Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Surpreendente: a sucessão presidencial de 2018 começa pela Prefeitura do Rio, em 2016

HELIO FERNANDES

Excluidas as anomalias, excentricidades e a profundidade da Lava jato, os caminhos eleitorais de 2016 e 2018 estão sendo traçados e começa a tentativa multipla de ocupa -los. Mas os nomes que surgem nada a ver com Lula, Marina, Aécio, talvez Alckmin  e Serra. Abertamente os supostos e presumíveis candidatos pretendem ou até disputam a Prefeitura. Eduardo Paes, prefeito reeleito do Rio, que era tido e havido como invencível para governador em 2018, não mudou o calendário e o futuro, apenas acelerou a ambição e a pretensão.

Tudo o que está acontecendo aqui e agora, começou com uma armadilha montada por Eduardo Cunha. Eleito presidente  da Câmara, sua próxima pretensão era o governo do Estado do Rio. Ainda não ocupava as manchetes de jornais e televisões como beneficiário dos mais aviltantes atos de corrupção. Espertissimo(?),  tendo a candidatura Paes como  a mais obvia e invencível concorrência, lançou o nome dele como presidenciável para 2018. Paes aceitou entusiasmado e não cogitou de outra coisa: eleger seu sucessor.

O nome já estava escolhido, o Secretario Pedro Paulo, intimissimo do Prefeito e da mesma coudelaria, o PMDB. Mas como na política e no plano eleitoral, o tempo é mais importante do que o espaço, o candidato violentou o dois, inesperadamente passou a ocupar manchetes negativas e inaceitáveis. Só Eduardo Paes não aceitou a nova situação, manteve o secretario como candidato. Mesmo com o veto total do enorme eleitorado feminino. Modificação completa, com a Prefeitura ganhando status de pré-presidencial.

O primeiro a mergulhar na realidade do lamaçal, foi o próprio Cunha que tenta manter o mandato de deputado, o de Presidente da Câmara já devia ter perdido ha muito  tempo. Começou então a briga surrealista. Os que estavam nos bastidores começaram a "aparecer", como é o caso do ex-governador Sergio Cabral que tenta  reconstruir a carreira, precisamente como governador.  Dentro do mesmo PMDB    havia outro candidato potencial, Carlos Roberto Osório, Secretario Estadual de Transporte, antigo grande amigo do prefeito.

Só que este não respeita nada e fez uma jogada inacreditável. Sujissima, atingindo ele mesmo, Prefeito e mais interessado no sucesso da Olimpíada. Com estardalhaço comunicou publicamente: "Dificilmente a  linha 4 do metrô ficará pronta para os jogos". È importantissima. As consequências  surgiram logo. O governador respondeu: "90 por cento das obras  estão prontas". Carlos Roberto foi mais longe: deixou imediatamente o PMDB, se demitiu da Secretaria, mudou de partido. Tudo num movimento só. Conversou com o deputado  Otavio Leite, o único que se elege e se reelege pelo PSDB do Rio. 
    
Foi a Brasília, encontro com a cúpula do PSDB. Recebeu do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, a garantia de que o partido terá candidato próprio á prefeitura. Isso é quase uma indicação. Para o surpreendido Eduardo Paes sobrou uma inesperada conversa de 3 horas, com  Pedro Paulo. Mas tudo incerto, dos dois lados.

A prisão de João Santana e da mulher, assusta e preocupa o Planalto        
         
Apesar deles não estarem no Brasil, Dona Dilma sentiu o golpe. No julgamento do mensalão tentaram o enquadramento de marqueteiros, principalmente um que recebeu 10 milhões de dólares. Surpreendentemente  inocentado  e autorizado a ir buscar o dinheiro em Portugal. Agora determinaram a prisão do profissional poderoso que dirigiu as campanhas de Lula e Dilma.                                                         

Santana e a mulher (sócia e dirigente), devem responder por 5  acusações, corrupção , lavagem de dinheiro, até  falsidade ideológica. Mas não precisavam ficar tão assustados aqui, lá fora reagiram corretamente. Estão trabalhando na Republica Dominicana, souberam do fato, declararam: "Assim que recebermos a comunicação oficial, pegaremos um avião e nos entregaremos ás autoridades".  Podem chegar a qualquer momento. Descem no Galeão, tomam outro avião para Curitiba .                                                                                       
A euforia de Aécio Neves

Ontem, segunda feira, ninguém estava mais satisfeito do que o presidente do PSDB. Já se julgava no Planalto e no Alvorada. Disse aos senadores Serra e Aloizio Nunes Ferreira: "Estou juntando esses documentos para entregar ao TSE ainda hoje segunda ou na terça. Quero pedir que acelerem o processo". O que é que Aécio chama de acelerar?  A Ministra-relatora ainda não terminou. Votará contra a cassação, o que já fez no processo que foi arquivado .

Este repórter, desde fevereiro de 2015  tem analise irrefutável, em dois pontos.1- Não haverá impeachment. 2- Se houver alteração institucional terá que ser pelo TSE.  Mas por enquanto, chego sempre a 3 a 3. Não consigo decifrar o voto de um Ministro. Mas como irá demorar, mudanças não serão surpreendentes.    

Delcídio provocou decepção geral 

Não apareceu no Senado, como se esperava. Preferiu ficar em casa, quer dizer no hotel enorme onde mora. Como a "Ordem do dia "começa ás 16 horas, ás 15, assessores anunciaram que ele não iria. Também não comparecerá hoje, terça. Isso faz parte de uma estratégia: deixa a presidência da Comissão mas não perde  o mandato.  Exatamente o que fez Renan em 2007. A reunião da Comissão de Ética está marcada para amanhã, quarta feira. Mas um adiamento, nada surpreendente.      

O que está sendo cogitado e até já inicialmente conversado, é um acordo sem vencidos nem vencedores. Delcídio já definiu as coisas ao revelar: "Quando citei falsamente ministros do Supremo, não cometi crime, era apenas bravata". Os dois grandes dicionaristas, Aurélio e Houaiss, não registraram , mas bravata é sinônimo de constrangimento, irresponsabilidade, desprezo pela comunidade.                                                                                                r
Operação Acarajé 

O dia foi todo da Lava-jato. Começou ás 6 da manhã, atravessou a tarde, entrou pela noite. Mas os resultados foram mais do que satisfatórios. O juiz Sergio Moro mandou bloquear 25 milhões de João Santana e outros 25 milhões da mulher. O primeiro bloqueio concretizado, o segundo ainda não. As suspeitas sobre depósitos: João Santana teria recebido entre 80 e 90 milhões de reais da campanha de reeleição de Dona Dilma.

Mais de um terço fornecido pela Odebrecht, tudo com "cheiro" do combustível da Petrobras. Não é muito, sabendo-se que foram investidos, perdão, gastos, 400 milhões. Como o governo tem repetido e reiterou ontem: "Dinheiro limpo, autêntico. legitimo". Não esquecer que João Santana comandou as três últimas campanhas do PT.  Esses supostos ou garantidos 80 ou 90 milhões, só da ultima.
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