Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 23 de abril de 2017

ANÁLISE & POLÍTICA
    “Informação com Liberdade de Expressão”


ROBERTO MONTEIRO PINHO

Pânico para Lula na Lava Jato

Depoimentos dados pelo ex-presidente do grupo Odebrecht Emílio Odebrecht e pelo ex-presidente da Braskem que é a subsidiária da Odebrecht no setor químico, Carlos Fadigas dão conta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou para resolver impasses entre a Braskem e a Petrobras, impedindo que a estatal se tornasse uma concorrente na indústria petroquímica. 
As informações foram dadas pelos empresários em mais um acordo de delação premiada. Segundo Odebrecht, uma reunião com o ex-presidente Lula na época de seu primeiro mandato foi organizada para cobrar um "compromisso do governo com o setor petroquímico", já que, durante a campanha, Lula garantiu que não "reestatizaria" a Petrobras. Até o governo Collor, era a estatal que comandava o setor por meio da Petroquisa.
Reunião do acerto aconteceu no governo Lula
"Ele aceitou e convocou essa reunião. (...) Nós preparamos um material de exposição e apresentamos tudo nessa reunião, e mostramos exatamente a todos, que os estudos da Petrobras era de estatizante nisso, nisso, nisso, naquilo e o que nós queríamos como investidores, pra gente saber se continuava ou não investindo no setor, (era saber) qual a posição do governo, já que o governo já tinha se posicionado que não haveria a reestatização do setor", conta Emílio Odebrecht. (matéria veiculada no Diário de Minas).
Repasse de R$ 37 milhões para o PT, PSDB e PSC em 2014
Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, os executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram que a empresa repassou R$ 37 milhões em doações irregulares (caixa 2) aos partidos PT, PSDB e PSC, em 2014, durante a campanha presidencial. Os repasses eram realizados em mochilas, nos encontros entre mediadores da companhia e dos partidos.

Segundo um levantamento realizado pela Agência Brasil, a partir dos depoimentos de cinco delatores para a Lava Jato, a campanha presidencial do PT foi a que mais recebeu repasse em caixa 2 da Odebrecht, uma quantia de R$ 24 milhões. Em seguida, vem o PSDB, com R$ 7 milhões, e o PSC, com R$ 6 milhões. Os repasses ilícitos foram detalhados nas delações premiadas dos ex-executivos, que tiveram os depoimentos homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste ano. 

Acerto com Dilma foi de R$ 35 milhões

Também em delação, o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, Alexandrino Alencar, descreveu como foi feito o acerto para a campanha à reeleição da candidata do PT Dilma Rousseff. De acordo com ele, o repasse de R$ 35 milhões foi combinado com o então coordenador financeiro da campanha, Edinho Silva. O dinheiro seria distribuído de maneira igualitária a cinco partidos para que apoiassem o PT e, dessa maneira, o partido conseguiria um “aumento do tempo de horário eleitoral na televisão”. Conforme Alexandrino, houve incremento de um terço após os pagamentos realizados ao PROS, PRB, PCdoB, PDT e PP. Do total de R$ 35 milhões combinados com o partido, os delatores indicam que R$ 24 milhões foram, de fato, repassados.

Depósitos eram no exterior

O ex-diretor da Odebrecht em Salvador, Hilberto Mascarenhas Silva, afirma ter recebido um e-mail de Marcelo Odebrecht, em julho, autorizando o pagamento a ser “debilitado na conta pós-Itália”, que era uma espécie de crédito que o governo federal e o PT tinham com a construtora, e que ia sendo abatido conforme os pedidos. Dos milhões de caixa 2 repassados de forma ilícita, documentos fornecidos pelos delatores ao Ministério Público Federal (MPF) indicam que R$ 5 milhões foram repassados ao PROS, R$ 2 milhões ao PDT, R$ 5 milhões ao PRB, e R$ 7 milhões ao PCdoB, além de R$ 5 milhões ao marqueteiro da campanha do PT, João Santana, que está preso.


Repasse para Aécio foi de R$ 15 milhões

Os repasses feitos para a campanha à Presidência do então candidato do PSDB, Aécio Neves, também envolveram valores direcionados a outros partidos. Os delatores afirmaram que Marcelo Odebrecht havia combinado com o tucano uma doação de R$ 15 milhões, que acabou não acontecendo porque, segundo eles, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, “eles não queriam receber o pagamento lá fora”. O ex-executivo da empresa descreve que R$ 3 milhões foram pagos em várias parcelas de R$ 250 mil, entre maio e setembro de 2014; e que outros R$ 3 milhões, em três parcelas de R$ 1 milhão, também no mês de setembro.

Assessoria de Aécio defende

De acordo com a assessoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o então candidato pediu apoio para as campanhas de “diversos candidatos”, na condição de dirigente partidário, “sempre na forma da lei”. Segundo o tucano, o próprio Marcelo Odebrecht afirmou na delação que as doações direcionadas a Aécio “nunca envolveram nenhum tipo de contrapartida”.

“O senador Aécio Neves foi um dos principais defensores do fim do sigilo sobre as delações e do aprofundamento das investigações, que considera fundamentais para comprovação das falsas acusações feitas a ele e para demonstração cabal da correção dos seus atos”, informou a assessoria.

Assessoria de Dilma defende

A assessoria de Dilma Rousseff disse que a então candidata “nunca autorizou” arrecadação de recursos por meio de caixa 2 para suas campanhas presidenciais. Em nota à imprensa no qual comenta supostos recebimentos de recursos por João Santana, Dilma afirma que as “únicas pessoas” aptas a captar dinheiro foram os tesoureiros das campanhas de 2010 e 2014, “em conformidade com a legislação eleitoral”.

“Nas duas eleições, a orientação de Dilma Rousseff sempre foi clara e direta para que fosse respeitada a legislação eleitoral em todos os atos de campanha. Ela nunca teve conhecimento de que suas ordens tenham sido desrespeitadas. Todos que participaram nas instâncias de coordenação das duas campanhas sempre tiveram total ciência dessa determinação”, informou. (as informações aqui divulgadas compõe o rool dos depoimentos dos autos da ação da Lava Jato).

Estão dando espaço na mídia para Lula crescer rumo a 2018

Eis que Lula está imantado pelo poder. Falam dele, mesmo que seja: “falem mal, mas falem de mim”. Mantido sob holofotes da mídia, não fossem as acusações contra ele, Lula jamais seria novamente lembrado pelo eleitor. O reflexo disso é a Pesquisa do Ibope, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, onde mostra que o ex-presidente Lula é virtualmente o mais cotado para vencer a eleição presidencial em 2018.

Ibope diz que 30% votam em Lula

De acordo com o levantamento, 30% dos entrevistados afirmaram que votariam em Lula “com certeza” e 17% disseram que “poderiam votar”, enquanto 51% disseram que não votariam “de jeito nenhum”.

O PSDB é o partido que mais tem pré-candidatos (os senadores José Serra e Aécio Neves e o governador paulista, Geraldo Alckmin) viram cair seus percentuais. Enquanto Serra tem 25% dos votos “certos” ou possíveis, Aécio e Alckmin têm 22%. Os três apresentaram taxas de rejeição maiores que a de Lula: 62% disseram que não votariam de jeito nenhum em Aécio, 58% em Serra e 54% em Alckmin.
As entrevistas com os eleitores foram realizadas entre os dias 7 e 11 com 2.002 pessoas em 143 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Impressiona muito que o jornal britânico Financial Times destacou a possibilidade de Lula voltar ao poder nas eleições de 2018, citando que pesquisas apontam que o possível candidato venceria as eleições se elas ocorressem hoje. O diário lembrou que Lula terminou seu segundo mandato, em 2010, com 83% de aprovação da população, motivado sobre tudo pelo fato de metade dos brasileiros terem ascendido para a classe média durante seu governo.

Dilma reivindicou as mordomias

Na véspera do impeachment, a então presidente Dilma Rousseff chamou um dos seus secretários e mandou anotara os privilégios que ela exigia mesmo quem cassada do seu cargo. Ela preparou uma lista de exigências endereçadas a Renan Calheiros, presidente do Senado e responsável por atender ou não aos pedidos. Solicitou uma frota de dez automóveis oficiais e cinco motos, além de helicópteros e aviões da FAB para viagens no Brasil e no exterior (os custos com hospedagem, combustível e tripulação obviamente bancados pelos contribuintes).

Exigências que extrapolaram e causou indignação


Numa segunda lista exigiu uma equipe de 20 assessores diretos, e uma verba para alugar uma casa de luxo em Brasília para abrigar o que chama de “governo paralelo”. Quando na ativa, tinha ao seu dispor, 80 funcionários do Palácio, entre cozinheiros, jardineiros, motoristas e seguranças. Em a metamorfose de poder, pediu para não sofrer o corte do salário pela metade, conforme prevê a legislação.

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