Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tombini: confuso, tumultuado, indeciso, sem convicção, contraditório.

HELIO FERNANDES

Deu entrevista na televisão, desperdiçou os 25 minutos de que dispunha. E principalmente, desmentiu a ele mesmo, varias vezes. Usou e abusou de palavras como "desinflação", que deixavam a impressão que estavam sendo "desinventadas" naquele momento. Foi à base de toda a sua argumentação, utilizada do inicio ao fim.

Sem compromisso com afirmações anteriores, não percebia que estava se desmentindo, sendo incoerente e contraditório. Nos primeiros dias de janeiro deste tenebroso 2016, garantiu, também na televisão: "A inflação no final deste 2016, estará no centro da meta, 4,5 por cento". Ninguém acreditou. Mas não se esperava que ele mesmo apresentasse números completamente diferentes. E isso apenas 50 dias depois. 

Na conversa, praticamente só ele falou. Textual: "A inflação cairá 2 por cento, a queda pode ser de 3 pontos neste 2016.  Como está no momento em 11 por cento admitimos que fique em 8 por cento, o máximo para este ano". Deu uma parada para a Mirian Leitão fazer outra pergunta, continuou. Sem perceber que estava "prevendo" o dobro do que ele mesmo imaginara.

Novamente textual e surpreendente: "Em 2017 cairá outros 3 por cento, o que chegará a uma inflação de 5 por cento, praticamente o centro da meta, esperado por nós". Não explicou como fará isso, que seria inédito para ele mesmo. Pela primeira vez abandonou a economia, se dedicou ao aspecto financeiro, que rotulou como muito importante. 

Não deu uma palavra sobre juros. Mas, no dia seguinte sussurrou: "Os juros começarão a cair". Não disse quando e o repórter não pode revelar de quem ouviu. 
Num país dominado por contradições contundentes, a extravagante situação do senador Delcídio Amaral, condenado á inacreditável prisão domiciliar parlamentar.

Jamais imaginamos que pudessem acontecer tantas e tão absurdas realidades, todas ao mesmo tempo. O país tem uma presidente que está mais para rainha da Inglaterra, "reina mas não governa". Só que ela não é uma coisa nem outra. Embora espantosamente coloque no orçamento a receita presumida da CPMF. Que nem foi apreciada. Mas como está no Congresso mais desmoralizado da Republica, pode ser aprovada ou recusada. Por cumplicidade ou omissão.

A jornalista Miriam Dutra desenterrou o relacionamento extraconjugal que teve com FHC, E do envolvimento que durou entre 6 e 7 anos. FHC, transformado na maior e mais badalada personagem das redes sociais, da televisão e de todos os jornais impressos, logo surgiram os contestadores, que só não foram em numero maior, porque FHC não tem a menor credibilidade. E sua versão dos fatos é tão insustentável, que o MP deve investigá-lo. E o próprio Ministro da Justiça anunciou, "ninguém está acima da lei". 

Alem do mais, a empresa supostamente envolvida com a remessa de dinheiro para a jornalista no exterior, tinha relacionamento oficial com o governo do qual dependia. Seu negocio milionário nos aeroportos precisava de concessão contratual. E de relacionamento quase sempre promiscuo com intermediários. E de entendimento político para a renovação sem licitação, das concessões que geravam lucros miliardarios.

Para terminar por hoje, apenas por hoje. FHC não tem a menor credibilidade, seja no exame do seu governo, "retrocesso de 80 anos em 8”. E nas afirmações repetidas, falando na sua cassação e exílio, coisas que jamais aconteceram. Já dei e poderia repetir fatos que desmentiriam o ex-presidente. Sempre desafiei FHC a mostrar como é que pretenso cassado como ele se dizia, poderia ter sido candidato a senador em 1978 em plena ditadura. Naquela época não havia suplente nominal. O partido registrava uma chapa com três nomes. O mais votado era o senador, os outros, primeiro e segundo suplentes, pela ordem.

Franco Montoro teve 3 milhões, eleito. FHC, quase 300 mil, suplente. 4 anos depois, já com eleição direta, Montoro se elegeu governador , FHC assumiu , passou a senador. Para corroborar, dois fatos irrefutáveis, que confirmam o que FHC jamais desmentiu. Em 1978, chegado do exílio, José Serra se candidatou a deputado estadual, a candidatura não foi registrada. Motivo alegado: Serra ainda estava cassado.

Candidato a deputado federal em l966 pelo MDB, este repórter foi cassado por 10 anos, três dias antes da eleição. Em 1977 o MDB lançou minha candidatura ao Senado em 1978. Como eu fora cassado com tempo e data fixados, minha cassação terminou em novembro de 1976, decisão revoltante.

Não fui registrado, o execrável Gama e Silva, Ministro da Justiça declarou: "A cassação não é mais por 10 anos, é para sempre”. (Foi um dos redatores do inominável AI-5, subserviente sempre. Quase no fim da ditadura, contou aos generais que estava ameaçado de morte. Foi nomeado embaixador em Portugal, anos e anos de recompensa ). Derrubaram FHC, um paladino da moral, da ética, mas não da dignidade. Não é questão intima ou particular.

Depois desses fatos abomináveis ou inacreditáveis, surge outro, envolvendo o senador Delcídio Amaral, do PT, existem muitos. Mas nenhum com essas características, desafiando a democracia. E criando uma realidade irreal, que começará a se deslindar ou se complicar a partir de hoje, segunda feira, quando Delcídio entrar novamente no Senado. Ele ficou precisamente 80 dias fora do Senado, preso. Agora, volta e deve ser presença assídua, pois o Supremo determinou que esse é o seu local de trabalho. E ele está em prisão domiciliar, só pode sair de casa para trabalhar.

È impossível imaginar os episódios constrangedores que ocorrerão. O Supremo determinou que Delcídio tenha que passar as noites em casa. Como a Câmara e o Senado, terça e quarta feira, (e ás vezes até as quintas) atravessam as madrugadas trabalhando, Delcídio não pode participar. 

Dessa forma, o Supremo que fixou o Senado como local de trabalho, está cerceando o direito do senador, e desrespeitando a própria Constituição. Que garante e até exige, que todo cidadão trabalhe, a não ser que possa provar que vive de rendas legitimas. O Supremo poderia autorizar o senador a participar de sessões noturnas. Facílimo fiscalizar se ele está lá. Tendo que deixar o Senado com "hora marcada", não se livrará de maldades ou brincadeiras irreverentes e até mesmo constrangedoras: "Senador Delcídio, ia lhe conceder o aparte, mas ultrapassará seu tempo aqui". Ou então: "Delcídio, a sessão noturna de hoje, terá grandes debates, pena que você não possa participar". Isso num tom amistoso e até falsamente generoso.

O Ministro Zavascki, que tem atuado de forma elogiável, pode resolver facilmente a situação. Sem esquecer que o senador Delcídio, do PT, terá no dia a dia do Senado, um adversário verdadeiramente inimigo: a cúpula indefensável do PT, principalmente seu presidente nacional.

Desemprego lancinante e crescente, PIB decadente e reincidente

Foi anunciado agora: 9 milhões e 100 mil trabalhadores estão sem emprego. Como sempre, o governo se diz surpreendido, mas sem condições de qualquer desmentido. Esse numera do IBGE, tem dados conclusivos apenas do ano passado. Mas nesse janeiro e 15 dias de fevereiro, já subiu bastante. Antes era só a indústria que desempregava.  Agora atingiu vários setores, incluindo comercio e serviços, em grande escala. Falam em 12 milhões no fim do ano, outros chegam a estimativas maiores.

Não haverá investimento este ano. Por desconfiança, descrença e desesperança.  E com o credito cada vez mais caro e raro. O governo fazia circular a analise de que "o PIB deste inacreditável 2016, ficaria em menos 1,9 por cento". Já está em menos 2,9. E o numero do "mercado", nada exagerado, admite queda de 4 por cento. È a realidade nacional colocada aqui no final de dezembro: 2016 será pior do que 2015. Quanto a 2017, está muito longe, como se dizia antigamente, "nada a declarar".

O Papa influencia o miliardario Trump

Duas primarias das eleições americanas. Nas republicanas, surpresas apesar de Donald Trump ter sido o vencedor, como era esperado. Mas sim pela sua declaração de que abandonou a idéia de construir um muro para impedir que os mexicanos entrassem nos EUA. Como o Papa atirou diretamente em Trump, afirmando que “quem constrói muros em vez de pontes não é um bom cristão", ele fez a declaração depois de vitorioso. 

Deb Bush, ex-governador da Florida, filho e irmão de presidente, desistiu, até agora só teve votação inexpressiva. A primaria foi na Carolina do Sul, criada no norte. Mais tarde é que surgiu a Carolina do Norte, no sul do país. As duas fazem parte das 13 províncias transformadas em estados pela constituinte de 1788. A primaria democrata, em Nevada, deu razoável vantagem para Hillary
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