Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"Desindustrialização" e falta de investimento, destroem o "otimismo" dos macros economistas.

HELIO FERNANDES

Enquanto a situação se agrava, complica e tumultua, mais escassas as possibilidades de recuperação. Somos hoje o país dos "dois dígitos", a elevação dos principais itens é irreversível. Só o que não sobe é o PIB. A inflação fechou 2015 em 10,67, não existe o menor sinal de baixa, mas autoridades influentes afirmam sem constrangimento: "A inflação de 2016 fechará em 4,5 por cento, ou  seja o centro da meta". Loucura, ha 13 anos a inflação não chega nem perto. Irresponsabilidade completa cometida pelo presidente do Banco Central.

O Ministro da Fazenda também espalhou "otimismo", embora mais retraído. Nas inúmeras entrevistas que concedeu em Davos, insistiu, não mudou o discurso: "A inflação deste 2016 ficará em 7 por cento, mas estamos trabalhando para que não ultrapasse 6,5 por cento". Quer dizer, o teto da meta também não atingido nos governos Lula e Dilma.

O governo Lula teve mais pontos positivos do que negativos, mas os índices econômicos foram desanimadores. Por que então esperar melhorias, depois dos 5 anos catastróficos da presidente Dilma? Deixemos de lado a inflação, cuidemos dos juros, elevados violentamente para combater e derrubar a inflação. Os juros estavam ha pouco mais de 2 anos em 7 por cento e a inflação em 7,5 no mesmo período. No final de 2015 os juros "estagnaram" em 14,25 depois da trapalhada de Tombini com o FMI. Agora, incerteza total, ninguém sabe nada, no BC ou fora dele.

O terceiro item dessa encruzilhada, o cambio, também sem solução, exatamente como os outros dois pontos fundamentais da economia. E sem investimento. E tudo complicado pela grave crise política, que aumenta a descrença, a desesperança, estimula a falta de investimento. E sem investimento, só existe a derrocada, o descrédito, o desemprego, que também não sai dos dois dígitos, atingidos em 2015, quando 1 milhão e meio de cidadões ficaram sem emprego. São, hoje, 10 milhões e 400 mil desempregados.

Quando tomou posse no Ministério da Fazenda, Rui Barbosa fez discurso extraordinário. Textual: ” O Brasil precisa deixar de ser um país essencialmente agrícola. A Revolução da Inglaterra tem mais de 100 anos (1780) temos que nos industrializar". São Paulo, a "locomotiva” do Brasil, vivia exclusivamente do café. Plantava, colhia e exportava 96 por cento de todo o café bebido pelo mundo. Com a crise de Wall Street de  1929, ninguém comprava, passaram a queimar ou jogar café no mar, para manter os preços.

Forçados pelos rumos do mundo, os "barões do café", partiram para a industrialização, com bastante sucesso. Mas nas épocas de crise, varias, se omitiram, não quiseram se arriscar, "desindustrializaram", como agora. Precisam investir, mas não podem demorar. Dona Dilma é a grande responsável por tudo, mas o alto empresariado é cúmplice da catástrofe. Ou cumpre sua parte e dá o empurrão necessário e indispensável para a recuperação e o crescimento, ou naufraga junto. Já perdemos 5 anos. Mas não podemos esperar 2018. No calendário da crise assombrosa que devasta o país, não existe amanhã. Poderia ter havido salvação com Lula em 2014, Dona Dilma não deixou. Agora não ha salvação com Lula nem para ele.

Foi divulgado ontem, o resultado da indústria em 2015. A queda da produção foi de 8,30, a maior desde 2002. Apesar das desonerações, privilégios, vantagens, oi o setor que mais desempregou. O ritmo é o mesmo no primeiro mês de 2016. 

Bolívia.

O presidente Evo Morales esteve no Brasil em visita oficial. Merecidamente homenageado, faz um bom governo. Ha 60 anos é o maior fornecedor de gás para o Brasil. Em 1957, Juscelino começou a comprar o produto, assinou com a Bolívia, os Acordos de Roboré.

Quem representava o governo brasileiro, era o senhor Roberto Campos, então presidente do BNDE. (Na época não tinha o S de social, hoje tem o S mas continua sem o social, "empresta a juros baixíssimos principalmente  a empreiteiras investigadas e condenadas na Lava-jato).

O senhor Roberto Campos, notório "americanofilo”, quis favorecer os EUA, nada a ver. Denunciei o fato (eu escrevia então no Diário de Noticias), ele me processou, foi meu primeiro processo. Meus advogados, Raul e Evandro Lins e Silva, ganhamos com facilidade.

A propósito: no café da manhã, o vice Michel Temer fez uma força enorme, não saiu do lado de Dona Dilma. Tão ridículo, muita gente ria e comentava. Dona Marta vai disputar a Prefeitura pela quarta vez

Foi candidata, aristocrata conhecida, surpreendentemente se elegeu. Ficou quatro anos, tentou a reeleição com a maquina e todos os poderes, foi derrotada. Quatro anos depois, com apoio de Maluf, nova derrota, era a terceira candidatura. Esperou, tinha certeza de que em 2010, seria indicada por Lula para sua sucessão.

Confessou que chorou quando Lula indicou Dilma para o cargo, decidiu pela quarta candidatura á prefeitura.  Não tinha nenhuma outra oportunidade. Agora, aos 71 anos, no fim da linha, está em campanha, massacrando o PT, o mínimo que diz: "O partido acabou".

Tem andado de trem, ônibus, metro, escreve emocionada. Não conhecia esses meios de transporte, que usa ocasionalmente. 

Seis meses de previas nos EUA.

As eleições americanas não são simples, fáceis ou indiretas, como muitos apregoam. Complicadíssimas, exigindo demais dos candidatos e dos eleitores. A grande novidade foi à convenção da Filadélfia, que se realizou cinco meses antes da constituinte de 1787 e a promulgação da Constituição de 1788, quando se realizou a primeira eleição. Foram fundados 2 partidos. E um deles não era o Democrata, como muitos acreditam. 

O primeiro naturalmente foi o Republicano, e o segundo o Federalista. O Partido Democrata foi criado em 1829, 40 anos depois da posse de Washington. As grandes figuras que se chamaram na Constituição de "país fundadores", se elegeram pelo Federalista. (Washington, Arthur Adams, Jeferson, Monroe,etc.) .  A grande luta era para saber se o pais, que não tinha nem nome , seria "estadualista" ou "federalista". Ficou sendo, como até hoje, 70 por cento "estadualista" e 30 por cento "federalista". 

Por causa disso, a predominância das primarias estaduais. Diretissimas. São importantes, todas. Ontem houve surpresa, sempre existe. Trump acreditou que ganharia fácil, ficou em segundo, apenas um ponto na frente do terceiro. (24 contra 23). Hillary sofreu, ganhou por margem mínima, mas não se sente ameaçada. Atrás dela o tempo todo, o marido Bill, candidatissimo a "primeiro damo”. Mas falta muito para todos. 

PS- Sem qualquer explicação ou necessidade, Dona Dilma foi ao Congresso. Sem credibilidade, tenta substituir o apoio individual do "troca-troca", pelo apelo ao coletivo, "em nome do país”. Nenhum sucesso, não foi levada a serio.Um inicio de vaia, justamente abafado.Todos já conheciam o que ela ia pedir, não ganhou 1 voto.

Aplaudida sem entusiasmo, vai perder todas as votações, menos a do impeachment. Está bem, é salva, continua, para quê? Chamou a atenção o numero de seguranças, que faziam fila atrás da presidente. Medo? De qualquer maneira, mais uma oportunidade perdida. 
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