Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Avançaram no roteiro da obsessão: impedir ou proibir que a Petrobras explore seu petróleo

HELIO FERNANDES

Vem de longe. Na ultima etapa, a de ontem, caminhou no objetivo de desestatizar a empresa, através de maioria circunstancial de 40 a 26. Não é a derrota, mas empobrece financeira e economicamente a empresa já corroída e destruída pela corrupção desvairada. A luta contra o interesse nacional, começou quando poucos acreditavam na existência dessa riqueza. A primeira grande vitima foi Monteiro Lobato. Defendia não só o petróleo, mas outras fontes de progresso. Como era eclético, não usava apenas a palavra escrita, combatia desenhando.

Um dia publicou mapa com o Brasil e todos os que faziam fronteiras com ele. E a legenda: "Deus quando criou o mundo, determinou, todos terão petróleo menos o Brasil". Podia estar exagerando na fundação do mundo, mas acertou diretamente. Perseguido, preso, asilado, tentaram atingi-lo de todas as formas.

O tempo passou, veio a época em que os EUA dominavam o Brasil através de embaixadores competentes e participantes. Distribuíram então a palavra de ordem com o slogan-bordão: "Não ha petróleo no Brasil". Ficou valendo por muito tempo, até o Clube Militar (de participação certa e histórica) juntar oficiais de varias idades e uma só convicção: "O petróleo é nosso".

Foi emocionante , o Brasil todo se abraçou, festejou, comemorou, numa previa ou avançada idéia que se repetiria dezenas de anos depois na França e no mundo: "Somos todos Charlie". Ainda não havia petróleo, mas o sentimento conjugado de que existia, e deveríamos ficar preparados para defendê-lo, a cobiça era enorme. Começou a Era do petróleo no Brasil. Tentaram até modificar a palavra Petrobras, não conseguiram, recuaram. Mas  criaram as licitações, com o conluio distante mas efetivo, de FHC e Dilma, ainda não PresidentA.

Agora, aproveitando uma oportunidade eventual, cumpriram mais uma etapa no roteiro de desestatização da empresa. Tentam e por enquanto fica a impressão de que conseguiram : tirar do mercado  de extração, uma empresa que vive dessa operação. O preço do barril tem caído a preços inimagináveis, golpearam a maior empresa nacional, quando ela está em situação insustentável. Aparentemente. Não houve debate, não se discutiu amplamente essa questão importantíssima.

A propósito: o preço do barril de petróleo ontem, fechou abaixo de 30 dólares, em Nova Iorque. As reuniões entre os maiores produtores não pararam, mas não chegam a acordo. Só que insistem que no final de 2016 o barril estará em 60 dólares ou quase. Não acredito.

O grupo Gerdau vai depor na operação Zelotes

Influentes, sempre preservados. No escândalo monumental da compra e venda da refinaria de Pasadena, havia um Gerdau no Conselho da Petrobras. Fez afirmação contraditória, garantiu a ruinosa operação (para a Petrobras) mudou de lado, afirmou que o "Conselho era contra a operação". Nunca foi ouvido para explicação. Como conselheiro da presidente Dilma, muito consultado, compreensível

Agora terá que depor na bilionária e ruinosa (para a Receita) Zelotes. Era tudo planejado e executado com sucesso. Grandes empresários sonegavam, recorriam para o Carf, altos funcionários anulavam tudo. Depois do petrolão é o que deu maiores prejuízos ao contribuinte.

Eleição na FIFA

Em ritmo de corrupção, a poderosa empresa que controla o futebol do mundo, foi protagonista de um episodio que parecia impossível. Mas que atingiu o próprio presidente Blatter e seu quase visível sucessor, Platini, agora invisível e expulso por 6 anos. Da mesma forma que o intocável Blatter.

Cinco candidatos, dois deles pelo menos estranhos. Um representante da África do Sul. Em pleno Apartheid, em 1976, comunicou á FIFA, que não disputaria a Copa da África, "não jogamos com negros".

Resposta imediata: "Se não jogam com negros, também não jogam com brancos". Só voltaram muitos anos depois com Nelson Mandela.
Esperamos que da reunião e da eleição de hoje, sexta, o único vencedor seja o futebol, adorado por milhões de pessoas.

Domingo, o tapete vermelho do Oscar, que não pode ser pisado por negros

È a maior festa do mundo, nada contra. O cinema é atração insuperável. Mas por que a perseguição, desconsideração, a discriminação racial? A própria direção do Oscar enfrentou protestos de enorme repercussão. Neste 2016, 150 anos da aprovação nos EUA, em 1866, da Emenda numero 13, que "acabava” ou "acabou" com a escravidão. (Segunda feira contarei a luta heróica de Lincoln sobre o assunto).

O marqueteiro de Dilma tenta se explicar 

A estratégia do casal Santana continua. Pelo que o advogado sintetizou o depoimento dos dois, rigorosamente igual. Na verdade, só existem dois itens. 1- O dinheiro das contas secretas abertas no exterior, e a possível ou suposta ligação com a campanha da presidente. 2- Sabia ou não sabia da origem e da ligação "propineira" do dinheiro?

Conforme revelei ontem, quinta feira, "ele está disposto a concordar com o mal menor". Que seria o desconhecimento (que o advogado chamou de equivoco) e a confusão de contas dos vários clientes do exterior. Textual: "Nenhuma parte do que foi recebido no Brasil, está na lista do que foi depositado lá fora"

Por conta própria, o advogado fez o comentário: existem centenas de casos de depósitos como esse e ninguém jamais foi culpado ou condenado por isso. Acrescentou: "João Santana é um profissional da criação, só se preocupa e se interessa pelo trabalho. Não sabe nada de contas bancarias nem como movimentá-las". O que não pode desmentir: Moro bloqueou 25 milhões na conta dele, o dinheiro estava lá. Na dela o bloqueio não achou nada. 

Ainda na Republica Dominicana, assim que recebeu a noticia do Brasil, conversou com seu cliente, presidente, candidato á reeleição, disse que voltaria logo para o Brasil. O presidente pediu alguns dias, Santana respondeu: "Já reservamos as passagens, não quero nenhuma ligação com a Interpol, amanhã cedo estarei me entregando no Brasil". Foi o que fez.

A prisão temporária termina sábado. Hoje mesmo ou no ultimo dia, o juiz Sergio Moro pode anunciar sua decisão: “liberando o casal ou prorrogando a temporária por mais 5 dias".

A festa do PT, hoje no Rio

Segundo o alto escalão do partido, será grandiosa.  “A presidentA não concorda.  Por isso ficaram esperando até tarde a decisão dela. Lula não fez nenhuma ligação para  " um apelo pela presença", nem para se informar. Não será unicamente festa. A cúpula do partido apresentará projeto econômico, inteiramente contrario ao comportamento do Planalto.

Indo ou não indo, vindo ou não vindo ao Rio, o constrangimento será total. Não ha mais possibilidade de entendimento, ou melhor, nunca houve, depois que Dona Dilma vetou o "volta, Lula", praticamente acertado. A ultima coisa que a presidentA fez ontem á noite, foi ver na TV, o programa eleitoral do PMDB. Estava na rede desde anteontem, mas ela quis ver novamente. Os aliados atacaram duramente o governo Dilma, mas ela não achou hostil.
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