Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

(CONTINUAÇÃO DO PARTE – ll)

A MORTE DO DITADOR CASTELO BRANCO, DOCUMENTO HISTORICO QUE COMPLETA 48 ANOS – IIl.

HELIO FERNANDES
15.01.15

Roosevelt, ao acabar de morrer era violentamente condenado por jornalistas norte-americanos, tendo mesmo um deles chegando a dizer "que morrera um comunista que traía o seu próprio país". D. Pedro II ao morrer, era cruel e violentamente atacado antes mesmo do seu corpo baixar à sepultura.

O império romano, que era tido e havido como uma muralha intransponível, foi abalado pela morte violenta de Cristo e pela sua flagelação, que inclusive desencadeou um processo que não terminou até hoje. Os exemplos são inúmeros e sem conta. Stalin já foi herói, canalha outra vez herói e no momento a confusão é tão grande que ninguém pode sequer afirmar com segurança se seu nome figura até mesmo nos livros de História da Rússia...

Júlio César foi apunhalado por seu maior amigo quem ele venerava como filho. E o próprio Brutus, depois de assassinar aquele a quem mais amava no mundo, chorou amargamente, pois o que destruía ao assassinar Júlio César, era o despotismo era a ambição desvairada, era a sede de poder que se sobrepunha a tudo. Brutus adorava o homem e desprezava o político. Por isso, assassinou-o. E Shakespeare sintetiza magnificamente esse drama, em poucas palavras: "Para o homem as lágrimas; para o homem o amor; para o homem a alegria; para o homem a honra. Para a ambição e o despotismo do político, a morte."

O jornalista é o melhor informante da História, e os jornais são os grandes repositórios onde os Historiadores vão buscar os fatos que transformarão em verdades eternas ou fulminarão inapelavelmente. A própria essência e o fator principal de sobrevivência da democracia, é precisamente esse: o respeito aos julgamentos contrários. E com a minha crítica ou sem a minha crítica, o ex-“presidente” Castelo Branco já pertence à história. 

Quanto à postura que exibirá é o recolhimento dos depoimentos de hoje que dará a ultima palavra. Campos Salles saiu do governo humilhado e reabilitou-se.

Floriano foi apedrejado e repudiado, mas já adquire hoje uma dimensão própria. Quem dirá que o mesmo não acontecerá com Castelo Branco? No meu entendimento, a passagem do tempo só agravará os seus terríveis erros. Mas quem dirá que o meu entendimento não será superado pelo julgamento da História?

De qualquer maneira, a mim o que interessa é  meu julgamento íntimo. Com o ex-presidente vivo ou morto, mantive-me coerente, não modifiquei uma linha o meu comportamento diante dele. Como político ou como figura histórica minha impressão sobre ele, é sinceramente a mesma. 

É muito conhecida a posição de alguns donos de jornais em relação a Juscelino e Jango. Quando estavam no Poder, eram chamados de estadistas endeusados, elevado às culminâncias, glorificados em vida. Agora que estão fora do poder no ostracismo, cassados e banidos são chamados dos piores adjetivos, insultados quase que diariamente. Essa canalhice eu me recuso a praticar.

Quanto ao meu julgamento político sobre o Castelo Branco era rigorosamente igual ao da maioria esmagadora do Exército. E tanto isso é verdade (hoje uma simples verdade, amanhã um fato rigorosamente histórico), que o ex-“presidente” foi virtualmente deposto, pois de outra maneira o seu esquema continuista, teria funcionado e o marechal Costa e Silva não seria "presidente" da República. E os que tentaram se servir da minha sinceridade e da minha coerência como trampolim para atingir as suas ambições, sabem muito bem disso.

Em outubro de 1965, o Sr Humberto de Alencar Castelo Branco foi deposto pelos seus próprios companheiros militares.


NA PRÓXIMA PUBLICAÇÃO. (IV-Parte) (...) E só não deixou o governo na madrugada de 5 para 6 de outubro de 1965, porque o general ...

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