Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 18 de abril de 2017

POLÍTICOS, MAGISTRADOS E EXECUTIVOS SALVANDO UNS AOS OUTROS. UM ACORDO DEVASTO PARA A DEMOCRACIA E O ESTADO DE DIREITO. BLINDAGEM FOI A QUE CONHECI COM BRIZOLA. ERAM PROJETOS E MAIS PROJETOS, NADA CORRUPTO, MAS DE GRANDE E VALIOSA CONTRIBUIÇÃO PARA A SOCIEDADE. AGORA A BLINDAGEM TEM OUTRO FORMATO, É PARA ELES MESMOS. IVETE TRAIU A CAUSA DO TRABALHISMO E ENTREGOU O PTB PARA O GENERAL GOLBERY.

ROBERTO MONTEIRO PINHO

A lista do ministro do STF Edson Fachin foi fulminante para Michel Temer, Lula, FHC e Dilma Rousseff. Dos quatro, FHC é que menos sofreu o impacto moral, por dois motivos, deixou o governo há mais tempo e a idade avançada. Entre todos a certeza que a blindagem montada nos bastidores, com tentáculos no judiciário, está ameaçadíssima. Ou seja: o conluio vergonhoso que existe entre os personagens da mais alta cúpula do país, já é do conhecimento da sociedade brasileira e dos organismos internacionais.

O modelo utilizado por eles é o mesmo utilizado pelos ditadores socialistas, que nas rupturas, se salvam uns aos outros. De onde veio, e de quem foi à ideia, é uma questão de tempo, mas vira a tona e ai a nação poderá fazer seu juízo final.

De 1977 a 1992, eu convivi (mas intensamente na fase que começou no exílio e até a fundação do PDT) com dois ícones do trabalhismo brasileiro, Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

O algoz do trabalhismo, era a ex-deputada Ivete Vargas, uma personalidade intransigente, divisionista e nada afeta ao diálogo. Aproveitou do desejo da ditadura militar frear a força que o movimento dos trabalhistas se aflorava, fez um pacto com a extrema direita, através do ministro ditador general Golbery do Couto e Silva.

Abraçada com os torturadores, Ivete Vargas, construí esse PTB que vocês já conhecem. Fisiológico, desnaturado politicamente e sem rumo, uma legenda de aluguel, vazia, cartorial, fruto do que foi plantado por ela.

Brizola tinha seu pequeno habitat político. A blindagem era com Cibilis Viana, Gessy Sarmento e José Gomes Talarico (esses últimos uma espécie de azougue nas articulações). Blindagem mesmo era entre Brizola e o primeiro.

A caixa preta de Brizola tinha três chaves. Mas os problemas eram menores. Não vendiam o país aos estrangeiros, a linha política era o socialismo moreno de Darcy, e a parte física estava na proposta dos “Brizolões” (Cieps) e das reformas de base, essa última, porém nunca saiu do papel.

Ao lado de Brizola, construímos um grupo independente e aguerrido e realizamos um belo trabalho de formação política, trazendo jovens e figuras da época (que hoje flutuam ou flutuaram no cenário político.

Sem buscar notoriedade, ganhei visibilidade pela atuação e também por conta da publicação na imprensa de uma lista denominada “Os cem do Brizola”, sem modéstia onde meu nome ali está. A publicação criou inveja, e (melhor era ter continuado nas entrelinhas).
Mesmo afastado por divergir do inchaço da legenda, com adesão de fisiológicos, a minha convivência era tranqüila, eles queriam cargos políticos eu queria fazer história.

Afastei-me, a partir de uma divergência com Brizola, quando este me propõe ser elo para a unificação das duas legendas PTB e PDT. Fato este que materialmente não se concretizou, nem após a morte Yara Vargas.  O PDT tinha na linha de frente, Bocayuva Cunha, José Colagrossi, Doutel de Andrade e Lygia Andrade, muito próximos de Brizola.

Políticos, magistrados e executivos salvando uns aos outros. Um acordo devasto para a democracia e o estado de direito. Blindagem foi a que conheci com Brizola. Eram projetos e mais projetos, nada corrupto, mas de grande e valiosa contribuição para a sociedade. Agora a blindagem tem outro formato. É para eles mesmos. Acordo vilão foi da falecida Ivete Vargas, que entregou o PTB para o general Golbery.

Voltando a cerne da questão. Não tenho a menor dúvida de que a mais alta cúpula do país está contaminada e pactuada. A corrupção tem outro nome, os atos do judiciário, outros formatos, e as operações são mais publicitárias do que eficientes.

Neste alto pedestal de políticos, algumas figuras foram fritadas, podendo citar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Dilma é o pior dos personagens. Desarticulada, renegando Lula, utiliza um passado conturbado na luta armada, para endossar suas atitudes e atos já denunciados pela imprensa e produto dos inquéritos e denuncias na Lava-Jato.

Sinceramente, nada espero deste modelo maldito que estamos submetidos. A divisão de classe não é hoje apenas entre capital e pobreza e sim de políticos e o povo que os elegeram. As reformas da Previdência e Trabalhista serão realizadas, a força, na manobra e na coação de deputados para sua aprovação.

Mais tarde estarão os opositores as medidas, questionando sua constitucionalidade no STF. A matéria tramitará por anos e pode ainda ser ou não retirada do mundo jurídico.
 No topo dos questionamentos, com certeza os magistrados trabalhistas, mas apenas opinarão ou questionarão aqueles pontos que atingem os seus interesses e não os da sociedade como um todo. È exatamente o que vem ocorrendo nesses casos.

Sobre blindagem, devo dizer que acobertar irregularidades de muy amigos, é crime. Mas quem vai punir? Existe coragem, moral e determinação, que será patriota a esse ponto?


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