Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Declaração estranha do vice Michel Temer: o PMDB "precisa" da presidência

HELIO FERNANDES

Para que não haja duvida, uma explicação: as aspas na palavra precisa, foram colocadas pelo próprio vice presidente. Qual a razão?  Mas a sua afirmação é tão surpreendente e cheia de contradições, deixemos os esclarecimentos para ele.

Ficamos com os comentários. Os partidos, todos, deveriam obrigatoriamente lançar candidato a presidente. Se não lançassem, perderiam o direito ao fundo partidário e não teriam acesso ao horário eleitoral falsamente considerado gratuito. Se não fossem para o segundo turno, aí poderiam fazer acordo. 

Defendo essa convicção desde o fim da ditadura. Mas o PMDB jamais aderiu a ela. Sempre preferiu ajudar a eleger o presidente, e receber a recompensa luxuosa e suntuosa. Se elegesse o presidente teria que distribuir os cargos mais importantes.

Roberto Requião, varias vezes governador e senador do importante Paraná, quis ser candidato. O PMDB não se interessou. Controlando o partido (presidente) ha mais de 10 anos, Temer não percebeu que o PMDB precisava da presidência. Quer dizer, percebeu, mas não era cacique nem tinha cacife. Foi acumulando cargos, apesar das medíocres e quase inexistentes votações para deputado. Agora, se julgando o único nome suposto ou previsível, tenta empurrar o PMDB para disputar a presidência.

Candidato, não precisa se desincompatibilizar, já confessou em carta aberta distribuída por ele mesmo: "Sou um vice decorativo".

Aos 71 anos, tendo perdido as oportunidades de ser presidente sem voto, sem povo, sem urna, arrisca para 2018. Estará com 74 anos. Para se fortalecer tem que convencer o PMDB e garantir a reeleição na presidência da sigla. Só em março, uma eternidade num partido chamado de motel. È bem verdade que o amigo-companheiro trabalha 24 horas para reconduzi-lo. Pode ser o ultimo e desesperado lance dos dois.

Sergio Moro entrega a Lava-jato ao TSE

Nenhuma surpresa, mas o inesperado. Através de oficio, comunica ao TSE, “que na campanha eleitoral de 2014 entrou dinheiro das propinas da Petrobras". Lógico, não cita nomes de personagens ou de partidos, mas garante que "as investigações provaram que a corrupção da Petrobras financiou candidaturas". O Planalto sentiu o golpe, da mesma forma que o vice, já em campanha para 2018. E derruba duas alegações dos envolvidos. 

1- "Todos os recursos da campanha foram registrados no Tribunal Eleitoral". 
2- E todas as "prestações de contas, foram aprovadas por unanimidade". Agora, tudo isso perdeu a importância. Desastrada como sempre, Dona Dilma deixa entrever que vai fazer tudo para que o julgamento do TSE não aconteça antes de maio. Não é uma predileção pelo calendário, mas atenta ás modificações que ocorrerão na cúpula do TSE. (Tudo já antecipado aqui). O Planalto não tem informação a respeito de melhoria na votação, com a entrada de Rosa Weber no TSE e a presidência passando para Gilmar Mendes. Só que pior do que está consideram que é impossível.  
    
Sempre deixei claro que não haveria impeachment, a solução definitiva e por enquanto indefinida, viria do TSE. Continuo acreditando nisso. As contas aprovadas por unanimidade podem ser desaprovadas sem surpresa.    

O DEM muda de líder e de orientação

Sem muita representatividade, o partido pretendia e pretende ser ético e de oposição. Mas quase não se percebe. A não ser na omissão diante da manutenção de Eduardo Cunha na presidência da Câmara. O ex-líder, Carlos Sampaio, era assíduo freqüentador do palácio residencial de Cunha. Devia ter respaldo ou apoio da cúpula.

Escolhido o novo líder, Antonio Imbassahy, o jornalista Bernardo Mello Franco, perguntou a ele: "O senhor continuará freqüentando a residência oficial do Presidente da Câmara?". Resposta, critica veemente ao antecessor: "De maneira alguma".  

1 - Eduardo Cunha é notificado pelo Supremo
2 - Eduardo Cunha anula a votação do Conselho de Ética  
3 - Eduardo Cunha tenta eleger o líder do PMDB

1-Um dia antes do recesso, o Procurador Geral pediu o afastamento da presidência da Câmara e a perda do mandato de deputado de Eduardo Cunha. Como o processo estava sob sigilo, não se conheciam as razões embora o acusado seja mais do que notório. O Ministro Zavascki afirmou, "decidirei depois do recesso". Admitia-se que consultasse a Turma ou até o plenário.

Ontem, terça, ás 10 da manhã, Cunha recebeu a intimação tem 10 dias para se defender. Como já foi quebrado o sigilo, constata-se que Cunha terá uma defesa dificílima, com obstáculos quase intransponíveis. Pois Janot juntou 11 acusações com provas i r r e p e e n s i v e i s.

2- Às duas da tarde se reuniu o Conselho de Ética, a primeira vez depois do recesso. A mesma falta de ética, de compostura, de respeito próprio ou com a opinião publica. Inacreditavelmente Eduardo Cunha foi novamente o personagem principal. Não estava presente, mas os servos, submissos e subservientes o representaram magistralmente. E o tumulto foi o mesmo de sempre. 

Na ultima sessão foi aprovada a "admissibilidade" do pedido de culpa de Cunha, e o processo enviado para o plenário. Só que no recesso, o vice presidente da Câmara cúmplice do presidente, anulou todo o processo, determinando que começasse do zero. Ficou tudo para hoje, quarta-feira, embora não se saiba o que vai acontecer.

Antes mesmo de a sessão acabar, Eduardo Cunha entrou com Mandado de Segurança no Supremo, a oposição fez o mesmo. Ele quer mais tempo para se defender. Segundo ele, se passaram "apenas" 4 meses. A oposição quer a validade da votação anterior.

Mas a sensação do dia foi à presença do Presidente da OAB Nacional e a leitura do manifesto candente e verdadeiramente republicano. Pede o afastamento cautelar do presidente da Câmara. Os apaniguados de Cunha não tiveram a coragem da contestação. Mas logo depois varias reuniões, e não apenas de deputados. O Congresso na quase totalidade, assumia a responsabilidade da permanência de Cunha.

3- No ultimo e grande acontecimento do dia, ainda e sempre na carruagem principal, Eduardo Cunha. Eram as ultimas articulações para a eleição do líder do PMDB na Câmara, cujo resultado será conhecido hoje. Deve ganhar Picciani, embora Cunha afirme: "Meu candidato tem 45 votos". Não acredito. Se acreditasse, teria vivido e lutado em vão.
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