foi consultado, foi trocado por Mario Henrique Simonsem, que eu só chamava de "gênio incompetente". (As duas coisas verdadeiras).

Pretendeu então ser "governador"  de SP, generais apreensivos, arranjaram" para ele ser embaixador na França. Geisel concordou, 4 anos maravilhosos em Paris. A embaixada na "margem direita" (do rio Sena) a mansão residencial na "margem esquerda". Festas diárias e extraordinárias, levou todo seu grupo para lá. Em 1978 voltou para o Brasil, Figueiredo montava seu governo, pretendeu ser Ministro novamente.

Seu amigo e sócio (principalmente no superfaturamento da Ponte Rio-Niteroi) Andreazza falou com Figueiredo, este respondeu: "Você devia ter falado antes, agora só tem a Agricultura". Andreazza, que apesar de tudo era ingênuo, respondeu, "isso ele não aceita". Aceitou, 1 ano depois, Simonsen pediu demissão, eis Delfim voltando ao inicio e ficando até o fim.

Ontem, apedrejou a imprensa em geral, disse,de "técnicos de futebol" que sempre foram, para "competentes jurisconsultos", para escrachar (textual) ministros do TSE, STJ, STF.

QUESTÃO FACHIN
Depois de 4 horas, só haviam votado 2 ministros:o relator, o próprio Fachin e o ministro Alexandre de Moraes Depois de 4 horas, a presidente encerrou os trabalhos. Ambos a favor da manutenção de Fachin e a validade da delação da JBS. Carmen Lucia garantiu que continua hoje.

A tendência é ser aprovada a "tese" Fachin, que agrada a quase todos, é altamente democrática. Dois pontos. 1- A homologação, totalmente burocrática, fica monocraticamente com o relator. 2- O exame do mérito, realmente importante, é realizado pelo plenário. Defendo Fachin, e já defendi. "que todos esses fatos não comecem e terminem com um só Ministro". Acho que isso será aprovado, com exceção de Gilmar Mendes, que deu um aparte monótono e foi embora.


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